Angel's Black and White
16 Capitulo 14
Notas iniciais
Pov’s Autora.
Blythe encara as pessoas a sua frente espantada. Encara Nora com um ódio mortal, como sua própria filha poderia lhe trair dessa maneira? Era o que Blythe se perguntava.
— Posso saber o que esse homem faz em minha casa Nora? — ela pergunta com um olhar frio e com uma voz igualmente fria.
— Vocês dois precisam conversar mãe — diz Nora com certo ressentimento. Pois ela tinha feito de tudo para ir buscar o pai no Inferno para poder se acertar adequadamente com sua mãe, e quem sabe assim não formarem uma família novamente? E ela o trata dessa forma.
— Não tenho nada para falar com esse homem Nora — ela diz se irritando — Por favor, peça para ele se retirar — e se sentou em sua cadeira, ignorando as pessoas em sua sala.
— Não! — Nora disse decidida — Eu não passei por tudo aquilo, para trazê-lo aqui e você não dar a ele uma chance de se explicar! — ela foi andando em direção à mesa de sua mãe e parando em frente à mesma — Você vai escutá-lo, nem que seja somente isso!
As duas se encaram furiosamente. Nora não acredita no que sua mãe estava fazendo, o amor da vida dela estava na sua frente, depois de 17 anos e ela não quer nem escutá-lo? Já Blythe a encarava por não acreditar que sua filha estava contra ela e a favor dele, ela a criou sozinha, enquanto ele sumiu do mapa. Patch e Connor olhavam a cena a sua frente, sem saber o que fazer, era um assunto delas, um problema de mãe e filha. Ambas se olhavam intensamente, mas na verdade estavam discutindo em suas mentes. Nora tentava convencer a sua mãe pelo menos a ouvi-lo. Passaram-se dois minutos e Blythe finalmente dá um suspiro derrotado.
— Quando você quer você consegue ser a pessoa mais insuportável e irredutível do mundo Nora — ela diz suavizando o olhar e o dirigindo a Connor — Irei ouvir o que você tem a dizer Sforza, mas... — ela olha para Patch e depois para Nora — será uma conversa entre nós dois...
— Eu já entendi mãe — Nora se dirigiu de volta para a porta e para ao lado de Patch, segurando em sua mão, depois se vira para Connor — Estaremos em meu quarto, qualquer coisa é só subir — e abriu a porta, quando ia saindo sua mãe se dirigiu a ela.
— Nora — ela se vira para a mãe — eu não estou para ninguém e em hipótese alguma venha para esse escritório — ela olha severamente para sua filha — Você e Patch tem a casa toda, mas se preferir pode ficar em seu quarto — ela olha para Patch — Juízo em...
— Não se preocupe senhora Blythe — diz Patch dando um sorriso de canto — juízo é o que não me falta — ela dá um sorriso para Patch — Bom, estamos saindo — e os dois saem do escritório em seguida.
Blythe analisa o ser a sua frente com cuidado, como se quisesse realmente ter a certeza de que ele não era uma ilusão, de que seu Connor estava realmente parado ao lado daquela porta a analisando da mesma forma. Ambos analisando os rostos, os narizes, os olhos, se perguntando se quando sorria ainda aparecia àquela covinha funda, e acima de tudo, se aquele sentimento ainda era existente no outro.
Blythe dá um suspiro, se levanta e vai até a porta a trancando, volta para seu lugar de origem e olha para Connor friamente — Pode se sentar — ela disse indicando o assento vazio ao outro lado da mesa, Connor caminha até o local e se senta, analisando Blythe a todo instante — Então — começou ela — o que você tem de tão importante a tratar comigo?
— Eu vim aqui explicar o motivo de meu sumiço — disse Connor, com seu tom de voz calmo, mas ao mesmo firme e imponente.
— Não precisa me explicar nada Sforza — Blythe disse com visível rancor — Eu sei o que vai me dizer que se arrependeu de ter partido sem se despedir, que não sabia da existência de sua filha e que quando descobriu procurou se redimir... — Connor escutava a tudo calado, resolveu deixar Blythe descarregar todas as frustrações que ela guardou durante longos 17 anos — Mas não precisa me falar nada, Nora já está criada, seguindo com sua vida, ela não precisa mais de um pai, ainda mais um que a abandona...
