Notas iniciais
Ó nois aqui de novo ♥ Qualquer dúvida, vocês sabem que podem perguntar que eu respondo sem rodeios :3 Apreciem a leitura!

Ofegante, voltou para dentro do escritório de Stephen. Não tinha se percebido trêmula até checar as suas mãos. Se tivesse um pouco mais de força, poderia mesmo ter conseguido puxar Stephen?

“Wanda, o que aconteceu?”, Billy perguntou também ofegante. “Cadê o Dr. Strange?”.

“É algo muito além do que você imagina, eu preciso sair daqui”, começou a recolher as suas coisas e as de Stephen.

“É coisa daquele tal de Sanctum do Kamar-Taj?”, estranhou a pergunta. O quanto Billy sabia?

Precisava pensar rápido, não sabia o que Billy sabia. “Sanctum e Kamar-Taj são duas coisas diferentes, o que o Stephen andou contando para você?”.

“Que ele é um mestre ou alguma coisa assim. Cadê o Stephen, Wanda?”, Billy repetiu a pergunta.

“Eu não sei, está bem? Nós estávamos... eu não preciso dizer o que estávamos fazendo, era íntimo, mas depois nós ouvimos alguém bater na porta. A pessoa insistiu e nós ignoramos várias vezes. Na terceira tudo isso já tinha acontecido e ele levou o Stephen!”, gritou.

“Ele quem, Wanda? Precisamos chamar a polícia!”, viu Billy tirar o celular do bolso e com a sua energia escarlate, o retirou da posse do residente do seu marido e o levitou até a mesa.

“Você não pode chamar ninguém, Billy, ninguém nesse hospital vai entender! Stephen já contou o que eu tenho?”

“Dos seus poderes e essas coisas? Ele me falou algo por cima...”, estava incitando alguma reação no homem.

“Então não ouse chamar Christine Palmer, eu senti quando você quis dizer o nome dela. Ela não vai ser de grande ajuda aqui. Eu preciso voltar para o Sanctum. Agora que que sei que você sabe de alguma coisa, você precisa prometer que ninguém vai saber de nada até eu encontrar o Stephen”. Billy, pressionado, concordou. “Ótimo. Aonde está a mochila dele? Eu preciso de uma coisa que está lá”.

Billy andou até o armário pequeno depois da escrivaninha. “Depois que o escritório ficou oficialmente pronto, ele não usou mais o do vestiário dos médicos atendentes, tudo dele fica aqui agora”.

Ele lhe entregou a mochila e violentamente abriu o zíper grande, deveria estar aqui em algum lugar. Tateou por dentro da muda de roupa que tinha colocado para ele lá, Stephen não era descuidado com o seu anel. Tirou a calça de lá e ouviu o metal caindo do bolso no chão.

“O que é isso?”, ouviu Billy.

“É o único jeito que eu tenho de encontrar o Stephen”, considerou. Fechou a mochila do marido e a colocou nas costas. “Se alguém perguntar pelo Stephen, diga que ele precisou ir para casa porque eu comecei a passar mal”.

“Wanda, você está em um hospital. Me desculpe, mas se você estivesse passando mal ele não deixaria você sair daqui”. Sim, isso fazia sentido. E agora parecia tola na frente do residente de Stephen.

“Você tem razão... então diga que foi uma emergência de família com o irmão dele... que chegou de surpresa em Nova York. Eu vou levar as coisas dele de volta. Fique atento no telefone, eu mando notícias”, prometeu.

“Só... não deixe que ele morra, Wanda”, Billy parecia realmente preocupado e apavorado.

“Eu não vou”, prometeu mais uma vez.

Hesitante, colocou o anel de Stephen nos dedos e sabia o que precisava fazer. Flexionou o seu braço esquerdo, o com o anel, e dobrou o cotovelo um pouco. Com o outro braço esticado, iniciou o desenho de um círculo completo no ar até o ponto de começar a vê-lo faiscar alaranjado. O portal se abria aumentava. Viu a modesta sala das relíquias do Sanctum de Nova York.

“Até depois, Billy”.

“Boa sorte, Wanda”, o rapaz falou em tom embargado. Sentia que ele gostava de verdade de Stephen.

Atravessou o portal e não demorou muito para que ele se fechasse atrás de si já dentro do Sanctum. Tudo ali parecia tão erradamente calmo. Deixou a mochila de Stephen cair no chão, sabia que ele não tinha nada de muito valor ali além da carteira e o celular.

“Wong!”, gritou pelo amigo. “Wong!”

