Angel's Black and White
18 Capitulo 16
Notas iniciais
Escuto aquela voz e sinto que já a escutei antes... Meu mundo vira de cabeça para baixo e perco meu chão, o tempo todo ele estava próximo a mim e o tempo todo ele queria me atingir.
– Então foi você? – eu pergunto muito irritada.
– Surpresa Norinha? – ele diz sarcástico – Se sua amiga tivesse parado na primeira batida não precisaríamos destruir o carro dela – ele fica quieto um segundo e logo escuto um gemido – Hm, esse corte deve estar doendo não é Vee? – a escuto dizendo algo como “Nora, não venha” e logo um ai – Calada, você não está em direito de dizer nada!
– Ora você quer parar com isso! – eu digo voltando a correr na direção que Vee disse que estava os outros estavam me chamando, mas não parei – Você a machucou tem a capacidade perceber isso? Pode ter certeza de que quando eu te encontrar eu vou te torturar de todas as formas possíveis, vai se arrepender de ter ousado machucar Vee! – continuo a correr a uma velocidade incrível, mas não ligo se vou chamar a atenção, só quero ver Vee, e ver que ela está bem.
– Ora Nora, suas ameaças não me atingem, pois você não está em vantagem de fazê-las – ele diz e logo escuto Vee falando de novo e um barulho de outro tapa – Estamos levando sua amiguinha, mas é por pouco tempo – ele diz como se fosse algo natural – Vamos devolvê-la, é só você se entregar!
– Como posso ter certeza de que vocês a devolverão? – eu digo ainda correndo.
– Mais tarde eu ligo para dar os detalhes – ele diz e escuto o barulho de um motor ligando – Vee está indo conosco, não se preocupe, vamos cuidar dela... Ou não – ele dá uma gargalhada – Passar bem Nora! – e desligou.
Parei de correr e olhei para o celular, ele realmente tinha desligado. Minhas lágrimas rolam soltas, mas pelo menos sei que Vee ainda está viva, por enquanto... Volto a andar, quando percebo a Range Rover de Cam ao meu lado, ele para a minha frente e desce.
– Nora – ele diz me abraçando – O que deu em você pra sair correndo assim?
– Desculpe só queria ir logo até Vee... – eu disse ainda chorando agora com as duas mãos no rosto, ele me abraça e afaga gentilmente meus cabelos.
– Vem – ele diz me levando pro carro – Vamos juntos até onde está o carro de Vee – ele abriu a porta de trás e eu me sentei, ao lado de Patch, mas pulei Patch, o obrigando a sentar ao lado da porta e me sentei no meio ao lado de Scott que chorava copiosamente, o abracei e ficamos chorando juntos. – Nora onde foi o acidente?
– Mais a frente – eu digo num fio de voz. Cam dirige por alguns metros e logo após uma curva vemos um carro batido, ele é irreconhecível, mas sei que é o Neon. Cam estaciona e descemos do carro – Meu Deus! – e choro mais ainda ao ver o estado do carro.
O Neon estava amassado na lateral e na traseira, sua frente está toda destruída alegando que houve uma batida frontal no mesmo, a porta não está mais ali, sinal de que foi arrancada. Aproximo-me do carro e entro no mesmo, vendo as coisas de Vee jogadas, as retiro todas e coloco na Range Rover. Uma raiva se apossa do meu ser, mas eu vou fazê-los pagar por ter mexido com Vee, ô se vou!
– Nora, agora você pode nos contar o que está acontecendo aqui? – me pergunta Luce preocupada – Isso daqui está claro que não foi nada acidental.
– Estava no telefone com Vee quando escutei um barulho alto, perguntei pra ela o que estava acontecendo e ela me disse que um grande carro preto bateu na traseira do Neon tentando fazê-la girar na pista – Patch me abraça por trás e disse “Eu estou aqui com você Anjo”, eu continuei – ai ficou tudo em silencio, a ligação caiu... Ai logo meu celular toca e era o sequestrador de Vee... – fui interrompida.
– Sequestrador? – me pergunta Scott aflito – O que eles podem querer com a minha Vee – que fofo, minha Vee, mas isso daqui é sério foco Nora! – O que ela fez pra eles?
– Eles não querem Vee... – todos olham pra mim e Patch me aperta mais no abraço.
– Eles querem você... – diz Cam finalmente entendendo.