— Blythe, isso o que você diz não faz sentido — Connor se ajeita melhor a cadeira — Não sabia da existência de Nora, mas também quando eu soube não fazia diferença — Connor encara Blythe intensamente — eu não poderia fazer nada por vocês...
— Por quê? — Blythe pergunta incomodada — Porque você nos deixa e agora aparece aqui, como se nada tivesse acontecido — ela o olha com rancor — Dizendo que não faria diferença saber de Nora ou não, que não poderia fazer nada por nós — ela o olha severamente — e o que você fez durante 17 anos que não pôde, se quer, conhecer sua filha?
— Eu estava acorrentando ao Inferno Blythe — ele diz a olhando no fundo dos olhos verdes — Não a abandonei porque eu quis, eu fui forçado a isso — Blythe, apoia às costas a cadeira em que está sentada e encara o homem a sua frente espantada, ele continua a falar — Como você acha que eu me senti, quando eu soube da existência de Nora? Senti-me o pior pai do mundo, de ter uma filha que provavelmente seria criado por outro como sua filha, e eu seria afastado ao esquecimento por ela — ele olha para Blythe amavelmente — Mas imagina só a minha surpresa, descobrir que minha mulher não tinha se casado de novo... Eu acabei ficando feliz — e dá um sorriso de canto.
— Não sou sua mulher — ela diz amarga e Connor deixa seu sorriso morrer — Eu fui sua mulher, deixei de ser no momento em que me deixou... — ela dá um suspiro cansado — Não me casei de novo porque eu não queria mais ninguém ao meu lado, mesmo tendo raiva e tendo o sentimento de rejeição, não consegui me envolver... — ela olha Connor séria — Mas isso não é o assunto a ser discutido aqui.
— Blythe, você escutou o que eu falei? — Connor pergunta se irritando — Eu fui obrigado a te deixar, não foi porque eu quis, mas você sabe, você é Nefilim — ele olha para ela sério — Sabe como os Anjos são acorrentados ao Inferno...
Blythe baixou o olhar. Realmente ela sabia a única forma de se aprisionar um Anjo, que seria queimando sua pena, mas a questão era quem fez isso a ele? Porque queriam atingi-lo? E acima de tudo, porque tiraram seu grande amor de seus braços...
— Tudo bem — ela diz séria, o olhando da mesma forma — Digamos que eu acredite em tudo o que você me falou — ela desvia o olhar e olha para um ponto acima de sua cabeça — Porque você foi aprisionado?
— Por inveja — Connor diz calmamente — Aquele meu amigo, queria tudo o que era meu, ele foi até minha casa com minha pena e te ameaçou se eu tentasse revidar — Connor olha bem fundo naqueles olhos verdes que o fascinam — Eu não poderia correr o risco de te perder beija-flor — Blythe trava ao som daquele apelido — Então, ele disse que você chegou a minha vida no momento errado, pois graças a você, eu fui salvo de minha própria obsessão e que graças a isso eu tirei dele a chance de ser alguém importante — ele fecha o semblante — e após isso queimou minha pena, quando acordei estava dentro de minha cela trancado.
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Nora subiu com Patch para seu quarto, mas estava muito preocupada, logo eles se deitam a cama, Nora está deitada com a cabeça no peito de Patch. Ambos olhando para o teto e perdidos em pensamentos, mas ambos preocupados com o assunto que se desenrolava no andar de baixo. Ambos pensavam no dilema que é o amor, pois ao mesmo tempo em que se mostra um sentimento forte e sublime, também se mostra um sentimento fraco e instável, quando submetidos a algum tipo de situação extrema.
— Jev... Você acha que eles vão se resolver? — Nora pergunta preocupada com o resultado final da situação de seus pais — Acha que eles podem voltar a ser um casal?
— Eu acredito que sim Anjo — Patch acaricia os cabelos de Nora com carinho — Mas tudo depende deles...
— O pior é que eu sei — ela diz fechando os olhos e recebendo o carinho de seu namorado. — Espero que eles realmente se resolvam...
— Eles vão... — ele diz dando um beijo na testa de Nora — Pelo menos sua mãe poderá deixar de ter raiva dele... Mas a questão é, será que eles vão se dar uma nova chance?
Nora se põe a pensar nas palavras de Patch e acaba chegando à mesma conclusão que ele — É pode ser... — Nora disse dando um bocejo estava um pouco cansada ainda, culpa da noite que tivera com Cipriano — Vamos tirar um cochilo? Ainda estou cansada por sua culpa...
