Anima

1 Um inesperado encontro


Notas iniciais
No capítulo inicial não tem muitas informações sobre a história, mas da pra sacar um pouco sobre o enredo. Aqui é onde o James e Katherine se conhecem (awnnnn), sim ele é um pouco chatinho mesmo, mas é por causa das coisas que ele passou. Espero que gostem e fiquem a vontade pra comentar e dar opiniões, críticas são bem vindas ok? E sem falar que a interação com os leitores me empolga bastante o que me faz escrever mais rápido.

Não sei como meu pai conseguia acordar com um humor tão bom às 7 da manhã numa segunda-feira, eu particularmente estava um caco, fiquei mais uma noite em claro por causa dos malditos pesadelos com espíritos, eu não podia vê-los, mas tinha certeza que eles estavam por ai. Desci para cozinha, todos estavam tomando o café da manhã, o relógio marcava exatamente 7:20 da manhã eu tinha que estar na escola as 8:00, era o primeiro dia de aula e eu não queria chegar atrasado.

– Olha só, parece que a donzela acordou. – disse Ethan, meu irmão mais velho insuportável.

– Me deixa em paz cara. – falei sem demonstrar alguma importância com o que ele havia dito enquanto me juntava a eles na mesa.

– “Oh, oh, eu posso vê-los, os monstros estão em todas as partes, alguém me ajuda”. – ele continuou.

– Eu já falei pra você me deixar em paz cara – comecei a ficar nervoso. Ethan não acreditava no que eu falava e ele sempre usava isso para me tirar do sério, na verdade nenhum deles acreditava, porém os meus pais tentavam demonstrar um pouco de compreensão.

– E se eu não parar? O que você vai fazer?

Sem pensar duas vezes acertei o centro de sua testa com uma maçã que estava na mesa, o impacto o fez cair para trás. Ouvi-o soltar um gemido de dor enquanto ele levava a mão até a mancha vermelha que se localizava no centro da sua testa.

– Vocês pretendem continuar isso até quando? – disse meu pai que assistia tudo em silêncio até aquele momento.

– Ele mereceu! – falei.

– Eu vou esfolar você vivo seu retardado mental.

– Já chega! Os dois! Terminem e sumam da minha frente. – disse meu pai finalmente.

– Não precisa nem repetir. Levantei da mesa e peguei minha mochila que estava em cima do sofá, eu tinha trinta e cinco minutos para chegar ao colégio, como ele não ficava tão longe conseguiria chegar a tempo se eu não perdesse o metrô que sairia às 07:45, bati a porta quando sai.

Segui pela calçada com um pouco de pressa, queria me distanciar o mais rápido possível daquela casa, a manhã estava muito fria mais do que os dias anteriores, parece que uma onda de friagem inundou a cidade toda. Muitas pessoas andavam pelas ruas, crianças com mochilas nas costas, adultos correndo atrasados para o trabalho, na esquina havia um casal discutindo, era mais uma manhã normal e o que me parecia nada de espíritos vagando por ai, puxei as mangas do meu casaco e continuei caminhando.

A estação estava lotada de pessoas, parei no topo das escadas e observei antes de descer aquilo me parecia muito estranho, não sei o motivo, mas eu estava com esse pressentimento de que alguma coisa estava errada, estava tudo tão perfeitamente normal – olhei para os lados e desci em direção de um banco que estava próximo do fim das escadas, um senhor estava sentada lá. Sentei-me e coloquei a mochila no meu colo.

– Você é o James não é? – disse o senhor enquanto olhava diretamente para frente, isso foi o que me deixou curioso. Ele não havia em momento algum direcionado seus olhos a mim, apenas olhava para frente sem ao menos piscar.

– C-Como você sabe meu nome? – perguntei com voz falha.

– A questão é: quem não sabe meu querido? A partir de hoje tome mais cuidado.

