Notas iniciais
Oiieee Babys que saudades de vocês... Não consegui postar o capitulo no Natal, por isso peço desculpas... Gostaria de agradecer a Gabriela Abreu por favoritar a fic *-----* Fiquei muito feliz em saber que mais pessoas estão acompanhando *m* Bom sem mais delongas até lá embaixo...

Encaro minha mãe atônita! Não acredito no que eu estou escutando! Meu pai um... Arcanjo?! Nem ao menos um Anjo? Tinha que pertencer ao alto escalão do Céu? Pois todos nós sabemos quão importante é um Arcanjo e qual a sua função no Céu! Resolvo perguntar de uma vez por todas...

— Como assim, mãe? — eu pergunto ainda muito, mas muito surpresa mesmo — Que brincadeira é essa? — eu pergunto a olhando assustada. Sempre pensei não ter um pai e logo descubro a existência de dois?

— Nora não é nenhuma brincadeira — ela me encara séria — Seu pai é realmente um Arcanjo, por isso te disse para não acreditar nas coisas em que Hank dissesse e por isso também não o deixei se aproximar de você. — ela dá um suspiro — Está na hora de saber a história de sua vida! Está na hora de você saber tudo sobre você.

— Mãe, então tá tudo bem, meu pai é um Arcanjo e por isso você escondeu de mim a existência dele? — eu pergunto tentando digerir tudo aquilo — Mas porque nunca o conheci? Porque vocês não estão mais juntos?

— Nora se acalme sim? — ela me pergunta docemente, mas sei que deve estar sendo muito difícil para ela também — Não estou com seu pai, pois estranhamente ele sumiu do mapa e não soube mais nada dele, por esse motivo não o conheceu e por isso também eu escondi a existência dele. — ela dá novamente um suspiro — eu fui até a casa onde ele morava e estava tudo lá, suas roupas, seus pertences, tudo como no dia anterior, quando foi a última vez que o vi. Essa casa passou a ser sua, pois com o sumiço dele as dívidas começaram a acumular então a comprei — ela dá de ombros — Mas depois daquele dia a 17 anos atrás nunca mais o vi e nem tive mais nenhuma notícia, foi como se ele não existisse mais nesse mundo!

— E para onde ele poderia ter ido mãe? — eu pergunto curiosa, afinal ele é meu pai. — Não tinha nenhum amigo por perto? Como alguém some assim do nada???

— Não sei Nora — ela diz com um olhar magoado, realmente ele se sente muito desconfortável com o abandono de meu pai. — Vou te contar como éramos e o que passamos e depois o porquê eu fiz Hank acreditar que era seu pai. — eu dou um aceno de cabeça e ela continuou — Como você sabe, nós Nefilins podemos viver muito, já nem me lembro muito bem minha idade — ela dá um sorriso, eu sei que é mentira, ela sabe sim — eu estava trabalhando em uma lanchonete e todos os dias passava por uma praça na volta do trabalho, na qual me sentava e ficava observando o balançar das folhas e o movimento, mas sempre estava com um livro na mão. — ela dá um sorriso com a lembrança — Todos os dias tinha também um rapaz muito bonito que se sentava em um banco próximo ao meu e se colocava a observar as pessoas, ele era muito bonito, um dos homens mais bonitos que já vi. Seu nome era Connor Sforza, ele era alto e pele morena, seus olhos eram de um castanho brilhante e chamativo, assim como os seus, seu cabelo de um tom de castanhos acobreados tão lindos que ao Sol pareciam ruivos — ela me olha e dá um sorriso — Você é muito parecida com ele Nora — ela dá um olhar nostálgico.

— Eu sou parecida com ele? — sussurro baixo, no fundo sempre quis saber como era meu pai, já que no fundo eu não pareço quase nada com minha mãe, mas me surpreende sermos tão parecidos assim.

Mamãe dá um sorriso e continua — Sempre usava seus cabelos iguais aos de Cam, seu sorriso sempre lindo e contagiante. Nós um dia começamos a conversar, todos os dias, enquanto voltava do trabalho passava por essa praça, como trabalhava no período da manhã e tarde, sempre saia próximo ao pôr do Sol e como todos os dias ele estava na mesma praça me esperando, começamos a conversar e nos conhecemos melhor, foram dias, semanas e até alguns poucos meses assim, até que um dia ele me roubou um beijo, depois disso eu descobri o que ele sentia por mim e que era recíproco e quando dei por mim já estávamos muito envolvidos e passamos a nos envolver cada vez mais. Um dia ele me disse que sabia o que eu era e me contou sua condição, mas nisso já estávamos namorando a uma semana e eu fiquei muito abalada. Fiquei na verdade com muito medo do que ele podia me fazer, mas podia sentir que ele nada mais queria do que meu amor — ela deu uma pausa.