Nada, nenhum movimento. Desceu a pequena escada rumo a escada maior e conseguia sentir que algo sinistro acontecia ali. Não sabia se projetar astralmente e estava começando a concordar com Stephen que manter o foco apenas em demonologia tinha lhe tirado dos caminhos básicos da magia mesmo a projeção astral não sendo assunto tão mediano assim.

A cada passo que dava descendo, era como se ficasse cada vez mais frio dentro do Sanctum. Havia algo lá, conseguia afirmar. Stephen tinha dito que Rodrick só seria encontrado se quisesse ser encontrado. Agora era certo de que Rodrick só se mostrou pois estava tramando algo muito intenso.

Quando pisou no último degrau da escada, a tábua cedeu e o seu pé afundou conseguindo machucar o seu tornozelo. Gritou de dor e ainda assim, Wong não apareceu. O seu tornozelo estava sangrando por causa da pele machucada, mas não estava torcido. Se apoiou nos joelhos e conseguiu retirar o seu pé dos montes de madeira. Demorou um pouco para conseguir se levantar corretamente, mas percebeu uma sombra na escuridão anormal que circundava a porta do Sanctum.

Gritou com todas as suas forças, deixou que ambas névoa e energia escarlate se misturassem e correu o mais rápido que conseguiu em direção ao que imaginou ser a silhueta de Rodrick tomando conta do lugar.

Se misturou com as sombras somente para sair do Sanctum e ver a imagem que mais lhe assombrava. Uma cidade arruinada e distorcida, Nova York havia se transformado naquilo que mais temia. Tinha acabado de atravessar para uma dimensão que não fazia ideia de onde seria.

[...]

Diferentemente do que já tinha visto da Dimensão Espelhada, a Nova York necropolitana era suja e fétida, mas sabia aonde Stephen estava, sentia. Precisava procurar por ele. Voltou e abriu a porta do Sanctum de Nova York e o ambiente deturpado e sombrio surgiu no lugar daquele que estava acostumada. O frio estava intenso e havia uma névoa claramente azulada contrastando como o negro das paredes.

Não ousaria tocar em nada, não poderia fazer nada. O seu tornozelo ainda doía, mas tinha que continuar andando. As mãos de Stephen não haviam sido rápidas, ele sequer conseguiu iniciar algo para conter o dividido, só foi puxado para dentro da dimensão dele quando foi paralisado. Agora precisava ser a heroína que todos esperavam que fosse, inclusive Stephen.

Viu Stephen e Rodrick no alto das escadas, mas não sabia se conseguia ser ouvida. O primeiro passo no primeiro degrau começou a desfragmentar o resto da madeira do piso, só que agora quanto mais subia, mais isso acontecia até não restar mais escadas. Respirou fundo, tentou deixar um pouco do pavor de lado e continuou vendo os dois, estavam perto do Salão das Relíquias.

O homem de terno retirou a cartola e revelou o acessório embaixo. Rodrick não ficava bonito com uma rede nos cabelos, principalmente uma tão feminina. Andou calmamente e sem barulho até que viu Stephen se jogar no chão.

“O que você fez com ele?”, perguntou.

“Nada demais, gracinha. Sabe, eu até gostei de você um pouco, um dia. O milagre da HIDRA, todos a chamaram assim quando você e o seu irmão sobreviveram aos testes de aprimoramento humano”, a voz grave de Rodrick disse enquanto se ajoelhava ao lado de Stephen. Ele passou o dedo no rosto do seu marido e lambeu o dedo sujo do sangue que escorria dos lábios dele. “Não é tão doce assim o gosto do sangue, prefiro algo mais... etéreo, por assim dizer”.

“Era isso que ia fazer com Cassie quando me mandou aquela visão? Comer a alma dela?”, disse tentando manter a calma.

“Quem é Cassie, afinal? De que visão estamos falando? Eu não suporto mandar visões às pessoas, isso as deixa ansiosas e eu detesto o cheiro da ansiedade. Não me recordo de nenhuma Cassie e olha que eu me lembro de cada alma. Só que comer é um termo muito forte e pobre, tão esdrúxulo, eu não como as almas das pessoas. A alma não é algo palpável para que possa ser ingerida dessa forma, eu apenas pego emprestada quando preciso”, ele tentou se justificar.

“Pegar emprestado sem permissão é roubo, Errol-Wing”, retrucou.

