Angel of Light
33 Trinta e Três
Notas iniciais
“Então... tem absoluta certeza de que é somente isso?”, Stephen novamente perguntou, curioso. Estava começando a passar um pouco de vergonha por causa disso.
“É a terceira vez que você me pergunta e a terceira vez que eu vou responder: eu só vejo um saco gestacional e dentro dele só há um embrião”, já era a segunda consulta com o Dr. Henri Speight e detestava quando ele usava os termos feto ou embrião. Embora o que estava dentro do seu corpo só tivesse o tamanho dessas coisas, era o seu bebê e pronto.
Desceu da maca e se cobriu com o vestido preto. A sensação gelada do gel de ultrassonografia já havia quase passado também. Tinha um bebê dentro do seu ventre, só um. Notou no rosto de Stephen que ele havia ficado desapontado com a notícia de ser somente uma criança. A criança deles, o filho deles. O barulho da impressora tirava todo o brilho do momento e logo denunciava que a primeira fotografia do seu filho estava ficando pronta.
“Aqui está, para vocês dois. Conheçam o seu bebê saudável de cinco semanas”, o sorriso do homem parecia até um pouco entediante, como se ele fizesse isso há tanto tempo e muitas vezes ao dia.
Havia um ponto no que estava mesclado de cinza, branco e preto. Era do tamanho da cabeça de um alfinete naquela folha de papel minúscula. Tomou a imagem e Stephen tocou a sua mão. Conseguia ouvir em alto e bom som o barulho incomodo da caneta cara do médico riscando o que seria a sua receita médica e mais algumas outras coisas. Olhou para o lado e viu Stephen sorrindo um pouco.
A primeira consulta com o médico havia sido dois dias antes quando Stephen disse que tinha conseguido com Billy um horário vago na agenda do senhor de setenta e poucos anos. Exames de sangue que nem sabia para o que eram foram feitos, inclusive um que dizia se estava mesmo grávida e as tais quantidades do hormônio de gravidez no seu sangue, odiava quando Stephen ficava técnico demais lhe explicando tudo.
“Vamos marcar uma data aproximada para o parto? Acredito que a metade de novembro esteja adequada, ele já vai estar completamente desenvolvido. Você é jovem, posso supor que não vai querer sentir nenhum pouco de dor... podemos trabalhar com a possibilidade de uma cesariana?”, sentia o quanto ele queria afirmar.
Olhou assustada para Stephen, não parecia ser saudável uma opção dessas. Speight pigarreou desconfortável e esperando por uma positiva. “Henri, você foi meu professor na faculdade de medicina, eu estou admirado com a facilidade que isso saiu da sua boca. O tempo que você passou na América do Sul não fez bem a você. Eu não vou deixar você abrir a minha esposa sem que isso seja uma necessidade”, Stephen parecia genuinamente surpreso.
“Sem cesariana, por enquanto. A minha oferta para a anestesia local ainda está de pé”, ele piscou. Não, absolutamente não. Tinha que correr para uma segunda opinião. “Aqui tem algumas vitaminas que você precisa tomar, recomendações... vejo você em um mês, Wanda”.
Acenou timidamente, só queria poder sair dali o mais rápido possível. Viu Stephen pegar a sua bolsa e isso já estava beirando o ridículo. Odiava quando ele achava que iria quebrar só por estar andando por aí com uma carteira de documentos e um livro antigo.
Stephen colocou a mão no seu ombro na intenção de guia-la para fora do consultório. A maçaneta gelada tocou a sua pele do pulso rapidamente e logo Stephen abriu a porta com a outra mão. O consultório dele ficava do outro lado do corredor, mas sabia que já era quase a hora da saída dele, poderia esperar mais um pouco enquanto ele trocava de roupa.
Entrou com Stephen no consultório e havia em cima do sofá uma cesta de frutas endereçada a sua pessoa com um enorme Wanda escrito de pincel permanente em uma folha de papel sulfite grampeada em um plástico. Já estava se habituando com a caligrafia desleixada de Billy e se sentiu tocada por esse gesto de carinho dele. Na cesta, junto com o papel, haviam dois balões coloridos: o rosa dizia menina e o azul dizia menino. Poderia rir disso porque estava adorando essa atenção toda que estava recebendo dele e de Stephen. Agora só precisava contar para os moradores do Sanctum e tinha certeza que Wong ficaria derretido também.
