Animari
1 Capítulo 1 - Aibara Miki
Notas iniciais
Naquele dia, a chuva respingava no vidro do hospital. O Sol se escondia nervosamente entre as nuvens, por vezes se mostrando e por vezes não. Aibara Miki, uma jovem garota de apenas 9 anos, deitada em sua cama, olhava sonhadora pela janela.
Seus longos cabelos castanhos estavam bagunçados sobre sua cabeça, podia-se perceber um leve brilho em seus olhos esverdeados. Vestia um longo vestido branco simples, de hospital. Sorria quase que involuntariamente, tamanha era a felicidade que lhe inundava. Aquele era um dia especial para Miki.
A porta do quarto em que estava Miki se abriu, aparecendo por trás dela um médico gorducho de rosto bondoso que carregava uma bandeja com comida, o lanche da manhã de Miki.
- Bom dia, Miki! Está na hora de se levantar!
- Ah, eu já vou...
- Olha que você ainda vai se atrasar, heim? E hoje é o seu primeiro dia de aula!
- Eu sei, eu sei, já estou me levantando...
O médico colocou a bandeja sobre o criado-mudo e saiu do quarto para que Miki pudesse colocar o seu uniforme novo da escola. Miki notou que seu lanche daquela manhã era diferente: tinha panquecas, biscoitos, pão, frutas, bolo... O médico lhe havia preparado um lanche farto naquele dia. Comeu o seu lanche da manhã calmamente, mas sem conseguir comer tudo por causa da quantidade.
Miki abriu o seu baú e retirou dali o seu uniforme novo, reluzente: era um uniforme bonito, estilo marinheiro, mas nas cores vermelho e preto. A saia era xadrez, misturando preto com cinza escuro. "Vermelho e preto! As minhas cores preferidas!".
Colocou o seu uniforme novo com o máximo de cuidado possível, queria dar uma boa aparência na escola. Para Miki, esse não era um simples primeiro dia de aula. Aquele era realmente o seu primeiro dia de aula, Miki nunca tinha estado na escola antes.
Após terminar de se arrumar Miki olhou para o relógio e reparou que se não se apressasse estaria atrasada. Saiu correndo, pelos corredores do hospital, dirigindo-se à porta de saída. Nem esperou para ouvir o médico, que lhe gritava alguns últimos avisos da porta do hospital. Entrou no ônibus escolar, que tinha acabado de chegar.
O ônibus prontamente partiu, deixando uma densa fumaça cinza atrás de si. Miki sentou-se em um lugar vago no fundo, próximo à janela. Foi apenas dentro do ônibus que Miki percebeu como se sentia estranha: tudo ali era novo para ela, dando-lhe uma sensação de constrangimento. As outras crianças dentro do ônibus gritavam e faziam bagunça, o ajudante do motorista tentando manter a ordem.
Miki permaneceu sozinha durante quase toda a viagem, olhando para fora da janela. Sempre desejou ir a uma escola, mas no momento sentia-se como se nunca algum dia lhe tivesse passado pela mente a ideia de que quisesse ir para lá. Encolheu-se o mais que pôde, tentando ao máximo ficar invisível, mas não conseguiu. Após apenas alguns poucos minutos, a viagem de ônibus começava a lhe parecer infinita, por que não chegavam logo no destino? Miki, ao mesmo tempo, queria agora que o ônibus nunca chegasse à escola. Apenas olhava pela janela, sem dizer nem uma palavra, quase que imóvel, como se nem estivesse ali.
Durante o trajeto, o ônibus fazia algumas paradas para pegar mais algumas crianças bagunceiras. Foi exatamente em uma dessas paradas que entrou no ônibus uma outra garota, mais ou menos da idade de Miki. Com a sua entrada, o barulho no ônibus cessou quase que instantaneamente. Todos começaram a olhá-la, inclusive Miki, com um pouco de curiosidade por causa da mudança. Miki percebeu como aquela garota era bonita: os olhos eram de uma cor castanho clara, quase que azul. Os cílios eram longos e delicados, possuía longos cabelos loiros que lhe chegavam até a cintura, presos por uma presilha vermelha parecida com bolas de natal. Seu jeito de andar era elegante, imponente, todos naquele ônibus pareciam ter algum respeito por aquela garota. Miki ficou maravilhada com a beleza da garota, o que Miki não faria para ser como ela...
