Notas iniciais
Hoje, dia 31/12/2017, além de ser o último dia do ano, marca também o final desse segundo arco de Angel of Light! O final de um arco não significa o final de uma história toda, AOL continuará aqui firme e forte e eu sei que vocês merecem muito mais ♥ 2017 foi um ano maravilhoso: descobri vocês aqui na Marvel e tem sido extremamente gratificante: obrigada por tudo! ♥ Ah, Feliz Ano Novo pra vocês e que 2018 traga tanta coisa boa pra gente :3 Agradecimentos a Lídia Albano, Lady Liv, Ophelia, Tharine Lillena Veiga e Juliane Bernardes pelos comentários no capítulo anterior ♥ Apreciem a leitura!

No rádio, aparelho midgardiano que tocava música, tinha ouvido uma que dizia que deveria deixar as chamas começarem. Uma pequena faísca já havia sido acendida em Wanda Maximoff, ela sentia que algo muito errado estava para acontecer e agora parecia fazer sentido Errol-Wing reaparecer. Ele reapareceria em algum momento e o confronto seria inevitável. Poderia prover alguma visão para ela?

Uma falsa visão parecia resolver tudo e ainda deixar a sua pitada de desconfiança no coração dela. Wanda só precisava acreditar que tudo isso aconteceu para que ela e Rodrick tivessem momentos interessantes.

Se aproximou do seu orbe mágico, fechou os olhos e se lembrou do rosto da garotinha filha do Homem-Formiga. Nada acontecia com a garota, mas Wanda precisava acreditar que sim.

[...]

Tinha notado durante a madrugada como Wanda estava inquieta. Bastante inquieta. Tinha sentido o corpo dela levitar da cama várias vezes. A névoa escarlate, responsável por brincar com a cabeça das pessoas, estava se colocando ao redor do corpo dela como uma espécie de proteção. Quando tentou buscar pela mão dela, notou como aquilo a protegia de qualquer ação externa. Wanda deveria estar sonhando com algo muito intenso para que isso tornasse a acontecer depois de meses.

Do nada, a aura vermelha começou a se dissipar ao redor dela e logo o corpo fino pousou no seu colo. A garota nos seus braços não acordava, não entendia o que poderia ter feito Wanda ter esse surto depois de tanto tempo.

Quase amanhecia e não parecia correto espionar os sonhos dela, mas também não havia sido correto mexer no celular dela com frequência para ver o que ela e o tal Scott Lang conversavam. Não fazia ideia de que ela tinha ido mais vezes a Long Island para verificar a menina. Estava começando a se sentir desconfortável com toda essa intromissão desse Scott na vida da sua esposa. Ela era sua, não era dele! Algo no seu íntimo dizia que esse sonho estranho tinha relação com Scott Lang e só queria gritar para ele deixar os dois em paz alguns momentos.

Tocou o rosto de Wanda como fez da primeira vez e tudo pareceu escarlate.

Havia um corredor envolto em caos e ele era vermelho. Em um ponto no fundo a névoa e a energia escarlate de Wanda me misturavam formando uma coisa só. Sentia a magia forte dela emanando em todo o ambiente e o caos estava lá, ele sempre continuaria lá mesmo não compreendendo ainda a extensão e a influência que ele exercia nela.

No corredor vermelho havia uma porta vermelha. Ler mentes é como abrir portas que você não está pronto para abrir. Uma porta que dava para uma outra porta, se lembrou de como aconteceu da primeira vez. Wanda não gostava muito de compartilhar o que sentia das pessoas e o que poderia ver na mente delas. Sabia que ela não fazia por mal ou interesse, era só curiosidade, algo que deveria ficar longe de Eleanor Janise.

Tocou a maçaneta vermelha e girou. A aura vermelha tomou conta do ambiente e fechou a porta, precisaria esperar que ela se dissipasse para que visse o que acontecia ali. Quando tudo começou a ficar menos borrado, viu que era um quarto de criança, de menina, havia rosa e algumas coisas que lembravam castelos e princesas. Não se parecia com o quarto que seria futuramente de Luna e a garotinha deitada de bruços na cama não se parecia nenhum pouco com a filha que teria no futuro pois essa era loira. Pela foto que Wanda mostrou, a filha do tal Scott Lang era loira assim como a garotinha na cama.

Não sabia se era certo o que sentia, mas conseguia sentir uma presença além da deles dentro do quarto, algo que não sabia se classificar como maligno mesmo sendo ameaçador. O ambiente parecia frio e podia jurar que já havia sentido esse mesmo frio antes. Havia uma sombra na parede, uma silhueta humanoide já que não conseguia enquadrá-la como humana até poder vê-la melhor.