— Pode continuar mãe, estou prestando atenção — eu disse para ela que me fitava intensamente. Ela parou, pois eu estava de olhos fechados, mas estava muito atenta. Estava de olhos fechados pensando em como tudo isso pôde ter acontecido...

— Mas logo tratei de deixar isso para lá e aproveitar o tempo que teria com ele, ciente de que se meu pai descobrisse eu estaria perdida. Não muito tempo depois começamos a ter relações, mas isso não vem ao caso — ela corou e eu sorri — Estávamos juntos há um ano, estávamos muito felizes com nosso relacionamento e fazíamos planos para fugirmos para viver esse amor, sei que é clichê, mas era a opção que eu tinha... Logo após um tempo eu descobri estar grávida de umas duas semanas, fui toda contente contar ao seu pai, mas quando cheguei a casa dele não o encontrei, fui em todos os lugares possíveis, todos os lugares que costumávamos frequentar e nada de Connor, fiquei na casa dele o esperando... Fiquei o aguardando uma semana e ele não apareceu e nesse momento eu soube que tinha sido abandonada pelo homem que mais amei na vida e que mais queria junto de mim! — ela fecha os olhos e fica alguns minutos em silêncio, logo ela abre os olhos e os vejo vermelhos, mas ela já pode continuar, mas eu a interrompo.

— Ele nos abandonou? — eu pergunto chocada, pensei que ela teria ido embora por meu avô ser contra, mas ter sido abandonada por ele é muito diferente! — Sumiu assim do nada?

— Nora eu não sei o que aconteceu para ele ter feito isso — ela diz com certa mágoa — Ele pode ter sido forçado a ir, eu não sei, me pergunto isso até hoje.

— Tudo bem mamãe, pode continuar a falar, desculpa por interromper — eu digo realmente frustrada.

— Hank naquela época era apaixonado por mim, mas sempre soube que ele não prestava, sabia que ele tinha um caso, mas não que era casado com ela, mas isso não vem ao caso agora. Não podia contar ao meu pai que estava grávida de um Arcanjo, ele me mataria antes de você nascer e até mesmo antes de me explicar... — deu de ombros — Então estava em uma festa, muito abatida por Connor ter me deixado sem uma explicação e me perguntando o motivo que me levou até ali, Hank se aproximou de mim e puxou assunto, logo me embebedou e quando dei por mim estava acordando numa cama qualquer com ele ao meu lado no outro dia, agora eu podia mentir para meu pai que o filho era de Hank e não de Connor, me doeu mentir assim, sendo que tudo o que eu queria era falar para todos que estava carregando um filho de meu grande amor... — ela dá um sorriso fraco — Hank também te rejeitou, mas meu pai soube por ele que não ia cuidar da criança e meu pai me apoiou, sendo que o seu pai era um dos nossos... Grande mentira, pois seu pai nunca foi Hank... — ela dá um suspiro e me olha — Nora essa é a verdade, seu pai se chama Connor Sforza, é um Arcanjo e eu não tenho noticias dele há 17 anos, não sei o que aconteceu com ele... Não sei se nos abandonou por livre e espontânea vontade ou se foi obrigado... Mas também não tinha como eu descobrir... Espero que não me odeie e nem a ele sem saber a verdade, espero que um dia vocês se encontrem para que ele possa se explicar... Espero que ele ainda esteja vivo, para saber da existência da filha dele...

A olhava de forma receosa e até dolorosa, como ela pode me esconder isso por 17 anos? Eu entendo o motivo dela e até que ela sofreu com isso, mas eu tinha o direito de saber, até porque ele é meu pai, poxa! Não sei se sinto raiva de meu pai ou se não sinto, até porque uma coisa que minha mãe disse é verdade, não sabemos se ele nos abandonou por livre e espontânea vontade ou se foi obrigado, mas se ele foi obrigado, o que será que aconteceu? Porque não nos procurou? Porque não apareceu mais em nossas vidas? Será que ele sabe de minha existência? Tantas dúvidas se fizeram presente que nem sei o que pensar mais!

— Nora, você está bem? — ela me pergunta receosa, meu olhar deve estar mostrando a confusão que estou sentindo.

