Notas iniciais
Amoras, hoje tem Prom Night aqui ♥ Estão com os kokoros preparados? Espero que sim pois será emocionante com uma pitada treteísta porque a Lídia ama uma treta... e vocês também :3 Ah, acabei atualizando a playlist da fic depois de 84 anos, que vergonha #ShameOnMe : — Human, Rag’n’Bone Man (é a cara do Rodrick... ou não :v); — I Need My Girl, The National (muito Stephen e Wanda sim ♥); — Love Hurts, Incubus (muito Stephen e Wanda mais ainda ♥); — Heroes, David Bowie (bem importante para o desenvolvimento da Wanda); — Can’t Stop Lovin’ You, Van Halen (preciso dizer que é Stephen e Wanda? ♥); — The Night We Met, Lord Huron (Lady Liv, muito obrigada pela sugestão!!!!!!!!!! Mil beijos e mais um pra ti ♥). E o capítulo será todo inspirado em The Night We Met ♥ Agradecimentos a Lídia Albano, Naomi Uchiha, Lady Hakila, Lady Liv, Taís Cordeiro e Paddy pelo comentário no capítulo anterior ♥ Apreciem a leitura!

Estava indo com Wanda até uma loja para comprarem roupas de gala para o baile do Metro-General e conseguia sentir em Wanda que ela estava feliz com isso. Ela sairia do Sanctum por algumas horas, passearia por Nova York e poderia ser uma jovem da idade dela por alguns momentos. Não poderia pagar o seu antigo alfaiate italiano, teria que se virar com o que tinham no momento.

Wanda sugeriu que fossem a um brechó, mas a ideia de vestir roupas que já foram de outras pessoas não lhe era nenhum pouco atrativa. Ainda guardava um único smoking, estava escondido para ocasiões assim. Poderia seguir o conselho de um jornalista brasileiro que viu na internet: um único terno, várias gravatas, ninguém notaria. Esperava que não notassem.

O Brooklyn estava animado, a neve derretia nas ruas e as pessoas andavam despretensiosas nessa tarde sábado.

“Aonde disse que ficava esse brechó?”, perguntou.

“Não muito longe da estação do metrô que saltamos. Vi no instagram que eles têm coisas bonitas e não muito caras”, ouviu.

Era um pouco tenso não ter tanto dinheiro para comprar um vestido de alta costura para ela, deveria prover e não faltar enquanto ela não estivesse trabalhando. Apertou o casaco contra o peito e Wanda percebeu quando mexeu as mãos. As portas do brechó estavam sinalizando o nome Sewing Madeleine, Modas Para Todos os Gostos. Tinha a sensação de que sairia com o nariz irritado de tanta velharia.

Girou a maçaneta da porta de madeira e Wanda passou à sua frente batendo as botas no capacho preto, fez o mesmo e entrou. Estava aquecido no ambiente, poderiam retirar os casacos.

Araras com roupas e mais roupas antigas e móveis provençais contendo cristais e acessórios dispostos em pequenos cabides de silhuetas. O lustre acima da sua cabeça tinha cristais também, mas iluminava o ambiente em tons neutros. Wanda passava pelos locais e passava os dedos por algumas coisas, chegando a colocar um chapéu melindroso vermelho com contas caindo pelos lados e uma grande pena negra na testa. Riu disso, vermelho e negro eram as cores dela, sempre seriam tanto quanto achava que azul e verde lhe serviam.

“Posso ajudar os dois?”, uma mulher loira perguntou batendo em uma sineta no balcão para chamar a atenção de ambos.

“Deixe que ela se entusiasme primeiro com tudo o que tem aqui”, disse. “Mas a título de conhecimento, precisamos de um vestido de gala”.

“Casamento? Baile?”, ouviu a pergunta ainda observando Wanda perdida em peças de seda e tafetá.

“Baile beneficente”, respondeu simples.

“Elitista? Simplista? Preciso saber para começar a pensar no que posso separar para a sua filha”, a censura na voz da jovem lhe fez pigarrear.

“Ela não é minha filha, nem minha sobrinha. E eu não tenho idade para ser pai de alguém da idade dela”, franziu o cenho em desgosto.