– Como eu estava dizendo – eu voltei a falar e Patch me abraçava cada vez mais apertado – Jev amor, ainda preciso respirar – ele murmura um desculpa e afrouxa um pouco o abraço – ele falou comigo que estaria levando Vee meio que como se fosse um meio de troca... Eles irão devolver Vee se me entregarem... – todos olham pra mim – e eu vou!
– Nora, vamos voltar pra sua casa – diz Cam e todos fomos em direção ao carro – Lá vamos poder conversar melhor, alguém pode aparecer e seremos suspeitos – e ele dirigiu até minha casa, eu já não chorava só um sentimento de raiva se apossava de meu ser, logo chegamos a minha casa e descemos do carro, Patch segura em minha mão e entramos em casa, assim que entro sou recebida por minha mãe muito nervosa e meu pai comum olhar bravo.
– Nora Grey! – ela grita comigo – onde você se meteu? – Só ai ela percebe minha cara de choro e Scott ainda chorando baixinho – O que aconteceu?
– Vee foi sequestrada mãe! – eu digo voltando a chorar – por minha culpa! – e eu a abraço, ela puxa Scott e ficamos assim, quando nos acalmamos ela pergunta o que aconteceu e eu conto a ela tudo – E foi isso, agora vamos ter que esperar novas ligações de Traves... – fui interrompida por um grito de meus amigos.
– TRAVES????? – gritaram Cam, Luce, Patch, Scott e meu pai.
– Sim, Traves – eu digo dando um suspiro em seguida – era com ele que eu estava falando no telefone, ele vai ligar de novo para marcar um acordo de troca por nos duas – todos me olham estranho – e nem me venham dizer que eu não vou, pois eu vou sim, Vee é muito importante pra mim e por minha culpa ela está nessa enrascada – eu digo decidida – essa é a emboscada que aquele Paria falou com Traves aquele dia, já que não podiam me pegar que forma melhor de me atingir do que pegando as pessoas que eu amo? E ele quis ir pessoalmente para ter sucesso no mesmo – dou um suspiro — Temos que formular um plano para pegarmos eles e eles pagarem por terem mexido com minha família! – eu dou um suspiro – e Vee ainda esta machucada, fora que eu escutei eles batendo nela – um sorriso maldoso surge em meus lábios – Eles vão pagar por terem cruzado meu caminho...
– Nora – a voz grossa e imponente de meu pai se faz presente – Ficar pensando de cabeça quente não vai sair nenhum plano, se eles vão ligar temos que pensar em um plano e rápido, mas você tem que ficar calma meu Anjo – ele dá um sorriso – Vamos resgatar Vee e você também... – ele dá um suspiro – Infelizmente vamos ter que te entregar a eles – eu assinto positivamente – mas não iremos despreparados, vamos enfrentá-los e nos livrarmos deles, para podermos viver em paz – e dá um sorriso aberto.
– Connor – minha mãe diz com uma voz preocupada – eles não vão machucar minha menina? – ela me abraça novamente – meu Anjo, eu não queria, nunca quis que você se envolvesse nesse tipo de situação, mas te conhecendo como te conheço – ela dá um sorriso fraco – sei que você não vai abandonar Vee, e muito menos sossegar até que ela esteja em segurança... – ela dá um suspiro – eu vou participar desse plano e vou resgatar vocês duas...
– Mãe – eu digo a abraçando de volta – Eu não quero que você corra nenhum perigo por minha causa, eu prefiro que você fique aqui... – eu olhei nos olhos dela com lagrimas prestes a cair pela minha face – Não me perdoaria se algo acontecesse a você...
– Acontece Nora, que eu sou filha do primeiro Nefilim – ela dá de ombros – Eu tenho mais de um século de vida, bom creio que precisamente mais uns cinco ou seis, não vou te contar – ela dá um sorriso de canto – e acontece que já presenciei algumas guerras e bem, lutei em algumas – ela me olha séria – fora que tive muito mais treinamento do que você e sei ainda muito bem manejar minha espada – e dá de ombros.
– Você não vai me deixar ir sozinha né? – eu pergunto dando um sorriso.
– Mas não mesmo! – ela diz me dando um beijo na testa – Agora qual o plano?
Scott já está mais calmo e quer participar também. Estamos todos sentados na sala, Patch está o tempo todo ao meu lado, Cam, Luce e Scott estão em um sofá, meu pai em uma poltrona e minha mãe em outra. Todos nos encaramos até Cam começar a falar.