— Bom mamãe já vou me retirar — eu disse me levantando — Obrigada por me contar a verdade. — dou um sorriso super fraco e saio do escritório, deixando ela sem saber o que dizer, ou o que fazer. Encontro com Scott na sala e vou falar com ele — Bolinha, ta fazendo o que?

— Nada demais estava jogando no seu videogame e recebi uma ligação — ele me dá um sorriso — Mas e você?

— Nada demais — dou um suspiro — e aí conseguiu passar aquela missão em GTA V?

— Consegui sim, foi difícil, mas depois que eu a passei me pareceu tão fácil — ele dá uma gargalhada gostosa — Me senti como um burro!

— Ai Scott, só você mesmo! — dou um sorriso fraco — E ai como foi com Vee?

— Nora! Você é demais! — ele abre aquele sorriso lindo dele — Vee realmente gosta de mim! E acabamos ficando ontem... — ele cora, depois me abraça e me gira no ar, mas não consigo demonstrar minha alegria por ele e ele percebe que algo está diferente — Nora o que foi?

— Scott eu realmente fico muito feliz por você! — tento sorrir, mas não consigo — Desculpe Scott, não tive uma boa notícia e não vou conseguir comemorar com você, mas estou realmente muito feliz por você e por Vee, vou ser a madrinha do casamento de vocês! — dou um sorriso muito fraco.

— Nora pode contar para mim, eu sou seu irmão não sou? — pergunta Scott aflito — Pode confiar em mim! — ele dá um sorriso de canto, mas nada alegre como antes — Já está pensando em nosso casamento?

— Scott, sempre penso no melhor das pessoas que eu amo! Vou tomar um banho e vou para a clareira, você vai comigo e vamos encontrar os outros lá —digo ainda muito chateada — Preciso conversar com todos vocês, algo muito importante e se prepare, pois será chocante. Até daqui a pouco! — Subi para meu quarto e fui direto para o chuveiro, tomei um banho relaxante e calmante também! Logo saí e coloquei uma calça jeans preta e uma camiseta qualquer na cor preta também coloquei meu all star clássico, prendi os cabelos num rabo de cavalo alto. Desci para a sala onde Scott já me aguardava bem vestido como sempre, mas também ele vai encontrar com Vee, lógico que ia estar lindo. — Vamos? — ele somente acenou e seguiu para a garagem — Mãe estou saindo com Scott — e não dei chance dela falar nada, saí de casa e fui até a garagem, saí dirigindo meu carro, mas sem nada de música, nada de correr, fui tranquilamente com Scott ao meu lado, peguei meu celular e apertei para um número qualquer, crendo ser o de Cam, mas não era — Alô? — disse assim que atenderam do outro lado.

Oi Anjo — diz a voz no telefone e eu engulo em seco “Porque tinha que ligar justo para ele?” — Porque me ligou? Aconteceu algo?

— Queira falar com Cam e te liguei por sem querer! — eu disse bufando em seguida — Mas me diz, você está com o Cam? — pergunto por fim.

Sim estou por quê? — ele me pergunta curioso.

— Então, eu posso falar com ele? — pergunto impaciente.

Sim eu vou passar para ele, beijo — logo a linha fica muda e uma voz grave atende do outro lado.

— Oi Raio de Sol? — ele diz com uma voz curiosa e espantada — O que aconteceu?

— Cam é que... — eu disse e as lágrimas começaram a surgir — Droga! — parei no acostamento descendo do carro — Scott dirige, por favor — ele desceu do carro dando a volta no mesmo e eu fiz o mesmo sentando no lado do passageiro, enquanto Scott ajeitava o carro para ele — Cam me encontra na clareira com Luce? — eu disse assim que me acalmei um pouco, mas continuei com um nó na garganta.

— Nora... Encontrar-te na clareira? Mas... Você está chorando? — Droga de vida, não era para ele perceber! — O que tá acontecendo? — ele pergunta preocupado — Patch tá perguntando se pode ir também?

— Cam na clareira te explico tudo — eu disse segurando um pouco o choro que teimava em me manchar o rosto — vou ligar para Vee e pedir para ela nos encontrar lá também, eu já to indo com Scott para lá e sim ele pode ir também! — eu digo meio irritada, ele já está tão presente de uns tempos para cá! Isso está começando a me incomodar — e não, não to chorando...

Me engana que eu gosto tá? Vou fingir que acredito em você, que você não está chorando e que você não está mal! — ele diz sério do outro lado da linha — Mas quando chegarmos lá você me explicará tudinho! — ele diz ainda bravo — Até daqui a pouco Nora! — e desligou.

Dou um suspiro e disco o numero de Vee. Logo dá três toques e ela atende — Alô?