Fiquei em silêncio tentando entender o que ele quis dizer com aquilo, eu não era de muitos amigos e me relacionava muito pouco com pessoas desconhecidas, senti um frio na barriga e um zumbido forte no ouvido, fechei os olhos e baixei a cabeça, quando a levantei o senhor não estava mais lá, eu juro que não demorei mais de trinta segundos, não daria tempo de ele sumir entre as pessoas, a única resposta daquilo era que ele seria um espírito. E ele falou comigo e como ele me conhecia? Minha cabeça estava a mil, não sabia o que fazer ou o que pensar e depois de três anos por que eu estaria os vendo novamente? Meu trem chegou.

Caminhei em direção da entrada ainda muito atordoado com o que acabara de acontecer. As pessoas me encaravam, parecia que elas sabiam o que havia acontecido. Entrei no vagão e me apoiei na barra de segurança. Ali a temperatura havia subido, não estava mais tão frio como lá fora, era uma temperatura agradável, inúmeras pessoas entraram depois de mim e procuravam lugares para se acomodar, fiquei observando-as quando mais uma vez aconteceu.

Um zumbido ensurdecedor tomou conta dos meus ouvidos. Senti meu corpo congelar aos poucos, e por dentro a sensação foi a mesma. Senti uma enorme vontade de chorar: Era como se a felicidade houvesse sido extinta do mundo, e todos os outros bons sentimentos tivessem ido com ela.

Senti tudo girando, e minha visão ficou turva, mas nada se comparava a sensação que eu estava sentindo naquele momento.

Tentei levantar a cabeça e observar ao meu redor. Vi um borrão sombrio não muito longe de mim, um homem totalmente de preto me olhava com uma expressão psicótica, e um sorriso macabro lhe surgiu nos lábios. Tentei segurar na barra de ferro, mas a tentativa foi em vão. Minhas pernas ficaram bambas e eu acabei perdendo a consciência.

– Moço! Você está bem? Aconteceu alguma coisa?

Ouvi alguém falar enquanto me sacudia pelos ombros, então eu abri os olhos e tentei me levantar rapidamente, assustado demais para fazer qualquer coisa, e minha testa foi de encontro com a testa da garota que estava em cima de mim.

– Ai! É assim que você agradece as pessoas que tentam te ajudar? – Ela resmungou, enquanto também tentava se levantar.

Ela tinha estatura baixa e longos cabelos ruivos que caíam como ondas por suas costas. Seu rosto possuía sardas espalhadas pelas bochechas e nariz. Ela era linda.

– O que houve? O que aconteceu? Você o viu? – perguntei rapidamente, e eu vi a confusão cercar seus olhos esmeraldinos.

– Você está bem? – Ela questiona, procurando algo em meu rosto – Acho que você bateu a cabeça quando desmaiou. – Soltou um riso entre as palavras. – E, ah! De nada.

– Sim, estou – disse. – Valeu. – Agradeci enquanto procurava a saída, em poucos minutos o trem pararia.

– Ei! O que houve? Disse alguma coisa errada? – disse ela enquanto me seguia até a saída do vagão. – O que aconteceu realmente? Você do nada caiu no chão desmaiado...

– Não aconteceu nada, foi só um mal estar. Você quer alguma coisa? –Parei e virei-me em sua direção.

– Não... eu não quero nada. Você vai descer onde?

– Por que você quer saber? Olha, eu já agradeci. Não acha o suficiente?

– Por que você é tão grosso? Não custa nada ser gentil, sabia? Ainda mais com alguém que ajudou você... – Revirou os olhos cruzando os braços.

Soltei um suspiro prolongado.

– Me chamo Katherine Weine. – Ela estendeu a mão formalmente.

Fiquei observando sua mão por alguns segundos. Não sabia quais eram suas verdadeiras intenções... O que ela queria? Aquilo já estava me incomodando, sem saber muito o que fazer apenas apertei sua mão.

– Você tem nome? – Ela questionou.

– Tenho... – Respondi enquanto saía do vagão, o trem teria parado na estação onde eu sairia.

– Não vai me dizer?

– Eu deveria?

– O.K. Não sei qual é o seu problema. Ou se você tem algo contra mim, mas só to tentando ser sua amiga.

Parei e senti o corpo dela de encontro com as minhas costas. “Ai meu nariz” a ouvi reclamar baixinho.

– Pode me chamar de James. – Continuei meu caminho.

– Então ele tem um nome... Já é um progresso James! – a ouvi rir baixinho. – Você vai para St. Agnes?

