Notas iniciais
Amores, eu nem pretendia postar hoje, mas ideias vieram "de com força" e eu precisava escrever XD Ontem eu senti que deixei algumas coisas em aberto e amarrei algumas dessas pontas aqui, ok? ;) Ah, está acontecendo finalmente ♥ Agradecimentos a Bianca Di angelo e Jujah pelos comentários no capítulo anterior ♥ Apreciem a leitura! PS: duas músicas foram adicionadas à trilha sonora da fic (eu sei, to musical demais esses dias :v): — Live to Rise, Soundgarden (faz parte da trilha sonora oficial de Os Vingadores, mas aqui é musiquinha do nosso casal mais amado de todas dimensões ♥ ); — I'm Alive, Shinedown (também faz parte da trilha oficial de Os Vingadores e achei que foi uma excelente adição ao estilo do Stephen ;) )

Achou estranho conseguir dormir a noite inteira. Parecia que tinha levado uma surra, o seu corpo estava pesado e nada de a dor de cabeça abandoná-lo.

Era sábado, se lembrou disso porque não queria ter que levantar para devolver as coisas de Christine. Se estava de volta e pensando em se estabelecer como Mestre Strange, aquela era a sua casa. E também tinha chamado Christine para morar com ele. Sem casamento, sem cerimônia, sem bolo que trocentos andares. Só os dois. E a sua hóspede, claro. Isso não durou nem uma semana, logo ela descobriu que a única noite com Nick West havia lhe rendido um senhor fruto. Ela já tinha começado a deixar coisas suas no seu quarto e agora teria que recolher tudo.

Já havia se passado uma semana e nada ainda, estava evitando demais encontrar com Christine e isso uma hora teria que parar.

O seu treinamento com Wanda não se prejudicou nisso tudo, os escudos dela estavam ficando cada dia mais fortes, mas ainda longe de serem uma proteção verdadeira. Hoje não treinariam. Ficariam em casa fazendo uma lista enorme de nadas porque sabia que a mente dela precisava de descanso. Ela ainda estava aprendo a lidar com o místico verdadeiro e também com os poderes que havia recebido pela Joia da Mente.

Ainda era cedo e pela primeira se sentiu com fome naqueles dias. Verdadeiramente. Não comeria apenas para colocar tudo para fome por causa da sua ansiedade; sinceramente, estava faminto.

Se levantou fazendo esforço e calçou os seus chinelos. Precisava colocar a roupa para lavar também. Tinha tanta coisa para fazer e boa parte disso eram afazeres domésticos que há anos não fazia sozinho. Foi até o banheiro e tirou a calça do pijama, tinha dormido sem camisa mesmo. Acionou no chuveiro a água quente e esperou o primeiro jato fumegante cair. Entrou e a água molhou o seu corpo, relaxando os seus músculos. A terceira semana de novembro trazia consigo o frio do inverno e agradecia pelo Sanctum contar com um serviço de aquecimento decente.

Saiu do chuveiro e se cobriu com um roupão felpudo, aquela coisa era a mais gostosa que já havia experimentado. Se olhou no espelho e viu a sua barba começando a incomodar. As suas mãos tremulantes não o deixariam fazer um trabalho decente e teria que recorrer àquele barbeador elétrico insuportável. Não pediria a Wanda para lhe barbear, isso era demais até para ele. Escovou os dentes e deu um jeito no seu rosto com o que tinha ali disponível.

Voltou para o quarto e vestiu outra calça de pijama e uma camiseta cinza. Recolheu as suas roupas sujas e as colocou no cesto perto da porta. Abriu a porta do quarto e notou que a porta do quarto de Wanda estava aberta. Apoiando o cesto com apenas uma mão e braço, bateu na porta e ela não estava lá, até a porta do banheiro dela estava aberta. Estranhou.

Desceu as escadas e foi até a cozinha já que a área de serviço deles ficava atrás da cozinha. Wanda estava lá, sentada à mesa com a garrafa de leite e uma caixa de cereais, comendo como se não tivesse dormido à noite.

“Você não acha que é cedo demais para acordar em um sábado?”, perguntou.

“Eu ainda não dormi”, ela respondeu bocejando.

“Se os seus amigos descobrem que não está dormindo direito aqui, acho que a minha cabeça rolará me breve”.

“Não é nada relacionado a mim, só tenho estudado mais do que eu deveria”, a ouviu dizer coçando um dos olhos.

“Wong me disse que você andou pesquisando sobre demonologia. Não acha que deve me contar alguma coisa?”, incitou.

“Já teve a sensação de estar sendo observado? Eu digo observado de perto por alguém, mas quando procura não encontra nada. Eu me sinto observado o tempo todo, Stephen”, ela disse.

Então isso justificava as suas pesquisas, ela desconfiava que estivesse sendo observada por algo. Não era muito diferente do que sentia, mas precisava tranquilizar Wanda de algum modo. Faria a sua própria pesquisa depois, seguida por uma investigação minuciosa.