— Oi Vee — digo e dou um suspiro — Tem como nos encontrar na clareira?

Sim, mas por quê? — ela pergunta curiosa.

— É que eu preciso conversar com todos vocês, já liguei para Cam e ele também vai para lá — eu disse explicando para ela — Scott também vai...

V-Vai? — ela gagueja do outro lado e eu dou um sorriso de canto — Até daqui a pouco Nora. — e desligou.

Scott dirigiu até o estacionamento da praia e estacionou o carro na vaga de sempre. Continuamos no carro esperando o pessoal chegar.

— Nora, você já está melhor? — me pergunta Scott preocupado e de olhos fechados — Se não quiser me falar tudo bem...

— Scott... — eu digo fechando os olhos e encostando a cabeça no encosto do banco — Obrigada por se importar comigo e por se preocupar, mas não é nada demais, só estou um pouco magoada com tudo isso, mas vai passar, você sabe como eu sou forte — tentei sorrir, mas foi uma tentativa inútil.

— Saiba que estarei aqui para te amparar, minha irmã de outra mãe! — ele afaga gentilmente meus cabelos — Sei que não gosta que nos preocupemos com você, mas é isso que amigos fazem! — ele afaga novamente meus cabelos gentilmente — Se preocupam com aqueles que são importantes e que amamos!

— Novamente obrigada por se importar tanto comigo, sei que posso sempre contar com vocês! — dou um sorriso ainda de olhos fechados — para o que der e vier! Mas sei que essa minha reação pode até estar sendo infantil, mas é que eu estou muito magoada... — deixei a frase morrer.

Depois disso ficamos em silêncio, ambos perdidos em seus pensamentos e em devaneios próprios! Não se passou nem 30 minutos que tínhamos chegados e logo escuto os roncos dos motores da Range Rover, do Jeep Comander e do Neon se aproximando e abro os olhos, Scott faz o mesmo e vemos eles estacionarem em suas vagas de sempre. Já tinha me acalmado e Scott segurava em minha mão me dando força, desci do carro e esperei os outros se aproximarem de mim. Quando menos espero sinto um abraço forte, mas forte mesmo, às vezes acho, só acho que Vee se esquece de que é uma Nefilim e tem super força.

— Nora! — diz Vee nervosa — O que aconteceu?

— Primeiramente queria te dizer que estou muito feliz por você enfim ter conseguido aquilo mais quis em toda a sua vida! Que aproveitou sua segunda chance... — dou um sorriso muito fraco e continuo na mente dela “Scott, Vee!” ela cora.

— Mas Nora eu já te expliquei mil vezes sobre esse assunto! — ela diz corada — Mas não vou desperdiçar uma segunda chance, se ele me procurou é porque também sente algo — ela cochicha em meu ouvido — Mas vou ver até aonde vai — e dá de ombros.

— Bom e também já conto o que está acontecendo comigo, para todos vocês... Na verdade eu sei que é infantilidade de minha parte estar agindo assim, então não precisam me dizer isso — faço um bico e arranco sorrisos deles.

— Scott não sabe ainda do que se trata esse assunto? Ele parece tão preocupado quanto nós... — perguntou Luce — Vocês não moram juntos, então porque ele já não sabe do fato ocorrido? — ela franziu a testa em dúvida.

— Sim moramos, mas nem Scott tem conhecimento do fato ocorrido... Então é natural ele estar preocupado e curioso sobre o assunto em si. Não contei antes porque queria que todos vocês soubessem juntos, para não ficarem falando que confio mais em um do que em outro — eu disse explicando aos outros — Mas é claro que isso não se aplica a você Cipriano — dou um sorriso mínimo, mas foi o mais perto de um sorriso verdadeiro.

— Mas porque Nora, não te fiz nada? — diz Patch fazendo um biquinho, muito fofo se diga de passagem — Você pode confiar em mim Anjo!

— Eu sei... — disse num sussurro, mas sei que ele escutou, pois deu um sorriso de canto — Vamos logo lá para conversamos cambada? — e todos assentiram.

Caminhamos andando em direção à trilha, Scott e Vee mais a frente, Luce e Cam de mãos dadas logo atrás deles e Patch vem andando ao meu lado, prestando atenção em cada movimento e passo que dou, estamos mais afastados dos outros.

— O que foi Cipriano? — eu pergunto incomodada com seu olhar sobre mim constantemente — Aconteceu alguma coisa?

— Não aconteceu nada Anjo — ele diz tranquilamente — Só estava te observando — e dá de ombros.