Viu Stephen retirar os sapatos e o pijama cirúrgico, agora tinha que ficar para outro dia o seu tour pelas galerias cirúrgicas do Metro-General. O médico havia perguntado se estava sentindo alguma mudança hormonal e como estava sentindo. Ver Stephen sem camisa estava fazendo-a ter pensamentos nada castos sobre a figura com peito nu à sua frente. Stephen nunca pareceu tão tentador...
“Eu estou atrapalhando a sua visão de mim vestindo esta camisa de punho amarrotada?”, ele riu. Sim, ele estava.
“Não, eu só fiquei um pouco distraída”, riu junto e envergonhada.
“Quando você está tendo esses pensamentos, você se desliga tanto do mundo que deixa a sua magia aflorar. Você relaxa ou algo assim”, Stephen estava se aproximando com alguma rapidez. Quando ele alcançou a sua cintura com as mãos, olhou para baixo e depois subiu o olhar para o seu colo... justamente aonde estava o anel com a pedra vermelha pendurado por uma corrente delicada. “Eu espero que você seja uma daquelas grávidas que queiram fazer sexo o tempo todo, eu estou mais do que disposto a tirar uma licença do hospital para ficar em casa com você”, ele sussurrou rindo no seu ouvido.
“Eu não sou a Meredith Grey”, continuou rindo com ele.
A porta do consultório foi aberta abruptamente e se assustou com isso, Billy geralmente batia e fazia mesuras extensas sobre atrapalhar ou não o casal. Era justamente a semana de volta ao trabalho de Stephen e já estava ficando chateada com a presença de Christine Palmer ali.
“Ahm... eu... não sabia que estava com companhia, Stephen”, o tom da mulher era surpreso. A barriga dela estava agora semelhante a que teria quando chegasse ao tempo de gestação que ela estava, seis ou sete meses. Ela carregava um envelope pardo e grande.
“Deixe isso na minh-”, não deixou Stephen terminar.
“Estamos grávidos”, contou a novidade. Stephen apoiou a cabeça no seu ombro e soltou um suspiro cansado. Conseguia sentir o desconforto dele com essa situação toda, afinal, foi justamente uma gravidez inesperada que o separou de Christine.
“Oh”, foi a única coisa que ela conseguiu dizer até perceber que ela estava juntando coragem para dizer algo mais. “Meus parabéns, eu acho”, ela largou o envelope em cima da escrivaninha de Stephen. “Agora eu preciso ir”.
Quando a porta se fechou novamente, Stephen beijou o seu pescoço de forma carinhosa, não sensual. “Você e o seu ciúme. Eu gosto disso em você”.
“Você gosta que eu sinta ciúmes do fato de você trabalhar com a sua antiga namorada que quase foi morar conosco no Sanctum?”, perguntou honesta e frustrada.
“Você nunca trouxe isso para as nossas conversas, Wanda. O que mudou agora?”.
“Vocês terminaram porque ela vai ter o filho de outro homem e agora eu vou ter um filho seu, acho que posso me permitir ser um pouco vilã em não quere-la perto de você”, era a sua insegurança falando.
“É exatamente por isso que você sabe que eu não estou perto dela a menos que seja extremamente necessário. Eu me refiz com você e estamos dando os próximos passos...Eleanor Janise adoraria essa resposta”, o riso fraco e descontraído dele voltou.
“Matthew Murdock também adoraria, precisamos entrar em contato com eles”, afirmou.
“Mas nós veremos isso amanhã. Eu só quero chegar em casa, tomar banho, jantar com você...”, Stephen sugeriu.
“Parece um ótimo plano”, sorriu sentindo o abraço se apertar ainda mais e proteger o seu corpo.
[...]
O tempo é mutável, Stephen. Era isso que a Anciã se referia? Com o tempo mutável, talvez os seus gêmeos não viessem primeiro. Se lembrava claramente da visão usando o olho de Agamotto quando avançou no tempo e não viu foto de nenhuma criança maior que os meninos por onde passou ou pelos a menção de outro filho que não fosse os quatro que tiveram no futuro.