– Sim, suponho que você também vá. – Respondi curtamente.

– SIM! É o meu primeiro dia lá, fui transferida de escola esse ano e estou super ansiosa... – Ela falou tão rapidamente que se eu não tivesse prestado atenção não entenderia nada.

– Uhuuu. – Balancei as mãos ironicamente na altura da cabeça como um sinal de comemoração.

– Posso acompanhar você?

– Não.

– Por quê?

– Você fala demais.

Ela apressou o passo e passando pelo meu lado parou na minha frente, até aquele momento ela se esforçava para me alcançar sem muito sucesso até agora. Cruzou os braços e serrou os olhos me encarando.

– O quê? – Perguntei demonstrando uma falsa dúvida, afinal sabia o que aquilo representava.

– Não vou sair do caminho até você me deixar ir com você, não gosto de andar sozinha e você me parece uma pessoa legal.

– Como se fosse muito difícil passar por você. – Sorri de canto.

– Tente. – Desafiou-me.

Fui para o lado direito e ela assim também fez bloqueando minha passagem. Recuei. Agora tentei o lado esquerdo e ela repetiu meu movimento. Dessa vez eu fingi que ia pelo lado direito e quando ela tentou me interceptar rapidamente troquei de direção e passei por ela pelo lado esquerdo.

– Viu? Eu disse que seria fácil.

– Argghhh, isso é trapaça! Você me enganou.

Sorri e continuei caminhando. O colégio não estava tão longe, era só virar uma esquina e já era possível vê-lo daqui alguns metros. Olhei para trás e vi Katherine se esforçando para me alcançar, parei.

– Vem, vamos logo. – Falei enquanto massageava as têmporas.

– Então James, você tem quantos anos? Eu tenho 15, nem parece né? As pessoas vivem dizendo isso... e quando eu falo que tenho 15 elas tem uma reação de tipo: “nossa, sério que você tem 15 anos? Você parece ter uns 17 por aí”.

Não sei como ela conseguia falar tantas palavras em tão pouco tempo. Era algo impressionante e tão irritante ao mesmo tempo para uma pessoa como eu que preferia o silêncio. Ela era totalmente o oposto de mim.

– Faço 16 daqui a duas semanas.

– Que legal! Vai ter festa? Amo aniversário, bexigas, bolo, música, docinhos... Sabe? Essas coisas...

– Não, não vai ter.

– Que chato. Todo o ano minha mãe fazia um bolo enorme e chamava meus amigos, é bem divertido. Seus amigos vão ao seu aniversário?

– Não tenho amigos.

Por um minuto pensei que ela falaria alguma coisa, mas o que pude perceber foi somente a expressão de pena que surgia em seu rosto ao ouvir o que eu dissera. Continuei caminhando enquanto ela ficava para trás imóvel, parecia que estava pensando em alguma coisa e não era tão difícil adivinhar o que seria. Logo ela me alcançou novamente, mas diferente de alguns minutos que se passaram ela seguiu em silêncio por todo o caminho.

Era o meu primeiro dia de aula nessa escola e eu já tinha uma garota na minha cola, não sei se aquilo era bom. Sempre fui um adolescente sem amigos, evitava manter contato por mais de trinta minutos com outras pessoas e mesmo que eu quisesse fazer amizade com alguma pessoa da antiga escola do meu bairro era praticamente impossível. Eles me olhavam torto quando passavam por mim, parecia que eles queriam manter distância de um “louco” como eu, afinal os boatos eram grandes ao meu respeito graças ao Ethan meu querido irmão mais velho idiota e insuportável. Com o tempo eu comecei a me acostumar com a solidão, desenvolvi vários hobbies e um deles era fotografar. Eu amava fotografar coisas que me chamavam atenção e fazia isso praticamente todos os dias, todo fim da tarde antes de escurecer eu vou ao parque e levo minha câmera onde tiro fotografias de coisas que chamam a minha atenção, outros dos meus hobbies é ler. Para passar o meu tempo eu lia livros e com certeza me ajudava bastante.

Enfim chegamos ao colégio.

Notas finais
E aí, vocês gostaram? Sejam sinceros.