— Vamos — Patch dá um sorriso de canto e se ajeita melhor na cama, abraçando Nora e a mesma se aconchega nos braços do mesmo. Logo ambos adormeceram.
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Blythe encara Connor espantada. Sabia sobre a gravidade de ser aprisionado, mas sabia também que quando um Anjo era aprisionado ele não saia nunca mais de lá. Ela o olha severamente, presumindo tudo ser mentira dele.
— Você é muito criativo Connor — Blythe diz o olhando séria — Primeiro, eu gostaria de te pedir para não se dirigir a mim com esse apelido, eu deixava meu “marido” — ela diz fazendo aspas quando diz a palavra marido — me chamar dessa forma, não sou mais casada, então se dirija a mim como Blythe — ela dá um sorriso irônico — segundo, eu sei muito bem que quando um Anjo é aprisionado no Inferno ele não pode sair nunca mais de lá... — ela o encara cinicamente — ele fica preso eternamente...
Connor encara Blythe sério. Ele sabe que ela não está acreditando, mas também ele não tira a razão dela, se fosse à outra situação e alguém chegasse a ele e falasse que tinha conseguido sair do Inferno, ele nunca acreditaria.
— Por que disso tudo Blythe? — Connor pergunta se ajeitando melhor a cadeira e desconfortável por sua esposa dizer que eles não são mais casados — Por que eu não posso me dirigir a você como antigamente?
— Connor, o assunto aqui não é esse... — ela diz dando um suspiro — Eu tenho muito o que fazer se não se importa — ela o olha cansada — E não quero criar laços novamente... Nem mesmo com você...
— Tudo bem Blythe... — Connor diz muito magoado e ressentido — Sobre ficar preso no Inferno, eu também não acreditaria se alguém chegasse a mim dizendo que tinha conseguido escapar, mas eu consegui... — ele olha bem fundo nos olhos dela — com a ajuda de Cam, Luce, Patch e... Nora... — Blythe o olha espantada.
— O que? — Blythe pergunta assustada. Como assim sua Nora tinha ido ao Inferno? Que história mais sem cabimento era aquela?
— Blythe, você pode não acreditar em mim, mas eu vou te contar o que eu passei durante esses 17 anos — ela somente assentiu com a cabeça para que ele prosseguisse — Eu fui aprisionado um dia antes de resolvermos os detalhes finais para nossa fuga, eu estava ansioso pelo o outro dia — ele olha nos olhos verdes dela, com amor, carinho, ternura e acima de tudo saudade, mas também deixando claro a mágoa que sentia — eu iria fugir com o amor da minha vida, para vivermos nosso amor... Mas cometi o erro de confiar na pessoa errada... Ele sabia de tudo e por isso atrapalhou nossas vidas me aprisionando no Inferno. Ele passou a ir até minha cela e me torturar de tempos em tempos, não sei estipular o tempo, pois lá o tempo passa de forma diferente do que na Terra.
"Ele me contou que você me odiava por eu tê-la abandonado grávida, mas bei... — ele se contém, pois ela mesma disse que não o quer a chamando de beija-flor — Blythe, você tem que entender que eu não sabia, e que eu não sumi porque eu quis... Quando ele me contou que você estava grávida, eu fiquei muito feliz — ele dá um sorriso de canto nostálgico — pois eu tinha tido uma criança com o amor da minha vida. Ele sempre que podia ameaçava você e a criança, que até um tempo atrás eu não sabia o sexo... Um dia ele chegou lá para me torturar, eu já estava muito cansado de tudo aquilo, queria poder morrer... Ele chegou falando que minha filha tinha se tornado uma linda garota, mas que estava a se envolver com pessoas erradas e que merecia uma punição... — Blythe fica tensa em sua cadeira — Depois de algum tempo ele chegou falando que tinha dado uma lição em minha filha, mas ela era insistente e não tinha aprendido... Fiquei com medo do que poderia acontecer a ela, ele passou a seguir Nora e a queria pra ele..."
Connor fica em silêncio alguns instantes, dando a Blythe tempo para absorver a todas essas novas informações, alguns segundos se passaram ambos em silêncio, mas logo Connor quebra o mesmo continuando sua história.