“Touché, mademoiselle. Ah, não, mademoiselle, não, madame. Madame Strange combina com você que você é tão estranha. Eu não como as almas, Wanda, eu as absorvo para que eu não fique piradinho”, Rodrick riu quando fez o sinal de loucura com o dedo indicador circulando no ar próximo à cabeça.

“Mas se você absorver demais, fica louco do mesmo modo. Esse seu olho falso exala loucura”.

“É, às vezes acontece de o controle ir pelo ralo. Mas eu ainda não terminei aqui”, Rodrick levantou a mão direita e apontou em sua direção. A névoa azulada fez cordas negras saírem das trevas e elas começaram a se enroscar no seu corpo puxando primeiro as suas pernas na intenção de fazê-la cair. Quando caiu de joelhos, mais cordas vieram e dessa vez puxaram os seus braços. “Quanto mais você lutar, mais elas vão te puxar, Wendy. E mesmo que você relaxe, elas não vão afrouxar. Lutando ou relaxando, ainda estará presa aqui porque isso é diferente de tudo o que você já viu. Agora farei as honras, prepare-se para ver o seu marido morrer, eu quero que você sinta o seu marido morrer assim como sentiu o seu irmão”.

A simples menção ao nome de Pietro a fez lutar com mais força ainda e sentia as cordas se aproximando umas das outras para que outras fossem conjuradas.

Rodrick tocou o rosto de Stephen mais uma vez e acertou uma coronhada na sua cabeça. Stephen estava imóvel, nada dizia, era como se estivesse em transe por algo.

“Stephen!”, gritou. “Stephen!”.

“Ele não consegue ouvir você, Wendy, ele está sonhando. Ele sequer sente o que eu faço como o corpo dele! Ele está sonhando, Wendy, com ela... com a Donna. A alma fica mais leve assim”, Rodrick disse. “Depois dele será você, que memória você quer reviver? Pietro? Vingadores? Eu posso trazer qualquer uma, eu juro, não é uma propaganda enganosa”.

Se debatia, mas quanto mais o fazia, mais a constrição das cordas aumentava. O barulho de ossos saindo do lugar era o de um dos ombros de Stephen sendo deslocado. Precisava fazer algo, não aguentava vê-lo assim. Era uma heroína, precisava salvar Stephen. Sentiu dedos negros tocarem a pele do seu rosto e descerem para o seu pescoço, eles o envolveram e o ar começou a faltar. Queria gritar, mas já não conseguia mais, as suas forças estavam se esvaindo. Não sabia há quanto tempo brigava ou quanto tempo Stephen ainda suportaria, mas precisava fazer algo.

Fechou os olhos, contou até cinco e sentiu a queimação da sua magia escarlate vir com o seu grito. As cordas foram pulverizadas aos poucos e estava sentindo o ar voltar a entrar pelas suas narinas. Hiperventilou ainda sentada no chão e viu Stephen flutuar lentamente e era diferente de como ele fazia com a capa de levitação, havia uma névoa azulada ou cinzenta ao redor dele que o fazia ascender.

“O que você fez com ele?” gritou com Rodrick.

“Ele está a um passo de ser meu para sempre, Wanda, e eu já disse que depois será você, tenha calma. Você teve um lampejo do que a sua própria magia pode fazer, então, mas garanto que somente um lampejo mesmo, você não é tão poderosa assim”, ele riu. “Hit me with your best shot, fire away”, Rodrick cantou imitando a Catherine Zeta-Jones em Rock of Ages na cena da igreja. Então era Rodrick quem os observava tão avidamente que conseguia interferir no ambiente?

Não entendia como ele conseguia ser desse jeito, tão... maluco. O que ela e Stephen tinham feito para que ele tivesse tanto ódio deles a esse ponto?

“O que você tanto tem contra nós?”, perguntou fazendo força para se levantar.

“Talvez seja contra você, talvez seja contra Stephen, talvez seja contra o péssimo gosto de musical de Wong... eu só não suporto o fato de Stephen ter no exposto a um milagre da HIDRA, eu só não suporto o fato de que ele será o Mago Supremo um dia e foi escolhido a dedo pela Anciã, eu só não suporto o péssimo gosto musical de Wong”, Rodrick foi enumerando. “Alguém como Stephen Strange, que levou o perigo em pessoa ao Kamar-Taj, não pode cuidar do nosso mundo, não importa em quanto tempo isso aconteça”.

“E nem você”, se esforçou e conseguiu levantar. “Você é mau, Rodrick. Você.. não... presta!”, gritou com força fazendo os quadros das paredes caírem no chão.