— Hum... — eu digo pensativa, mas o que ele tanto me observa ultimamente? — Me observando?

— Sim Anjo, estava te observando, vendo o quanto é linda e forte! — ele diz calmo e olhando para frente o tempo todo, coro no mesmo instante — “E fica mais linda ainda corada” — ele sussurra em minha mente.

— Hum... — eu digo mais corada ainda — Não esquente a cabeça comigo Cipriano já te disse isso muitas vezes! — eu começo a andar mais rápido e a frente dele — Marcie não vai gostar nada disso... — sinto meu braço ser segurado e puxado para trás com tudo, bato minhas costas em seu peito — O que foi?

— Quantas vezes tenho que dizer que não tenho nada com Marcie? — ele me pergunta sério — Foram somente alguns poucos beijos, nada muito diferente do que você faz com aquele lá — ele franze a testa em desagrado.

— Ao contrário de você Patch — eu digo puxando minha mão e começando a andar — eu só fiquei com Traves duas ou três vezes — eu digo irritada — agora você e Marcie eu já perdi as contas de quantos beijos foram...

— Hum Anjo — ele diz andando atrás de mim, os outros já estão bem à frente — nem eu sei quantos beijos foram, pois eles não valeram nada para mim... — ele se aproxima mais e cochicha em meu ouvido — Agora nós dois demos dois beijos, que se diga de passagem foram os melhores que eu provei até hoje...

Corei muito, mas nada disse, segui caminhando na trilha em silêncio, com Patch ainda me observando e caminhando ao meu lado. Tenho a sensação de estar sendo observada, paro de caminhar e olho para trás, mas nada vejo. Dou de ombros e continuo a andar em direção a nossa clareira particular. Nesse tempo de caminhada, sinto o olhar constante de Patch em minhas costas, mas não sei o que ele ainda pode querer. Não sei por que ele me olha tanto, ele nunca se interessou por mim antes... Sempre foi uma pessoa fechada e na dele... Dou um suspiro alto, continuo caminhado e quando dou por mim já estamos na clareira...

Todos me olham em expectativa e curiosos, até porque o que me faria chorar e ainda por cima procurá-los para me confortar? Sinto a ansiedade deles me deixando ansiosa também, dou um suspiro e os encaro, mas me arrependo e desvio o olhar.

— Pode começar Nora Grey! — diz Cam preocupado e nervoso — O que você tem? O que te preocupa?

— Eu descobri a verdade pessoal... — eu disse distante e sem fitar ninguém exatamente.

— Que verdade exatamente Nora? — Scott pergunta próximo a mim. — pois até onde eu sei você acordou toda feliz por hoje ser seu aniversário e depois que teve a conversa com sua mãe ficou assim... — ele dá um suspiro — nem seu aniversário te alegra!

— Sim Scott eu estava feliz em comemorar meu aniversário até falar com minha mãe pela manhã — dou um suspiro e continuo — Descobri que minha mãe escondeu a verdade sobre meu pai... — eu digo me sentando no chão da clareira, sinto um forte aperto no coração e uma dor incomoda nas costas e na cabeça, mas resolvo ignorar — Meu pai não é o Hank...

— Como assim? — me pergunta Patch curioso. — Você não disse que seu pai era o Hank?

— Disse, pois minha mãe e ele mesmo tinham me dito isso, mas eu descobri que nada disso é verdade e que minha mãe também mentiu para ele — dou um suspiro — na verdade eu descobri que meu pai é na verdade... — não consegui terminar, pois percebemos outra presença se aproximando e não são poucos — DROGA! — eu grito furiosa e me levanto de onde estava sentada para observar melhor nossos “visitantes”.

Um grupo de pelo menos 20 Párias apareceu na clareira. Todos nos olhavam com raiva e com desejo de vingança. Todos estavam com aquela adaga que machuca pra cassete! Merda! Eu nem trouxe minhas duas adagas que confisquei aquele dia. Mas minhas habilidades de luta estão melhor, Cam me treinou e muito para aprender lutar como eles.

— Hum, o que temos aqui! — diz uns dos Parias — três Anjos e três Nefilins — ele dá um sorriso que se diga de passagem é o mais feio que eu já vi na vida — Mas só queremos uma das Nefilins, os outros podem ir embora se quiserem!

— Não vamos deixar Nora para trás e ainda mais para vocês! — diz Cam irritado.

— Demos a chance de vocês fugirem, mas já que não querem aproveitar a oportunidade de viver, não nos importamos de tirar essa oportunidade! — disse outro Paria mais estranho ainda — Não peçam piedade depois!

