Angel's Black and White
6 Capitulo 5
Notas iniciais
A pergunta pegou a todos de surpresa, nenhum deles pensava que Patch se ofereceria para Nora passar a noite na casa dele, todos estão o olhando com uma cara mais que surpresa.
— Qual é o problema? — ele perguntou espantado — Não posso deixar uma amiga passando por problemas, sendo que posso ajudá-la — Cam olha para Patch com uma expressão indecifrável — Cam você prefere que ela passe a noite na rua?
— Não — ele responde relutante.
— Então, ela mesma negou ir para a casa de um de vocês por a mãe dela poder encontrá-la — ele diz explicando para todos, o motivo de seu convite — e lá na minha casa a mãe dela não a encontrará, mas vocês saberão onde ela está... — ele diz depois ficou quieto e se dirigiu a mim — e então Anjo, aceitar passar a noite na minha casa?
Eu penso um pouco sobre a proposta dele e o respondo — Aceito! — todos me olham espantados — Gente assim eu não passo a noite na rua e como ele disse, vocês saberão onde eu estou — dou de ombros e continuo — vou ligar para Scott e dizer que vou passar a noite na casa de um amigo e nem vocês vão dizer a ele que amigo é esse, tudo bem? — todos assentem meio relutantes — Bom então já vamos, certo Patch? — ele balança a cabeça em afirmativa — então vamos para nossos carros cambada.
E assim todos seguiram o caminho da trilha de volta até a praia e se despediram, Cam e Luce entraram na Evoque e Vee no Neon, logo todos buzinando como se fosse um tchau. Acabamos ficando Patch e eu sozinhos em frente aos nossos carros, já são aproximadamente 20h30min e já estou com fome. Olho para Patch.
— Cipri... Patch é... Podemos passar na pizzaria? — eu pergunto sem graça — podemos comprar para comermos na sua casa se não se importar, e claro, se você gostar de pizza...
— Hum Anjo, vai ser difícil, porque eu não gosto de pizza... — fiz uma cara de desanimada, eu amo pizza... — na verdade eu amo pizza... Devia ter visto sua cara! — ele diz começando a rir — vamos você vai à frente até a pizzaria, de lá você me segue.
Acenei em afirmativa e entrei no Porsche o ligando em seguida, também coloquei a musica Gotta be Somebody do Nickelback e saí em direção à pizzaria que eu mais gostava. Em mais ou menos trinta minutos, já me encontrava estacionando na pizzaria, esperei Patch que parou do meu lado e entramos. O lugar estava cheio, mas não íamos comer lá então não havia problema.
— Você gosta de algum sabor em especial? — eu perguntei enquanto ele analisava o lugar.
— Não — ele diz e me olha — e você?
— Gosto de Frango com Catupiri e Portuguesa — eu disse simplesmente.
— Então pode ser meio a meio — ele diz por fim.
Dirigi-me até o balcão e pedi à pizza que eu queria, já paguei logo antes que Patch quisesse pagar, quando ele viu que eu estava pagando ficou emburrado e eu dei um sorriso de canto, a mulher disse que iria adiantar nosso pedido, pois estávamos lá e não seria entrega. Esperamos mais 15 minutos e logo a pizza chegou a peguei e comecei a andar.
— Vamos Patch — eu disse dando um sorriso logo em seguida — a pizza vai esfriar se demorarmos mais.
E saímos da pizzaria. Patch entrou em seu carro e eu entrei no meu carro, ambos saindo logo em seguida com Patch à frente. Eu o segui por uma estrada que dava acesso a área nobre da cidade, Patch nos levou até um luxuoso condomínio residencial com vista para Casco Bay. Pelo charme histórico do prédio — tijolos em tom de vermelho-vivo misturados com pedras de uma pedreira local — dava para ver que a construção tinha mais de um século, mas havia sido completamente reformada com janelas reluzentes e colunas de mármore preto e tinha um porteiro.
Patch guardou seu carro na garagem e eu estacionei o meu em frente a casa, peguei a pizza e desci do carro, ele me esperou passar pelo portão da garagem e o fechou. Subimos uma escada estreita, passamos por uma porta e entramos em uma cozinha. Janelas de ponta a ponta ofereciam uma vista impressionante a baía.
— Uau! Bela casa Cipriano! — eu disse olhando pela enorme janela e mesmo de noite proporcionava uma bela vista, a casa consistia ainda em uma sala com sofá de tons em cinza e uma TV de 50’ com uma mesinha de centro simples e de vidro, tinha também uma simples sala de jantar e um banheiro, na sala ainda tinha uma escada que eu deduzi ser para o quarto e mais alguma coisa — Você tem bom gosto Patch! Gostei da sua casa, mas agora vamos comer — e dei um sorriso.