— Ele não me falava absolutamente nada sobre minha filha, somente que ela se chamava Nora, não contou com quem andava o que fazia... Também não me falava absolutamente nada de você, apenas disse uma vez que Hank andava em sua casa — ele dá um sorriso triste e magoado — Pensei que ele tinha finalmente conseguido ficar com você... — ele olha para um ponto qualquer e continua — Eu estava em minha cela meditando, mas era para ignorar as feridas de meu corpo, elas estavam insuportáveis, mas eu não ia dar a eles o gosto de me ver sofrendo. Foi quando escutei uma voz me chamar, uma voz que eu conhecia de muito tempo atrás.
"Quando abri os olhos vi a minha frente, Cam, Luce, Jev e uma linda garota de cabelos enrolados — ele dá um sorriso aberto — eles me perguntaram o que aconteceu para eu ir parar lá e eu expliquei a eles o que tinha acontecido, mas algo inesperado aconteceu, a garota a minha frente, além de ser uma Nefilim com asas — Blythe arregalas os olhos, pois ela não sabia que Nora tinha asas — tem um poder oculto muito forte. Ela pegou a porta de minha cela e a arrebentou, dessa forma eu consegui voltar com eles. Quando chegamos à casa de Cameron, ela se apresentou a mim como sendo sua filha e minha — ele sorri abertamente novamente — eu fiquei muito feliz por conhecer minha filha, pois mesmo no Inferno eu já nutria um sentimento imenso por ela. Ela me contou sobre os ataques que vem recebendo e eu fiquei muito preocupado com ela, vou dar um jeito de ajudá-la, mas quero usar isso como um truque na manga..."
Blythe encara Connor assustada, como ele sabia tanto sobre sua filha e ela não? Com toda certeza do mundo Nora tinha muitas explicações a dar.
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Nora depois de algum tempo acorda, ela olha para o relógio e percebe que dormiu somente cinquenta minutos, logo ela percebe um peso sobre si. Patch está com o braço direito passado por sua barriga, sua perna direita também está sobre as suas e a cabeça em seu peito. Ela sorri. Acaricia os cabelos de Patch com carinho e o mesmo se mexe, despertando em seguida.
— Como você consegue ser tão possessivo até dormindo Jev? — Nora pergunta com visível divertimento.
— Não sei — ele responde dando um beijo no pescoço dela — Talvez até dormindo eu queira mostrar o quanto eu te quero para mim — ele dá uma lambida no pescoço dela — Quando tudo isso acabar... Poderemos ser como todo e qualquer casal Anjo.
— Eu sei — Nora sorri feliz — Vamos descer para assistirmos um filme?
— Claro — diz Patch se levantando — Qual filme você quer assistir?
— Invocação do Mal — Nora diz se levantando também e se ajeitando, suas roupas e cabelos estão amassados — Mas não quero ver sozinha... — ela vai até seu guarda roupa e pega um elástico para prender o cabelo, as marcas já tinham sumido. Ambos seguem para a porta de mãos dadas e descem em direção à sala. Quando chegam lá, escutam um chamado em nome de Nora.
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Blythe chama Nora furiosa. Como ela ousou esconder uma coisa importante como essa? Nora bate a porta do escritório entrando em seguida com Patch logo atrás.
— Me chamou?
— Pode me explicar isso que Connor está me dizendo? — Blythe diz muito zangada.
— Sobre? — ela pergunta indiferente.
— Os ataques que você anda recebendo, você ter ido ao Inferno e sobre suas asas... — ela diz com uma voz fria.
— Mãe, eu não falei nada para não te preocupar. Se você soubesse sobre os ataques ou minha ida ao Inferno teria surtado — Nora diz tranquilamente — e sobre minhas asas eu as descobri há pouco tempo, desde então não tive tempo para conversar com você, pois você fica mais tempo trabalhando do que comigo... Mas não reclamo sobre isso, nunca reclamei... Fui ao Inferno porque queria conhecer meu pai, e pela história que ele me contou ele me convenceu, Connor não tinha conhecimento de quem eu era então não tinha como mentir — ela olha para Blythe indiferente — Olha mãe eu sei me virar sozinha... Estou lá na sala com Patch assistindo filme — e saiu sem dar chance à mãe de dizer nada.
Blythe encara a porta estupefata. Nora realmente fez isso? Mas também não culpou a filha, pois Nora tinha razão, ela passava muito tempo naquele escritório ou na empresa e quase não estava com a filha... Blythe encara Connor.
— Blythe, Nora realmente sabe se impor — ele diz admirado — Você a educou muito bem, e ela me disse também que sabe artes marciais... — ele sorri para a esposa — Muito esperta.
