Animari
2 Capítulo 2 - A escola Mungen
Notas iniciais
Miki continuava sentada no chão, os olhos fechados. Nada daquilo poderia ter acontecido. Tudo era apenas sua imaginação... Miki começou a abrir seus olhos, lentamente. Sua visão estava um pouco embaçada, quase tinha começado a chorar pelo susto que havia tomado. Olhou à sua volta. Do seu lado esquerdo, algo estranho e preto. Afinal, aquilo não tinha sido um sonho.
Miki ficou olhando de frente para aquela coisa estranha ao seu lado, tinha vontade de gritar e sair correndo. Porém, não conseguiu. Suas pernas não se mexiam ao seu comando e sua voz estranhamente não saía. Apenas ficou ali, encarando a criatura de frente. Um barulho enorme tinha sido feito quando o vidro da janela fora estilhaçado – por que ninguém chegava para socorrê-la?
Olhou melhor para aquele animal por algum tempo, que a Miki lhe pareceram horas. Era pequeno e possuía pelos curtos, negros e aveludados. Possuía o físico de um cachorro, mas suas patas e orelhas tinham formatos estranhos. Uma camada de pelos mais escuros ficava sobre seu pescoço, fazendo com que parecesse que usava uma coleira.O animal, após Miki tê-lo observado um pouco, falou:
- E aí, vai ficar aí sentada o tempo todo?
Miki levou um susto imenso, aquele bicho tinha falado? Miki hesitou um pouco, mas o respondeu com uma outra pergunta:
- V-você fala?
- Horas, é lógico que eu falo, você também!
Miki ficou ainda mais assustada, mas conseguiu continuar falando:
- Mas você é um animal, animais não sabem falar!
- Ah, os animais não falam no seu mundo?
Miki quase que desmaiou, aquilo era um etê?!
- Mas então... O que é você?
- Oras, eu sou você!
Os dois, subitamente, ouviram o abrir da porta do banheiro. De lá, saiu a professora que antes estava acompanhando Miki.
- Aibara-san, o que está fazendo sentada no chão?
- Professora, a senhora não ouviu o barulho do vidro quebrando? E esta coisa estranha aqui do lado?
- A senhorita deve ter apenas imaginado, Aibara-san. Não ouvi nenhum barulho de vidro sendo quebrado, não há cacos de vidro no chão. Além disso, não há nada no lugar em que está apontando.
Quanto ao vidro, a professora realmente tinha razão: misteriosamente, o vidro continuava inteiro e não havia nem um caco de vidro no chão. Mas, quanto ao animal, ele continuava ali, bem ao lado de Miki, como é que a professora não conseguia vê-lo?
- Mas professora, ele está bem aqui, não vê? Este animal estranho, de pelos negros?
- Aibara-san, pare de insistir na mesma coisa, não vejo nada.
- Mas professora...
- Fique quieta, Aibara-san! A senhorita tem que aprender a ser menos persistente em coisas como essa! Agora, siga-me.
Miki ficou desapontada, será que só ela conseguia ver aquela coisa? O bicho a acompanhou, logo desaparecendo misteriosamente no ar enquanto dizia um “Pode deixar comigo”. A professora e Miki continuaram a se dirigir para a sala. Miki, com aquela confusão, quase que tinha se esquecido de que precisaria entrar na sala de aula. A tensão voltou-lhe ao corpo, começou a caminhar um pouco mais lentamente. Miki, porém, não conseguia mais se concentrar tanto nisso como antes. A imagem do encontro com o animal não lhe saía da cabeça.
Após um curto período de tempo, Miki e a professora finalmente chegaram até a porta da sala da 5ª série C. A professora abriu a porta, as duas entraram. Dentro da sala de aula, o caos reinava.