“Ah, você quer se provar, ótimo, vamos lá! Não vejo a hora dos seus olhos ficarem vermelhos, eu adoro quando acontece”, Rodrick disse em deboche.

Rodrick juntou as mãos e começou a se movimentar como em tai chi chuan. Sombras começaram a se despregar das paredes de onde estavam os quadros e andavam na sua direção. Estava a uma distância segura de Rodrick, não das sombras. Algumas delas possuíam armas, outras só andavam lentamente na sua direção, não seria muito diferente das réplicas de Ultron em Sokovia.

Assim como Rodrick fez, começou a movimentar os seus dedos para tentar criar os feitiços que levariam para longe os minions do dividido. Ele agora estava flutuando também, levitando em direção a Stephen. Se recordou da sua lição do livro, precisava partir o coração dele. Literalmente. Sem o coração partido ele entraria em torpor, isso já era meio caminho andado, depois descobriria como fazer o resto para que ele nunca mais os incomodasse.

Quanto mais sombras destruía, mais sombras apareciam e parecia que não teria mais fim. Estava começando a entrar em desespero por não conseguir conter tudo aquilo sozinha. Não conseguiria, sabia que não...

Sentiu algo pesado nos seus ombros e não era uma sombra, era a capa de levitação de Stephen lhe dizendo que caminho fazer. Como ela a havia encontrado dentro daquela dimensão morta? Sem que pedisse ou perguntasse, a capa a levou para cima para ficar frente a frente como Rodrick de uma vez por todas.

“A Feiticeira Escarlate, a Vingadora. Vermelho é realmente a sua cor, Wendy, não há como negar que você é até bonita toda em vermelho. Isso, adoro quando os seus olhos trocam de cor, significa que você pode perder o controle a qualquer momento”, Rodrick incitava. “Se a capa está nos seus ombros, isso significa que o fim de um de nós está próximo”, ele disse rindo. “O Kamar-Taj será mais seguro sem vocês por lá. Vocês não merecem estar lá. Quando eu for o Mago Supremo, isso tudo terá fim”.

“Teremos que ajoelhar?”, perguntou.

“Não, isso é tão antigo... o meu meio-sobrinho Ricardo teria gostado disso. Mas temer, por outro lado... temer parece bom e parece uma piada do destino que o sangue de Lúcifer tenha tanto prestígio assim. Acabou, Maximoff”, com um estalar de dedos as sombras desapareceram. “Somos só nós dois, afinal”.

“E o que faremos?”, perguntou em definitivo.

“Um de nós dois perecerá, eu já disse. Você só vai permanecer de pé se me matar e você sabe muito bem que isso não é possível. Eu estava bem até você aparecer, depois que você deu as caras no Kamar-Taj, tudo passou a ser insignificante”, não era mais ódio puro que emanava de Rodrick, era dúvida e raiva.

A energia escarlate que se formava nas suas mãos passou a se confundir tanto com a sua névoa escarlate quanto com o feitiço que sabia que tinha que usar para se proteger. Aos poucos o feitiço deixou de ter o tom laranja faiscante e brilhante para poder brilhar escarlate nas suas mãos. O que estava acontecendo?

Respirou fundo e precisava manter o foco no que faria. Flutuava no ar e via Stephen paralisado e de olhos abertos, sonhando. Não aguentava vê-lo assim, não suportaria perder mais alguém. Puxou o ar com mais força ainda e viu claramente Rodrick fazer o mesmo. Precisava se aproximar o máximo que conseguisse, tinha que partir o coração dele de qualquer jeito.

Tentava se mexer, mas Rodrick sabia o que estava fazendo e estava criando barreiras para que não se aproximasse. Quadros levantados novamente, escudos de energia iguais aos que Stephen fazia para que praticasse a sua magia. Parecia não ter fim! Precisava se esforçar, precisava se forçar... Stephen valia à pena, qualquer um que amasse valia à pena o sacrifício e o esforço.

Tentou intensificar os seus escudos, assim poderia ter alguma chance. O seu feitiço escarlate vibrou na sua mão e foi de encontro com uma das barreiras de Rodrick. O barulho de vidro se partindo no choque das magias era inconfundível, tinha conseguido derrubar um único. Assim como a hidra da mitologia grega que serviu de inspiração para a organização HIDRA, quando derrubasse uma barreira, mais duas veriam aparecer no lugar. Ou uma duplamente mais forte. Precisava manter a concentração, a vida de Stephen e a sua própria dependiam de partir o coração de Rodrick Errol-Wing.

