Angel's Black and White
10 Capitulo 9
Notas iniciais
Olho para trás assustada. Não acreditava no que estava vendo. Como assim, tem duas asas enormes e branquinhas saindo de minhas costas?! Elas têm o dobro do meu tamanho e estão fechadas em minhas costas, quando penso para tocá-las, elas abrem e vem para frente de encontro ao meu corpo. Assusto-me com o movimento. Mas o que está acontecendo? Minhas asas estão em volta de meu corpo e eu as toco, são tão macias e fofinhas. Olho para meus amigos assustada.
— Gente... — eu começo assustada — Isso que estou vendo e sentindo aqui — aponto para as asas — São minhas mesmo?!
Cam se aproxima de mim, ainda assustado e as toca, sinto o toque normalmente, como se tocasse minha pele — Nora, porque você tem asas? — ele pergunta por fim, depois de constatar que são mesmo reais — Eu nunca ouvi falar de Nefilins com asas... É um tanto surreal demais...
— Eu não sei Cam... Aliás, tenho uma possível ideia, mas não sei... — digo ainda espantada — Como eu as faço sumirem, ou sei lá, voltarem para dentro? — quero guardá-las e concordo com Cam, isso é um tanto surreal demais!
— Anjo — Patch também se aproxima e as toca, como que as acariciando e me espanto em sentir esse gesto carinhoso vir dele para comigo. Ele tira a mão de minha asa e passa por meu braço, pegando em minha mão direita em seguida — Feche os olhos e se concentre em mim e nas asas — assim o faço me focando somente nas asas e em Patch — Pense que elas estão se enrolando e ficando pequenininhas... — Faço o que ele me diz e sinto as asas se enrolando — Agora pense nelas voltando para suas costas, ou somente sumindo — e assim faço quando abro os olhos elas não estão mais lá. Patch acaricia minha mão gentilmente — Pronto Anjo, agora, pode nos explicar o que é isso?
— Como eu estava falando eu descobri quem é o meu pai e isso — aponto para as minhas costas — deve ter a ver com ele, pois eu também não sei muito sobre esses assuntos, mas com certeza Nefilins não tem asas...
— Nora o que você ia nos contar antes de sermos atacados? — pergunta Vee se aproximando de mim — Mas Nora olha esses seus ferimentos... Já está quase curado — ela analisa milimetricamente um corte em meu braço.
— Como eu disse eu descobri que na verdade meu pai não é um Nefilim — dou um suspiro — Minha mãe me contou hoje que meu pai na verdade é um Anjo — todos me olham com uma cara de espanto — e não é qualquer Anjo... — fecho os olhos e me sento no chão, abro os olhos e continuo — Meu pai na verdade é um Arcanjo...
— Como assim? — pergunta Luce — poderia nos explicar isso direito?
— Vou contar para vocês a história que minha mãe me contou... — dou um suspiro cansado — Minha mãe trabalhava em uma lanchonete e todas as tardes quando saia do trabalho ia para uma praça que era a caminho de sua casa e ficava lá observando o pôr do Sol e o movimento de pessoas, sempre com um livro ou somente observando mesmo, ela um dia percebeu que um homem alto e muito bonito ficava a observando e ela o observava da mesma forma — dou uma pausa — um dia ele roubou um beijo dela e logo quando ela menos esperava eles estavam namorando... Um dia ele contou que sabia que minha mãe era uma Nefilim e ele por sua vez contou a minha mãe que era um Anjo, no começo ela ficou com medo, mas descobriu que ele não faria mal a ela... Só que um belo dia ele sumiu da face da Terra, ou daqui pelo menos e foi bem quando minha mãe descobriu estar grávida de mim... Mas tinha um problema, meu avô. — dou outra pausa — Chaunce Lanceais era muito rígido e detestava os Anjos com todas as forças do ser dele e minha mãe teve medo de me perder, um dia ela foi a uma festa e Hank estava lá, ele embebedou minha mãe e a levou para cama, no outro dia minha mãe soube que teria mentira perfeita, dizer que Hank era meu pai. Ele me rejeitou perante meu avô e meu avô ajudou minha mãe a me criar, até que um dia acho que a existência dele se extinguiu e meu avô veio a falecer. Bom o resto vocês já sabem — e dou de ombros.
— Mas Nora, você em nenhum momento disse o nome dele — disse Cam analisando a situação — Sua mãe não contou o nome de seu pai?
— Contou! — eu disse um pouco mais calma agora — Mas porque a curiosidade?
— Se você nos disser o nome podemos procurá-lo Anjo — diz Patch se sentando ao meu lado — Podemos te ajudar a encontrá-lo e ele se explicar... Ele pode ter sido forçado a abandonar sua mãe... — ele diz enigmático.
— Bom não sei se fará diferença — eu digo dando de ombros — mas se insistem tanto... Connor — eu digo dando uma pausa e continuando em seguida — Connor Sforza...
— Connor... Sforza... — Diz Luce num sussurro — Tem... Certeza Nora?
— Foi minha mãe quem disse Luce por quê? — pergunto curiosa e Luce se senta ao chão da clareira, junto com Vee e Scott. Todos eles um pouco mais afastado de mim e somente Patch está ao meu lado.