A menina andou pelo corredor do ônibus, até o fundo. Em seu caminho, diversas pessoas, na maioria garotos, ofereciam-lhe seus lugares. Ela, porém, não parecia interessada nos lugares que lhe ofereciam. Caminhou decidida até o fundo, parando ao lado de Miki. Miki ficou assustada, era estranho alguém desconhecido querer sentar-se ao seu lado, ainda mais uma garota tão popular quanto aquela.
- Posso me sentar aqui?
- Ah, sim, claro...
Miki passou o resto da viagem sentada ao lado daquela garota estranha, mas sem dizer nem uma palavra a ela. Olhava para ela com certo interesse, mas ela não lhe retribuía o olhar. Após um longo momento, o ônibus finalmente parou em frente à escola nova de Miki. A garota sentada ao seu lado levantou-se prontamente, saindo do ônibus. Todos os outros imitaram os seus gestos, seguindo-a. Miki relutava em sair do ônibus, não queria ir para a escola, mas foi obrigada pois o motorista começava a ficar irritado com a sua demora. Saiu do ônibus a contragosto, mas no fundo sentia alguma excitação em conhecer a escola.
Após sair do ônibus, olhou para frente e viu erguer-se a imensa escola sobre seus olhos: o Colégio Mungen. Sua aparência não era lá grande coisa mas era agradável olhar para a construção, as árvores e as flores em volta do colégio. Um pátio enorme se localizava no centro, com uma pequena fonte jorrando água. Miki seguiu andando pela pequena estrada, em direção à porta do colégio. Algumas crianças se divertiam em um canto, outras apostavam pequenas corridas. Algumas, não brincavam e nem faziam apostas, tentando mostrar que já não eram mais crianças. Miki adoraria juntar-se com aqueles grupos, mas era muito tímida para aproximar-se. Apenas continuou seguindo cabisbaixa o seu caminho.
Um repentino e longo sinal percorreu todo o pátio, chegando aos ouvidos das crianças. Saíram todas correndo em direção à porta do colégio, em direção às sua respectivas salas de aula. Miki ficou para trás, deixando-as passarem à sua frente. Ficou algum tempo ali, parada, até que uma mulher, provavelmente uma professora, aproximou-se de Miki.
- A senhorita deve ser Aibara Miki, a nova estudante, não é?
Miki confirmou com um gesto com a cabeça.
- Aibara-san, por favor, me seguida. Te levarei até a sua sala de aula.
Aquela mulher, desconhecida por Miki, começou a andar. Miki a seguiu, entrando na escola. Aquela moça começou a conduzi-la pelos longos corredores, que formavam um imenso labirinto pela escola. Por hora viravam à direita, por hora viravam à esquerda.
- Nossa escola, Aibara-san, é um único prédio para todos os níveis de ensino: Educação Infantil, Ensino Fundamental e Ensino Médio. Portanto, é necessário que seja um grande estabelecimento.
Após algum tempo andando, a mulher parou em frente a uma pequena porta no meio do corredor, cuja placa dizia “Banheiro”. Pediu licença e entrou pela porta.
Miki permaneceu em frente à porta, refletindo. O que faria quando chegasse na sala de aula? E se praticamente “congelasse” quando visse a turma? Miki sentia muito medo de tudo aquilo...
Miki começava a sentir-se desesperada quando, de repente, um ruído estridente foi ouvido à sua esquerda, do lado oposto do banheiro. O vidro da escola havia se estilhaçado, cacos de vidro voavam para todos os lados. Miki se abaixou, tentando proteger sua cabeça dos pedaços de vidro com as mãos. Alguma coisa estranha e preta passou rápida ao seu lado, parecida com um animal. Mas o que seria aquela coisa? Que motivo teria para quebrar o vidro? Miki continuou abaixada, as mãos sobre a cabeça, os olhos fechados. Qualquer que fosse a coisa, não poderia ser nada muito bom...
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