– Temos que nos organizar de uma forma que alguém se infiltre no meio dos Parias, para assim descobrir onde é o local que vão manter Nora – ele está muito sério, sério demais até – O problema é que os Parias tem uma aparência própria e nenhuma maquiagem dará jeito, teremos que possuir um deles...
– Eu faço isso! – disse Patch ao meu lado – Eu sei onde posso encontrar algum Paria para possuir e me infiltrar no meio do covil deles – ele diz muito bravo e sei que ele não quer me entregar, mas é realmente necessário – e abro caminho para vocês – e dá de ombros.
– Tudo bem – diz meu pai – Certo então Patch será responsável de se infiltrar no meio deles, te sugiro sair agora e seguir até onde possa encontrar um Paria, quanto antes você se infiltrar melhor – Patch se levanta e eu me levanto atrás – É pra se despedir e voltar aqui entendeu Nora, é você quem vai contar o restante do plano a Patch – eu assenti e sai da sala juntamente de Patch.
– Anjo, não se preocupe – ele diz segurando a minha mão, vamos em direção a cozinha – Eu irei te proteger – ele vai para a garagem e abre a porta dos fundos da casa – Não precisa se preocupar, vamos dar um jeito nisso tudo e quando tudo se acalmar, eu tenho uma proposta para você – ele me dá um beijo na testa – Mas terá que esperar pacientemente tudo bem?
– Sim Jev, eu esperarei – dou um sorriso fraco – Você promete que voltará inteiro pra mim?
– Eu prometo – ele diz levantando o dedo mindinho – Vamos fazer uma promessa de mindinho para você ter certeza de que é verdade – eu levanto meu mindinho e prendo ao dele selando essa pequena promessa – Viu?
– Sim – e dou um sorriso pra ele – Vamos sair bem dessa, parte dos nossos problemas já estão resolvidos e parte será resolvida agora, quando tudo isso acabar poderemos ser como e qualquer outro casal do mundo – e nos beijamos, um beijo diferente de tudo e de todos os outros, pois esse beijo continha nossos mais secretos medos, nosso amor e acima de tudo nossa preocupação para com o outro – É melhor você ir – eu digo assim que nos separamos – Mas como eu vou saber que é você Jev?
– Você simplesmente saberá meu amor – e me dá um sorriso, mas logo ele some mostrando toda a preocupação que o mesmo sente – Se cuida e volta pra mim tá?
– Você também – eu disse meio chorosa.
Patch abriu suas lindas asas negras e seguiu para Deus sabe onde. Somente torço para tudo dar muito certo, e que ele volte em segurança para mim... Entrei novamente em casa e me dirigi até a sala, todos estavam conversando, bolando estratégias e eu me sentei novamente no mesmo lugar.
– Patch já foi? – me perguntou minha mãe.
– Sim – eu disse parecendo indiferente, mas por dentro estava agitada.
– Nora, ele vai ficar bem – disse Cam tentando me tranquilizar – Patch sabe se virar e ele é o melhor em possuir corpos alheios – ele dá de ombros – nunca foi descoberto todos esses anos... Bom mas agora vamos discutir sobre o plano.
– Sim – eu digo dando um suspiro e assumindo minha posição fria – O que vocês decidiram?
– Por enquanto nada... – diz meu pai.
– Bom só decidimos que Patch vai possuir um Paria e te “proteger” — Cam faz entre aspas – e que ele nos ajudará a te encontrar, só isso... – e dá um suspiro.
– Mas precisamos traçar um plano em desde fazer a troca, até vocês chegarem ao local em que eu estiver aprisionada – eu disse séria e pensativa – Tenho uma ideia... – todos olham para mim – Primeiro vamos traçar passos, o primeiro é quem vai comigo na troca? Meu pai não pode ir ainda, temos que usar a presença dele como um trunfo, uma carta na manga – todos assentem – Scott é o principal, Vee vai estar muito abalada, com certeza ela está sendo agredida – Scott fica tenso no sofá, mas fazer o que é a verdade – E também não podemos ir em muitas pessoas, eles se sentiriam ameaçados...
– Então vão Scott e Luce – diz meu pai sério, Cam fica tenso – Cameron não estaremos muito longe, sua esposa vai estar segura – ele dá um sorriso – Estaremos esperando eles mais afastados, Nora tem razão, se chegarmos todos, eles sentiram falta de Cipriano e levantaria muitas suspeitas – ele dá uma pausa – Está decidido Scott e Luce vão com Nora quando for ocorrer a troca. – todos assentiram.