Mais uma vez, golpeou um escudo e ele se despedaçou. Era como se... Rodrick não estivesse mais se esforçando para manter a proteção ao seu redor. Estava ficando fácil e fácil na magia significava que tinha alguma muito errada.

“Você acha mesmo que consegue me matar, Maximoff? Não, não, Maximoff não, Strange, você insistiu que queria ser Strange. Uma garota estranha que combina com o seu sobrenome, nem é tão peculiar assim”, Rodrick disse.

Aos poucos e com bastante esforço, a capa continuava mantendo o seu corpo suspenso para que conseguisse quebrar as barreiras impostas pelo dividido. As suas mãos doíam e ardiam pois o trabalho de conseguir anular esse tipo magia, uma magia eu nunca tinha tido contato, era extremamente exaustivo. Estava a ponto de chorar.

Gritou mais uma vez, a última vez, e foi como em Sokovia quando sentiu a ardência da sua energia escarlate se misturando com a névoa e elas juntas destruindo o que havia de Ultron lá.

Quando respirou erraticamente tentando recobrar o ar, sentiu uma mão na sua garganta apertando e apertando... não poderia perder a consciência, tinha que parti o coração dele.

“Quando aquele carinha franzino me procurou, confesso que pensei que você só fosse uma garota com problemas simples, nós já ajudamos vários adolescentes assim. Só bastava alterar as memórias deles que tudo ficava bem de novo. Mas você, Wanda... agora vejo que é uma oponente formidável até. Agora eu consigo sentir que você é poderosa, sim, é muito mais do que tinha visto e peço perdão por isso. É exatamente por isso que o mundo não pode ter você nele. O deus fraco que me perdoe, porém, você não pode continuar existindo. Adeus, Maximoff”.

A mão se apertava mais ainda contra o seu pescoço. A capa de levitação pressentiu que o momento tinha chegado, ela conseguiu afastar um pouco o seu corpo. Fechou os olhos, respirou fundo e conseguiu alcançar o peito dele. Com todas as forças que dispunha no momento, inclusive a sua magia, golpeou Rodrick no peito e ele caiu.

A capa a levou para baixo e não era muito distante da escada principal que já estava reconstruída. Era assim mesmo, o peito dele era tão sensível assim? Continuava parecendo fácil... fácil demais.

Se ajoelhou ao lado de Rodrick e estava pronta para sussurrar. “Eryfkcabdnaleh”, disse baixo. Nada aconteceu. Absolutamente nada aconteceu. Tinha que repetir? “Eryfkcabdnaleh. Eryfkcabdnaleh. Eryfkcabdnaleh”, repetiu várias vezes e nada ainda.

Tinha feito exatamente o que o livro dizia, tinha golpeado Rodrick no coração e dito a palavra. Um pigarro veio do corpo. “Isso só me coloca sob controle, garota chata, me tranca dentro da minha cabeça. Você precisa me matar, Wanda, eu só entrei nessa porque eu sabia que um de vocês dois conseguiria me matar. Se você conseguiu passar por mim, pela minha magia, você consegue me matar”.

“Divididos não morrem, você melhor que ninguém sabe disso”, disse desconfiada, estava pronta para se armar de todos os jeitos.

Rodrick pegou as suas mãos pequenas e se percebeu apavorada dele mais uma vez. Ele pousou as suas mãos na cabeça dele. “No fundo você sabe que consegue”, o viu retirar a rede de cabelos e entregar. “Com isso aqui vai ser mais fácil. Só... faça... e que seja rápido, eu quero poder atormentar o meu avô em definitivo”, estava hesitando. “Garota, eu fiz coisas que vocês consideram horríveis e bla-bla-bla, essa conversa fiada toda. Me mate ou eu vou matar vocês dois em um estalo de dedos, eu ainda estou com a rede nas mãos. Vamos, confesse, eu sou um bom ator, aquele lance todo de que você não precisava mais existir e tal”, ele riu.

Ao passo que segurou a rede nas suas mãos, Rodrick soltou. A sua magia escarlate mais uma vez apareceu. Pousou as mãos na cabeça dele e o segurou. “Estou cansada de você, Rodrick, de tudo de ruim que você fez. Mas você não vai morrer hoje”.

Assim como uma vez mexeu com as cabeças dos seus amigos Vingadores, deixou que a névoa entrasse na cabeça de Rodrick. Não sabia o que esse tipo de artefato poderia fazer ao amplificar os seus poderes, não sabia o que estava fazendo com ele, só esperava que fosse o suficiente para se verem livres de Rodrick Errol-Wing.

