Anima
2 Salvo por uma garota
Notas iniciais
Estávamos parados em frente à entrada principal do colégio, ele realmente era grande, enormes janelas de vidro cercavam todo o prédio que parecia imenso olhando por fora. Alunos andavam para todos os lados, alguns se abraçavam e soltavam longas risadas, outros estacionavam seus lindos carros novos e caros perfeitamente em frente ao colégio e com certeza eu nunca iria ter um daqueles. Em frente ao colégio, no jardim, um grande carvalho balançava seus galhos que se encontravam com o vento, ele parecia ser bem antigo, suponho que estaria ali há muito tempo.
– Então, acho que nos vemos por aí James. – disse Katherine se despedindo enquanto tomava a frente e seguia sem olhar para trás.
– Sim, até mais.
Segui meu caminho, o dia seria longo no colégio. Depois de ter passado na secretaria onde peguei meus horários e o número do meu armário, enquanto andava pelo corredor avistei vários grupinhos conversando baixo enquanto eu passava, não sabia qual assunto lhes deixava tão assustados, era notável suas expressões de pânico. Aquilo estava me deixando muito curioso. Não queria me aproximar de qualquer outra pessoa e nem tentar puxar assunto perguntando o que estava acontecendo, foi quando eu ouvi duas garotas conversando baixinho próximo ao meu armário...
– Você ficou sabendo? Parece que encontraram o corpo sem vida do antigo zelador no banheiro feminino aqui no colégio nessas férias... – sussurrou a garota de cabelos negros.
– Eu ouvi comentarem, mas não sabia se era verdade. Já sabem o que aconteceu com ele? – respondeu a outra garota.
– Ouvi meu pai conversando com a minha mãe e ele disse que ninguém sabe. A polícia não faz a mínima ideia de como ele foi assassinado e parece que o diretor quer que abafem o caso para os alunos não ficarem assustados. – disse a garota enquanto olhava para os lados e continuou – e ouvi-os comentarem “acho que está acontecendo novamente”.
O sinal soou.
Acabei me perdendo pelo colégio ao procurar minha sala, era o meu primeiro dia de aula e eu já estava atrasado, olha que beleza – sentei em um banco que estava no corredor. Tirei do bolso o papel que tinha todos os meus horários e o número da sala inclusive era sala 13, turma A. O corredor estava vazio e silencioso, todos os alunos estavam em suas respectivas salas uma hora dessas, já tinha se passado cinco minutos do horário em que se inicia a aula normalmente. Pensei em procurar novamente a sala, mas agora com mais calma – levantei-me e andei na direção sul do corredor quando ouvi passos à direita do fim do corredor, finalmente eu poderia pedir alguma orientação, apressei o passo com intenção de alcançar a pessoa que perambulava pelos corredores. Virei à direita de aonde vinham os passos e para minha surpresa não havia ninguém ali, aquilo fez meu estômago se retorcer. Fiquei parado onde se seguia caminho para esquerda e para direita observando ao meu redor e realmente eu estava sozinho ali.
As luzes começaram a piscar, primeiramente pensei ter sido algum problema de eletricidade, mas o que me fez mudar de ideia foi o fato de só as luzes que estavam localizadas no corredor da direita estivessem com esse problema, o restante das luzes estavam ligadas normalmente – senti minhas mãos suarem – ouvi uma porta ranger, com certeza estava acontecendo algo diferente naquele lugar. Segui em frente o caminho da direita, havia várias salas naquele corredor, mas todas estavam vazias. Caminhei lentamente mais alguns metros explorando o local com o olhar e vi mais uma porta a frente onde estava lacrada com uma fita preta e amarela que dizia “interditado para futuras investigações, não ultrapasse”, subi o olhar ainda direcionado à porta e vi um símbolo que representava o banheiro feminino, um frio percorreu minha espinha. Como se todo o quebra-cabeça houvesse se encaixado em minha mente, aquilo que eu ouvira das garotas mais cedo em frente aos armários, o assassinato no banheiro feminino, todo o mistério da morte, aquela parte da escola abandonada, tudo foi se encaixando aos poucos e tudo mostrava que a causa do assassinato não fora algo natural.