“Já, mas muitas das vezes era só a minha mente tentando me dizer que eu deveria manter o foco em outras coisas senão enlouqueceria. Pare um pouco de estudar ou então você não terá forças para outras coisas”, falou.

Foi até a área de serviço e colocou as roupas na máquina de lavar antiga adicionando os produtos necessários para a limpeza das mesmas. Demoraria mais de duas horas para lavar aquilo tudo, decidiu que poderia comer com calma e relaxando. Quando voltou, Wanda ainda estava lá. Ela estava sentada comendo um pouco mais e não tinha certeza do quanto de açúcar ela estava consumindo para combater esses sintomas de ansiedade que ela negligenciava por serem quase imperceptíveis.

Ela sorriu para ele e percebeu que a temperatura do corpo dela se elevou porque as bochechas de Wanda coraram levemente. Achou estranho isso, mas retribuiu. Era sinal de que ela já estava ficando mais confortável e essa relação que estavam tendo tinha que ser a mais amigável possível. Ela bocejou, não pode deixar de reparar que ela tinha certa graça quando fazia isso.

“Deixe tudo aí, vá descansar. Você tem que dormir um pouco. Se eu consegui, você também consegue, Wanda”, a viu concordar e ir lentamente caminhando para o piso superior para encontrar conforto na sua cama.

Guardou para si o estranho sentimento de conforto que sentiu na noite em que carregou Wanda para o quarto dela. No dia seguinte, ela não se lembrava de como tinha ido parar no quarto já que se lembrava de estarem conversando na cozinha. Achou que ela mesma suprimiu a parte em que dormiu com a cabeça apoiada no seu ombro há uma semana para que a situação não parecesse embaraçosa. De algum modo, ambos compartilharam alguma coisa naquela noite além de palavras de tristeza. Ela tinha a tristeza, ele tinha a decepção.

Ainda teria que arrumar as coisas de Christine e não tinha cabeça para isso, nem queria olhar para as roupas dela e outras coisas.

Fritou dois ovos e quatro fatias de bacon, comeu o cereal na mesma tigela que Wanda e tomou uma caneca de café até a borda. Finalmente estava conseguindo se recuperar do ocorrido e dali para frente tudo seria diferente.

[...]

Ainda estava aprendendo sobre os dias da semana na Terra e achava confuso eles terem dois dias na semana para não fazerem nada. Nem pretendia vê-los hoje, durante uma semana só observou as interações deles e sabia que eles não resistiriam ao outro por muito tempo.

Tinha esquecido que Christine Palmer ainda era apegada às suas coisas e voltaria ao Sanctum de Nova York para busca-las. Como poderia resolver isso?

Acenou para o orbe de cristal e a imagem que apareceu foi o do quarto de Wanda. Ela dormira demais nesse dia, já passava do meio da tarde. Não entendia muito bem o conceito de demonologia, mas parecia algo relacionado às religiões de Midgard.

“Vamos, pequena feiticeira, acorde. O seu papel a desempenhar agora é muito importante para o resto da sua vida”, falou melodioso.

[...]

Acordou lentamente após sentir o aroma de chocolate no seu quarto. Abriu os olhos devagar e não havia nada lá; nem ninguém, nem chocolate. O tempo esfriava e pedia um chocolate quente. Ainda preguiçosa, virou a cabeça para o criado-mudo à sua esquerda e olhou no relógio que ali estava. Eram quase quatro da tarde e havia conseguido dormir sem pesadelos. Achou estranho. Bocejou e coçou os olhos, saindo de baixo das cobertas e indo em direção ao seu banheiro. Poderia assistir algum filme ou série. Stephen tinha razão, precisavam descansar um pouco.

Tomou banho, escovou os dentes e se vestiu. Lembrava desse vestido, Visão e Tony haviam comprado para uma entrevista de apresentação dos Novos Vingadores. Não era sofisticado, era só um vestido de algodão comum, preto e normal. Tinha sido na época em que estava sem roupas pois tinha acabado de chegar a Nova York com o status de refugiada. Ainda via essas pequenas coisas com desconfiança. Colocou um cardigã cinza e calçou as suas meias pretas. Se viu no espelho do seu quarto e viu uma Wanda parecida com aquela que era uma Vingadora, não uma mulher procurada por não assinar o Acordo de Sokovia.

Eu quero que eles a vejam como eu vejo.

Se lembrava das palavras do Visão. Como ele a via? Visão era um sintezóide, a visão de Ultron, de algum modo ainda era JARVIS. Algo nela dizia que ele não sentia muita coisa de verdade: ele podia assimilar emoções, não as sentir verdadeiramente. Se ele não poderia sentir de verdade já que era uma inteligência artificial, como ele a via? Verdadeiramente, gostaria de saber. Mas de algo tinha certeza: nunca teria dado certo entre eles.

O silêncio era quase que desesperador no Sanctum. Não gostava muito do som do silêncio, mas o som da loucura ainda era pior. Menos Sound of Madness, do Shinedown, finalmente havia encontrado a trilha da sua vida. A porta do quarto de Stephen estava entreaberta e seria muita considerada intrometida se fosse até lá para não se sentir sozinha.