— Não podia deixar minha filha desamparada — ela diz dando um suspiro — Nora também não tem um vassalo e eu não posso deixar isso acontecer... — ela olha para Connor com pesar — Eu quero que minha filha tenha escolha sobre sua vida...
— Eu entendo — ele diz com pesar — Também não quero isso para ela.
— Tudo bem Connor — ela diz dando um suspiro — Você acha que Nora corre perigo? Acha que ele poderá capturá-la?
— Acredito que sim... — ele olha para Blythe sério e ela o olha com preocupação, não quer que ninguém machuque sua filha... — Ele já queria Nora antes, agora que eu estou livre... — ele desvia o olhar — Bem ele pode pegar Nora para tentar me atingir... — Blythe começa a se desesperar — Mas não se preocupe não deixarei que nada machuque nossa filha.
— Minha filha Connor — ela o olha severamente — Eu criei Nora e você onde estava? Deixou-se ser aprisionado no Inferno! — ela grita nervosa e não se importa se Nora e Patch poderiam ouvi-la — Abandonou a mim e a ela!
Blythe se porta irredutível, mas no fundo ela não quer acreditar nas palavras dele, acreditar e novamente ser enganada, novamente ser abandonada por ele... Connor por sua vez se mostra irritado pela insistência da esposa em ser tão teimosa.
— Para com isso Blythe — ele grita de volta irritado — Para de agir feito criança! Não aja como se eu tivesse culpa do que me aconteceu, eu não abandonei vocês porque eu quis! Eu fui obrigado, é difícil de entender isso? — ele diz a olhando com raiva — Nora é minha filha também e eu a amo da forma que se ama um filho! — ele se levanta e para de frente a ela, ele em pé e ela sentada — Porque você não acredita que eu te amo Blythe? Porque você não me escuta e vê que estou falando a verdade?
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Nora liga a TV e coloca o DVD, deixa no pause e vai para a cozinha fazer pipoca com leite condensado para ela e Patch. Enquanto Nora está na cozinha à porta da garagem é aberta e por ela passam Vee e Scott.
— Olá Nora — diz Vee assim que entra.
— Oi Raio de Sol. — diz Scott a olhando curioso — O que você está fazendo?
— Pipoca para mim e para Patch — Nora diz mexendo na panela de pipoca — Querem se juntar a nós? Vamos assistir Invocação do Mal — e dá de ombros.
— Eu quero! — diz Vee toda alegre — Eu já estava mesmo querendo ver a esse filme.
— Tudo bem, eu assisto também — diz Scott indo em direção a sala — Espero vocês lá.
— Vee — Nora chama a atenção da amiga — eu tenho uma coisa pra te contar...
— E o que seria Raio de Sol? — diz Vee super curiosa sobre o que poderia ser esse assunto.
— Bem... É que... — Vee via sua melhor amiga ficar vermelha que nem um pimentão e começou a estranhar, já que raramente Nora se envergava — Eu fiz amor com Patch — ela disse de uma vez.
Vee encarava Nora de olhos arregalados, o que sua melhor amiga tinha te falado? — É O QUE NORA??? — ela gritou chamando muita atenção — Pode me contar tudo! — e pulou abraçando a amiga que quase se queima na panela.
— Nora? — grita Patch da sala — Está tudo bem?
— Não foi nada Jev — Nora grita de volta — Vee que é louca! — Nora olha séria para a amiga e diz baixinho — Sem escândalos Vee — repreende a mesma — Bem foi um dia antes de começarmos a namorar, aconteceu e no outro dia começamos a namorar — Nora vira a pipoca pronta nos baldes e volta para o fogão para fazer mais pipoca, já que Vee e Scott vão assistir ao filme também — E você Vee?
— Eu o que Nora? — ela pergunta se fazendo de desentendida.
— Você e Scott, já fizeram amor? — Nora pergunta curiosa, Vee também era virgem.
— Não... — ela responde num sussurro e envergonhada.
— É O QUE??? — Nora grita espantada, se esquecendo de onde está.
— Meninas, vocês estão bem ai? — grita Scott da sala.
— Estamos meu amor — diz Vee com medo de Scott ou Patch virem para a cozinha — Nora porque tanto alarde?
— Desculpa, mas é que vocês namoram há mais tempo né... — ela diz envergonhada — Por quê?