— Nora Connor é um dos maiores Arcanjos existentes no céu! — diz Cam espantado demais com a informação — Deixa eu te explicar Raio de Sol, para você entender melhor! No céu existem divisões de classificações de Anjos, mais conhecida como Hierarquia dos Anjos. — ele dá uma pausa e se senta também, ao lado de Luce e segura a mão dela.
— Essas divisões são da seguinte maneira — continua Luce, percebendo que Cam não sabe por onde continuar — Serafins, Querubins, Tronos, Dominações, Potências, Virtudes, Principados, Arcanjos e Anjos. — ela dá uma pausa e continua — cada uma dessas divisões tem uma função. Os Serafins são os mais próximos de Deus, apesar de nós os Anjos não temos sexo nem mesmo idade, os Serafins são considerados os mais velhos de todos os Anjos, eles são as entidades superiores que conhecem a infinita bondade. Seus deveres são velar, adorar e louvar á Santíssima Trindade, assim como propagar o Princípio da Vida Universal e manifestar a Glória de Deus. Eles possuem poderes de Purificação e Iluminação. Os Serafins constituem do 1º ao 8º gênio. Existem oito Serafins: Vehuiah, Jeliel, Sitael, Elemiah, Mahasiah, Lelahel, Achaiah e Cahethel. Os Serafins são representados normalmente com seis asas e rodeados de fogo. — ela dá uma pequena pausa.
— A segunda classificação pode ser nomeada como Querubins — continua Cam, acho que agora ele entendeu uma forma de me explicar melhor — eles recebem os raios da Divina Sabedoria de Deus e são responsáveis pela ordenação do caos Universal. Oferecem aos homens o conhecimento e as idéias. Eles são os bebês, retratado pelos pintores — ele dá um sorriso como se lembrasse de uma piada engraçada e continua — Os Querubins constituem do 9º ao 16º gênio. Existem também oito Querubins: Haziel, Aladiah, Laoviah, Hahahiah, Yesalel, Mebahel, Hariel e Hekamiah. Os Querubins são representados por uma criança gordinha, bochechuda, com jeitinho de moleque travesso.
— A terceira por assim dizer, são os Tronos, Anjo — disse Patch também fazendo as explicações — Eles possuem uma essência muito pura e zelam pelo Trono de Deus, oferecendo aos homens um sentido de união. São os Tronos que recebem de Deus as ordens para depois comunicá-las as denominações e a outros espíritos de menor poder. Os Tronos constituem do 17º ao 24º gênio. Anjos da qualidade do Trono: Lauviah, Caliel, Leuviah, Pahaliah, Nelchael, Ieiaiel, Melahel e Haheuiah. Os Tronos são representados como Anjos jovens, bonitos, que sempre levam nas mãos um instrumento musical, como a Harpa, a Citara e/ou uma Trombeta.
— A quarta são as Denominações — continua a nos explicar Luce, Scott, Vee e eu prestamos muita atenção, pois não é todos os dias que Anjos te explicam como funcionam as coisas no céu — esses são considerados de qualidade dominante, são eles os que fazem a todos cumprirem a vontade do Senhor em todos nós seres Celestiais — ela dá uma pequena pausa e nos olha e dá um sorriso ao ver o quanto estamos interessados — Vocês parecem crianças que estão escutando a melhor história do mundo — e dá uma gargalhada e continua em seguida — Eles aspiram a verdadeira Soberania. São eles que desperta nos homens a força para vencerem um inimigo interior. Eles constituem do 25º ao 32º gênio. Anjos da qualidade de Denominações: Nith-Haiah, Haauah, Ierathel, Seheiah, Reyel, Omael, Lecabel e Vasariah. Eles trazem como símbolo o Cetro e a espada, representam a autoridade e o poder.
— A quinta Hierarquia são as Potências — disse Patch pegando disfarçadamente em minha mão — que estavam para trás — e enlaça nossos dedos, mas ele está o tempo todo olhando para os outros e eu fiz o mesmo, mas me perguntando o porquê desse gesto para comigo — Eles tem a função de proteger todos os seres humanos do poder maligno e destrutivo do Demônio. Eles também são responsáveis pela ordem e pelos quatro elementos. Quando eles são invocados, interfere contra todas as tentações — ele acaricia minha mão gentilmente e continua a falar — eles constituem do 33º ao 40º gênio. Anjos da qualidade da Potência: Iehuiah, Lehahiah, Chavakiah, Menadel, Aniel, Haamiah, Rehael e Ieiazel. Eles trazem como símbolo a espada flamejante.
— A sexta Hierarquia é conhecida por nós Anjos, como Virtudes — continua Cam olhando para nós dois primeiro, depois para os outros — Eles são representados pelo Reino Mineral e pelas leis que regem a criação e são considerados orientados das pessoas, de acordo com a vontade Divina. São eles que traduzem a vontade de Deus para os homens. São as virtudes também que trabalha com os Milagres — ele dá uma nova pausa como se filtrasse o que falar — Eles constituem do 41º ao 48º gênio. Anjos da qualidade de Virtudes: Hahahel, Mikael, Veuliah, Yelaiah, Sealiah, Asaliah e Mihael. Eles podem ser representados por estarem levando na mão um cajado ou um bastão.