– O primeiro passo foi definido. – eu disse tranquilamente – o segundo é como Patch vai entrar em contato com vocês...
– Infelizmente ele terá que usar um celular – diz Cam mais calmo agora – ele terá que mandar uma mensagem de um celular que não seja o dele – ele me olha – como é você que vai estar com ele você vai dizer pra ele assinar como P.C. e mandar para o meu celular, saberei que é ele – ele dá uma pausa – quando invadirmos você terá que lutar Nora, então eu levarei suas duas adagas que você pegou dos Parias uma vez, Vee não irá conosco, pois ela não é boa lutando – ele dá um suspiro triste – Infelizmente ela terá que ficar de fora... Scott, você sabe usar as adagas e sabe lutar, Connor e Blythe, assim como eu e Luce somos muito bons em utilizar armas e no mano-a-mano também – ele me olha de forma séria – mas você terá que parecer desolada, acreditando que nos não vamos te salvar e não reagir às agressões que receber, você tem que fingir ser vulnerável...
– Tudo bem – eu digo assim que solto a respiração – Leve minhas adagas, não quero ficar de fora da diversão... – eu dou um olhar muito psicótico – E quero que deixem Traves pra mim, quero dar uma boa surra nele e depois mandá-lo para o Inferno, ele merece sofrer por me enganar e por fazer Vee sofrer... – fico muito séria e muito fria – Ninguém se mete com as pessoas que eu amo e saí impune – eu disse baixo, mas ciente de que todos poderiam me escutar.
– Nora – minha mãe chama minha atenção – Vai tomar um banho e colocar uma roupa confortável para a hora da luta.
– Tudo bem – eu digo e subo para meu quarto, vou em direção ao banheiro tirando minha roupa no meio do caminho e tomo um banho, nada muito demorado, saio enrolada na toalha e coloco uma calcinha de shortinho preta e um sutiã também preto, vesti uma calça moletom preta e uma camiseta um pouco apertada na área do busto, com um decote em “U” e solta do busto pra baixo vermelha e um all star como sempre. Prendi meus cabelos num rabo de cavalo alto e coloquei também uma bandana, não coloquei nenhum acessório, até porque nem posso. Desci as escadas e na metade da mesma meu celular toca – Alô? – eu digo assim que atendi, o numero era restrito, todos olharam pra mim, já estava na sala novamente.
– Olá Norinha – Traves diz como sempre sendo irritante – Como você está?
– Vamos parar de gracinha e vamos ao que interessa! – eu digo irritada. Meu pai me adverte com um olhar de calma.
– Como eu já te disse antes Nora – ele diz com uma voz séria e de poucos amigos – Você não está em direito de fazer ameaças e até mesmo de pedir algo! – ele dá uma gargalhada insana.
– Bom, mas será que eu poderia falar com Vee? – eu pergunto esperançosa e Scott que está sentado no sofá se levanta e fica ao meu lado.
– Só dessa vez Grey – ele dá uma gargalhada – até porque vocês não conseguirão se falar depois que devolvermos ela – ele dá um suspiro – Vou atender ao seu desejo – logo tudo fica em silencio e depois a voz de Vee se faz presente – Alô?
– Oi Rosquinha – eu digo segurando minhas lagrimas, tenho que ser fria, Scott cola o ouvido no celular pra tentar escutar também – eles estão te machucando?
– Sim – ela responde e Scott fica tenso.
– Muito? – eu pergunto com minha raiva aumentando, assim é bom, pois eu não choro.
– Um pouco – ela responde em monologo novamente, Scott dá um suspiro.
– Eles tentaram alguma coisa? – eu pergunto e sei que ela entendeu o sentido e Scott também, pois ele fechou a mão em punho.
– Não – ela responde parecendo indiferente, eu e Scott damos um suspiro aliviado.
Entrego o celular a Scott e murmuro um fala rápido – Amor, nós vamos te buscar tá? – ele diz com uma voz chorosa, e eu acho extremamente fofo – Eu te amo, beijos – ele me devolve o celular e se sentou novamente.
– Nós vamos te resgatar não se preocupe – eu digo a tranquilizando – Agora fala pro Traves pegar o telefone novamente – ela diz e logo tudo fica quieto, mas sei que ele já está escutando – Quais as condições da troca?