“Sinto muito então, sr...”, ela tentou se redimir, mas seria interrompida.

“Doutor Strange”, corrigiu a moça. Odiava ter que fazer isso, estava a ponto de andar com o título costurado nas suas roupas para poupar trabalho e tempo. Estava com menos paciência agora que tinha sido instaurada uma pequena guerra entre ele e Christine Palmer.

Estava sendo difícil explicar que Wanda e ele aconteceu depois que eles terminaram e nem sabia porque estava se explicando, não deveria coisa alguma. Chegou a ouvir uma ou duas indiretas de Nick West nos corredores sobre pedofilia. Estava estressado e tinha dado graças por não ter que trabalhar com ele no sábado.

Viu Wanda mexer em vestidos e bolsas e achava que já estava quase escolhendo alguma coisa por si só. Ouviu a voz envergonhada da atendente chama-los e Wanda correu até lá. Era a primeira saída oficial que fariam e todos no hospital a conheceriam. No seu íntimo, confessava que estava nervoso quanto a isso.

“Bom, eu tenho alguns aqui que havia separado mais cedo quando você fez contato, Sra. Strange”, notou como o Sra. Strange se arrastou nos lábios da mulher.

Wanda ainda era jovem demais para ser casada, entendia isso, mas sem esse detalhe seria impossível mantê-la em Nova York ou em qualquer outro lugar, tinha atado as suas mãos quando o fez e agora nem fazia mais tanta diferença essa motivação. Tinha encontrado alguma alegria em passar as noites com ela na cama ou fazendo algumas outras poucas coisas durante a semana.

Se sentou e esperou que ela voltasse do provador vestida. Tirou o celular de Wanda do bolso e notou que era a playlist dela tocando. Olhou para a porta e encarou o celular logo em seguida, não parecia certo mexer nas coisas dela, mas a sua curiosidade era maior. Deslizou a tela para o lado e viu uma foto deles com Donna e Amy como tela de fundo atrás de vários aplicativos. Como uma pessoa conseguia ter tantos?

I had all and the most of you, some and now none of you, take me back to the night we met. O seu polegar foi até o player de música e pressionou a tela. Tinha belas aquisições, ainda não tinha ouvido Lord Huron. A melodia indie folk tocou baixa e as notas preencheram os seus ouvidos com a voz masculina. Gostou dessa, poderia figurar no rol de músicas que achava que combinavam com eles e com a história deles até então.

When the night was full of terrors and your eyes were filled with tears. Ainda ouvindo a música, não estava resistindo mexer nas mensagens instantâneas dela. Wanda não saberia que passou por ali. Apertou no ícone verde e viu algumas mensagens nomeadas como STRO, SAWI, SCLA e CLBA. Se a sua lógica estava certa essas siglas representavam Steve Rogers, Sam Wilson, Scott Lang e Clint Barton, os amigos dela. A mais recente apontava para Scott Lang.

Abriu a conversa e viu que eles conversavam sobre tudo, sobre nada, sobre uma garotinha chamada Cassie... o seu rosto ficou diferente quando ele disse que não sabia mais o que fazer sem você, Wendy. Como que ele ousava apelidar a sua esposa? Rolou mais para cima e viu que não haviam mais coisas assim da parte dele. Não negava que havia se sentido diferente com essa aproximação deles e se sentiu levemente ameaçado. No meio das palavras havia uma imagem, uma foto que sabia que havia tirado deles dois depois que consumaram o casamento e tinham ido para a cama. Não era uma selfie, mas poderia ser facilmente encarada como uma fotografia de arte pela quantidade de pele exposta das costas dela e do seu peito. Riu da resposta que ele deu, com carinhas envergonhadas. Não sabia nem que ela mantinha essa foto deles, se lembrava de ter apagado do celular e ela nunca verificava a nuvem.

“Dr. Strange?”, ouviu a voz enjoada da mulher loira.

“Sim?”, guardou o celular de Wanda de volta no bolso do casaco e os olhos da mulher sorriam junto com os lábios dela. Ela acenou para que Wanda saísse de onde estava.