— A sétima divisão é conhecida por Principados — diz Luce já cansada de toda essa explicação — Eles são os protetores da comunidade e responsáveis pelo reino vegetal. Cada país, município, bairro ou igreja tem um vigilante para defesa e amparo geral. Os principados são quem vigiam os lideres de todos os povos, seus protegidos tem a facilidade de encontrar soluções para os problemas. Eles constituem do 49º ao 56º gênio. Anjos da qualidade dos Principados: Vehuel, Daniel, Hahasiah, Imamaiah, Nanael, Nithael, Mebahiah, Poiel. Eles são conhecidos pelos cetros e pelas cruzes que trazem nas mãos.
— Bom, já a oitava hierarquia vocês conhecem como sendo a dos Arcanjos — diz Patch olhando para mim e apertando seus dedos aos meus, eu dou uma leve corada, mas logo trato de escondê-la, pois ninguém sabe que Patch segura minha mão — São os líderes entre os Anjos. Deus confia em nós, missões extraordinárias e revelações acima da compreensão humana — ele acaricia minha mão novamente — O fato mais conhecido por vocês é quando o Arcanjo Gabriel vem dar a notícia a Maria de que ela seria a mãe de Cristo. Eles constituem do 57º ao 64º gênio. Anjos da qualidade de Arcanjos: Connor, Nemamiah, Ieialel, Lucinda, Harahel, Mitzrael, Jev, Cameron, Umabel, Iah-Hel, Anauel e Mehiel. (N/A: Claro que vocês sabem lindos leitores, Connor, Lucinda, Jev e Cameron não fazem parte dessa relação u.u). Os Arcanjos são representados por uma espada e um escudo.
— Mas espera aí — eu digo confusa, olho para ele confusa e ele me olha da mesma maneira, em nenhum momento ele disse o nome dele — e você Patch? Porque não está entre os nomes?
Ele franze o cenho e depois dá um sorriso aberto — Mas eu disse sim meu nome, Anjo — e me fita com aquele olhar penetrante dele que me faz querer observá-lo por horas, mas me controlo. — Eu nunca te disse que Patch era realmente meu nome... — e dá de ombros.
O encaro sem acreditar no que ele me diz. Ah, mas eu ainda vou descobrir a verdade! — Tudo bem! — e dou de ombros.
Ele me olha e sorri — Um dia eu te conto Anjo — e acaricia minha mão que ainda está na sua. — "Quem sabe mais tarde" — ele diz em minha mente.
— Bom por último, mas não menos importante temos a Hierarquia dos Anjos — diz Cam continuando a explicação — Eles são encarregados de orientar e influenciar os homens no caminho da vida. São seres de Luz, responsáveis pelo desenvolvimento espiritual dos humanos. Eles não têm um posto especial no exército celestial. Eles constituem do 65º ao 72º gênio. Anjos: Damabiah, Manakel, Ayel, Habuhiah, Rochel, Yabamiah, Haiaiel, Mumiah. Não existe uma representação especial para eles, tomam a forma que você os imagina.
— Tudo bem — eu digo por fim — eu entendi as divisões, mas o que isso tem haver com meu pai?
— Simples Nora — disse Cam terminando de me explicar o que queria — Como eu estava te explicando, seu pai era o primeiro entre nós os Arcanjos, dessa forma possuindo mais força, mais respeito e um dos poucos, se não o único, que não precisa do Cheshvan para se relacionar, pois ele é capaz de sentir o toque, ele me disse isso uma vez depois que já estávamos aqui — e dá de ombros.
— Você conheceu meu pai? — eu pergunto um pouco surpresa.
— Anjo, todos nós conhecemos seu pai — diz Patch acariciando minha mão — Seu pai é um Arcanjo importante, por tanto fácil de ser rastreado — ele dá de ombros — digamos que seu pai é famoso — ele dá um sorriso e continua — mas isso não explica o fato de você possuir asas Anjo.
— Realmente Nora — diz Scott falando pela primeira vez — agora eu entendo o motivo de você ter surtado... — ele me dirige um sorriso — Mas você continua sendo nossa pequena Raio de Sol, só que agora com vantagens — e dá uma gargalhada em seguida.
— Há há, muito engraçado Scott — eu digo emburrada — Isso é sério, você já pensou que eu posso estar correndo perigo agora — paro e faço uma analise rápida — Quer dizer, mais do que eu já corria? — todos me olham assustados, não tinham pensado nessa hipótese ainda — Pense bem, eu sou a primeira Nefilim com asas e a primeira a ser concebida de forma natural... Isso não é estranho? — eu digo a última frase num sussurro.
— Nora... — começa Luce um pouco assustada — eu não tinha pensado por esse lado, mas você tem que ter confiança — ela segura a mão de Cam — mas você não está sozinha, somos uma família e o fato de seu pai ser Connor muda tudo... Mas você tem que tomar cuidado a pessoa que está tentando te pegar de guarda baixa vai voltar você não pode se deixar abater por isso — ela me dá um sorriso — Nós vamos descobrir o que aconteceu com seu pai, contatá-lo ou quem sabe trazê-lo para cá. Deve ter acontecido algo para seu pai sumir e vamos descobrir!
— Obrigada pessoal! — eu digo dando um sorriso — eu sei que posso contar com vocês — olho para Patch e dou um sorriso “Com você também” — para o que der e vier às vezes me sinto tão culpada de levar esses problemas a vocês — soltei a mão de Patch e me encolhi com as pernas dobradas e os braços apoiado nos joelhos com a cabeça baixa — às vezes acho que não mereço amigos como vocês...