— Por falta de tentativa minha não foi — Nora arregala os olhos, a pipoca ficou pronta e ela virou nos dois baldes restantes — Scott é muito conservador, quer esperar mais tempo... Não quer que eu me arrependa entende? Aliás, ele também é virgem ainda — e dá de ombros.
— Vee, você é muito safada — diz Nora brincalhona, não gosta de ver a amiga melancólica — Mas dê tempo a ele, quando tiver que acontecer, será como foi comigo, naturalmente — Nora termina de colocar o leite condensado nos baldes e se dirige a Vee — Vamos assistir ao filme Rosquinha?
Logo elas vão para a sala com os quatro baldes de pipoca. Scott dá play no DVD e logo o filme passa a girar. Nora e Patch estão em um sofá e Vee e Scott em outro. Eles estão assistindo ao filme quando escutam os gritos de Blythe seguido pelo de Connor.
— Parece que estão se resolvendo — diz Nora com cinismo — Fala sério Jev, eles vão é se matar.
— Não acho — diz Patch aconchegando Nora em seus braços — Acho que agora eles se resolvem de verdade, pois é movido a emoções que as coisas saem — ele dá um beijo na testa dela — Não é verdade?
Nora dá um sorriso — Sim.
Scott e Vee olham para ambos sem entender nada. — Nora, o que está acontecendo? — pergunta Vee sem entender do que eles poderiam estar falando — Quem está com sua mãe?
— Meu pai — Nora responde indiferente — Espero que se resolvam — e após isso todos prestaram atenção no filme. Deixando eles “para lá”.
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Blythe encara Connor assustada. Ele raramente perdia o controle de suas emoções e muito menos saia gritando por ai. Ele a olhava sério e ela o olhava sem saber como se portar e o que fazer...
— Connor — diz Blythe envergonhada — a questão não é essa! Eu assumo que estou sendo egoísta em dizer que Nora é somente minha filha, mas envolver questões amorosas já está passando dos limites... — Blythe encara Connor seriamente — O assunto em discussão não somos nós e sim o que te fez partir...
— Blythe — ele se agacha na frente dela — Eu te amo e te quero de volta, quero reconstruir o que começamos há 17 anos, eu sei que você ainda me ama Blythe, eu posso ver em seus olhos — Connor acaricia o rosto de Blythe e ela se afasta do carinho — Por que você me rejeita?
— Porque eu não quero sofrer de novo — ela diz puxando as pernas e as abraçando, deixando visível o intuito de se isolar, Connor continua abaixado a sua frente observando as reações dela — Eu sofri muito com a sua partida Connor, meu sentimento por você sempre fora imenso, pensou em algum momento o quanto eu posso ter sofrido? — ela fecha os olhos e continua — O que me deu forças para continuar foi Nora — ela sorri nostálgica e continua de olhos fechados — eu olhava para ela e via você em suas feições, conforme ela foi crescendo eu via cada vez mais de você nela — Blythe abre os olhos e o encara, o verde nos castanhos — E eu tinha a absoluta certeza que, mesmo você tendo partido, eu sempre teria um pedaço de você junto de mim...
Connor encara Blythe ternamente, ele sabia que o orgulho dela não deixaria a mesma dizer com todas as letras, mas sabia que essa era a sua forma de dizer que ainda o amava. Ambos ficam se encarando, até que ela decide cortar o contato. Ele se levanta e continua olhando para ela.
— Blythe, eu já te disse, não te deixei porque eu quis, fui obrigado a isso — ele olha pela janela — você achou mesmo, pensou um único instante que eu te abandonei mesmo? Que eu te abandonei por querer? — ele olha para Blythe com certo ressentimento — Me desculpe, mas se você pensou isso em algum momento, eu acredito que você nunca acreditou em meu amor por você — ele desvia o olhar e volta-se para a janela ficando de costas para ela — que você nunca acreditou verdadeiramente em meu sentimento por você.
Blythe fica olhando para Connor, mas o mesmo se recusava a olhar para ela e por um instante ela pensou em nunca mais ver aquele olhar carinhoso ser dirigido a ela, que agora que ele voltou do Inferno poderia seguir com sua vida por um caminho em que ela não seguisse ao seu lado, pensou que por um instante poderia realmente perdê-lo para sempre. E com esses pensamentos ela se levanta e o abraça por trás, dando um pequeno susto no mesmo, ela coloca suas mãos no peito de Connor e apoia sua cabeça nas costas larga do mesmo.