A sombra se desprendeu da parede ao redor de faíscas alaranjadas, ela tinha aberto um... portal? Como isso era possível?

“Ei!”, chamou em vão, a silhueta não escutou. “Ei!”, disse novamente até perceber que a voz que saía dos seus lábios não era sua, era de Wanda. “Ei! Pare!”.

A sombra não lhe dava ouvidos, só se aproximava mais e mais da cama. Quando a sombra se tornou algo palpável e igualmente negro, viu mãos masculinas saindo de dentro do manto e começando a tocar a criança. Se aproximou mais e viu que era realmente Cassie Lang deitada mesmo com o rosto amassado de sono. Uma das mãos tocou o rosto da menina e depois ambas a ajudaram a deitar de peito para cima.

“Não se atreva! Deixe-a!”, gritou novamente com a voz de Wanda.

Não sabia se estava sendo notado pela entidade à sua frente, mas percebia que ele tinha bastante interesse na menina. Chegou mais perto e notou que as mãos, mesmo sendo masculinas, estavam envoltas em luvas brancas. O manto negro aos poucos foi tomando a forma de um paletó bem torneado; o capuz começou a aumenta de tamanho e logo uma cartola surgiu. Que tipo de figura era essa, por Agamotto?

“Sonhe, garotinha, sonhe até os seus sonhos se tornarem realidade”, a voz embargada da coisa começou a dizer. Era bom em identificar vozes, não havia uma no mundo que não tivesse ouvido e que tivesse esquecido.

Assim como Wanda tinha a sua névoa escarlate que mexia com a cabeça das pessoas, essa coisa tinha uma névoa levemente azulada saindo das mãos à medida que tocava o rostinho de Cassie Lang.

A sombra se afastou um pouco como se estivesse esperando que algo extraordinário acontecesse. Não demorou muito para que o suor começasse a tomar conta da testa da menina. Algo acontecia, algo que a coisa incrivelmente gostava. Os delírios infantis logo começaram a ser audíveis

“Não deveria ser assim, querida, mas é. Venha até mim”, a voz disse calma enquanto tocava o rosto de Cassie com as duas mãos, sugando a energia dela. A alma de Cassie se esvaía aos poucos nas mãos daquilo que começou a ficar claro na sua mente.

Era Rodrick Errol-Wing, o Mestre dos Brinquedos.

Ele estava atacando Cassie Lang!

Seria possível que isso fosse uma visão ou somente um sonho ruim? Estava tão vívido que poderia acreditar em uma premonição de que algo aconteceria com a amiga dos seus futuros filhos. Precisava fazer algo!

Fechou os olhos e sentiu as suas mãos tremularem mais que o habitual. Quando abriu os seus olhos, era a magia escarlate de Wanda que estava circundando as suas mãos, não a sua magia do Kamar-Taj. Névoa e energia se misturavam do mesmo modo que tinha visto anteriormente no corredor vermelho. Ao tornar a sua atenção de volta a Rodrick, ele não estava mais lá. Nem Cassie, nem o quarto, tudo se fragmentava como uma parte incompreendida do todo.

Voltou a si apavorado e ofegante, não demorando muito para que Wanda abrisse os olhos desesperada.

“Cassie? Cadê a Cassie? Stephen?!”, ela perguntava afoita nos seus braços.

“Está tudo bem, Wanda, foi só um sonho ruim”, tentou, mas estava difícil para ele mesmo acreditar que tinha sido somente um sonho ruim. “Foi só um sonho ruim”, repetiu quando beijou a testa dela.

“Cassie... Cassie... Eu preciso ver a Cassie, Stephen, me leve para ver a Cassie!”, Wanda não cansava de dizer.

“Está amanhecendo, Wanda, calma. Eu prometo ir a Long Island ver a menina, não se preocupe”, tentou mais uma vez.

“Eu disse ao pai dela que cuidaria dela enquanto ele não volta, eu sou uma péssima madrinha! Eu preciso ver a Cassie! Por favor, Stephen!”, Wanda começou a chorar. O sonho/visão havia mexido demais com o emocional dela, era claro, ela tinha visto alguém que gostava muito nas mãos do Mestre dos Brinquedos... morrendo.