— Sim vamos — ele disse seguindo para um armário e pegando dois pratos e os talheres — estou morrendo de fome e essa pizza está cheirando muito bem. — ele se sentou e me olhou, eu fiquei corada e me sentei depois.
Comemos em silêncio e de vez em quando trocávamos olhares, coisa que eu evitava a todo custo, mas é difícil, pois estou na casa dele. Patch me olha e da um sorriso. — Como você descobriu essa pizzaria?
— Eu ia lá sempre quando andava com umas pessoas aí... — disse o mais evasiva possível, ele me olha e quando ia falar algo escuto Carry On My Wayward Son e desvio o olhar — Espera me deixa atender meu celular — eu peguei o mesmo e olhei o visor “Scott Bolinha u.u”. Dou um suspiro — é Scott... Oi bolinha! — disse assim que atendi.
— Oi bolinha? Tem certeza que é isso mesmo que você tem a me dizer Nora? — ele pergunta raivoso do outro lado da linha. — Mas onde é que você se meteu? Quer me matar de preocupação?!
— Desculpa te deixar preocupado, mas é que aconteceu algo que me magoou muito Scott, eu descobri quem é o meu possível pai e talvez Marcie e eu sejamos... Irmãs — disse explicando para ele, Scott sabia o quanto esse assunto me machucava.
— O que? — ele pergunta espantado — Por isso você sumiu? Você sabe a preocupação que eu fiquei quando minha irmãzinha não apareceu? Quando eu nem sabia onde você estava? — ele dá um suspiro — Por favor, não faz mais isso comigo. Não me preocupe mais assim, tudo bem?
— Desculpa Scott, eu não queria te preocupar — eu disse sincera, no momento eu não pensei em ninguém e acabei sendo egoísta em preocupar a todos — eu sei que fui egoísta em sair assim, foi por isso que eu sumi, sua irmãzinha aqui... — olhei para Patch um pouco corada — você sabe minha real face... E não vou mais te preocupar tá?
— Bom que seja verdade — ele diz e parece pensativo — mas me diz que horas você vem para casa?
— Eu não vou para casa Scott — eu digo convicta.
— Como assim não vem para casa Nora? — ele pergunta exasperado — você vai passar a noite aonde? — ele começa a ficar nervoso novamente — Você vai sim vir para casa Nora Grey!
— Scott Parnell! — eu digo muito séria — eu não vou para casa, minha mãe esta aí se você não se lembra, e não estou com cabeça para ela agora, se eu for, vou perder a paciência e vamos discutir sério, e não tô a fim de morar de baixo da ponte de novo. — Patch olha para mim espantado, faço um depois te explico e ele assente — e eu já estou na casa de um amigo, Cam me deixou vir para cá, ou então eu passava a noite na rua.
— Nora... — ele começa com receio — por que você está na casa de um estranho? Por que então você não foi para a casa da Vee, ou de Cam ou de Luce? — ele dá um suspiro.
— Bolinha, ele não é um estranho, ele é um... — dou um suspiro, coro e olho para minha mão em cima da mesa — amigo muito especial — escuto uma risadinha, mas me nego a levantar o olhar — não fui para a casa dos outros, por que você sabe Cam e Luce trocam de casa todos os dias e não queria ser um incomodo para eles e Vee não pode ficar me acobertando sempre, e em todas essas casas minha mãe pode me encontrar — dou um suspiro — Scott, eu estou bem tá? Amanhã passo aí para te pegar pra escola.
— Tudo bem Raio de Sol — dou um sorriso aberto, sei que já estou perdoada só por ele me chamar assim — te vejo amanhã então. Boa noite...
— Boa noite bolinha — eu digo com um sorriso — tchau.
— Tchau. — e desligou.
Levanto o olhar e encontro duas orbes negras me fitando com um sorriso de canto.
— Amigo muito especial é? — ele pergunta ainda dando um sorriso.
— Esquece isso vai... — eu disse levemente corada — mas... — corei ainda mais — você pode me emprestar uma roupa para dormir?
— Hum... Mas eu não tenho roupas que sirvam em você — ele diz e depois dá um sorriso — se uma camisa minha servir.
— Cl-Claro serve sim — digo extremamente corada — vou lá ao carro pega minha mochila — disse me levantando e seguindo para aporta da sala, abri a mesma e fui até meu carro, abri a porta e me sentei no banco do motorista, dei um suspiro e me levantei, indo até o porta-malas que abre por um botão ao lado de dentro do carro.
Peguei minha mochila com uma roupa íntima reserva que levo para o treino, tenho também uma calça jeans e uma camiseta do Nirvana, vou usar ela para ir para a escola amanhã, volto para a casa e Patch está sentado no sofá, com uma camiseta preta — isso parece meio óbvio, parece que só tem roupas pretas — e uma toalha branca e bem felpuda — Já peguei minha mochila, agora vou tomar um banho... É, Patch onde eu vou dormir?