— Connor — ela diz com uma voz embargada pelas lágrimas que ela tentava segurar a todo custo, até porque ela não era mais uma garotinha apaixonada para ficar chorando as mágoas passadas, ela era uma adulta e mãe de uma linda garota — Não é assim tão fácil você ser abandonada grávida pela pessoa que você mais amou na sua vida, mas você tem que entender que eu não sabia desse fato, seu próprio amigo tinha me dito que você tinha me abandonado grávida — Connor fica tenso com isso — e eu não sabia o que fazer, sei que você vai me odiar por isso, mas... Eu fiz Hank acreditar que era pai de Nora, até porque eu ia falar o que para meu pai? — ela começa a chorar com medo de magoar Connor, se ele soubesse o tanto que ela se arrependia por ter sido fraca — mas depois eu percebi que minha burrada não podia ser mudada, eu estava desesperada, não sabia o que fazer, o que pensar... Só fiz o mesmo acreditar que tínhamos passado a noite juntos, não chegamos a ficar juntos... Espero que um dia possa me perdoar por isso — Blythe foi soltá-lo do abraço, quando o mesmo segura suas mãos no lugar, ela se assustou um pouco com o ato e sem entender nada questionou — O que foi?
— Blythe, não precisa se culpar por isso, eu sabia da sua condição com seu pai, eu fui o fraco e não pude te proteger, nem a nossa filha — ele dá um sorriso, mas Blythe não vê o mesmo — não me agrada saber que seu pai morreu acreditando que sua neta era filha daquele homem, mas pelo menos dessa forma você e Nora puderam ter uma vida. Não estou magoado, muito menos ofendido com você, não entendo a forma desespero vindo de vocês humanos, mas eu sei o que é esse sentimento, só não tinha conhecimento de como era senti-lo, até o dia em que eu soube que você estava grávida e uma agonia, um sentimento de perda tinha se apossado de mim e nesse instante eu soube o que era sentir desespero, acho que não é tão intenso quanto em vocês, mas eu senti o mesmo... — ele acaricia a pequena mão que está dentro da sua — Mas você não sabe a alegria que senti quando conheci Nora, quando soube que ela era minha filha e melhor ainda que ela sabia que eu era o pai dela, que você não tinha escondido isso dela! — ele se virou para Blythe com os olhos marejados, já com algumas gotas caindo-lhe pela face morena e a abraça amorosamente — Como posso te odiar? Você me deu o melhor presente que eu já pude receber algum dia! — ele olha para Blythe intensamente — Eu te amo tanto!
Blythe encara Connor espantada, não sabia nem o que pensar e um breve sorriso se espalhou por seus lábios e desvia o olhar — Eu também te amo — ela disse num sussurro, mas Connor escutou o mesmo, ele levanta o queixo de Blythe, a fazendo olhar em seus olhos, ele se aproxima lentamente, mas para antes de alcançar seus lábios, como se pedisse permissão para continuar, Blythe então encerra a distância de ambos lhe dando um singelo selinho, mas que logo evolui para um beijo doce e apaixonado. Logo se afastaram e ambos ficaram se encarando com um sorriso bobo em suas faces.
— Blythe — Connor diz assim que se afastaram — como vamos ficar?
— Vamos começar do zero — ela diz se sentando em sua cadeira — vamos ser apenas namorados.
— Tudo bem, mas... — ele olha para ela com vergonha — onde eu vou ficar? Minha casa... — ele fora interrompido por ela.
— É de Nora — ela diz indiferente — sua empresa, sou sócia majoritária, a outra parte ainda está em seu nome, podemos torná-lo sócio majoritário novamente, sua conta continua sendo depositado o dinheiro todo mês para não ficar retido — ela dá de ombros — sua casa está do jeito que deixou, só está no nome de Nora, tudo seu se encontra lá... Podemos passar tudo de volta para você... — e dá de ombros.
— Blythe, muito obrigado, nem sei como te agradecer... — ele a encara por um instante — mas como você sabia que eu ia voltar um dia?
— Não sabia... — ela diz com sinceridade — só estava cuidando do futuro da minha filha...
— Entendo... — ele diz pensativo.
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Nora estava na sala com seus amigos. Já estava tarde e seu namorado e sua amiga já estavam querendo ir embora.
— Anjo — disse Patch chamando a atenção de sua namorada — Já está tarde... Vou embora — ele diz ficando de pé.