Se levantou do chão e ajudou Wanda a se levantar para se sentarem na cama. “Se você me mostrar, eu poderei ver aonde ela mora. Nós vamos abrir um portal e vamos verificar como ela está, você não precisa se preocupar com isso”, quis tranquilizar Wanda. “Está tudo bem, você está comigo, você pode me mostrar”, tocou a mão dela e sentiu quão fria ela estava depois do sonho.

Respirou fundo e viu a casa tipicamente americana num subúrbio de Long Island, vendo isso já poderia começar a abrir o portal. Soltou a mão de Wanda à contragosto e pegou o seu anel de cima do criado-mudo colocando-o nos dedos. Se apoiou e desenhou um círculo faiscante no ar para logo ver o quarto da menina do outro lado.

Cassie Lang estava bem! A garotinha se mexeu na cama e ressonou baixo.

“O pai dela faz isso também”, Wanda riu enquanto enxugava as lágrimas.

O portal se fechou e Stephen se notou ciumento. “Como sabe que ela ronca que nem o pai?”, questionou.

“Eu ouvi Scott roncando nos dias em que ficamos na RAFT. Ele não ronca alto, mas é estranho”, Wanda se aconchegou nos seus braços. “Obrigada por me ajudar, Stephen, obrigada por tudo”.

“Você não precisa me agradecer por fazer o que eu faço por você. Eu gosto de você, de verdade, quando é que você vai entender isso?”, tocou o rosto de Wanda e beijou a testa da moça novamente. “Eu gosto de você e desse cachorro mimado”, disse sinalizando para Black que dormia no pequeno estofado à beira da janela. “Eu gosto de você, gosto de tudo em você e gosto que você gosta de mim”, finalizou.

“Eu gosto de você, Stephen, tanto... eu não pensei que fosse gostar de alguém desse jeito”, ouviu a confissão dentro de um bocejo. Riu disso.

“Que bom que você gosta de mim”, não poderia deixar de agradecer por alguém além de Wong gostar genuinamente de Stephen Strange e ainda mais de um jeito tão caloroso.

Tocou o braço de Wanda e a deitou novamente na cama. Ela precisava descansar, já tinham visto que Cassie Lang estava bem, então agora estava tudo bem. O seu relógio de pulso denunciava que faltavam poucos minutos para o seu despertador tocar. Se aconchegou e decidiu que ficaria esses minutos completamente quentinho abraçando Wanda por trás embora esse não fosse o melhor momento para tirar os shorts do pijama dela e fazer algumas coisinhas com os dedos do jeito que ela gostava. o dia dos namorados seria dali a dois dias e desejava poder ter um momento bom com ela.

[...]

O primeiro dia catorze de fevereiro que passou em solo americano havia sido comemorado no Complexo dos Novos Vingadores, no norte do estado. Visão havia lhe enviado um cartão com o inscrito Feliz Dia de São Valentim com letras vermelhas quase sumindo no papel rosado. Tinha tomado café da manhã, tinha almoçado, tinha jantado... quando estava para se recolher, ele atravessou a parede do seu quarto e lhe deu uma caixa de bombons recheados com licor. Pela legislação americana, ainda era menor de idade e não poderia beber, essa foi uma boa saída para o seu amigo. Stephen era diferente, ele tinha aberto uma garrafa de vinho logo e lhe entregou um cálice, ele sempre faria isso.

Stephen já tinha saído para trabalhar e na noite anterior ele havia reclamado sobre como não havia sequer avisado que não levaria o seu almoço. Dobrá-lo dizendo que estava preparando algo melhor para o dia seguinte tinha que funcionar pois não fazia ideia à noite do que faria no dia seguinte. Bom, as suposições do seu marido eram exclusivamente sexuais e ele estava certo. Um quê de Grey’s Anatomy era previsto.

Não sabia o motivo, mas o dia estava lhe deixando ansiosa de dois motivos e não sabia qual deles era o pior. Tinha um pressentimento de que algo aconteceria, só não sabia definir o que era isso. Um mal-estar passageiro ou algo maior. Tudo isso só tinha se intensificado depois do pesadelo com Cassie envolvendo o Mestre dos Brinquedos.

Estava quase para descer no Metro General e tinha que se manter normal, como se não tivesse nada acontecendo ou faltando no seu corpo. Assim... no seu corpo não faltava nenhum membro, mas uma peça de roupa crucial estava ausente para que tivesse um Dia dos Namorados mais aceso com Stephen. Pelo menos ele daria um jeito de parar o que quer que estivesse fazendo para atender aos seus desejos mais profundos.