Ele começou a gritar, espernear e tinha que se manter firme nisso. Algo levemente azulado saiu do corpo dele e se destruiu em uma explosão estelar no ambiente fazendo com que o corpo agora esfriasse.

Sem a intenção, ceifou a vida de um dividido, coisa que não pensou ser possível. Não ia matar Rodrick, mas aconteceu porque não entendeu o quanto esse artefato era poderoso. Soltou a rede de cabelos e se afastou do corpo dele, não entendia como tina feito isso.

Tudo estava ruindo. Viu a explosão escarlate quando começou a movimentar as suas mãos para criar um feitiço ao tentar voltar para o Sanctum, o verdadeiro Sanctum. De repente não havia mais nada, só parecia que o seu corpo estava caindo dentro de si próprio.

[...]

Quando voltou, percebeu que já estava de volta e com Wong desesperado à espera dela e de Stephen.

“Para onde ele levou vocês, Wanda? Cadê o Rodrick?”, o seu amigo perguntou.

“Ele... o corpo dele ficou lá, Wong, ele... morreu”, disse com remorso por ter feito algo que não pretendia.

“Como assim você matou um dividido? Wanda, eles não morrem, cadê o Rodrick?”

“Ele morreu, Wong, eu matei o Rodrick e eu nem planejava nada disso”, começou a chorar. “Stephen...”

Wanda não fazia ideia do quão forte os feitiços de Rodrick poderiam ser. Stephen pairava no ar, estático e frágil, com um ombro deslocado e o nariz muito maior do que ele mesmo conseguiu deixar em Nick West na festa do Metro-General. Hoje não eram as mãos dele que tremiam, mas as suas. Estava nervosa e Rodrick viu isso antes de ser morto, tinha certeza.

Movimentou as suas mãos e a sua energia escarlate puxou Stephen para baixo. As pupilas outrora azuis agora estavam brancas, como se ele estivesse possuído por algo.

“Eu não quero que você morra, Stephen”, disse quando se aproximou do corpo dele para tocar o rosto. “Acorde, por favor”, a sua voz tremulante disse. “Você não pode morrer e me deixar sozinha no seu Sanctum”.

Trouxe a cabeça dele para o seu colo e precisava fazer alguma coisa. Movimentou os seus dedos e um pouco do seu poder penetrou na cabeça de Stephen, tinha que tentar de tudo. Os olhos outrora esbranquiçados, agora voltavam a ser azuis do jeito que gostava.

Stephen estava desesperado e não precisava sentir isso, era visível. Fechou os olhos e agradeceu por ele estar vivo. Matou Rodrick, mas salvou Stephen. O amava, não poderia ter sido diferente.

“Wong, é melhor chamar a emergência, precisamos levar o Stephen para o hospital”, gritou ao amigo enquanto o sentia correndo para o telefone da cozinha. “Eu pensei que fosse perder você”.

O aninhou nos seus braços enquanto ele a agarrou fortemente. Um dia saberia o que Rodrick mostrou a Stephen, mas agora só importava que ele estivesse vivo e salvo ao seu lado.

[...]

Se não tivesse interferido, Wanda teria morrido e Stephen não teria tido um destino muito diferente. Precisou se empenhar junto dela para derrotarem esse cara que conseguiu passar a perna direitinho em si mesmo.

Loki, o Deus da Trapaça, havia sido trapaceado pelo seu próprio parceiro nesse crime.

Ele havia dado a Wanda informações que o comprometiam parcialmente, mas que não fazia sentido. Sim, Rodrick havia sido um excelente ator um magnífico mago já que conseguiu nublar até a sua mente contra o que de fato planejava. Nunca alguém havia se juntado a Loki de tão bom grado. Tinha explicado a ele quem Wanda era e o que ela poderia vir a fazer um dia. Estava tão ferrado se ela um dia descobrisse.

Estava sentindo medo dela pela primeira vez, um medo compartilhado pelo resto do mundo de sobre como a Feiticeira Escarlate chutaria a sua bunda ou coisa pior quando descobrisse que tinha manipulado o relacionamento deles levemente para que tudo se adiantasse. Era um fato concreto, eles deveriam acontecer e estavam destinados a isso.

“Mas que por-”, a voz grossa de Thor disse. Se virou e viu o seu irmão na porta do seu quarto, vendo o que estava fazendo.

Precisaria alterar mais algumas memórias.

Notas finais
Me deixem saber se gostaram ♥ PS: em janeiro já vamos entrar no novo arco, aguardem ♥