— Jev, porque você não dorme aqui? — ela pergunta com os olhos brilhando e ele dá um sorriso de canto negando com a cabeça — Tudo bem — Nora diz dando um suspiro vencida — Mas amanhã vou à sua casa, eu acho — e sorri em seguida.
— Sabe que será bem vinda em minha humilde casa Anjo — ele diz dando um sorriso e se dirigindo a garagem, Nora ia ao seu lado. Scott e Vee já estavam lá também — Eu já vou, seus pais devem querer conversar com vocês a sós, depois conversamos — ele puxa Nora para onde Vee e Scott não poderia os ver, atrás do Jeep e lhe dá um beijo longo e demorado de despedida — Eu te amo Nora — Patch diz assim que se afasta.
— Eu também te amo Jev — e se afastou do carro para ele poder sair — Mais tarde te mando uma mensagem — e ele saiu com o carro.
— Tchau Nora — diz Vee parando com seu carro ao lado de Nora.
— Tchau Vee — e ela saiu.
Nora e Scott voltaram para dentro de casa. Quando chegaram à sala encontraram Connor e Blythe sentados esperando os mesmos.
— Onde estavam? — perguntou Blythe.
— Fomos levar Patch e Vee até a saída, já está tarde né — disse Scott e deu de ombros. — Já são quase nove horas da noite...
— Tudo bem — disse Blythe se levantando — Nora, vamos levar seu pai até a casa dele, Scott você vem também — Scott somente assentiu positivamente — Só vou pegar a chave da casa que está no meu quarto. Nora tire meu carro que é maior sim? Vamos todos nele — e após isso subiu as escadas.
Nora seguiu para a garagem e retirou o carro de sua mãe parando próxima a saída da casa, já quase na calçada. Nora desceu do carro e foi andando em direção à entrada da casa, quando estava quase entrando escutou seu nome ser chamado e parou no mesmo instante, se perguntando o que aquele ser poderia estar fazendo em sua casa.
— Nora! — disse a voz masculina — Espere um pouco!
Ela se virou com a expressão mais fria que podia e com o olhar igualmente frio — O que você está fazendo aqui Hank? — ela perguntou muito brava.
— Vim aqui saber como minha filha está... — ele parou de falar assim que a porta da casa fora aberta, ele encarava a todos que saiam primeiro foi Scott, depois Blythe, mas seu olhar mudou para um muito sério quando viu a última pessoa a aparecer na mesma, ele não passou, pois Blythe parou no batente da porta — O que esse homem faz aqui Blythe? — ele perguntou assim que viu que Connor era o outro homem que apareceu para sair da casa.
— Nada que eu te deva satisfações Hank! — diz Blythe visivelmente irritada — O que faz aqui? Já dissemos que não queremos nada vindo de você!
— Vim ver a minha filha! — ele diz superior com um sorriso ridículo nos lábios.
— Você está enganado Millar — disse Connor sério e inabalável como sempre — Nora é minha filha — e após isso o sorriso no rosto de Hank foi se desfazendo até ficar em uma linha reta.
— Nora é minha filha! — Hank diz muito nervoso — Blythe escutou o que ele está dizendo? Como ele pode dizer que Nora é filha dele?
Nora e Scott estavam parados um do lado do outro, um pouco mais afastados, olhando a cena a sua frente sem muito saber o que fazer... Era um problema dos três, Nora e Scott só podiam escutar e nada fazer... Mas estavam muito ansiosos para saber o que essa “conversa” iria dar...
— Está errado Hank — disse Blythe o encarando seriamente — Connor que é o pai de Nora e não você... — Hank arregalou os olhos e abria a boca verdadeiramente espantado.
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Próximo dali, um carro observava a casa dos Grey's, dentro dele estavam dois homens, um ruivo de olhos verdes e porte atlético mais conhecido como Traves observava atentamente a casa e as pessoas, o outro cara um sujeito alto e esguio com nariz aquilino e cabelos pretos desgrenhados, seu tom de pele era claro e seu semblante estava extremamente sério.
— Temos que agir logo Traves — ele disse olhando fixamente para as pessoas. Da onde ele estava só conseguia ver, Nora, Scott, Hank e Blythe, Connor não estava em seu alcance de visão. Seu sotaque era muito forte, um sotaque irlandês. — Já podemos ir, já vi o que eu queria ver — e após essas palavras, Traves ligou o carro saindo em seguida.
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