— Minha casa só tem um quarto — ele diz com uma naturalidade e eu coro no mesmo instante — e lá tem uma cama de casal e um sofá também.
— Ah, sim. Tudo bem — eu digo pegando a toalha e a camiseta e sigo para o banheiro. — Mas é claro que vou dormir no sofá — eu digo num sussurro assim que entro no banheiro.
O banheiro de Patch é muito bonito, sua louça é preta, as paredes são brancas e tem detalhes em verde, com umas pedrinhas quadriculadas verdes que dividem a parede em duas partes brancas com uma linha verde ao centro e na parte de dentro do Box tem a metade da parede desses quadriculado verde e a parte de cima é branca.
Deixo a roupa pendurada e tomo um banho rápido, não quero ser inconveniente, saio do Box e me seco, coloco uma calcinha vermelha — e ainda bem que ela tem um tamanho considerável, grande — e a camiseta preta de Patch, me olho no espelho assim que desembaço o mesmo eu coro. Essa camiseta cobre até a um palmo abaixo da poupa da bunda, mas fazer o que vai ter que ser essa mesma. Pego minhas coisas e as guardo na mochila. Saio do banheiro um tanto corada.
— Pronto Patch — eu disse ainda corada, aliás, corada é pouco, muito corada.
— Anjo, você já é linda — ele diz com um sorriso sedutor e parece me analisar milimetricamente e eu coro mais ainda — mas em uma das minhas camisetas você consegue ser mais linda ainda — mas se fosse possível eu corei mais ainda eu sentia que todo meu sangue estava sendo drenado para as minhas bochechas nesse instante — Bom Anjo agora eu que vou tomar banho, já arrumei o quarto pode subir, é a primeira porta a esquerda. — e se levantou e seguiu para o banheiro.
Subi as escadas e fui para a porta que ele disse, entrei no quarto e me espantei. Patch é super organizado, a cama muito bem esticada e ainda é um king size com lençóis brancos e um edredom preto, dos dois lados da cama tem criados mudos e ao lado da porta um guarda roupa também preto, o quarto é enorme, tenho certeza que eram dois cômodos aqui em cima e ele quebrou essa parede para fazer esse quarto gigante, sei disso, pois o quarto conta com duas janelas, na parede mais afastada está o sofá, que já tem um travesseiro e um cobertor, corro para ele antes que Patch suba, não quero que ele se quer pense na hipótese de me ceder a cama a casa é dele a cama também, já me contento com o sofá.
Já estou ajeitada no sofá e coberta também, quando Patch entra no quarto, vestindo somente uma calça moletom e sem camisa — Isso mesmo minha gente, SEM CAMISA — e como o corpo dele é perfeito, tão musculoso e aqueles gominhos, ouço um pigarro e levanto o olhar e vejo um Patch com um sorriso aberto — Gosta do que vê? — eu coro muito por ter sido pega. Patch me olha de maneira estranha — Anjo — ele diz se aproximando — Por que você está no sofá?
— Porque eu vou dormir aqui Patch — eu digo convicta.
— Não Anjo, você irá dormir na cama — ele diz se aproximando mais.
— Isso não é justo Patch — eu digo me sentando no sofá — a casa é sua e a cama também, se você não tivesse me oferecido essa opção, a de dormir aqui, eu estaria dormindo na rua e provavelmente em meu carro.
— Anjo, eu sei disso — ele diz e se senta ao meu lado — mas você vai dormir na cama.
— Não.
— Vai.
— Não vou Patch.
— Vai sim Nora. — essa é a primeira vez que ele me chama de Nora em forma de repreensão.
— Não... — não consegui terminar, pois Patch se levantou do meu lado e em pegou no colo me levando para a cama — O que você pensa que está fazendo?
— Te levando para a cama — ele diz ainda me carregando — você vai dormir na cama. — ele diz me colocando na mesma.
— Isso não é justo! — eu digo com certa raiva — Então você dorme aqui na cama também! — Patch me olha de forma assustada — não é nada disso que você está pensando Cipriano! — eu digo corada — é que é injusto você dormir no sofá e eu na sua cama, além do mais a cama cabe nós dois perfeitamente — eu disse me levantando e o fitando — eu durmo virada para um lado e você para o outro. O que me diz?
Ele parece pensar — Você não vai me deixar dormir no sofá não é? — faço que não com a cabeça — e eu não vou deixar você dormir no sofá... — ele me dá um sorriso de canto — então tudo bem.