Será que havia participação de espíritos? Achei pouco provável afinal aquilo era uma escola, desde quando espíritos frequentavam escolas? Senti a necessidade de adentrar no banheiro, porém meu coração parecia que a qualquer momento saltaria do meu peito. Minhas mãos agora suavam com mais intensidade e por alguns segundos senti minhas pernas tremerem.
As luzes continuavam piscando, de repente ouvi um barulho de portas batendo no interior do banheiro, minhas pernas travaram. Eu queria correr o mais rápido possível dali, mas não conseguia. O medo e o pânico tomaram conta de mim, vi a porta abrindo aos poucos, aquele rangido explodia nos meus ouvidos e eu não sabia o que estava prestes a sair dali – tentei chamar por ajuda – o desespero tomou conta do meu corpo, porém foi uma tentativa em vão. Não saiu nada da minha boca, será que eu morreria ali? Por fim tudo acabaria naquele lugar, eu apenas morreria sozinho.
Senti uma mão gelada no meu ombro esquerdo.
– Ei. O que está fazendo aqui? – perguntou a pessoa que tocou meu ombro. Era uma voz masculina de um timbre calmo e suave, aquilo me fez despertar do pânico e todas as coisas voltaram ao normal, às luzes pararam de piscar, as portas não rangiam mais. Estava tudo perfeitamente normal se posso dizer assim.
– Eu? Ah, só estou perdido – respondi ao garoto alto que estava parado agora a minha frente. Ele comia uma barra de chocolate tranquilamente, seus cabelos eram de um tom extremamente loiro arrepiado de forma desordenada, seus olhos azuis acinzentados eram a primeira coisa que se notava, ele possuía um olhar sombrio e frio que parecia que ele podia ver sua alma. – E você?
– Estava procurando o banheiro quando lhe vi parado aqui, vi que era proibida a entrada de alunos nesse lugar como diz naquele cartaz ali – ele apontou pra uma folha de papel sulfite que estava pregada com fita adesiva na parede – vim ver o que estava fazendo, você está bem? Não parece.
– Sim, estou bem. Vou voltar a procurar minha classe. Valeu.
– Qual sua classe? Talvez eu ajude.
– Sala 13, turma A.
– Que demais! É a mesma que a minha. Vamos, é por aqui. – respondeu ele animado enquanto jogava a embalagem da guloseima na lixeira mais próxima.
– Você não estava procurando o banheiro? – perguntei confuso.
– Ah sim, o banheiro. Já passou a vontade. Sou Nathan Heil, prazer em conhecê-lo James. – Ele passou seu braço sobre meus ombros e me conduziu pelo corredor.
– Como sabe meu nome? – Franzi a testa ao perguntar.
– Hum... Como eu sei? Ah... Ora, você foi o único que não respondeu a chamada, esqueceu que estamos na mesma classe?
Dei de ombros e fui com ele. Chegando à sala paramos em frente à porta de entrada e confesso que eu estava um pouco nervoso, minha mente ainda estava bastante conturbada com aquilo tudo, talvez eu devesse sair dali e ir pra casa como fizera das outras vezes que aconteceu algo semelhante.
– Então, acho que deveríamos entrar. Sei lá, só acho.
– Só me dê um segundo. – Respirei fundo e abri a porta adentrando a sala, Nathan entrou logo após mim. Naquele momento toda a sala parou e direcionou toda sua atenção para nós inclusive o professor que parara de escrever no quadro e nos fitava atentamente.
– Bom, presumo que você deve ser James Salazar – disse o professor. – Seja bem vindo sr Salazar, antes de procurar um lugar para sentar-se se apresente para turma.
Aquilo tinha me pego de surpresa, agora minha garganta queimava e eu começara a suar frio. Eu tinha um certo desconforto ao falar em público, na verdade eu sempre evitara ser notado por muitas pessoas, sempre tentei passar despercebido em tudo, não gostava nenhum pouco de ter toda atenção para mim e era o que estava acontecendo agora.
– Vamos lá James, todos estão esperando – Nathan praticamente gritou atrás de mim e deu um tapinha na minha costa. Ok, aquilo definitivamente acabou de piorar o meu estado.
– É... sou James e tenho 15 anos. – Era só o que eles precisavam saber pensei.