Quando a viu, viu todo o tafetá vermelho escuro caminhando à frente. A saia do vestido era longa e se pegava justa desde a cintura de Wanda. Não sabia identificar que tecido se misturava com a renda, mas rendas vermelhas escuras se misturavam na riqueza de detalhes que a pedraria formava cobrindo os seios. Os braços à mostra não pareciam incomodá-la. Ela virou de costas e viu como a renda formava pequenas formas até encontrar novamente a saia do vestido. Estava deslumbrante.

“Só preciso ajustar a barra. Com um pouco de fita adesiva e os seios dela vão ficar no lugar a noite toda”, agora tinha percebido que a loira era Madeleine que costurava. Estava duvidando que esse lugar fosse realmente um brechó.

“Fita adesiva!?”, Wanda perguntou em espanto.

“Não se preocupe, dependendo da fita, a cola sai depois de dois a cinco banhos. Kim Kardashian aprova, ou você acha que os seios dela são daquele jeito em qualquer roupa? Ela é uma mulher normal, só tem muito mais dinheiro do que o PIB de um país minúsculo do Terceiro Mundo”, Madeleine falou.

Wanda franziu o cenho e mordeu o lábio. “Você... gostou?”

“Você gostou? É você quem vai usar semana que vem e você precisa estar confortável”, falou enquanto andava até ela. Tocou as mãos de Wanda, reparou que era um tecido como se fosse uma rede transparente cobrindo a pele e segurando aquele trabalho manual todo. “Você parece uma princesa. Mande uma foto para Glenda, Donna e Amy vão dizer que você parece uma princesa também”, piscou.

Se afastou até retornar para o balcão aonde tinha visto Madeleine quando entrou. Roubou um chiclete da cestinha de visitantes e se apoiou nos cotovelos com o casaco de Wanda pendurado no seu ombro. O vulto de Madeleine passou por trás de si e logo assumiu um lugar à sua frente.

“Em quanto ficamos?”, perguntou direto.

“Cento e cinquenta dólares, o vestido e o ajuste”, achou caro. “Eu garanto que vocês não encontrariam um vestido assim por esse preço em outro estabelecimento. Confesse, eu fiz um bom trabalho”, a mulher lhe lançou um olhar.

Retirou a carteira do bolso e de dentro da carteira retirou o seu antigo Amex, não havia cancelado e sabia que Victor pagou as taxas durante o tempo todo que ficou fora, então ele estava passando. Tinha dúvidas se se lembrava da senha, esse cartão era somente para emergências agora e isso lhe chateava um pouco. Agora tinha um salário novamente, poderia fazer esse tipo de coisa vez ou outra. Entregou o cartão à mulher e ela fez a transação até chegar a hora de digitar a senha. Os dedos trêmulos ensaiaram no ar a combinação de números algumas vezes e três vezes erradas bloqueavam o cartão. Pressionou as seis teclas e torceu para que acusasse Transação Aceita. A luz verde da máquina acusou que o seu cartão foi aceito e vibrou. Madeleine lhe entregou a sua via de papel térmico junto do cartão.

“O vestido fica pronto na terça-feira às quatro da tarde, a sua esposa pode vir buscar a qualquer hora depois desse horário. Agora vou ajudar a sua esposa a tirar o vestido e depois vocês podem ir”, viu Madeleine ir até onde Wanda estava.

[...]

Era muito estranha a sensação da fita gomada nos seus seios e tinha a impressão de ouvir aquilo roçando quando andava. Não faria amor com Stephen essa noite porque estaria seca até conseguirem descolar esse material todo do corpo. Amassou um pouco o vestido quando prendeu a saia contra a parede para poder subir o zíper. Estava no lugar, tudo no lugar. O sapato preto de salto lhe incomodaria à noite, mas teria que usar.

Se olhou no espelho mais uma vez e a maquiagem ainda estava em ordem. Tinha feito uma compra simples em uma farmácia ali perto já que as suas antigas maquiagens estavam vencendo aos poucos. O batom vermelho nos lábios estava ornando com as sobrancelhas bonitas e os cílios postiços que apanhou bastante para colocar. Sobrancelhas, cílios, lábios, foi o que viu um ator-maquiador indicar na televisão uma vez.