— Vou tomar água — eu disse indo em direção à porta — escolhe um lado e quando eu voltar já me deito no outro — e saio do quarto, na verdade eu me lembrei de que não escovei os dentes, desci a escada rapidinho e fui até o banheiro, usei meu dedo como escova — alias quem nunca fez isso? — lavei a boca e fui até a cozinha realmente tomar água, vai que ele desce. Subi as escadas apagando todas as luzes, ainda bem que tenho o costume de andar no escuro, entrei no quarto e apaguei a luz, me deitei ao lado direito da cama — Boa noite Patch.
— Boa noite Anjo.
E assim acabei dormindo.
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Pov’s Patch
Ouço um barulho chato de algo vibrando na madeira e abro os olhos. Já está de manhã e isso que está vibrando com certeza é meu celular despertando, quando vou me virar para pegar o celular com a mão esquerda eu não consigo, olho para meu braço e só aí me lembro de que dormi dividindo a cama com Nora. Pego o celular com a mão direita e desativo o alarme, tiro a coberta de cima de nós e vejo uma cena um tanto inusitada, até mesmo eu estou “envolvido”, Nora esta com a cabeça em meu ombro, sua mão esquerda esta por cima de meu peito e sua perna esquerda está no meio das minhas, as enroscando.
Eu por minha vez, estou com uma das mãos em suas costas e a outra provavelmente estava em sua cintura — a coloco lá novamente e a trago para mim — acho que essa era a posição em que dormíamos, mas a questão é: porque Nora está abraçada a mim? Começo a analisar as feições de Nora enquanto ela dorme, já que não posso fazer isso muito bem quando ela está acordada. Nora tem um rosto muito doce e tranquilo quando está dormindo, mas quando está acordada na maioria das vezes está séria, seu corpo é muito bonito, nada muito musculoso, mas sim definido.
Sua pele é muito linda e também bem lisinha, como será tocar nela? Mas o que mais me encanta nela, são seus olhos e seu sorriso — esse último que quase nunca é dirigido a mim e no fundo era o que eu mais queria: ser eu o motivo dos mesmos — seus olhos brilham de uma maneira que me prendem e me fascinam. Nora não sabe, mas sou apaixonado por ela há muito tempo, até tentei ter um relacionamento com Marcie para ver se ela sentia ciúmes, mas nada, acho que no fundo ela não gosta de mim, mas não sei Nora tem o dom de me confundir.
Sou desperto de meus devaneios quando Nora se aconchega mais a mim, meu Deus, como é bom tê-la assim, por perto, sinto como se tivesse que protegê-la, mas para isso eu tenho que afastá-la dele, eu não posso perder Nora também, assim como foi com ela. Inconscientemente Patch começa a alisar as costas de Nora.
Sinto Nora se mexer novamente, mas dessa vez despertando, e é algo engraçado de se ver. Ela se deitou de barriga para cima e abriu um olho de cada vez, suas pernas ainda estão enroscadas as minhas. Nora parece perceber como estamos e se senta com tudo.
— Ai... — ela diz corando “tão linda quando cora” e me olha super sem graça — me desculpa Patch, não sei o que deu em mim.
Dou um sorriso — Não se preocupe Anjo — disse a puxando novamente para a mesma posição que antes — Saiba que eu amaria acordar assim todos os dias — ela cora mais ainda.
— Para de brincadeiras Cipriano — se ela soubesse como eu amo quando ela pronuncia meu nome assim, mesmo ainda preferindo que ela me chame de Patch, ou quem sabe pelo meu nome mesmo? — Me deixa levantar! — ela diz tentando se levantar.
— Não! — eu digo me levantando e a forçando de volta para a cama, eu por cima e ela por baixo, somente metade do meu corpo em cima dela e minhas mãos segurando as dela acima da cabeça — Você vai ficar aí mocinha.
— Patch, me deixa levantar — ela me olha de forma intensa e meu Deus, começo a me perder naqueles castanhos brilhantes dela, começo a me aproximar lentamente — Patch eu acho que não é uma boa ideia — ela diz, mas no fundo eu sinto que ela também quer.
— Se não quiser é só me afastar — eu digo e vou me aproximando mais, ela não se mexe e quando eu menos espero ela fecha os olhos. Uma forma muda de dizer que ela aceita meu beijo.
Somente um toque, um selinho. Mas só isso já consegue me deixar louco, eu sei que não posso sentir, mas com Nora não sei explicar, abro meus olhos assim que constato, na verdade eu estou sim sentindo, algo macio, tanto em meus lábios quanto em minhas mãos. Fecho os olhos novamente.
Peço passagem com a língua e ela abre a boca, assim podemos intensificar nosso beijo, nossas línguas começam tímidas e devagar, uma conhecendo a outra, solto uma de suas mãos e passo pelo seu rosto, ela por sua vez, leva a dela até minhas costas — no meio, longe da cicatriz, ainda bem — e faz uma leve carícia, sinto um arrepio, agora eu tenho certeza, estou sentindo o toque de Nora e não sei e nem quero saber o porquê, pelo menos não nesse momento.