Por um momento a classe ficou em silêncio total e todos fitavam diretamente para mim, procurei um lugar vazio com o olhar pela sala e avistei um ao lado de Nathan que agora estava sentado acenando para mim. Andei na direção do lugar e todos me seguiram com o olhar.
A aula estava sendo completamente um tédio. Fui o primeiro a terminar o questionário de história e logo fiquei sem ter o que fazer, faltava alguns minutos para o fim da aula e Nathan ainda lutava para terminar a quinta questão da primeira folha. Ele realmente estava tendo problemas. Peguei o papel que tinha meus horários para verificar a segunda aula e seria Biologia daqui exatamente 5 minutos, sala 15, turma C.
Por fim o sinal tocou. Esperei que todos os alunos saíssem primeiro da sala para depois ir, não seria difícil encontrar a sala já que eu vira várias outras salas no caminho.
– Então, você não vai vir? – disse Nathan já com a mochila no ombro.
– Sim, irei.
– Você não é de muitas palavras, certo?
– Só falo o necessário.
– Entendo, então vou indo. Acho que estaremos na mesma classe novamente. Se quiser sentar-se novamente comigo.
– Ta.
Nathan seguiu para fora da sala, demorei um minuto para levantar da cadeira e arrumar minha mochila. O dia mal tinha começado e eu já estava torcendo para que terminasse. Logo percebi que estava sozinho na sala, se eu não me apresasse me atrasaria novamente e dois atrasos em um só dia me renderiam um encontro na sala do diretor, caminhei para fora da sala com a mochila no ombro.
Várias pessoas ainda andavam pelos corredores, isso queria dizer que eu ainda não estava em uma enrascada, respirei fundo, o caminho para segunda aula não era tão longe eu só devia seguir corredor em frente, dobrar para esquerda e a minha sala seria a terceira porta a esquerda. Peguei-me pensando em Katherine, será que por alguma coincidência nós estaríamos na mesma turma? Estava torcendo para que isso não acontecesse, ela me perturbaria durante a aula inteira.
Por fim cheguei na sala de biologia, a minha sorte era que ainda não teria se iniciado a aula e muitos lugares ainda estavam vazios, o professor ainda não tinha chegado então o barulho era grande dentro da sala. Avistei Nathan ao lado de uma garota que incrivelmente parecia-se com ele, de uma forma mais feminina, claro, mas aquilo não mudava o fato de tanta semelhança entre eles. Aproximei-me de onde eles estavam sentados.
– James! Como pensado caímos na mesma sala novamente! Bom, acho que você ainda não conhece a minha irmã Viollet. Viollet esse é James. – Disse Nathan formalmente a nos apresentar.
– Oi, sou James. – Forcei um sorriso.
– É, tenho uma audição perfeita.
Comparando as semelhanças Viollet media quase a mesma altura que eu, talvez eu fosse maior por uns quatro centímetros, seus cabelos curtos acima dos ombros eram loiros como os de seu irmão o que diferenciava era uma mecha cinza que caía por trás de sua orelha esquerda, os olhos igualmente azuis brilhavam na iluminação da sala, o nariz perfeitamente arrebitado sem falha alguma, os lábios vermelhos atraíam toda atenção com o brilho que possuíam mal se podia perceber que ela estava usando algum tipo de maquiagem e se estivesse batia-se despercebido, vestia uma calça jeans apertada um pouco desbotada e um casaco preto com as mangas bem maior que seus braços.
Fomos interrompidos pela chegada do professor.
– Seria uma pena se não tivesse, ou não. – Retruquei
– E aí, vocês mal se conheceram e já estão discutindo? – Interrompeu Nathan.
– Não vou perder meu tempo, até mais mané. – Viollet levantou-se e foi em direção de outro lugar que estava vazio ao lado de uma garota.
O laboratório de biologia era espaçoso, prateleiras encostadas nas paredes eram lotadas de vidrarias e coisas que eu jamais vira pessoalmente a não ser em programas de TV, a mesa do professor agora seria uma mesa de granito impecavelmente branca e extensa, na extremidade direita da mesa havia uma pia que o professor agora utilizara para lavar as mãos. Da mesma forma eram as mesas dos alunos, dois alunos para cada mesa onde cada uma possuía dois microscópios que estavam desligados sobre as mesas.