— Raio de Sol — diz Vee se levantando e vindo até mim, depois me abraçando de “qualquer jeito” — você sabe que não é assim, Scott e eu te conhecemos há mais tempo, mas a confiança que você demonstrou para Cam e Luce quando eles chegaram foi incrível, até me espantei, pois você nunca confia cegamente em alguém a não ser se a conhece há muito tempo, mas com eles foi de forma natural, como se vocês fossem irmãos... — ela levanta minha cabeça e sorri — você não combina com lágrimas Nora e sim com alegria e zueira, você é a pessoa mais forte que eu conheço, pois mesmo querendo chorar horrores está com a droga de um sorriso no rosto, mas se nesse momento é o que você precisa, saiba que eu estou aqui para te ceder meu ombro amigo, como sempre fiz todos esses anos...
Não consigo mais me segurar e deixo as lágrimas saírem — Porque Vee? Porque tudo sempre acontece comigo? Porque eles têm que vir atrás de mim, sendo que eu não fiz nada... Já não bastava eu ter sido a garota que mais apanhou na escola por não ter um pai, que era chamada pelos outros de a abandonada pelo pai, de ser a excluída em tudo? — me abraço mais a ela e encaixo minha cabeça na curva de seu pescoço — Porque ninguém entendeu que eu só queria um amigo? Um alguém para se brincar, cair e ralar meus joelhos? Porque todos me maltratavam, eu nunca fui uma má pessoa...
— Eu sei Nora, você só não era compreendida — diz Vee afagando meus cabelos enquanto eu choro descontroladamente — você se lembra, no dia em que eu te conheci? Do que eu te disse quando eu te conheci?
— Sim — eu disse ainda com a cabeça em seu pescoço — “Porque você está aí sozinha? Uma menina tão linda quanto você, não devia fingir que está bem quando não está...” você se agachou a minha frente e levantou meu rosto “Porque sorri, se tudo o que você mais quer é chorar?” e eu não disse nada, apenas chorei tudo o que eu mais escondia dentro de mim e desde então somos amigas... — dei um sorriso — é claro que naquele mesmo dia eu prometi que nada nem ninguém ia me fazer sofrer de novo e também naquela época eu era mais fácil de ser interpretada...
— Isso mesmo — ela disse sorrindo — eu vi dor em seus olhos, mas a droga do sorriso estava ali, lindo como sempre... — ela afaga meus cabelos novamente — mas quando me aproximei, vi que ele era apenas uma barreira... — Scott se aproxima e me abraça também, assim Vee me solta.
— Eu sei o quanto é difícil para você lembrar-se dessa época Nora — ele diz e sorri logo depois — Mas você nunca deixará de ser aquela garota valente que me defendeu daqueles caras... — ele dá uma gargalhada — até porque quem não ia querer zuar com a tampa de fosso, baleia ambulante, Snorlax...
— Mas valeu a pena — eu disse me levantando e me recompondo — eles nunca mais encostaram em você!
— Nora, você mandou eles para o hospital — ele diz sorrindo junto com Vee.
— Como assim? — pergunta Luce.
— Ah, é... — eu disse sorrindo amarelo — vocês não sabem né? — os três balançam a cabeça em negativa — Scott era muito gordo e um dia uns meninos mais velhos estavam torrando ele, eles batiam em Scott e eu sempre fui à injustiçada de tudo, então quando eu via essas coisas eu me doía e virava à defensora, esses meninos eram dois anos mais velhos, mas eu já lutava então dei uma surra nos três — dei de ombros — um com a perna quebrada, outro com o braço e o terceiro com o pulso. — dei de ombros — foi assim que Scott virou nosso amigo...
— Nossa! — exclama Cam — quando eu acho que Nora não vai mais me surpreender, ela consegue de novo — todos, sem exceção riram — Bom, já está escurecendo e a trilha vai ficar difícil, vamos então? — todos assentem, Cam pegou a mão de Luce e saiu em direção à trilha.
Caminhamos tranquilamente em direção ao estacionamento da praia. Cam e Luce foram mais a frente, Patch e eu estamos, podemos dizer no meio e Vee e Scott vem mais atrás e conversando baixinho... Hum, aí tem... Nesse meio tempo vou pensando em como tudo isso aconteceu? Em uma noite eu era uma garota comum, em outra eu descubro ter parte Anjo, depois quando eu pensava que não tinha pai, descubro a existência de dois e que meu pai biológico é na verdade um Anjo e por último, mas não menos importante, descubro que tenho asas... Não ta nada fácil aqui digerir tudo isso... Mas vou com calma, vou por a cabeça em ordem... Quando paro de brizar já estamos todos em frente aos nossos carros.
— Bom nós já vamos — diz Cam e Luce se encaminha até nós nos dando um beijo em nossas testas, Cam faz o mesmo — cuidado Nora, qualquer coisa pode me ligar — aceno positivamente — então Tchau. — e saiu em direção ao seu carro.
— Nora... — chama Scott envergonhado — pode ir para casa, Vee vai me levar depois... — e cora.
— Tudo bem Scott — eu digo dando um sorriso malicioso — Tome cuidado — e ambos foram em direção ao Neon e logo saíram — Bom eu também já vou Patch... Depois conversamos mais...
— Tchau Anjo — e entrou no Jeep.