Ajeito-me melhor sobre o corpo de Nora e acabo ficando entre suas pernas — uma de minhas pernas entre as dela — ambos com as pernas esticadas e enroscadas novamente, o beijo começa a se intensificar e vai ficando mais voraz e mais necessitado, Nora entrelaça os dedos dela com os meus e a outra mão passa as unhas levemente em minhas costas — ainda longe da cicatriz, o que eu continuo achando ótimo — essas sensações são todas novas para mim, nunca senti nada a não ser no Cheshvan e agora estou sentindo, o que está acontecendo?
Termino o beijo dando dois selinhos. Afasto-me gentilmente, não quero magoá-la e nem enganá-la, me levanto. Nora me olha como se pedisse desculpas, mas sei que ela não se arrepende.
— Estou indo fazer o café Anjo — e saí do quarto em direção à cozinha pensando em como tudo isso foi possível e que enfim eu provei dos lábios do meu doce Anjo e que acabei querendo provar novamente em breve.
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Pov’s Nora.
Acordo sentindo algo em minhas costas, mas o que é? Abro os olhos lentamente e acabo abrindo um de cada vez, encaro um teto completamente diferente e me lembro de onde estou, mexo um pouco minhas pernas e sinto algo nelas, sinto que estão enroscadas e sinto um braço nas minhas costas. Ai meu Deus, estou abraçada a Patch, me sento com tudo na cama.
— Ai... — eu digo sentindo minhas bochechas arderem e sei que corei, olho com um pouco de vergonha para Patch — me desculpa Patch, não sei o que deu em mim.
Ele dá um sorriso — Não se preocupe Anjo — ele disse me puxando novamente para a mesma posição que antes — Saiba que eu amaria acordar assim todos os dias — eu coro mais ainda, mas por também querer isso.
— Para de brincadeiras Cipriano — eu disse meio brava e séria, talvez assim ele pare mesmo eu não querendo isso — Me deixa levantar! — eu tento me levantar.
— Não! — ele diz se levantando e me forçando de volta para a cama, ele por cima e eu por baixo, somente metade do corpo dele em cima de mim e minhas mãos sendo seguradas pelas dele acima da cabeça — Você vai ficar aí mocinha.
— Patch, me deixa levantar — eu o olho nos olhos e ele também me olha, começando a intensificar o olhar e meu Deus, começo a me perder naquelas orbes negras dele, Patch começa a se aproximar lentamente — Patch eu acho que não é uma boa ideia — eu disse, mas no fundo eu também quero, e sei que ele também já que quem esta tomando a iniciativa é ele.
— Se não quiser é só me afastar — ele diz e vem se aproximando mais, eu não me mexo, quero tanto quanto ele, ou parece que ele quer, não sei, mas eu quero e muito, então eu fecho os olhos. Uma forma muda de dizer que eu aceito, não vou dizer em voz alta.
Somente um toque, um selinho. Mas só esse pequeno toque já me deixa mais que feliz, eu nunca nem nos meus maiores sonhos eu me imaginava beijando Patch, ou muito menos ser beijada. Ele pede passagem com a língua e eu concedo, abrindo a boca, assim posso aproveitar melhor esse momento único — ou não — mas único nesse momento.
Nossas línguas começam tímidas e devagar, como se estivessem se conhecendo ou gravando cada detalhe da boca um do outro, Patch solta uma de minhas mãos e passa a mão pelo meu rosto numa leve carícia, eu acabo levando minha mão até as costas nuas dele e a acaricio sentindo a textura da pele dele, o sinto arrepiar, ele se deita por completo em cima de mim e acaba ficando com uma de suas pernas entre as minhas e vice-versa, ambos com as pernas esticadas e enroscadas.
O beijo começa a se intensificar e vai ficando cada vez mais necessitado e urgente, eu entrelaço meus dedos com os dele — ele e eu estávamos com as palmas abertas — e continuo acariciando suas costas, até que passo as unhas levemente em suas costas, Patch termina o beijo me dando dois selinhos e se levanta, olho para ele em duvida, como deixei tudo ir tão longe? Mas não me arrependo, pois foi o que eu mais quis em toda minha vida.
— Estou indo fazer o café Anjo — e saiu do quarto em direção à cozinha, me deixando sozinha com meus pensamentos, levo a mão aos lábios e dou um sorriso, enfim provei dos lábios do meu bad-boy favorito e será que provarei novamente?
Recrimino-me por deixar meus pensamentos tomarem esse rumo, pego meu celular e vejo que falta muito tempo para passar para buscar Scott, vou até minha mochila e tiro a camiseta de Patch a deixando sobre o sofá, coloco meu sutiã e a calça jeans, quando a porta é aberta, como estava de costas para a mesma não me importei.