Era absolutamente estranho se descobrir tão sexualizada e tão à vontade com isso. Há meses atrás teria se sentindo desconfortável em ter uma vida sexual, não só uma vida sexual tão desesperadamente ativa. Há meses atrás não estaria se sentindo remotamente bem. Mesmo com a carga emocional de às vezes perder o controle do que sonhava, se considerava bem e Stephen não queria lhe receitar algum comprimido ou algo assim.

Na bolsa térmica que carregava havia o almoço e já estava quase na hora de almoçarem. A primavera em Nova York já começava a dar o ar de sua graça e o primeiro Dia dos Namorados que passariam juntos seria bonito.

Tinha acordado com um bombom de chocolate com o recheio do mousse de morango e um cartão dizendo que esperava que aparecesse no hospital para brincarem de médico.

Já estava ficando conhecida por alguns funcionários do hospital, pelo menos não lhe destratavam. Alguns ainda se lembravam de Lagos e isso era apenas uma pequena amostra do que não sabia que poderia fazer com as suas habilidades. Estudar demonologia não tinha muita relação com descobrir a extensão do que a HIDRA havia feito com a Joia da Mente.

Acenou positivamente para a recepcionista, Elena, e ela lhe sorriu. Sorrir era o código de que Stephen estava no escritório fazendo alguma coisa com Billy.

Virou à esquerda e o escritório do seu marido ficava no fim do corredor depois da pequena farmácia. Roger, o farmacêutico do dia, não era o tipo mais confiável, mas tinha ajudado quando precisou de algumas cartelas de pílulas anticoncepcionais.

Viu o tal Nick West no corredor conversando com uma enfermeira e notou na mão esquerda dele uma aliança dourada de casamento bem brilhante e bem polida. Quando os seus olhos de encontraram, ele riu com um meio sorriso debochado nos lábios, era sempre assim. A palma da sua mão esquentou e viu a sua energia escarlate se formar ao redor dos pés dele à medida que avançavam para se encontrarem. Um pequeno escorregão não faria mal a alguém como ele...

A plaquinha na parede dizia que ali era o Dr. Stephen Strange, Consultor em Neurocirurgia e Chefe da Emergência. Era chique do jeito que Stephen gostava.

Girou a maçaneta da porta e a abriu, vendo Stephen e Billy sentados no sofá olhando para uma televisão. Ver os controles conectados no console queria dizer que eles finalmente haviam comprado um Super Nintendo, sonho de consumo de ambos para poderem soprar cartuchos e jogarem Super Mario World. A decepção da sua vida era saber que o Mario realmente batia na cabeça do Yoshi.

“Atrapalho as crianças?”, perguntou em tom divertido.

“Mamãe!”, Stephen pausou o jogo. “Foi excelente jogar com você, Billy, agora vá... você precisa ir para aquela... cirurgia muito importante... com o West”.

West provavelmente ainda estava jogado no chão do corredor, entendeu o que Stephen estava fazendo.

“Mas eu não tenho nenhuma cirurgia marcada, Dr. Strange”, o jovem médico riu e tirou o jogo da pausa.

“Tem sim... aquela... coisa... é importante, eu não quero que você se prejudique por minha causa”, Stephen insistiu.

“Ah, Dr. Strange, nem é tão importante assim. O Ridley, da Ortopedia, já está com o West”, o som do jogo já estava incomodando Stephen.

“Se eu estou dizendo para você ir, você vai, Billy”, Stephen disparou.

“Certo... então eu acho que vou indo. Foi bom ver você de novo, Wanda”, o rapaz sorriu.

Billy se levantou do sofá e andou rapidamente em direção à porta, às vezes sentia um pouco de inveja sobre como Stephen tratava Billy como aprendiz e não tinha tido nada disso, mas se lembrava de tudo o que ele havia feito por ela e isso passava.

“Você precisava mesmo expulsar o Billy daqui?”, perguntou rindo.

“É Dia dos Namorados, hora do almoço... eu queria privacidade com você. Ou você é a favor de fazer esse tipo de coisa na frente dos outros? Eu posso chamar ele de volta”, Stephen gargalhou um pouco. “Feliz Dia dos Namorados”, ele bateu levemente no sofá para que se sentasse ao lado dele.

Deixou as coisas em cima da mesa dele e seguiu até lá ainda desconfortável com o tecido friccionando o que não deveria. Antes de se sentar, se assegurou de que a saia do seu vestido cobria o que deveria cobrir.