A noite mal dormida lhe rendeu uma dor nas costas. Era cedo demais ainda, nem bem havia clareado o dia. Hoje não teria trabalho, tinha tirado a sexta-feira de folga para ficar com Wanda em casa, ela inclusive ainda estava dormindo na cama deles com Black de barriga para cima, aberto e confortável.
Já tinha escovado os dentes e ainda estava de pijamas quando ouviu a campainha da porta da frente tocar. Olhou no relógio da sala e ainda não era nem oito da manhã. Quem bateria na porta do seu Sanctum às oito da manhã?
Invocou as suas roupas e logo o pijama cinza e velho se viu substituído pelo seu traje antigo. Riu sobre isso, mesmo quando deveria se imaginar um civil, ainda se imaginava um mestre de artes místicas. Andou até a porta da frente e girou a maçaneta. A surpresa foi sua vendo uma horda de Bartons e um Lang gritando SURPRESA!
“É bom vê-lo, Strange”, Clint estendeu a mão para que apertasse e o fez intimidado. Uma mulher morena atrás dele segurava um bebê e tinham duas crianças com eles, fora o tal Scott Lang que tinha visto apenas uma vez, o pai de Cassie.
“Igualmente, Barton. É melhor vocês entrarem, está bem frio ainda aí fora, só Wanda que não sente o mesmo”, deu passagem para eles ainda desconfiado sobre a presença dessas pessoas no seu Sanctum.
Andando tímido até para um deus, Thor, Deus do Trovão, veio atrás de todos. Há meses não recebia um contato dele, pensava que ele tinha desistido da busca por Odin.
“Doutor Strange”, o loiro direcionou.
“Filho de Odin, espero que a sua sombrinha não cause mais problemas como da última vez que nos vimos”, sugeriu.
“É só não fazer aquela coisa de ficar se transportando comigo pelo imóvel”, ele sorriu e colocou a sombrinha nos aros perto da porta.
“Desculpe se pareço rude, mas o que vocês fazem em Nova York? Wanda me conta tudo, ela teria me contado se vocês viessem”, estava confuso e assustado.
“Queríamos fazer uma surpresa a ela, o Lang ali mexeu nas nossas tornozeleiras eletrônicas”, Clint Barton riu nervoso. “Então, cadê a Wanda?”
“São seis da manhã, ela ainda está dormindo”, quando terminou de falar, olhou para o lado e viu a presença descabelada no topo da escada. As duas crianças subiram correndo e Wanda começou a descer para encontra-los no meio. Viu o abraço forte que trocou os pequenos e logo ela começou a descer mais ainda. “Bom, aparentemente não mais”.
Deu espaço para ela passar e logo num abraço longo e caloroso com o tal Gavião Arqueiro foi acolhida. Ele era a figura paterna dela, não poderia surtar todas as vezes que eles aparecessem por lá. Olhou para a barra da calça dele e depois para a de Scott Lang, os volumes não era um sinal bom.
“Você cresceu, está com o olhar mais feliz”, Clint disse a Wanda. “Viemos rápido, mas depois precisamos voltar para a fazenda. Uma viagem e tanto...”
“Você me explica durante o café da manhã?”, Wanda insistiu. Laura concordou com o filho mais novo no colo. Wanda estendeu a mão e ele agarrou o dedo dela. “Ótimo, vamos tomar café da manhã! Eu preciso saber como vocês saíram de Wakanda e conseguiram voltar para cá”.
Os passos deles até a cozinha foram rápidos e precisos, Wong já estava lá cozinhando alguma coisa. A feição dele ao ver sete pessoas a mais não era divertida, só que ele riu quando viu a garotinha perguntar se poderia fazer panquecas com ele. Precisaria ter comida para todos eles.
“Cassie me disse que você e Wanda tomaram conta dela enquanto eu estive fora”, Lang se aproximou de onde estava com Thor, andando lentamente.
“Você é amigo da minha esposa, o mínimo que ela poderia fazer era ficar de olhos atentos em Cassie”, respondeu simples. Ainda não gostava muito dele, principalmente depois que Wanda mencionou que ele roncava. Isso foi uma brecha para ficar de olho em que eles eram como amigos.