— E quem disse que queremos piedade? — eu disse me irritando — Vocês é que vão rastejar pedindo por clemência! — eu sinto uma pontada na cabeça e nas costas novamente e não sei o que pode ser, mas não é uma boa hora para ficar doente! — Aproveitem agora para voltarem de onde vieram!

— Como se nós precisássemos de clemência garota estúpida! — diz um terceiro Paria — Vocês que vão sentir na pele a dor! — e veio para cima de mim, eu pensei rápido e lhe dei um gancho de direita no queixo e com a força que exerci quebrei o maxilar dele, com a dor ele soltou a adaga e eu a peguei rapidamente — AI! — ele grita de dor — Garota, você é forte — ele põe o maxilar no lugar — Estão esperando o que? — ele pergunta para o grupo dele — Ataquem!

Depois dessa ordem o grupo nos ataca com tudo o que tem. Como eu estava próxima a Vee eu joguei minha adaga a ela, nem eu nem ela éramos muito boas com armas, mas sabíamos manuseá-las, Cam depois que descobriu sobre nossas condições ele nos treinava todos os dias, aprendemos a atirar e a usar as adagas, mas ainda faltava muito treinamento, um dos Parias veio para me acertar um soco no rosto, mas consegui me esquivar, coisa que ele não esperava e dei um soco no meio do rosto dele o lançando com tudo em uma árvore, a adaga dele caiu e eu a peguei vi que Scott não tinha arma para se defender e fui até ele.

— Scott — ele olha para mim rapidamente — Toma — ele pega a adaga — somente os corte ou os mutile, nada de mano a mano, pois se eles te acertarem vai doer muito, pois essa arma dói muito e você também não vai querer ela enfiada em você! — eu disse o alertando — Toma cuidado.

Afastei-me dele e agora ficava mais sossegada, pois os outros sabiam se defender muito bem, já Vee e Scott eram tão novos quanto eu nessa história de Nefilins e tudo o mais, mas minha mãe também faz parte desse universo então me preparou para o pior, mas para eles não é da mesma forma! Mais dois Parias pulam sobre mim e eu consigo desviar, a pontada em minha cabeça faz minha visão ficar turva e eu recebo um soco que me lança em uma árvore, eu bato minhas costas no tronco, mas logo me recomponho.

Levanto-me com uma forte dor de cabeça, mas nada se compara a dor de ter aquela adaga enfiada em sua coxa, ataco o Paria que enfiou a adaga em minha coxa a retirando da minha coxa em seguida, pulo em cima do Paria que com meu golpe caiu e enfio a adaga em seu abdômen, o outro Paria vinha me atacar, mas me abaixei e apliquei uma rasteira nele, logo enfiando a adaga em seu abdômen também.

— Nora? — alguém me chama e eu levanto o olhar, me deparando com aqueles olhos negros e lindos, demonstrando preocupação — Você está bem?

— Estou ótima Patch! — eu disse dando um sorriso e logo se desfez com a pontada nas costas — muito forte se diga de passagem — e eu arfei, mas consegui disfarçar. Não posso ficar doente e muito pior dar ao luxo de desmaiar! — E você? Está conseguindo se defender?

Ele sorri e revira os olhos — Anjo, você não existe! — derruba mais um Paria que o atacou, mas ele não possui adaga, jogo a minha para ele, ele me olha confuso — Pode ficar eu arranjo outra — dou de ombros e volto a me concentrar na luta.

— Você é minha garota! — diz o mesmo Paria que eu desloquei o maxilar — Vou fazer você pagar por me fazer passar essa humilhação! — e pula sobre mim me acertando um soco no rosto novamente, não consegui me defender, pois minha visão ficou turva novamente. Meu Deus o que está acontecendo comigo?! — Viu só como é fraca?!

— Como você ousa dizer isso de mim?! — eu digo muito irritada. Quem ele pensa que é para dizer que eu não sou forte? Chamar-me de fraca?! Depois de tudo o que eu passei?! Ai que ódio... — Você não sabe nada sobre mim, muito menos se sou forte ou fraca! Seu IDIOTA! — eu pulei em cima dele, mas me esqueci de que estava sem minha adaga e tudo o que eu fiz foi dar um soco em seu peito, ele por sua vez me jogou no chão e subiu em cima de mim me dando dois socos no rosto, no terceiro eu segurei a sua mão e a apertei a quebrando no mesmo instante, ele com a dor baixou a guarda, consegui tirá-lo de cima de mim e o joguei no chão, subi em cima dele e comecei a dar vários socos na cara dele, mas ele reagiu novamente e conseguiu me tirar de cima dele, ambos levantamos ofegantes e minha dor nas costas só piorou — você é bom — eu disse me endireitando e me mantendo ereta — Mas até onde você é bom?