O braço direito de Stephen descansava no encosto do sofá e ele sorria estranhamente. Podia sentir no ambiente que ele tinha planos para antes do almoço e depois do almoço, ou sequer almoçariam.

“Isso é um sofá muito confortável... mandei trazer do meu antigo escritório que eu não usava”, ele riu.

“É bem gostoso mesmo”, concordou quando se mexeu e não ouviu um ruído sequer vindo de molas ou algo assim. O veludo cinza era macio e quando tocou mais pele do que gostaria, gelou.

“E por que você não chega mais perto de mim?”, Stephen riu. “Eu não vou fazer nada que você não queira porque eu sei que você quer fazer muitas coisas hoje”.

Lentamente, se aproximou com calma para não levantar suspeitas do que estava faltando. O joelho tocou o de Stephen e conseguia sentir exatamente o que ele queria naquele momento. Haviam doses de luxúria nos pensamentos dele, mas também havia cuidado e um instinto de proteção que só havia presenciado em uma pessoa. Stephen queria cuidar, se isso não era amor, o que seria?

Assim que se aproximou o suficiente, o braço de Stephen lhe agarrou pela cintura para ser deitada no sofá tão abruptamente que quase bateu com a cabeça. Ele se desculpou mentalmente pois sabia que conseguia sentir o que ele queria dizer.

Havia um desespero no modo como os lábios de Stephen Strange alcançaram o seu pescoço. Uma mordida moderada foi depositada lá e achava que ficaria uma marca.

“Sim, eu sei, poderíamos estar fazendo isso em casa, mas o Derek e a Meredith fizeram isso tantas vezes no conforto médico que eu achei que não seria uma má ideia a vida imitar a arte”, Stephen inspirou longamente a fragrância do seu corpo, era um perfume sutil, mas adorava as notas amadeiradas dele.

A mão masculina subiu pela sua perna. Num reflexo, as suas coxas começaram a se contrair para impedir a passagem da mão cheia de dedos de Stephen apesar de adorar o que os dedos dele poderiam fazer. Percebendo que não poderia continuar de onde estava, ele deslizou a mão para o lado e continuou a subir. Às vezes, quando estava nervosa, fazia cócegas a insistência dele e esse era um dia. Soltou um riso abafado e baixo e assim sabia que ele notaria que tinha feito alguma coisa. Os dedos continuaram a lhe tocar subindo até chegar onde ficaria a base da calcinha que deveria estar usando. Não havia nada ali.

“Você é uma garota muito, muito levada”, o cliché da frase era esperado, Stephen também gostava de jogar. “Acho que você merece mais algumas mordidas por ficar andando por aí sem roupas adequadas”.

O roçar dos dentes de Stephen na sua pele era bom, não lhe machucava. À medida que ele ia descendo, os botões do seu vestido iam se abrindo e dando brecha para que o seu corpo jovem se revelasse aos poucos. Bom, ele não parecia muito interessado no que estava na parte de cima. Como era um vestido que fechava pela frente em todos os botões, logo não demorou muito para que se visse nua e rendida sob o corpo do médico. Aqui ele era o médico, não o mago.

O seu baixo-ventre estava estranho, tremulando levemente por dentro por conta da antecipação do que Stephen faria. Gostava quando ele fazia isso, era diferente e não se sentia um objeto, se sentia o sujeito, aquele que sofria a ação. E como gostava desse tipo de ação.

A respiração quente de Stephen atingiu a sua intimidade e não demorou muito para sentir algo macio . Um músculo e tanto, a língua. O beijo, a dança, o modo como Stephen apertava o seu quadril... era impossível não se sentir relaxada e presa nesse loop de prazer. Era prazer de verdade isso, pelo menos achava que era. Os seus músculos se contraíam nas coxas, Stephen urrou de dor quando prendeu a cabeça dele sem querer entre as suas pernas com um pouco de força demais.

Os beijos na sua intimidade cessaram e logo começaram a subir de volta para onde tinha começado.

Uma batida aconteceu na porta.

Stephen não se atentou, ou melhor, não quis prestar atenção que tinha alguém do lado de fora pedindo para entrar.

“Se você abrir um pouco as pernas eu vou conseguir entrar, Wanda”, ele brincou.

“E qual é a palavra mágica?”, perguntou entrando no jogo dele.

Abre-te, Sésamo?”, ele riu. “Por favor, eu sei que é por favor. E eu quero pedir uma coisa”.