– Só não quero que Cipriano venha – ele diz e eu seguro a vontade de dar um suspiro aliviado – Ele pode tentar alguma coisa e isso só atrapalhará nossos planos – ele fica quieto um instante e depois volta a falar – Duas pessoas, mais nenhuma...
Tudo está indo de acordo com o plano – Tudo bem.
– Quem virá? – ele pergunta se fazendo de indiferente – E é bom não tentarem nada, se não... – e deixou a frase morrer.
– Não vamos tentar nada Traves – eu disse irritada – Luce e Scott...
– Cipriano eu entendo até porque eu pedi, mas Briel não virá? – ele diz sarcástico – Interessante... – ele dá uma gargalhada – Parece que seu namoradinho te abandonou não é? Já que eu o vi com Millar ontem – e começa a rir que nem um idiota.
– Não sei de onde você tira que Cipriano e eu temos um relacionamento – doeu quando eu disse aquilo, mas fazer o que eu poderia fazer? Meu relacionamento corre perigo... – Ele não é nada mais do que um amigo de Cam... – eu dou um suspiro – Vamos logo com isso, onde será feita a troca?
– Interessante, então porque me rejeitou? – ele pergunta sério – Bom isso você me responde aqui... – ouço o mesmo ficar quieto um tempo e depois ele volta a falar – Que tal onde nós conhecemos? Você ainda se lembra né?
– Claro – eu respondo – No estacionamento mesmo?
– Sim – ele responde – as 14h00min.
– Estarei lá – e desliguei o celular, me sentei no sofá, na verdade desabei no mesmo – Às duas horas no estacionamento da Praia, com Luce e Scott – olho para todos – Lá que vai acontecer à troca...
– Na Praia? – perguntou minha mãe.
– Foi onde eu conheci Traves antes de saber de tudo e quando ele me pareceu um cara legal – dou de ombros.
– Filha – meu pai chama minha atenção – Porque você disse que não tem um relacionamento com Jev?
– Connor – Cam chama atenção de meu pai, ele segura a mão de Luce e está com a cabeça apoiada no ombro da mesma – Você se lembra de Dabria? – ele assente que sim – Ela meio que provocou um triangulo amoroso entre ela, Patch e Traves – meu pai arregala os olhos – Por esse motivo Traves quer tudo o que Patch tem, então ele tentou se aproxima de Nora, mas depois se afastou, pois pra ele Patch quer Marcie e não Nora – ele olha para meu pai, ainda com a cabeça no ombro de Luce – Ele só está protegendo Nora...
– Entendo... – meu pai dá um suspiro – Bom já são 13h25min, vamos?
– Sim – todos nós murmuramos e fomos para a garagem, Luce ia dirigindo a Range Rover e meu pai e Cam iam voar até a floresta da Praia, era mais rápido e eles poderiam se esconder. Tirei meu celular do bolso e olhei a hora, mas não sem antes ver uma foto minha e Patch que estava no bloqueio de tela e de papel de parede também, dou um sorriso para meu celular olhando aquela foto. Estávamos sentados no sofá na casa dele, eu estava de cabelo solto — e ainda bem que estava molhado — com a bochecha esquerda encostada na direita dele, Patch estava como sempre, com seus cabelos desgrenhados e ambos olhávamos para a câmera com um sorriso no rosto, ele quem me pediu pra tirar a foto, e a mesma foto está como papel de parede do celular dele – Scott, fica com meu celular – e estendi a ele – Patch pode fazer contato por ele também...
Scott pegou meu celular e acabou vendo a foto – Bela foto, eu e Vee temos uma também – ele pegou o celular e me mostrou. Vee estava também com sua cabeleira loira solta – mas ao contrário do meu o dela é liso – Scott estava sentado e Vee agachada o abraçado por trás, com o queixo apoiado no ombro direito dele, com a cabeça virada para o lado direito e com um lindo sorriso nos lábios, ele segurava uma das mãos dela e também estava sorrindo, a foto mostrava até a altura do peito de Scott e dava para vê que foi ele quem tirou a foto – Ela quem pediu, eu não sou muito fotogênico, você sabe, mas eu amo tanto essa foto que não consigo tirá-la daí – e deu de ombros.
– Posso ver? – perguntou Luce – As duas?
– Claro – respondemos eu e Scott juntos.
Luce pegou os dois celulares e olhou as fotos, dando um sorriso em seguida – Muito lindas ambas... – ela pega o celular dela e estende a Scott – Cam e eu também temos algumas... – e deu de ombros.