Ele dá um sorriso e passa à mão na boca tirando o sangue que estava ali — O mesmo pergunto a você! O quanto você aguenta? — e cospe um pouco de sangue. Ele olha em volta e eu faço o mesmo, mas quando vou dar uma olhada na direção de Vee e Scott meus olhos focam em um ponto distante, um tom de vermelho, parece um cabelo e a pessoa parece ser homem, mas está muito distante para eu identificar.

Minhas sobrancelhas se juntam, só conheço um ruivo em todo o local e ele não podia estar aqui e muito menos envolvido nisso, ou podia? Se for verdade Cam e Patch estavam com toda a razão! Acabo deixando isso para lá, até porque seja quem for que estava lá, não está mais. Olho para Vee e me assusto, o Paria esta quase a acertando e para matar, deixo meus instintos protetores falarem mais alto e corro para onde Vee está no caminho pego uma adaga que está jogada ao chão sem interromper minha corrida e pulo em cima do Paria enfiando a adaga em seu peito, se ele vai morrer eu não sei. Olho para Vee e dou um sorriso, mas sinto um chute em meu abdômen e caio de lado — Sua luta é comigo! — Aquele Paria de antes diz raivoso.

— Calma — eu disse me levantando e dando um sorriso de canto — Tem Nora para todo mundo — sinto alguém bater de costas comigo e percebo que é Cam, ele olha meu estado e faz uma cara de desagrado — Cameron cuidado! — passei por ele e ataquei o Paria que queria atacá-lo, enfiando a adaga em seu peito sem piedade, seu corpo caiu inconsciente ao chão, acho que devido à dor, Cam começou a lutar com aquele Paria que lutava comigo antes.

— Nora! — me chama Scott e me aproximo dele — O que você tem? Está apanhando muito!

— Não tenho nada bolinha! — Mas que droga, não era para ninguém perceber, primeiro Patch, agora Scott, devo estar realmente mal — Estou ótima! — mas minha visão fica turva novamente e quando dou por mim estou sendo lançada para cima, abro os olhos e vejo um Paria me esperando cair, me endireito e caio dando um chute, que ele não esperava e pegou bem no meio de seu rosto, ele também caiu desmaiado, quando meus pés tocam o chão eu vacilo e caio de bunda, agora quem me ajuda a levantar é Cam.

— Nora, o que você está sentindo? — ele pergunta assim que eu olho para ele — Você nunca apanha ainda mais dessa forma!

— Eu não sei, estou sentindo uma pontada na cabeça e nas costas, fora um aperto sufocante, mas estou bem, ainda consigo lutar! — eu digo realmente ciente de que ainda posso continuar — não se preocupe irmãozão! — e dou um sorriso.

— Menos papo e mais ação! — o Paria que me bateu avança sobre nós de novo, mas ele não veio sozinho, mais dois foram atacar Cam e Scott, Luce também está lutando e Vee se afastou por não ser lutadora, mas ainda está com a adaga em mãos caso alguém queira atacá-la. Ele tentou me dar um soco e eu consegui me esquivar, mas estou ofegante e cansada — Você não vai durar muito! — e deu um sorriso cínico.

— Não me lembro de ter perguntado algo a você! — eu disse tentando dar um soco nele e ele desvia segura meus braços para trás e me da um chute no meio das costas, acho que sua intenção era quebrar meus braços, mas como percebi sua intenção, peguei impulso e pulei para trás dele, como ele não esperava essa minha reação eu dou um chute nas costas dele, o lançando para longe, aqui não estou controlando minha força! — Acho que você já está cansado...

— Não ouse dizer o que você não sabe garota! — ele tenta se levantar, mas esta com dificuldade tenta uma segunda e ainda assim não consegue, eu vou até ele e pego a adaga, me abaixando ao lado dele com um sorriso sádico — O que você vai fazer?! — ele pergunta em choque.