Já sabia o que ele queria pedir, era óbvio, estava nos pensamentos dele o tempo todo. Se movimentou e deixou que ele saísse de cima do seu corpo. Viu quando ele puxou o cadarço do pijama cirúrgico que ele usava como uniforme e abaixar a peça de tecido azul escuro com a roupa de baixo junto. Ele já estava pronto e podia ver como parecia estar dolorido já que aquilo não se mexia.

Se levantou do sofá e descalçou as botas para ficar somente com as meias e o vestido aberto. Tocou a escrivaninha e se apoiou não muito depois nos cotovelos.

Stephen gostava de começar beijando as suas costas e deixando pequenas marcas avermelhadas por onde passava, inclusive nas suas nádegas a ponto de não conseguir se sentar direito alguns dias depois do Natal.

“Por favor, Wanda”, ele sussurrou no seu ouvido quando sentiu algo cutucar a sua perna.

Ouviu uma segunda batida na porta. Fosse quem fosse, não desistiria.

“Fique em silêncio, eles vão pensar que não tem ninguém aqui”, Stephen sussurrou de novo.

Sem aviso ou algo assim, sentiu ele entrar completamente. Só arfou e suspirou, não poderiam fazer barulho.

As investidas de Stephen continuavam à medida que sentia um agarro forte no seu quadril. A testa dele estava apoiada nas suas costas e sentia o suor dele escorrendo pela sua pele, era sempre assim. Quando estavam assim, não era difícil para Stephen atingir o ápice e ainda não conseguia entender a fixação masculina por dominação na hora do sexo.

A terceira batida veio e intensificou o estado que estavam. Stephen agarrou a sua cintura e estocou mais rapidamente. O coração dele batendo acelerado queria dizer que logo mais ele não estaria mais de pé. O barulho na porta não cessou e estava ficando mais intenso. Os sons de Stephen quando em orgasmos eram peculiares, poderia comparar a algum animal, mas nunca seria educado. Com uma mão na dele quando ele se apoiou na escrivaninha, sentiu o calor dentro de si aumentar.

Stephen saiu de dentro da sua intimidade e viu que ele logo buscou as calças e a roupa de baixo para começar a se vestir.

“Você... é... incrível. Tão... incrível”, a fala dele, arfante e errática, disse sorrindo enquanto atava o cadarço da calça. Stephen se aproximou e beijou os seus lábios. “Agora eu preciso ver o que esse desesperado quer aí fora para podermos descansar, comer e fazer essas coisinhas safadinhas de novo”, ele piscou.

Enquanto abotoava o seu vestido, Stephen calçava o tênis. Recolocou o seu casaco fino de lã e recompôs o seu cabelo em um rabo de cavalo. O seu marido acenou para que atendesse a porta junto dele. Não conseguia sentir quem estava ali, diretamente, mas sentia uma aura de... medo... era isso mesmo?

Viu Stephen destrancar a porta e não viu ninguém lá do lado de fora. Se aproximou mais ainda e o empurrou para fora. O pavor em Stephen foi sentido quando viu a trilha de corpos deixados no chão do corredor. O sentimento dele passou a ser seu ao ver quem eram as pessoas.

Reconheceu Roger da farmácia e mais duas enfermeiras. Não havia marcas de sangue nas portas e também não haviam ouvido os gritos das pessoas do lado de fora, tampouco havia sangue ao redor delas. Olhos brancos, inexpressivos e congelados...

Rodrick estava vestido exatamente como no seu sonho, todo chique e elegante quando o viu encostado na parede do fundo. A mão enluvada sinalizou silêncio para ela e Stephen.

“Strange e Strange, não é estranho, isso?”, ouviu na sua cabeça já que os lábios de Rodrick não se mexiam.

Via a névoa azulada dele em volta das mãos do dividido, era como a sua ou estava apenas imitando a sua? Se virou lentamente e viu Stephen ao seu lado parado. Os olhos dele estavam como os dos outros que estavam jogados no chão.

“Stephen?”, perguntou balançando-o. “Stephen!”

O corpo de Stephen começou a diminuir...? Viu no chão, descendo. Havia um buraco ou algo assim sugando o corpo dele aos poucos. Escorregou e começou a descer junto dele, só não conseguiu puxá-lo de volta já que a aquela coisa a repelia. O corpo dele tinha pesado e ainda estava com as mãos suadas.

“Vejo você logo mais, Strange. Se prepare”, Rodrick disse sumindo em sua própria névoa.

Notas finais
Vocês queriam hot, @@? 3:) Me deixem saber se gostaram ♥ Nos vemos daqui a pouco!