Respirou fundo e pegou a pequena bolsa preta. Se olhou uma última vez no espelho e ainda continuava achando o vestido um pouco demais para a ocasião. Girou a maçaneta da porta do seu quarto e torcia para não torcer o pé enquanto estivesse descendo. Olhou um pouco à frente e viu Stephen e Wong parados ao pé da escada. Não estava muito confiante no seu salto, mas foi, desceu degrau por degrau devagar e segurando as saias para não pisar nelas.

“E ela parece uma princesa sokoviana”, Wong falou. Ele suspirou e tocou o seu ombro. “Vão, mas não voltem muito tarde, a moça bonita vai me ajudar na faxina amanhã e vamos nos divertir muito”, ele piscou. Ainda não haviam feito uma grande faxina no Sanctum e tinham medo do que poderia encontrar por lá.

“Ela precisa estar inteira quando eu chegar em casa, Wong!”, Stephen tomou a sua frente. “A nossa carruagem, o Uber, chega em três minutos, melhor nos apressarmos pois faremos essa grande entrada novamente no Metro-General”, ele lhe ofereceu o braço.

Estava com um frio estranho na barriga. Tinha enviado a foto para Glenda e as meninas e depois enviou uma para Clint e Scott e riu das respostas que recebeu. As meninas mandaram um áudio cantando Let It Go, de Frozen, mas Amy corrigiu Donna dizendo que o vestido da Elsa era azul. Clint enviou carinhas envergonhadas e depois um coração azul lhe desejando uma boa festa, ele disse que tinha boas notícias e que se falariam com mais calma depois que a festa passasse. Scott enviou carinhas apaixonadas e disse que estava crescendo muito rápido, teria que visitar Cassie logo pois já não a via há algumas semanas.

Um carro preto parou em frente ao Sanctum, era um modelo sedan recente e o motorista logo perguntou se era o Stephen. Respirou fundo e entrou, Stephen se sentou logo ao seu lado e o homem disse que o GPS estava apontando para o Metro-General Hospital. O caminho foi silencioso e admirou a saída do Village e o caminho até Midtown. Notou o olhar nostálgico em Stephen quando passaram em frente a um prédio com a garagem de tijolinhos e portão de ferro antigo.

“Eu morei aqui”, ouviu a voz distante dele. “Antes de ir para Katmandu e voltar para Nova York. O metro quadrado mais caro de Manhattan”.

Olhou para as mãos dele pousadas no colo e os tremores. Os tremores não tinham cessado, nem estabilizado, e Stephen não queria usar magia para estabilizar as mãos. Concordava que ele não poderia se apoiar na magia assim ela mesma preferia não fazer no pouco que sabia sobre demonologia. Alcançou a mão dele e viu no pulso o relógio que o havia presenteado quando se casaram e o seu próprio presente havia se perdido no seu decote a essa hora.

O carro foi aos poucos parando na entrada de um salão grande. Agradeceram a corrida e avaliariam com cinco estrelas o rapaz, depois. Não soltou a mão de Stephen um único momento enquanto desciam as escadas para o acesso de convidados.

Havia música ambiente no salão, artistas circenses fazendo alguns malabarismos, garçons com taças de champanhe e canapés. Estava se sentindo um peixe fora d’água: era a mais jovem dentre todos aqueles médicos.

“Dr. Strange!”, um rapaz de óculos em armação escura chamou por Stephen. “Dr. Strange, teremos uma excelente noite agora”, ele abriu uma agenda de couro em formato A5 com argolas. Pegou a caneta cara e começou a listar. “Temos ali executivos da Giuntoli Chem, o velho Federico veio em pessoa com o filho, Alexander. Temos no outro canto o pessoal da Montoya Meds, Juan também veio em pessoa. Só faltam chegar Ward e Joy Meachum da Rand Enterprises”, o rapaz pontuou.

“Ah, como eu queria não poder falar com Ward Meachum. Billy, essa é Wanda, a minha esposa”, Stephen disse coçando um pouco a nuca. “Wanda, esse é Billy, meu residente”.

“Tecnicamente eu sou residente do hospital, mas é um prazer conhecer você Wanda. Só estamos um pouco surpresos com essa mudança no comportamento do Dr. Strange”, ouviu isso e franziu a testa para isso, não entendeu. “Não que isso seja uma coisa ruim, o Dr. Strange era ótimo”, ele tentou se retratar, mas Stephen o olhou severo. “Ainda é ótimo. Por favor, vamos logo com isso”, o sentiu envergonhado e riu.