Olhei para Nathan e percebi sua empolgação com o microscópio, seu olhar cheio de curiosidade pairava sobre a ferramenta que ainda estava desligada. O professor chamou nossa atenção para o quadro onde ele acabara de escrever o tema de nossa primeira aula.
Célula Animal e Vegetal.
Dando inicio a aula o Sr. Sullivan contornava com um pincel um desenho que logo obteve formas do que se parecia uma célula animal, ele começou a falar quando finalizou os dois desenhos no quadro. Depois de toda a explicação demorada decidiu fazer perguntas para turma onde Viollet respondeu todas corretamente sem hesitar, ela não teria dado chance para ninguém mais responder mesmo que eu duvidava que mais alguém sabia algo sobre a aula, fiquei impressionado com suas respostas com o máximo de detalhes perfeitamente bem colocados e corretos.
– Muito bem senhorita Heil. – Parabenizou o professor pelas 10 respostas de Viollet perfeitamente corretas. Eu poderia respondê-las também se ela tivesse me dado alguma chance.
O relógio localizado a cima do quadro marcava que a aula acabaria em cinco minutos, o senhor Sullivan decidiu terminar ali a aula.
– Vocês estão liberados para o almoço – avisou.
Ao passar pela porta dupla percebi que o refeitório estava completamente lotado de pessoas, parei em frente à entrada e olhei ao redor para ver se encontrava um lugar vazio em que eu pudesse comer em paz naquele aglomerado de pessoas. Fui pousando o olhar em cada mesa que se estendia pelo salão enquanto caminhava distraído.
– James! – ouvi chamarem meu nome pelas minhas costas. Virei rapidamente com um passo para trás e dei de encontro com um garoto do time de futebol que estava atrás de mim. O impacto com o garoto fez voar sua bandeja, derrubando todo seu almoço no seu peito e em seus sapatos. De repente todo o refeitório ficou em silêncio, toda atenção dos alunos estava voltada para mim.
– Você derrubou um pouco de comida aqui – tirei algumas batatas que estavam grudadas com uma mistura de refrigerante e purê do seu casaco que alguns minutos atrás era vermelho e azul. – Presta mais atenção por onde anda cara. Pra não acontecer novamente... acidentes como esse. – Dei um longo passo para trás a fim de sair daquele lugar despercebido, os olhos semi-serrados do garoto me fitavam e algo me dizia que eu estava metido em uma enrascada.
– Você. Está. Muito. Ferrado! – disse ele pausadamente enquanto jogava a bandeja com toda força no chão, puxou-me pela gola e tudo que eu vi foi o seu punho fechado em direção do meu rosto, acertou-me em cheio me fazendo dar passos desconcertados para trás. Logo a multidão que se aglomerou ao nosso redor gritava: “Briga! Briga! Briga! Briga! Briga! Briga!”.
Eu seria completamente massacrado na frente de todo mundo. Eu não tinha nenhuma experiência com lutas e nunca havia me metido em alguma briga antes, sem falar que o garoto tinha mais ou menos 10 centímetros a mais que eu e como se isso não fosse o bastante, dois brutamontes seguravam-me pelos braços se certificando que eu não tentaria reagir ao futuro massacre. Senti uma sequência de socos no estômago, seguido de mais dois socos no rosto fez minhas pernas temerem. Meu estômago se retorcia de dor e eu sentia meu rosto latejar. Cuspi sangue.
– Vocês têm exatamente 60 segundos para largarem ele – ouvi uma voz feminina e tão segura dizer isso para os garotos que me espancavam sem pena. – Espero que tenham ouvido, pois estou contando.
Eu tinha certeza que ouvira aquela voz antes, parecia que os socos tinham retardado meus pensamentos e a minha capacidade de raciocinar, então percebi que a garota que acabara de falar era Viollet, mas o que ela poderia fazer? Será que ela estava se confiando por ser menina e eles não a machucariam? Se fosse isso eu tinha uma leve certeza que ela também apanharia como eu, não acho que aqueles otários perdoariam alguém.
– E se não quisermos? O que você vai fazer? – disse o garoto que me acertava com os socos.
Os outros dois lacaios também falaram em sintonia:
– É. O que vai fazer?
– Vocês pediram – disse Viollet com um sorriso sombrio no canto da boca.