— Eu vou... — não consegui, pois fui acertada por outro Paria, ele me deu um soco nas costas e me derrubou, quando eu toquei o chão aprovei o impulso do soco e com as mãos lancei meu corpo para cima dando um mortal e caindo em pé — Ora, o que temos aqui — disse com um sorriso sádico e muito irado — um espertinho — com minha raiva ao estremo e não sei como também, em uma velocidade incrível eu já estava atrás dele com a adaga em seu pescoço fazendo pressão. Dei um sorriso novamente — será que dói? — e passei a adaga lentamente, dolorosamente e com precisão no pescoço dele, o Paria deu um grito e depois não conseguiu mais, tinha desmaiado — Ora, já dormiu? — e o joguei no chão — Quem será o próximo?! — eu perguntei me virando para os outros cinco Parias que tinham sobrado, os outros estavam jogados no chão. Quatro fugiram e só ficou aquele que eu desloquei o maxilar — Hum, então você continuou — dei um sorriso psicopata — só não te machuco agora a ponto de desmaiar, pois quero respostas — os outros se aproximam.

— Nora se acalma — diz Scott ao meu lado — você está fora de si.

— Não bolinha — eu digo ainda sorrindo, mas agora normal, pois sorria para ele — Estou ótima, mas... — me aproximo do Paria com a adaga nas mãos e o pego pela gola do sobre tudo dele — ele me deve respostas! — dou um olhar frio para todos eles — e se alguém me interromper não responderei por mim! — olhei novamente para o paria a minha frente — Quem te mandou aqui? — ele nada respondeu, peguei a adaga e passei pelo rosto dele tirando sangue — É bom não acabar com minha paciência! Vamos fale logo! — novamente ele nada disse, peguei a adaga e passei pelo barco dele, cortando o tecido e a carne dele, agora ele gritou de dor — É bom falar!

— Tá bom eu falo! Eu falo tudo o que quiser, mas pare de me torturar assim! — ele põe a mão em frente ao corpo em forma de rendição, eu o soltei e ele caiu ajoelhado — Não sei quem é essa pessoa, ele somente veio até nós disfarçado e disse que queria você, não vimos o rosto e nem sabemos seu nome a única coisa que vimos foram seus cabelos vermelhos, mas só — ele me olha com aqueles estranhos olhos, como se pedisse clemência, ai eu lembro que eu disse que ele ia pedir isso e começo a rir — Era somente isso o que eu tenho a falar, não sei de mais nada!

— Bom então sua utilidade aqui acabou! — dou um sorriso para ele — Pode ir embora se quiser, mas se aparecer na minha frente novamente não darei uma segunda chance! — nem terminei de falar direito e ele já estava indo embora, assim como da outra vez apareceram mais Parias e levaram os feridos embora, logo ficamos somente nos seis na clareira. Minha visão fica turva novamente e por um momento ficou tudo preto, senti uma forte pontada nas costas, mas nem sei o pode ser isso parece que quer algo sair de mim, caio ajoelhada e ponho as mãos nos chão — Ai... — digo num sussurro.

— Nora o que aconteceu? — pergunta Luce se aproximando mais de mim e eu enfim voltei a enxergar normal — O que você está sentindo?

— Não sei Luce — eu digo ofegante — minha cabeça parece que vai explodir e minhas costas parecem que vão partir ao meio — sinto outra pontada — O que está acontecendo?

— Não sei Raio de Sol — diz Luce com uma voz preocupada — Eu estou tão preocupada quanto você...

— Anjo, você está sentindo muita dor? — Patch me pergunta preocupado.

— Sim — eu digo num sussurro, a dor em minhas costas e cabeça parece se intensificar e eu começo a gritar de dor, escuto meus amigos perguntando o que está acontecendo, mas nada escuto... A dor se tornou insuportável cada vez mais pontada nas costas e na cabeça, mas do nada tudo parou, a dor sumiu e eu voltei a respirar normalmente. Levantei-me, pois ainda estava ajoelhada e me viro para meus amigos, mas não entendo a cara de espanto deles, me olhando como se eu fosse uma aberração, todos me olhavam dessa forma, mais ainda Patch, Cam e Luce.

— O que aconteceu? — eu pergunto assustada também — O que aconteceu?!

— N-Nora, o que é i-isso?! — me pergunta Vee assustada.

— Isso o que?! — eu pergunto também assustada.

— Isso Anjo — e Patch aponta para algo atrás de mim e eu me viro.

Estanco na metade da virada não acreditando no que eu vejo. — AI MEU DEUS!!!!!! O QUE É ISSO??? — eu grito no meio da clareira assustada e entendendo o motivo do porque meus amigos me olhavam daquela forma estranha e espantada. Como isso foi acontecer?

Notas finais
Nora descobriu quem é seu pai verdadeiro... E agora? O que será que é isso que todos dizem? Curiosos Anjos? Bom no próximo capitulo será respondida essas dúvidas, ou pelo menos parte delas :3 Bjos *3*