— Anjo... — Olho Patch por cima do ombro, quando Patch levanta o olhar ele cora levemente. Espera aí Patch corado? Isso mesmo povão PATCH CORADO! Vocês sabem o que é isso? — Me desculpa Nora.
— Não tem problema Patch — eu digo vestindo a camiseta — você não sabe nada das coisas que eu fiz não é? — eu dou um sorriso — e além do mais eu não estava nua, estava de sutiã.
— Um sutiã lindo se diga de passagem — ele diz me fazendo corar e sorrindo de canto — Vim avisar que o café está pronto e que eu preciso me trocar.
— Me desculpe — eu disse terminando de arrumar minhas coisas e colocando dentro da mochila — Estou te esperando lá em baixo — e saí do quarto.
Desci as escadas e fui ao banheiro, fiz minha higiene matinal e saí do banheiro para a cozinha, peguei meu celular e escrevi a seguinte mensagem “Bolinha esteja pronto em, pois não vou entrar em casa e, por favor, pede para Dorothea separar novas roupas íntimas para mim e uma nova muda de roupa, ela já sabe u.u Até daqui a pouco Bjos *3*”, me sento à mesa e tomo um suco de laranja e como uns pães, quando estou terminando Patch aparece com suas tradicionais roupas preta e se senta.
— Patch — eu chamo a atenção dele — queria te agradecer por ter me ajudado e vou ver como vou fazer hoje, mas provavelmente não volto para casa hoje — dou um sorriso fraco — mas também não posso preocupar a todos novamente, então vou ver com Cam e Luce se eles me ajudam... Enfim, ainda não sei, mas não quero te meter em meus rolos também, já bastam os problemas que meti Cam, Luce, Vee e Scott. — desvio o olhar — e não quero te causar mais problemas... — fui interrompida.
— Anjo, não precisa agradecer, sempre que precisar pode dormir aqui em casa — ele dá um sorriso de canto — o tempo que precisar, como você mesma disse sua mãe não te achará aqui, e estou feliz em ser útil a você Anjo. — ele me olha nos olhos — Vou te dar o número do meu telefone se você precisar, me liga e eu vou te encontrar, ou você me liga e vem para cá. Anjo eu quero que você saiba que eu gosto muito de você.
Pisco algumas vezes — Bom Patch eu também gosto de você — pena que você não gosta de mim dessa forma — Bom preciso ir, ainda vou passar em casa — me levanto, mas paro de novo — é, você pode me explicar como eu faço para voltar?
Patch dá uma gargalhada — Eu te levo, vamos — ele diz se levantando —você me segue até onde você não sabe, a partir do ponto que você já souber pode ir buscar seu amigo, nos veremos na escola e ele não saberá que você esteve aqui em casa, pelo menos não por mim. — ele da um sorriso — até porque eu tenho uma promessa com você — eu balanço a cabeça em afirmativa — vamos. — ele seguiu para a garagem e eu fui atrás quando ele abriu o portão eu passei e fui até o meu carro, já o ligando.
Patch tira o carro da garagem. E segue para a estrada, eu viro meu carro e o sigo, logo entramos em uma estrada e aceleramos, acho que Patch quer apostar uma corrida, pois ele esta cada vez mais ganhando velocidade, mas como não sei o caminho vou ter que ficar atrás, acelero até ficar atrás dele, logo entramos em uma alça de acesso e agora sim eu já sei onde estou, aumento a velocidade e emparelho a seu lado, dou uma buzinada para chamar sua atenção e ele me olha dou um sorriso aberto para ele e aceno um tchau, logo piso fundo no acelerador e tomo a dianteira, sei que não vamos muito longe a saída para ir a minha casa e logo a frente dou seta e entro na alça de acesso fazendo um drift, um pouco mais e logo estou em frente a minha casa.
Pego meu celular e escrevo a seguinte mensagem “Saia”. Em mais ou menos cinco minutos Scott saí de casa com uma expressão de indiferença e logo já esta se sentando ao meu lado, já engatei a primeira e saí.
— Olá Scott, bom dia — eu digo dando um sorriso — como foi seu dia ontem?
— Nora já chega está bem? — ele diz me olhando sério — você vai me contar onde estava?
— Scott eu já te disse passei a noite na casa de um amigo, nada demais. — olho para a estrada não para ele — não sei se volto para casa hoje, ainda estou pensando... Você sentiu minha falta foi bolinha?
— Lógico que senti — ele diz levemente corado — Ah, antes que eu me esqueça — ele tira uma sacola da mochila com uma trouxa de roupas — te juro que eu não olhei, Dorothea que pegou tudo — ele colocou no banco de traz do carro — não vai me contar quem é o amigo?