Em seguida ela levantou a perna direita em um arco e acertou um chute com tremenda força no rosto do garoto que estava na minha frente o fazendo girar e cair no chão. Os outros dois me soltaram, cai sem forças no chão quando alguém me segurou, colocou meu braço sobre seus ombros e forçou para que eu não despencasse.
– Você vai ficar bem – Katherine tirava meu cabelo dos olhos e limpava com um lenço o sangue que respingara no meu queixo.
Ok, agora era dois contra uma, ela não teria a menor chance com aqueles dois. Viollet acertou um soco em cheio no meio do rosto do primeiro o fazendo recuar, enquanto o outro vinha na sua direção ela girou no ar e acertou um chute no rosto do segundo que agora estava jogado no chão sem se mover.
– Isso foi fácil demais – comemorou Viollet. – Eu avisei vo... Antes de ela terminar a palavra o garoto que havia levado um soco no rosto a segurava com um mata leão por trás dela, sem muito sucesso. Viollet conseguiu se livrar da imobilização. Aquele cara tinha praticamente o dobro de sua altura e agora ela segurava o braço direito dele entortando sua mão fazendo-o gemer de dor. Ela subiu um pouco mais a sua mão esquerda acima do cotovelo do garoto e o arremessou para frente o fazendo cair de costas no chão com um estrondo, em seguida chutou seu estômago. Todos ficaram impressionados com o que acabara de acontecer, apenas os gemidos de dores dos garotos tomavam conta do refeitório inteiro.
– Você está bem Salazar? – ouvi Viollet perguntar, mas não podia vê-la muito menos responder, minha visão ficou turva e por fim apaguei.
Abri os olhos e vi três rostos que me observavam, pisquei três vezes para melhorar minha visão e pude reconhecer as pessoas. Eram Katherine, Viollet e Nathan estavam em pé na beirada da cama me observando atentamente.
– Parece que ele acordou – Disse Nathan entre uma mordida num cupcake que ele devorava.
Sentei-me na cama e olhei em volta atordoado, não sabia onde estava e nem como fui parar ali. Passei a mão em meu rosto e deixei escapar um gemido de dor, acho que eu tinha alguns hematomas. Olhei ao meu redor novamente com mais atenção e tudo indicava que eu estava na enfermaria do colégio.
– Como está se sentindo? – perguntou Katherine com um tom de preocupação em sua voz.
– Hum... acho que estou bem – tentei sorrir, mas aquilo doeu também. – Eu ia dar conta deles, sabiam?
– Claro que ia, eles já estavam no papo né James? – disse Viollet ironicamente.
Nathan deixou escapar um riso baixinho.
– Não ria Nathan, ele está realmente mal. – Katherine arrumava meu travesseiro.
– Desculpa cara, queria ter chegado a tempo, mas Viollet deu conta dos três sem mim. Já dei uma bronca nela por não ter deixado pelo menos um para mim.
Viollet deu de ombros com as mãos levantadas para cima, como se fosse inocente.
– Como você fez aquilo? – perguntei a Viollet seguido por um gemido de dor.
– Ah... Eu pratico artes marciais há bastante tempo, aquilo foi moleza.
– Puxa, não acredito que fui salvo por uma garota e o pior essa garota ser você.
– Qual o problema? Eu não iria ficar parada vendo você ser massacrado mais do que já estava sendo – retrucou Viollet. – Não vou muito com a sua cara, mas não gosto de injustiças.
– Isso mesmo brigão, agradeça a Vi. – Nathan deu um soco de leve no meu ombro depois de ter dito.
– Ai, meu ombro! – gemi de dor novamente. Engoli todo o orgulho e agradeci enquanto desenrolava as ataduras da minha cabeça.
– Onde você acha que vai? – perguntou Katherine com um ar de autoridade. – Nem pensar, você não pode sair. Ordem da enfermeira que logo chegará.
– Droga, vou ter que ficar aqui até quando? Já estou bem. – Menti, ainda sentia dores por todo o meu corpo.
– Não sabemos, mas acho que até o fim da aula.
– Você não vai precisar estudar o resto do dia! Que sortudo cara, acho que você não deveria reclamar, hein. – lembrou-me Nathan.
– Agora temos que ir, ainda temos mais duas aulas. – Katherine disse enquanto conduzia o pessoal para fora.
– Até logo James, se cuida.
Fale com o autor