Se sentia um pouco sozinha apesar de ter Wong para conversar na biblioteca.

Bateu na porta e Stephen olhou para trás. Ele olhava para o armário embutido na parede agora. Não entendeu se aquilo foi um sinal para que entrasse, mas entrou. Ele parecia pensativo demais nos últimos dias e estava curiosa para descobrir o que era. Ainda eram os seus vinte e dois anos falando e assumindo o controle. Se sentou ao lado dele na cama e ficaram em silêncio por alguns minutos até Stephen quebrar o silêncio.

“Eu devo desculpas a você”, ele falou. Não sabia por que ele achava isso. “Por ter trazido Christine aqui. Ela viria morar aqui conosco”.

Essa última parte foi surpresa para Wanda. Agora sabia que a mulher daquela noite se chama Christine e que de alguma forma ela se relacionava com Stephen.

“Ela já tinha deixado coisas aqui, o armário está cheio de roupas dela e não sei por onde começar a devolver tudo isso”.

“Você quer ajuda?”, ofereceu sincera. Stephen parecia ser do tipo que não pedia por ajuda e recusaria ser ajudado por qualquer pessoa. “Desculpe, eu pensei que...”

“Sem problemas. Eu só percebi que agora estamos quites”, ele disse. “Christine e eu tivemos um caso quando trabalhávamos juntos no Metro-General. Eu pus tudo a perder quando sofri o acidente de carro”.

Acidente de carro? Trabalho?

“E depois nos aproximamos de novo, começamos de onde paramos e agora acabou para sempre”, ouviu. Ela deveria ser uma mulher muito especial para que ele falasse com tanta decepção.

“São sempre as pessoas mais próximas que nos magoam”, falou se lembrando de Visão. Assim eles nunca vão parar de ter medo do você.

Se levantou e abriu o armário. Muitas roupas femininas estavam lá juntas de vários uniformes hospitalares e pares de tênis e botas de cano alto. Tirou tudo dos cabides e dobrou delicadamente cada peça até ter uma pilha mediana na cama. Colocou tudo caprichosamente em uma sacola de viagem e viu Stephen parecer um pouco mais aliviado em se livrar daquilo.

“Aonde eu deixo isso?”, perguntou já com a sacola nas mãos.

“Pode deixar lá embaixo. Daqui a pouco vai começar a reprise de Grey’s Anatomy e andei sabendo que você tem uma televisão no seu quarto. Posso assistir lá?”, ele perguntou levantando uma sobrancelha, pedindo para não ser julgado. “Wong assiste, aí você sabe, eu comecei a assistir com ele e preciso saber se um personagem vai ou não morrer”, ele continuou falsamente despretensioso.

Riu baixo e acenou afirmativamente, o seu quarto estava aberto mesmo. Desceu com a mala e não demorou muito para a campainha ser ouvida tocar. Por um momento a sua insegurança a pegou e congelou, não sabia o que fazer. Tremeu por um momento, mas logo voltou a si e imaginou que poderia ser a mulher de quem Stephen falou. Andou calmamente até a porta de entrada do Sanctum e a campainha tocou mais uma vez. Tocou a maçaneta e a girou, abriu a porta e finalmente a mulher teve um rosto para si.

Ela parecia espantada ao ver Wanda ali, abrindo a porta em trajes que poderiam ser considerados sumários do ponto de vista de quem olhava de fora.

“Você deve ser Christine, não? Entre, por favor. Stephen me disse que você viria”, só não imaginou que seria tão rápido.

“Me desculpe, mas quem é você?”, ela perguntou sem rodeios.

“Wanda. Sou aluna dele”, respondeu. Era verdade. “Ele disse que você viria buscar as suas coisas”, se Stephen estava no seu quarto agora, ele deveria imaginar que Christine chegaria a qualquer momento e fugiu da situação. Ainda descobriria o que aconteceu de tão grave assim para que terminassem o que quer que tivessem.

Ela nada falou, apenas pegou a mala e deu uma olhada no local. Não deu muita atenção para si. “Eu não sabia que ele tinha uma aluna”.

“Sou nova aqui”.

“Diga para ele que eu sei que ele nunca vai conseguir me perdoar, mas que mesmo assim, desejo que ele siga bem até o fim”, ela disse antes de ir. “Adeus, Wanda, foi bom conhecer você”.

Caminhou com ela até a porta de entrada e a viu ir embora no frio. Algo de muito grave tinha acontecido e se Stephen quisesse, compartilharia isso com ela um dia. Ou não. Subiu de volta para o seu quarto e o viu deitado na sua cama, descalço e com uma mão na barriga. Ele estava olhando para a televisão, mas não parecia prestar atenção. Se sentou ao lado dele e logo Stephen foi tomado por um susto inicial.

Ali, lado a lado, sentiu algo que nunca havia sentido junto dos Vingadores. O pertencimento veio agora, do nada, como se tudo aquilo fizesse sentido. Wanda pertencia ali agora e Stephen fazia parte disso mesmo que indiretamente.

Notas finais
Me deixem saber se gostaram :)