As pessoas que ali estavam a olhavam de forma estranha, podia sentir o quando elas desconfiavam de quem era e o que poderia estar fazendo com Stephen ali. Respirou fundo mais uma vez e foi.

Billy os levou até aonde estava um senhor de idade gordo e com a face rosada. Ele gesticulava bastante e fez um gracejo ou outro sem vergonha nenhuma sobre o tamanho do seu decote para Stephen. Tanto Wanda quanto Stephen se sentiram desconfortáveis com o velho Federico Giuntoli falando do seu quadril. Sentia pelo toque o quanto Stephen estava aborrecido e queria que essa conversa acabasse logo, sabia que ele estava lá para angariar fundos para a emergência do Metro-General. Saíram da roda de conversa com um cheque bastante rechonchudo da Giuntoli Chem.

Quando chegou a vez da Montoya Meds, o homem de meia idade chamado Juan foi até um pouco distante, total oposto de Federico. Chegou a virar o rosto várias vezes para longe de onde estavam e isso também irritou Stephen. Bom, Stephen precisava dos medicamentos de Juan Montoya e sentia que ele não estava gostando de insistir nessa conversa. O cheque amarelo era consideravelmente menor que da Giuntoli, mas sabia que ele poderia fazer bom uso do dinheiro.

Um par não passou despercebido dos seus olhos enquanto conversavam. A mulher era alta e aloirada, com a raiz dos cabelos cor de mel e vestida um vestido negro de alta costura combinando com joias verdadeiras, ela estava impecável. Já o homem ficava menor que a mulher por conta dos sapatos de salto que ela usava, tinha o semblante frio e algo estranho faiscava nos olhos dele, como se somente o corpo bem arrumado estivesse lá, mas o espírito estivesse com as preocupações em outro lugar.

Quando chegou a vez de Stephen cumprimenta-los, notou que a mulher não gostava muito do fato de ter que estar lá. Talvez não gostasse desse tipo de evento. Não foram precisas muitas palavras, o homem assinou um cheque bem gordinho em nome da Rand Enterprises apenas para dispensá-los mais cedo.

“Ward e Joy Meachum, Wanda, são ratazanas, o irmão é o pior, mas Joy ainda faz alguma coisa de útil”, ouviu ele dizer enquanto puxava a cadeira para que sentasse.

“A conhece há muito tempo?”, perguntou desconfiada.

“Mais o irmão dela, estudamos na mesma universidade, ele Direito e eu Medicina, obviamente. Não éramos amigos, mas nunca nos indispusemos. Ele só... toma remédios demais”, Stephen disse sombrio. Não perguntaria sobre isso, não parecia ser certo saber da vida de alguém desse jeito apesar de algo lhe dizer que um dia veria do que se tratava.

O jantar foi servido e ficou um pouco confusa sobre que tipo de talheres usar para comer cada porção minúscula, era demais, estava mais deslocada ainda. Via como Stephen fazia e repetia. Definitivamente ambientes muito requintados não eram para o seu bico. Sorriu sem vontade quando Stephen perguntou se estava gostando da festa.

“Um baile é um baile se tiver música para as pessoas bailarem. Você quer dançar?”, Stephen perguntou desinteressado.

“Eu não sei dançar e você sabe disso”, riu.

“Não precisamos acabar com todos eles, só quero que você se divirta. Depois de Federico Giuntoli, Juan Montoya e os Meachum, acho que até eu quero dançar. So can I have this dance?”, ele perguntou em melodia. “Wong andou adicionando High School Musical na playlist dele, às vezes penso que ele pode ser a loirinha, a que tem nome de cachorro. Então, vamos dançar?”.

I don’t know what I’m supposed to do haunted by the ghost of you. Hesitante, entregou a sua mão com as unhas feitas de esmalte preto e reconheceu a melodia. Se levantaram e andaram calmamente até um canto para ficarem à vontade. As mãos tremulantes de Stephen chegaram na sua cintura e os seus braços se cruzaram no pescoço dele sentindo o perfume masculino que ele usava. Gostava do aroma amadeirado, combinava com ele. Stephen passou uma mão levemente pelos seus cabelos e sentiu que desfez um dos cachos enrolados às pressas, as tranças presas com um elástico transparente no meio da cabeça foram a única coisa que conseguiu copiar da internet e que serviu.