Entrei em meu carro e dei partida, saindo logo em seguida. Já estava quase escuro completamente, me dizendo que já se passava das seis da noite. Vou dirigindo tranquilamente pela rodovia, coloquei a musica da Beyoncé a If I Were a Boy em um volume baixo e fui curtindo a calmaria. Não se passou muito tempo, ou passou, não prestei atenção e logo cheguei em casa. Estacionei meu carro e estranhei outro carro estacionado ao lado do Porsche Cayenne da minha mãe. Era um Porsche Panamera cinza chumbo novinho em folha. Entrei em casa que nem uma bala direto para o escritório.
— Mamãe! — eu disse invadindo o local a assustando — O que é aquele carro! — eu disse eufórica — de quem é?
— Meu presente para Scott — ela diz dando um sorriso — Cadê ele?
— Saiu com Vee — eu disse dando um sorriso — Posso eu dar a notícia?
— Claro meu Anjo — ela abre a gaveta e de lá tira uma caixinha toda prateada e me entrega — Depois que entregar sei que ele vai vir me agradecer — e se senta novamente.
Vou para a sala e me ponho a esperar Scott, mas é claro que no meu videogame, nesse momento estou jogando Assassin’s Creed II, Ézio é muito foda! Dou pause no jogo e vou a cozinha fazer um lanche, volto para a sala com um copo de suco e com um prato com um sanduíche, volto a jogar e meu celular toca anunciando uma mensagem, o pego e vejo o nome Traves, abro a mensagem que diz: “Oi Nora, como você está? Espero que bem e inteira :D Beijos”, cliquei em responder e escrevi o seguinte “Oi Traves, estou muito bem, espero que você também, até amanhã. Beijos *3*”, coloquei meu celular no sofá e voltei a jogar. Passou mais ou menos uma hora, eu ainda estava jogando quando escuto a porta da frente ser aberta, dou um sorriso, Scott chegou.
— Mas que demora bolinha! — eu disse assim que ele entrou na sala — Justo quando eu tenho que te dizer algo importante... — faço um olhar enigmático — que mudará a sua vida!
— Ai meu Deus Nora, o que foi? — ele pergunta se desesperando — fala mulher!
Dou um sorriso — Venha, me siga homem! — a caixinha estava em cima do capô do carro — Vem aqui na garagem, aconteceu algo com meu carro e eu não sei o que fazer...
— Ai Nora e precisa fazer todo esse drama? — ele pergunta respirando mais tranqüilo — O que foi? — ele pergunta assim que eu paro em frente à porta da garagem — Vamos Nora entra.
— Vá à frente bolinha — ele entra na garagem e vai em direção ao meu carro, eu o sigo de perto — Hum... Não reparou nada de diferente aqui? — ele olha em volta e vê, quando seus olhos encontram o carro tem um brilho que não sei descrever e para acabar com o lero-lero digo por fim — Seu presente! — e começo a pular que nem uma louca.
Ele fica estático e me olha em dúvida — Meu... Presente? — eu aceno positivamente e Scott corre em direção ao carro — AI MEU DEUS!!!! MEU CARRO!!!! E QUE CARRO SENHOR!!! — ele dá umas três voltas no carro, o analisa milimetricamente — É meu mesmo Nora?
— Sim presente da minha mãe! — eu disse sorrindo — A chave está aqui — mostrei para ele e ele nem a pegou me abraçou logo — De nada bolinha, isso não é nada demais — dou um sorriso — Vá agradecer minha mãe te espero aqui — ele saiu e em cinco minutos estava de volta — Nora podemos ir amanhã com meu bebê?
— Claro — eu digo dando um sorriso — Podemos ir dormir eu já estou com sono... — ele assente — Boa noite bolinha — dou um beijo em sua testa e subo para meu quarto, tomo meu banho e coloco uma camisola confortável para dormir, me deito e me ajeito melhor na cama — Amanhã será um dia e tanto — e adormeci em seguida.
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Acordei antes do despertador, me levantei e fui fazer minha higiene pessoal, tomei um banho e lavei os cabelos, logo saí do banheiro e coloquei um lingerie preto, fui ao meu guarda roupa e coloquei uma calça jeans azul bem escuro, com uma camiseta do Jack Daniel’s branca com escrita em preto, coloquei uma pulseira do Supernatural — Que foi? Amo SUPERNATURAL, eu já disse isso... — um colar do L do Death Note, coloquei um Converse bege e deixei os cabelos soltos, fiz uma maquiagem bem leve e desci em direção a cozinha.
Não tinha ninguém lá, tomei meu café e quando estava terminado Scott apareceu, tomou o café dele e eu fui à garagem na frente, fui até meu carro pegar minha mochila, a peguei e a coloquei minha mochila em cima do capô, voltei e coloquei minha chave no chaveiro, voltando para a garagem e indo ao carro de Scott.
— Vamos bolinha? — eu pergunto assim que me aproximo, pegando minha bolsa de cima de meu capô e parei do lado do passageiro do carro dele, entramos e ele ligou o som — Senti falta do meu som agora — disse dando um sorriso — vou te dar o endereço de onde eu fiz meu som, faz lá também — e dei de ombros.
Scott dirigiu a toda velocidade para testar o carro dele, quando menos esperamos estamos na escola, Scott entra pelos portões e as vadias já vão se insinuando para o carro, ninguém nos vê, pois o carro é filmado. Nossos amigos estão parados encostados ao carro de Cam, quando Scott vai para estacionar na minha vaga, Cam entra na frente e o impede de estacionar, abaixo o vidro do carro e berro: CAMERON BRIEL SE NÃO SAIR DAÍ, BOLINHA VAI PASSAR POR CIMA!!!! — ele saiu e Scott pode enfim estacionar, descemos do carro e eu sorri — Olá Camzinho do meu coração — apertei as bochechas dele — me desculpe por gritar?