— Não Scott, esquece está bem — eu disse entrando no estacionamento da escola — Cam autorizou então você não pode falar nada. — eu digo e coloco o carro na vaga — Vamos? — abro a porta do carro e desço Scott faz o mesmo, escutamos um barulho vindo das árvores que ficam logo depois do estacionamento, Scott me olha por um momento — vamos ver o que é?
— Vamos — ele diz começando a andar, ninguém nos vê e seguimos em direção ao barulho, assim que eu vejo o que é, eu paro. Patch está beijando Marcie de novo, te juro que pensei que ele gostasse de mim, pelo menos um pouco. Marcie está levantando a blusa de Patch e passando as unhas em seu peitoral definido. Scott olha para mim e vê o que eu não queria que ninguém visse: a dor. — Vem Raio de Sol — ele diz me puxando de volta ao estacionamento.
Sei que foi uma coisa que eu procurei, até porque eles estavam no meio das árvores, sinal que não queria que alguém visse, mas a idiota aqui tem que ir atrás para sofrer. Scott segura em minha mão e seguimos para onde estão os outros, assim que chegamos eles percebem meu olhar triste.
— O que aconteceu Nora? — pergunta Cam me analisando como que dizia “Se Patch fez algo a você essa noite ele me paga” — Você está com uma carinha.
— Não é nada... — eu disse, mas também fui cortada por Scott que contou a verdade ao mesmo tempo em que eu negava.
— Ela viu Patch beijando a Marcie ali no meio das árvores — ouvimos um arfar atrás de nós e eu disfarço minha cara de dor, todos perceberam quando eu dei um sorriso forçado — mas ela não está triste, ela está até sorrindo. Não é como se ela sentisse algo por ele... — Scott olha para ela e vê gratidão em seus olhos.
— Patch já é bem grandinho, sabe com quem ele fica ou deixa de ficar — eu disse ainda de costas, mesmo ciente da presença dele — não é como se eu sentisse algo por ele.
— Nora, precisamos conversar — diz Cam me pegando pelo braço e me arrastando para a Evoque.
— Mas e as aulas? — eu pergunto, não quero conversar com ele, eu sei o que ele vai falar.
— Elas podem esperar — ele responde simplesmente.
— Espera, vou deixar minha bolsa com Scott — eu volto para onde os outros estão e Patch me olha com um olhar triste, não sei se é pelo o que eu disse ou por eu ter visto — Scott — eu chamo a atenção dele — você pode levar minha bolsa para a sala? — ele assentiu positivamente — Cam não vai me deixar fugir. — pego ele pela gola da camiseta e o puxo para baixo — Obrigada — sussurro em seu ouvido, pego seu rosto entre as mãos e fico na ponta dos pés e dou um beijo em sua testa — Menino para de crescer, daqui a pouco tenho que escalar você para alcançar sua testa — dou um sorriso — Até daqui a pouco — e começo a andar de volta para onde Cam está — Vou ter que enfrentar a fera, se não aparecer dentro de uma hora, ligue para o controle de animais — nisso Cam já me arrastava de novo e os meus amigos se contorciam de rir, tanto de mim quanto da cara de Cam, chegamos a Evoque e ele abre a porta do passageiro para eu entrar, eu entro e ele dá a volta entrando pelo lado do motorista — Fala Cameron.
— Cameron é? — ele pergunta e dá um sorriso — Mas não mude de assunto — ele me olha intensamente com aqueles olhos verdes esmeraldas curiosos — Comece a falar.
— Sobre o que você quer saber? — eu pergunto desviando o olhar.
— Por que você ficou tão incomodada em saber de Patch e Marcie? — ele pergunta sério.
— Cam, eu não sei se vocês sabem, ou se você sabe, mas... — eu olho para minhas mãos — eu sempre fui apaixonada por Patch — eu disse e escutei ele suspirar surpreso — desde aquela primeira vez em que você me apresentou ele, sendo como seu melhor amigo — dou um sorriso com a lembrança — mas ele nunca me disse mais do que um oi, ou um tchau, então eu pensei que ele nunca me daria chance — eu olhei para Cam — então decidi amá-lo em segredo, acho que foi segredo mesmo, pois nem você que é o mais observador de nós percebeu.
— Raio de Sol, eu não sabia disso — ele diz com um pouco de vergonha — se eu soubesse que te afetava tanto eu não tinha permitido que Patch deixasse Marcie frequentar a mesa, nem deixaria você ficar na casa dele — ele me olha por um momento — aconteceu alguma coisa?
— Na casa dele? — ele afirma com a cabeça. E agora, se eu contar para ele que Patch me beijou ele vai tomar medidas e eu vou me sentir culpada, até porque ele não beijou sozinho não é? — Não Cam, não aconteceu nada.