Scott olhou a foto e depois me estendeu o celular – Muito bonita Luce, mas Cam não parece gostar de tirar foto – e sorriu.
– Mas não gosta mesmo – ela sorri – Mas ele faz um esforço.
Peguei o celular e olhei a foto. Cam estava sentado e Luce entre as pernas dele, ele a abraçava pela cintura, ela sorria para a foto seus cabelos estavam longos e ela os mantinha presos e seu rabo de cavalo jogado para o lado esquerdo e ele lhe dava um simples beijo na bochecha direita dela e olhava minimamente para a câmera, a foto era simplesmente linda, eles estavam num campo todo florido e muito colorido. – Lindo! – eu disse devolvendo o celular – Onde foi isso?
– Acho que foi no Japão – e deu de ombros – Nora, chegamos – ela estacionou na vaga de sempre. Vimos um Civic preto parado mais a frente e eu arfei.
– Scott...
– Eu sei...
– Vamos – disse Luce descendo do carro eu desci atrás, mas fechei a porta primeiro – Nora se cuida – e me deu um beijo rápido na testa, fechando a porta em seguida. As portas do Civic se abriram e de lá desceram Vee e mais quatro pessoas, uma delas era Traves que sorria, que vontade de dar um soco na boca dele. — Bom aqui está Nora – Luce continuou.
– Vamos entregá-la, não se preocupe – diz Traves dando uns passos a frente e puxou Vee com ele – Um dos dois venha até a metade do caminho com Nora.
Scott pegou em minha mão e foi comigo, dei um sorriso a ele e ele apertou minha mão “Vai ficar tudo bem Bolinha” eu disse olhando pra frente, “Assim eu espero Raio de Sol”. Chegamos à metade, Traves estendeu a mão a mim e Scott a Vee, quando pegamos nas mãos ele me puxou pra ele e Scott fez o mesmo com Vee.
– Troca feita – ele diz sério – Podem ir agora.
Scott e Vee foram em direção ao carro e entraram junto de Luce, Traves não se mexeu enquanto o carro não se afastou. Na minha mente só me perguntava qual daqueles Parias era Patch. Traves segurou meu braço com força e me arrastou até o carro, não ofereci resistência, ele me jogou em cima de um Paria com tudo. Mas senti como se já conhecesse aquele aperto em meu braço. Mas não disse nada, vai que não era.
– Ela no meio – ele disse sério, todos nós nos encaminhamos ao carro. Traves dirigia o mesmo, acho que os Parias eram cegos. Um Paria estava à frente com Traves e eu acabei ficando entre outros dois. O Paria que estava ao meu lado esquerdo – e que foi o mesmo que eu fui jogada em cima – me lançava uns olhares de vez em quando. Liberei minha mente, pois senti que tinha alguém tentando invadi-la. “Anjo...” fechei os olhos só com essas simples palavras, sim ele era Patch, meu Patch.
Segurei-me para não dar um sorriso — “Olá meu Anjo... Estava com medo de não ser você” — eu disse ainda olhando para frente, e Patch olhava para o lado de fora, sinal claro de que ignorava minha presença para quem nos visse agora.
– “O que vocês decidiram?”. – ele me perguntou super curioso. – “Como ficou o plano?”.
– “Você terá que ligar de um celular, aliás, mandar uma mensagem com o endereço de um celular diferente do seu, você vai assinar como P.C. Cam saberá que é você. É para você mandar ou para o meu ou para o celular dele.”.
– “Entendi Anjo” – ele fica tenso por um instante e logo passa – “Eu te amo Nora, nunca se esqueça”.
– “Eu também te amo e também nunca se esqueça disso Jev...” – e voltei a prestar atenção no caminho.
Estávamos indo por uma estrada que eu não conhecia, e não adiantaria eu descobrir, de nada adiantaria não é mesmo, acabei dando um suspiro que chamou a atenção de Traves sobre mim e a de Patch também, mas eu percebia que ele disfarçava bem.
– Está cansada Nora? – Traves me pergunta fingindo interesse. Revirei os olhos com isso.
– Não, eu estou muito bem descansada – eu disse indiferente.
– Bom, agora podemos conversar melhor... – ele diz me fitando pelo espelho do meio do carro e eu o encaro mortalmente pelo reflexo – Você disse pra mim, àquela hora no telefone, que não tem nenhum tipo de relacionamento com Cipriano... Então porque me rejeitou daquela vez? – ele me fita novamente pelo espelho – pensei que fosse por causa dele...