“Eu agradeço por isso. Agora eu vou matar a saudade que eu estava da minha amiga”, ele sorriu e foi na direção de Wanda para também receber o seu abraço carinhoso.
Não gostou quando ele beijou a testa dela e acarinhou os cabelos dela. A mão dele perigosamente brincava com o pijama escuro dela e tinha que se segurar para não ter mais uma crise de ciúmes.
Se percebeu um pouco longe da ação quando se encostou na porta oposta do corredor, perto de um aparador. Thor fez o mesmo.
“Barton é meu amigo, eu precisava traze-lo para ver Wanda”, ele se justificou.
“Barton é família para ela, assim como eu sou, Wong é e o filho que nós vamos ter em breve”, sorriu de soslaio.
“Então é de verdade tudo isso, você e ela? Meus parabéns, Doutor”, ele riu. “Não parta o coração dela, o Barton e o Lang batem forte e eu tenho um martelo”.
“Você não é a primeira pessoa que me ameaça sobre isso, mas tudo bem. Eu gostaria de lhe agradecer, Thor, filho de Odin”, disse olhando para o homem loiro ao seu lado, o Deus do Trovão.
“Me agradecer pelo quê, Doutor Strange?”, ele perguntou em dúvida.
“Se você não tivesse vindo aqui pedir ajuda para encontrar o seu pai e perguntado se não poderia acolher Wanda por uns tempos, eu não teria conhecido a mulher da minha vida”, falou sério. “Obrigado, filho de Odin”.
“Vocês são esquisitos, mas acho que ficam bem juntos”, o homenzarrão riu. “Você é um mago, ela é uma feiticeira... se o meu irmão estivesse aqui vocês seriam um trio mágico perfeito”.
“Espero que você esteja brincando quanto à presença de Loki na Terra. Ontem eu trouxe alguns livros escandinavos para cá, estou trabalhando em encontrar um feitiço que o ajude a encontrar. Se você me deixar ter acesso ao seu irmão, posso descobrir aonde Odin está, mas garanto que Wanda conseguirá em menos tempo que eu”, sugeriu.
“Vocês não vão chegar perto do meu irmão, ele ainda não esqueceu que o senhor o fez cair por meia hora até dizer que não tinha nada para nós por enquanto naquele dia”, a lembrança de ver Loki estabacado no chão recém encerado do Sanctum o fazia rir ainda.
“Como tem feito para que ele não se metesse em encrencas? Aquilo já tem quase seis meses”, desconfiou.
“Ele descobriu o que é um videogame, passa boa parte do tempo no quarto jogando. Fora aquela rede de televisão que funciona na internet, tem um botão dela no controle da tela da sala, então ele está bem”.
Wanda passou pela porta da cozinha na sua direção e o abraçou. “O café está quase pronto, com três pessoas fazendo as coisas fica mais rápido. Vamos?”, ela perguntou.
“Sim, vamos”, respondeu beijando o rosto dela.
“Obrigada, Thor. Se não fosse por vocês, eu não teria conhecido o Stephen”, Wanda disse tímida. “Obrigada”.
“Eu posso fazer algo se sou um excelente casamenteiro?”, todos os três riram.
Andou com eles e abraçado em Wanda até a cozinha aonde havia uma confusão de Bartons, Lang, Wong e agora eles. Isso era tão familiar, tão caseiro... queria poder ter isso sempre mesmo sabendo que nem sempre seria possível. Black passou por entre as suas pernas e esticou as patas perto de Cooper Barton.
[...]
Thor estava roubando o seu posto de casamenteiro! Eles agora juntos era uma obra sua, a sua magnum opus, a sua obra-prima! E ele estava tirando isso dele! Stephen e Wanda não aconteceriam juntos até dali a alguns meses, entendia, mas era tão mais divertido com eles agora.
Olhou no orbe e viu uma mulher nele. Ela se cortava com uma adaga de prata e murmurava um feitiço em latim depois que folheou um livro muito colorido e caricato. Ela salpicou uma erva na mistura à sua frente e viu o vento percorrer a sala em que ela estava. A magia sempre foi o seu ponto mais forte.
Sentiu o seu nariz sangrar ao fazer uma pequena influência, depois só viu as imagens à sua frente se esvaindo pois estava indo embora junto delas por um tempo.
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