— Nora, você não existe — ele diz sorrindo e olha pra o carro — de quem é?
— É do Scott, minha mãe deu para ele ontem — dou um sorriso — Vee você tinha que vê Scott só faltou correr pelado em volta da minha casa, porque até dançar ele dançou — comecei a gargalhar feito uma louca — Bom agora sim, olá cambada do meu lindo coraçãozinho como vocês estão?
— Bem — responderam todos e Vee continuou — Nora desculpa não ter descido para falar com você quando fui deixar Scott ontem...
— Rum, você é uma má amiga sua wendigo! — eu digo e ela arregala os olhos — mas te dou um desconto... — dou de ombros — dessa vez eu deixo passar... — dou um sorriso.
— Retira o wendigo Nora! — ela diz meio nervosa — sabe que eu não gosto! — dou uma gargalhada e ela também — se você não fizesse essas coisas não seria você... — ela me abraça — Bom vamos que está na hora de irmos para sala — e todos fomos para a sala.
Entrei em minha sala, sendo seguida por Patch, Vee e Scott. Vee e Scott se sentam em seu lugar e eu vou para o fundo da sala sentar em meu lugar, Patch se senta comigo às vezes, mas hoje ele se sentou com Marcie sinto como se uma daquelas adagas dos Parias tivessem sido cravada em meu coração...
É isso o que você ganha por se apaixonar, ser trocada e às vezes magoada da pior maneira possível. Emburrei-me e sentei com os braços cruzados na altura do peito, Vee se vira por perceber minha irritação, fica me olhando e fala comigo pela mente. “Nora o que foi? Estou preocupada com você!”, dou um suspiro alto e olho para ela “ Não é nada demais Vee, não se preocupe comigo, sabe que odeio isso!”, ela me olha severamente e eu dou outro suspiro “Nora Grey! Você vai me falar agora o que está acontecendo, ou não me chamo Vee Sky!” a olho cinicamente e olho em direção a Patch e Marcie, se ela pesca a dica, pescou.
Ela segue meu olhar e dá um suspiro também, além de Cam a única pessoa que sabe de meu sentimento é Vee “Não fica assim Nora, ele deve estar conversando algo com ela...” eu nem a deixo terminar e já a corto “Vee, deixa isso para lá! Esquece tá bem e presta atenção na aula, você está virada para trás e sem mais um a!”, dou um sorriso que ela não entende “Scott, faz Vee virar para frente sim? O professor está olhando”, Scott cutuca Vee e cochicha ao ouvido dela e ela me fuzila e vira para frente, dou um sorriso enorme e começo a prestar realmente atenção na aula, faço as anotações e fico desenhando em meu caderno, abaixo a cabeça e fico viajando com qualquer coisa até sentir alguém sentando ao meu lado, dou um suspiro e levanto a cabeça, mas ao invés de olhos negros, olhos castanhos me fitam preocupado.
— O que foi? — eu pergunto sem entender o porquê dele estar aqui — Aconteceu algo?
— Não Raio de Sol — ele dá um sorriso — é que eu percebi que Vee não gostou que você falou comigo para chamá-la, mas o que vocês estavam conversando?
— Sobre situações indesejadas — eu digo respondendo a pergunta dele — Por quê?
— E tem outra coisa — ele olha para Vee e fala alguma coisa, ela se vira dá um sorriso e acena — Queríamos que fosse a primeira, a saber... — ele dá um suspiro e desvia o olhar — Vee e eu estamos namorando — ele diz num sussurro e cora.
Juro foi mais forte que eu, eu tentei controlar, mas não consegui então — NÃO ACREDITO NISSO!!!! — acabei gritando no meio da aula, chamando assim a atenção de todos para mim — Me desculpe professor, foi mais forte que eu — e sorri todos se viraram para frente menos Patch, o ignorei lindamente — Fiquei feliz por vocês meus amores! — e o abracei, Vee continuava olhando dei meu melhor sorriso e fiz um coração com a mão, mandando um beijo, ela fez o mesmo e sorriu — Bom Scott é melhor você ir lá para perto de sua namorada — dei uma piscada para ele — Aproveite enquanto pode. — ele se levantou e saiu, se sentando ao lado de Vee, ambos dando um sorriso cúmplice para o outro.
Depois disso não soube de mais nada emocionante, vi Traves conversando com uns garotos, mas o que eu não sei... Ele é realmente muito bonito e acho que estou começando a sentir algo por ele, mas fico meio assim, pois Cam me disse que ele não é uma pessoa confiável, mas não sei, ele me encanta e me fascina, cada vez parece ser mais lindo... Fomos para o intervalo, Scott e Vee contaram aos outros que estão namorando e todos os parabenizaram, fiquei realmente feliz por eles.
Logo tivemos a segunda parte das aulas — que foi uma chatice — e depois fui embora com Scott, passei as aulas todas “fugindo” de Patch, não quero falar com ele, pelo menos não agora... Cheguei em casa e fui para meu quarto arrumar o mesmo que estava uma bagunça, mentira estava arrumado, mas fui manter a limpeza né...