Falei com Patch antes de responder -“Continue indiferente ao o que eu disser, sabe que é mentira, eu te amo mais do que tudo...” – eu o encarei pelo espelho e disse a ele – Te rejeitei porque você queria me forçar a algo que eu não queria! – eu disse indignada – E outra para de tentar mudar o rumo daqui...
– Nora, Nora... – ele dá um sorriso de canto que por vezes me encantou agora só me faz ter mais ódio por ele – Você não está em direito de ordenar ou pedir nada... – ele me olha por um instante e logo volta a prestar atenção na estrada – E logo você irá conhecer alguém que você não deveria conhecer... Mas quem mandou ser filha de quem é...
O encarei mortalmente e deixei isso bem visível a todos os presentes no carro – Não fale nada do meu pai! – eu disse irritada, muito irritada – Nunca, nunca em toda sua vida inútil, diga um “a” contra meu pai, você não sabe quem ele foi!
– E você sabe? – ele perguntou indiferente e deu um bocejo – Até onde eu saiba você nunca conheceu seu pai biológico e ele está bem longe daqui, em um lugar que uma simples Nefilim que nem você ousaria colocar os pés... – ele dá uma gargalhada – E está muito enganada se pensa que eu não sei quem foi Connor Sforza... Agora você já não digo o mesmo... – ele me olha irritado pelo espelho novamente – Então, calada! Não fale do que você não sabe ou conhece... – e voltou a prestar atenção na estrada.
Eu ainda o encarava pelo espelho do meio com um olhar mortal... Esse idiota inda ia ter o que merecia, ô se não ia! Eu estava tão nervosa, mas tão nervosa que eu fechei a mão em punho, o que não foi uma boa ideia, eu acabei machucando minha mão, resultado, a mesma sangrava.
– Mas que merda! – eu murmurei assim que senti o sangue quente em minha mão.
– O que aconteceu Grey? – me perguntou Traves fingindo estar preocupado.
– Nada... – eu murmurei entre dentes.
– É bom que não seja nada mesmo – ele responde ignorante.
–“Anjo, porque você fez isso?” – me perguntou Patch olhando discretamente para minha mão, será que ele enxerga como antes ou como os Parias? – “Você está se machucando a toa... Temos que cuidar da sua ferida”.
– “Não precisa se preocupar Jev” – eu disse abrindo a mão e mostrando discretamente para ele – “Já está cicatrizando...”.
– “Que bom Anjo” – e ele fica imóvel como sempre.
Estamos diminuindo a velocidade, acho que já estamos chegando... Estamos literalmente no meio do nada... Mentira, estamos no meio de uma floresta que eu não sei se é muito perto, ou muito longe da minha casa, mas de uma coisa eu sei, deve ser longe, não só da minha casa como longe de tudo... No meio da floresta dá para ver uma trilha que só passa um carro, mas ela é escondida. Traves entra nessa trilha e segue para dentro da floresta saindo da estrada a qual estávamos antes. Ele dirige devagar e com cuidado, Traves deve ter dirigido mais ou menos uns 15 km, para que eu começasse a ver algo, logo começo a avistar um enorme muro e também um grande portão de ferro pintado de preto, ele aperta um botão numa espécie de controle e os portões se abrem, dando assim a visão da bela casa que esses muros escondem, mas ela tem uma cara de abandonada, senti um frio na espinha.
Traves entra com o carro e para o mesmo assim que passa os portões o fechando em seguida, logo as portas se abrem e todos descem do carro, Patch segura em meu braço um pouco forte, fazer o que temos que encenar... Eles me levam por uma escada de uns quatro degraus e abrem uma porta que era branca, pois está toda lascada. Entramos numa sala que tinha um sofá velho e nesse mesmo sofá estava um homem, ele se levanta e eu consigo vê-lo melhor, ele veste uma calça jeans azul, uma camiseta branca e um all star. Ele é um cara alto e esguio com nariz aquilino e cabelos pretos desgrenhados, seu tom de pele era claro e seu semblante estava extremamente sério e me fitava com curiosidade.
– Seja muito bem vinda Nora Grey – Traves cochichou em meu ouvido e senti que o mesmo sorria – Pois esse daqui será seu Inferno particular, daqui para frente.
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