Diversas carteiras caídas no chão, as poucas que restavam em pé tinham algum menino em cima. Livros rasgados e amassados estavam também caídos no chão. Algumas meninas gritavam, pois um menino tentava assustá-las com uma barata. E, no meio de toda essa confusão, sentada bem no centro, estava uma pessoa já conhecida por Miki: a menina de cabelos loiros que encontrara no ônibus. Não muito longe dela, encontrava-se um jovem menino loiro que lhe chamou a atenção, também não estava bagunçando com os outros.
Com a entrada da professora na classe, a algazarra subitamente parou. Todos os alunos levantaram as carteiras e correram para os seus lugares, tentando arrumar o mais rapidamente possível o que houvesse para ser arrumado. A professora olhou para os alunos com um sorriso de satisfação. Escreveu o nome de Miki na lousa e se direcionou para o meio da classe. Anunciou:
- Meus alunos, esta é sua nova colega: Aibara Miki. Ela está adiantada, possui apenas 9 anos. Aibara-san, cumprimente seus novos colegas.
Era verdade que Miki estava adiantada: recebeu aulas particulares no tempo em que esteve no hospital, por isso conseguiu entrar em uma série de nível mais elevado. Miki viu os olhos dos alunos se virarem em sua direção, o que a deixou nervosa. Não conseguiu dizer nem uma palavra, a voz novamente lhe falhara.
Todos agora olhavam em sua direção, com ar de surpresos. Não pareciam apenas surpresos, mas assustados, admirados. Miki não entendeu porque tanto olhavam para ela. Pensou:
“Será que tem algo de diferente em mim que nem eu reparei?”
Miki sentiu mais medo que antes – porque olhavam para ela com tais rostos, porque não olhavam para outra direção? Miki começou a olhar para baixo, de modo lento – será que tem algo de errado com a minha roupa? Miki continuou virando a cabeça, hesitando um pouco. Olhou para sua roupa e levou um susto. Havia algo de errado com ela. Mas de onde tinha aparecido tudo aquilo?
A roupa de Miki estava diferente daquela que ela tinha saído com. Usava um colar de correntes, um cinto transado com enfeites também de correntes, um broche e anéis de caveira, pulseiras pretas e vermelhas, panos extras na cor preta: somados com o uniforme preto e vermelho do colégio, lhe davam uma aparência meio gótica. Além disso, usava uma maquiagem que nem se lembrava de ter colocado: uma sombra escura sobre os olhos, seus cílios estavam maiores, suas unhas estavam pintadas com esmalte preto. Miki nem sabia como aquelas coisas tinham aparecido, estava tão assustada quanto os seus colegas.
A professora achou que estava ficando louca, pois poderia jurar que antes de entrar na sala de aula Miki não usava todas aquelas coisas. Quase sem palavras, murmurou:
- Miki... Não vai escolher o seu lugar...?Sendo as palavras da professora pronunciadas, os alunos subitamente saíram de seu estado de surpresa e começaram a falar quase que ao mesmo tempo.
- Miki, venha se sentar ao meu lado!
- Não senta com ele, não! Ele tem chulé!
- Ei, Miki, venha se sentar comigo, então!- Ah, ela não iria se sentar com você nem morta!
- Ah, é? Então vem aqui ver o que é bom!
Miki ficou assustada, era raro os outros oferecerem lugares para ela. Porém – Miki não sabia porque fez isso, parecia que seu corpo tinha se movido sozinho – Miki caminhou calmamente até o fundo da classe, onde foi se sentar próxima à garota que havia sentado ao seu lado no ônibus. Enquanto fazia isso, disse de forma bem alta e clara para que todos ouvissem:
- Como se algum dia fosse me sentar perto de pessoas como vocês.
Quando ela disse isso, todos pararam de falar. Todos os que estavam presentes na sala olharam maravilhados para Miki. Miki sentou-se em sua cadeira, com um olhar frio que lançava para todos daquela classe. Após um breve momento de silêncio, em que Miki recebia olhares curiosos de diversas pessoas, a professora finalmente deu início à aula.
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