Depois quando terminei desci para a sala e passei a tarde toda jogando videogame, continuei jogando Assassin’s Creed II, depois joguei Guitar Hero III e quando Scott apareceu jogamos Resident Evil 6. Logo chegou a hora do jantar, jantamos todos juntos, depois fomos para a sala e ficamos assistindo TV, quando deu 22h19min eu fui dormir para ir para a aula amanhã.
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Acordei com o barulho do despertador, é parece que hoje eu não consegui a façanha de acordar antes dele... Levantei e fui fazer minha higiene, estava muito calor, então optei por um vestido preto na parte dos seios, dos seios para baixo ele era rosa e tinha uma renda preta cobrindo toda a parte rosa, coloquei uma sapatilha preta, deixei os cabelos soltos, fiz uma maquiagem leve e me olhei no espelho, é está bom. Desci as escadas e fui para a cozinha e hoje todo mundo — isso mesmo, TODO mundo — já estava lá tomando seu café.
— Bom dia — eu disse me sentando.
— Bom dia — todos me responderam, e nesse todos estão, Scott, minha mãe e Dorothea.
— Scott, como vamos fazer? — eu pergunto já desconfiando da resposta, pois ontem ele conversou com o cara que estacionava do meu lado — Vamos cada um com seu carro?
— É eu conversei com o Vini e ele disse que trocaria de lugar comigo — ele dá um sorriso — então a partir de hoje estaciono do seu lado...
— Tudo bem... — eu disse e logo depois comendo um pedaço do meu pão — Bom já está na hora de irmos né?
— Sim — ele diz se levantando e dando um beijo na minha mãe — tchau tia.
— Tchau Scott — ela dá um sorriso e eu me levanto, também dou um beijo na bochecha dela — Tchau meu anjo, se cuida. — e me deu um beijo.
— Tchau mãe — e sai em direção a garagem, Scott estava me esperando — O que foi?
— Vamos apostar uma corrida? — ele me pergunta dando um sorriso de canto — Quero saber se eu posso competir com você...
— Tudo bem — eu disse dando de ombros e parando ao lado da porta do motorista Scott fez o mesmo — O mesmo caminho que faço todos os dias? — ele assente positivamente — Então sai com o carro e para em uma das faixas eu paro na outra. — abri a porta e entrei em meu carro, dando a partida em seguida, Scott saiu na frente e parou no lado direito da pista, eu liguei meu som e coloquei minha play liste, com algumas musicas eletrônicas e sai da garagem, parando ao lado do carro de Scott — Você viu como eu fiz com Vee? — ele assente negativamente — Então saímos no três... — contamos até três nos dedos e saímos.
Acelerei meu carro, Scott estava mais a frente um pouco, ele cortava os carros que nem louco já que estávamos na avenida, mais a frente se encontrava a alça de acesso da rodovia, Scott entrou na curva, mas acabou perdendo velocidade, já eu por minha vez dou um drift na curva, jogando a traseira, quando termino o drift Scott já está na rodovia, agora sim eu posso acelerar piso fundo e coloco a quarta e a quinta marcha — tinha reduzido por causa da curva — e jogo para a esquerda, Scott está mais a frente e de repente o carro dele dá um tranco mínimo, ele ativou o turbo, faço o mesmo e piso.
Começo a dirigir em zigue-zague e consigo colar na traseira de Scott, ele acelera mais um pouco, eu dou um sorriso, ele quer ganhar de qualquer jeito, acelero mais e consigo fazer a ultrapassagem, logo a alça de acesso para a escola se aproxima, diminuo novamente para a terceira marcha e faço um novo drift, acelero mais e coloco a quarta e a quinta marcha e logo estamos nos aproximando da escola, começo a diminuir e entro pelos portões indo em direção ao estacionamento, quando termino de estacionar Scott para na vaga ao meu lado.
— Você quase ganhou... — eu disse descendo do carro e dando um sorriso — mas eu sou Nora Grey e não me dou por vencida!
— Sim Grey — diz Scott também descendo do carro — da próxima eu ganho! — ele diz me dando um sorriso, Vee se aproxima e lhe dá um selinho — Oi Vee, quase ganhei de Nora em uma corrida...
— Sério! — ela o abraça — mais sorte na próxima vez, para ambos... — ela sorri — Oi Nora! — e me abraça.
— Nora, você correu de novo? — pergunta Cam sério — Mas pelo menos ganhou? Ou te ensinei mal? — ele dá um sorriso.
— Claro que ganhei — eu sorri — tenho que honrar os ensinamentos do meu mestre! — todos sorriem e eu sinto falta de certo alguém, onde será que está o Cipriano? — Vamos já ta na hora!
Seguimos para nossas salas, me sentei no meu local de costume, logo o professor chegou e eu comecei a copiar a lição, mas olhando o tempo inteiro para a porta, esperando um ser todo de preto aparecer, mas não aconteceu, Patch não veio para a escola hoje, estranho, pois ele nunca tinha faltado antes. Eu não era a única que fitava a porta o tempo todo, Millar também fazia o mesmo que eu, o que me fez ficar um pouco mal, vai ver aquele dia eles voltaram a namorar e eu to aqui toda preocupada com ele... Sou uma idiota mesmo! A aula passou como de costume — uma chatice só! — e logo bateu o sinal do intervalo.