I’ve been searching for a trail to follow, take me back to the night we met. Um passo para cada lado, alternando, era o que conseguiam fazer já que ambos eram péssimos em dançar. Stephen era realmente muito mais alto e geralmente se sentia encolhida com ele, mas hoje essa distância tinha se encurtado devido os sapatos de salto alto que comprou pela internet. As mãos quentes dele faziam pressão contra a sua cintura e sentia o que ele queria quando os lábios dele tocaram o seu pescoço longo. Com uma mão na sua nuca e a outra permanecendo na sua costa, a boca dele encontrou a sua e o beijo foi natural. Quando se separam e encostou o seu rosto no ombro de Stephen para finalizarem essa dança, viu Christine Palmer no fundo olhando para os dois.

Christine Palmer tocou o ventre discretamente e ergueu a taça com água, acenando para eles. Sorriu desajeitada e envergonhada quando ela foi embora. Stephen estava sendo seu e queria que continuasse assim.

“Que tal irmos para casa? Acho que chegar de festa por hoje e já ouvimos bastante”, Stephen disse. “Eu quero ajudar a descolar esse monte de fita adesiva que tem aí de baixo”, ele mordiscou a sua orelha e riu.

Pegou a sua pequena bolsa preta na mesa e começaram a se dirigir à saída mais próxima, mas esbarrou no homem com uma plaquinha no terno chamado Nicodemus West. O conteúdo da taça dele foi em direção ao smoking de Stephen e o tecido negro agora estava molhado e com cheiro de champanhe.

“Olhe por onde anda, Strange. Olá, querida, não sabia que o velho Stephen tinha uma queda por garotinhas. Mandou bem com essa aí mesmo ela sendo menor de idade”, o homem piscou e ele conseguiu ser pior que Federico.

Poderia ter segurando o punho de Stephen usando a sua energia escarlate ou o enfeitiçado, mas ele agiu primeiro. O nariz de West estava jorrando sangue e ele engasgava. Várias pessoas pararam o que estavam fazendo para verem os dois médicos se engalfinhando.

“Ela é minha esposa, seu maluco! Eu não precisei engravidá-la para ela ficar comigo”, as palavras cuspidas trouxeram Christine Palmer para perto.

“Você poderia ser pelo menos agradecido, sem mim você não teria mais nada hoje em dia”, West disse com a entonação estranha.

“Graças a você eu não posso mais fazer o meu trabalho, isso sim”, não entendeu o que ele quis dizer com isso.

Stephen tocou a sua mão e a puxou para as escadas, o correto seria sair dali enquanto a confusão não ficasse maior.

[...]

Loki estava mais uma vez sozinho no apartamento de Erik Selvig. Odiava ser deixado para trás, mas assim poderia assistir o seu casal favorito sem ter que se esconder. Agitou os dedos sobre o orbe de cristal e a névoa verde se dissipou mostrando Stephen e Wanda dentro de um táxi voltando para o Sanctum.

Rodrick não estava dando notícias e não conseguia usar o seu orbe para vê-lo, estava começando a temer que algo tivesse saído do seu controle. Até o momento nenhum movimento para com Cassie Lang. Precisou voltar atrás quanto a isso pois Wanda ainda não estava devidamente ligada à garota. Os interesses do seu associado eram similares aos de Karl Mordo, então tinha três possíveis candidatos ao posto de Mago Supremo. O cargo era de Stephen Strange, não ousaria dizer isso em voz alta. Estava planejando o que fazer a partir de agora já que foi deixado por Rodrick, aparentemente.

Tudo acabaria bem logo depois que descartasse Rodrick, mas não sabia como encontra-lo.

Notas finais
Amores, vocês chegaram a ler Through Glass (a minha oneshot HulkWitch)? Parece-me que teremos mais sobre Wanda e Bruce no final do ano... :3 Me deixem saber se gostaram ♥