— Mas como você está? — ele pergunta preocupado — você quer que eu peça para ele parar de trazer a Marcie para a mesa?
— Cam, foi justamente por isso que eu escondi, não quero atrapalhar a amizade de séculos de vocês dois, e olha que não é força de expressão. Eu vou fingir como eu sempre fingi com um sorriso no rosto — lágrimas me vem aos olhos — você sabe Cam, eu nunca choro para mais ninguém além de vocês e como você mesmo me disse uma vez, que o que te chamou atenção sobre mim foi que mesmo querendo chorar eu estava com um sorriso no rosto, e você foi a primeira pessoa que me viu chorar incontrolavelmente — dou um sorriso e abaixo a cabeça — Então faça de conta que nada aconteceu, e outra Patch não sabe que eu gosto dele.
— Eu entendo Nora, tudo o que você disse é verdade — ele levanta minha cabeça para olhá-lo — Se é assim que você quer eu entendo não vou falar nada com ele, fico feliz que minha amizade com ele seja tão importante para você, a ponto de sofrer calada para não me ver sofrer com o afastamento de Patch — ele me dirige um sorriso — e fico feliz de você confiar em mim, eu não sabia que a primeira pessoa que você confiou suas lágrimas tinha sido eu. — ele olha o relógio — vamos, está na hora de irmos para a aula, o segundo sinal irá bater aí não entraremos mais.
— Irmãozão — ele sorri quando eu o chamo assim — por favor, não conte para ninguém tá? — ele assentiu — eu não quero que ninguém saiba ainda tá? — ele assentiu novamente.
Saímos do carro e nos dirigimos à sala de aula, quando chego a minha a sala está fechada e eu bato o professor me olha de maneira séria e abre a porta.
— Está atrasada Grey — ele diz assim que abre a porta. O encaro de maneira fria.
— Eu sei disso professor — eu digo e entro na sala, ele me olha e dá um suspiro.
— Nunca muda não é Grey? — ele dá um sorriso mínimo.
— O senhor me conhece — eu digo e paro ao lado da mesa de Vee — Já estou indo me sentar professor, só um momento — eu me agacho ao lado dela e Scott se inclina para ouvir também — Sobrevivi a Cam — digo num sussurro — ele só queria me confortar e adivinhe, conseguiu. — dou um sorriso — agora vou me sentar, depois conversamos.
Levantei-me e fui para a minha mesa, quando passei por Patch ele me chamou, mas não em voz alta, mas sim em minha mente. "Nora". Continuei andando e me sentei em meu lugar, ele me chamou novamente. "Eu sei que você está me ignorando Anjo".
"Não tenho nada para falar com você Patch" — eu digo fazendo uma expressão confusa — "por que você tem algo a me explicar? Eu sabia que você tinha namorada e mesmo assim deixei aquele beijo acontecer, não faça mais isso, não sou esse tipo de garota" — eu dou um suspiro alto, o que faz com que o mesmo se vire minimamente — "agora se preocupe com seu relacionamento e outra, somos somente amigos não é?".
"Anjo, você tem que me ouvir..." — ele diz, mas eu o corto.
"Patch Cipriano" — o vejo arrepiar e dou um sorriso — "não precisa me falar nada e pare de me incomodar... Ah, e nem pense mais em tocar nesse assunto, não é como se tivéssemos um caso. Somos somente amigos." — vejo o professor o chamando e o mesmo não prestando atenção — "Presta atenção na aula".
Depois disso a aula passou normal, bloqueei minha mente para Patch não entrar mais. Cam me ensinou algumas coisas que Nefilins e Anjos podem fazer e isso é uma delas, a aula já está em seu final, o intervalo foi à mesma coisa, eu meio que ignorando Patch, mas também Marcie não saia do lado então ele quase não tentou falar comigo.
Guardamos nosso material e saímos da sala, fui conversando com os outros e Marcie e Patch estão conosco. Quando estávamos saindo eu vejo um homem muito bem vestido com um terno de risca de giz cinza. Marcie para no lugar em que está o homem ainda está de costas para nós.
— Pai? — ela pergunta receosa, eu fico tensa na hora. O homem se vira e agora posso ver seus traços, ele é loiro com o cabelo muito bem cortado, seus olhos são azuis e sua pele num tom rosado, assim que ele olha em nossa direção abre um sorriso — O que você está fazendo aqui?
O homem me olha nos olhos por um momento e depois se vira para Marcie e dá um sorriso. Cam e Scott param um de cada lado e colocam a mão em meus ombros, sinal claro de que querem me passar apoio.
— Vim aqui falar com sua irmã Marcie — Marcie arfa ao meu lado e eu fico mais tensa — Eu vim aqui para falar com Nora.
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