— Nora, pode ir indo na frente — disse Vee assim que parei ao lado da mesa dela — Eu tenho que passar na secretaria, para entregar uma atividade ao professor e Scott vai comigo — ela sorri.
— Tudo bem então — eu disse dando um sorriso e como eles ainda estavam sentados eu dei um beijo na testa de cada um e saí. Fui andando tranquilamente pelos corredores até sentir meu braço ser segurado — Ora, mais... — me virei furiosa e encarei olhos verdes me fitando — Ah, olá Traves...
— Oi Nora — ele diz com seu jeito frio de sempre — Pode vir comigo um instante? — eu concordo com a cabeça e começo a segui-lo pelos corredores cada vez menos movimentados, quando dou por mim estamos dentro da sala de aulas de canto que as terças são “fechadas”, mas nesse momento não é o que parece — Bom aqui podemos conversar mais a vontade.
Ele se aproxima mais de mim, tranquilamente e eu recuo alguns passos com certo receio, o que ele quer comigo em um lugar afastado e vazio? Ele se aproxima ainda mais e eu dou um passo para trás, mas acabo batendo minhas costas na parede, ele se aproxima mais e põe um braço de cada lado de minha cabeça. Eu estou cada vez mais nervosa com esse tipo de situação...
— Traves, o que foi? — eu pergunto um pouco receosa — Porque você está fazendo isso?
— Não é óbvio Nora? — ele pergunta com um sorriso de canto — Eu quero você pra mim, mas certo Cipriano está querendo atrapalhar meu caminho novamente e eu não vou deixar... — dizendo isso ele me beija, um beijo diferente de todos os outros, um beijo violento e até mesmo com um pouco de brutalidade, estou ficando cada vez com mais medo, ele não me dá chance nem de retribuir e nem de me afastar, ele se afasta e me fita por um momento — Patch só quer te enganar, ele prefere aquela Millar a você, ele não gosta de você Nora... — ele me aperta mais contra a parede e dá beijos em meu pescoço, enquanto com a mão esquerda ele vai descendo pela lateral do meu corpo, não posso acreditar que isso está acontecendo, ele sempre me pareceu tão bom, frio, mas bom, e agora está passando a mão em mim como se eu fosse uma mulher qualquer?
— Traves — eu digo tentando empurrá-lo — para com isso, não gosto desse tipo de brincadeira — ele para de beijar meu pescoço e toma meus lábios a força de novo.
— Nora, fica tranquila — ele diz assim que se afasta — eu prometo que você vai gostar do que eu vou te dar — ele dá um sorriso de canto — Vou te levar ao céu... — e me beija de novo, com a mão esquerda que ele tinha parado na minha cintura, ele vai descendo novamente até minha coxa e depois sobe, colocando a mão por dentro de meu vestido o subindo junto, para mim já chega, uso um pouco da minha força e o afasto — O que foi Nora? — ele pergunta com a sobrancelha levantada.
— Traves eu não quero nada disso! — eu digo o empurrando mais e abrindo caminho em direção à porta — Não pense que eu sou uma mulher qualquer que você pode usar e jogar fora! — eu começo a andar em direção à porta e ele me segue de perto segurando meu braço — Me solta Traves, eu não quero falar com você agora, você tem noção do que fez? Você queria me forçar a fazer algo que eu não quero! — puxei meu braço com força e segui até a porta a abrindo, ele segura meu braço novamente.
— Nora, qual é, você já é adulta e sabe do que faz — ele diz tentando me puxar de novo, mas não me mexo — Você está fazendo isso por causa de Cipriano? — ele dá uma gargalhada — Você não o conhece Nora e ele não te quer, ele quer a Marcie, a vadia que dá para qualquer um, do que você... — ele me analisa por um momento e dá um sorriso de canto — Você é virgem certo? Por isso está ai fugindo... — ele passa a língua nos dentes — agora te quero mais do que antes...
— Você é um nojento asqueroso! — eu digo puxando meu braço e começando a correr em direção ao refeitório, escuto os passos dele me seguindo até escutar um barulho, como se fosse um assovio, no momento em que eu fiz a curva do corredor, os passos de Traves cessaram e logo o escuto se afastando, volto e olho pelo o corredor e vejo-o no final do mesmo, que dá acesso à parte dos fundos da escola, olhando em volta como se estivesse vendo se alguém o seguia, quando constatou que estava “sozinho” seguiu em direção à floresta, comecei a andar rápido o seguindo, parei no final do corredor e olhei, o avistei em uma trilha, corri a passos leves e sempre ia me escondendo quando dava, ele seguiu para o meio da floresta e eu o seguia a uma distância segura fora da trilha, onde somente eu o via, mas ele não.
Ele andou para dentro da floresta e eu o seguia me escondendo atrás de árvores e prestando atenção no solo, ele parou de andar e eu me aproximei a uma distância segura onde conseguisse escutar mesmo de longe, ele olha em uma direção e eu faço o mesmo, mas me espanto com o que vejo. Traves está falando com um Paria — Não pode ser... — eu digo num sussurro.
O Paria se aproxima e faz uma reverência, mas Traves o acerta com um soco no meio do rosto, eu olho a tudo aquilo assustada, qual tipo de relação eles tem? Mas o que eu escuto a seguir faz meu coração se despedaçar...
— Porque Nora ainda não está em minhas mãos? — ele pergunta muito frio e sério.
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