Notas iniciais
Ah, gentneys, como estão? ♥ Que coisa mais linda do mundo conseguir finalizar o capítulo! :3 Bom, acho que a partir de agora as coisas REALMENTE estão começando a acontecer ♥ Agradecimentos a Jujah, Bianca Di angelo e Agente Hydra pelos comentários no capítulo anterior ♥ Hoje as notas são curtinhas porque o capítulo está cheio de coisas lindas! :3 Apreciem a leitura!

Bocejou e encarou o seu prato do café da manhã. Estava morrendo de sono, mas Stephen disse que teriam que começar a treinar cedo nesse dia já que tinham passado todo o final de semana procrastinando. Ele tinha dito que se os Vingadores ligassem atrás dela novamente, precisaria dizer que tinham feito progresso.

Os seus estudos sobre demonologia tinham progredido pouco também, passou boa parte do final do sábado assistindo Grey’s Anatomy com Stephen e pensava que aquilo seria sobre medicina, mas focava mais nos médicos e os sentimentos deles, a vida deles para conciliar tudo à profissão. Há meses não tinha contatos assim, a sua grande companhia para assistir televisão era o Visão e em Wakanda, esse hábito havia se perdido.

Uma das poucas vezes que tentou acompanhar o jornal local, anunciaram que o grupo desgarrado liderado pelo Capitão América ainda não havia sido encontrado depois da fuga da prisão de segurança máxima RAFT. Eram considerados criminosos e não conseguia não imaginar o quanto se sentia culpada por isso.

Você vai despedaça-los de dentro para fora, Ultron disse.

Tinha sido transformada em uma arma pela HIDRA há tão pouco tempo que não sabia controlar direito o que sabia fazer, era natural. Só que o controle não veio com o tempo, não veio com a prática. Tinha sonhado novamente com as três palavras que agora lhe assombravam. O que aconteceria com ela para que gritasse pelo fim de algo?

Levou uma colherada do mingau de aveia à boca e não estava surpresa por ele estar frio, passou tanto tempo pensando que a sua refeição esfriou.

“Algum problema, Maximoff?”, Rodrick Errol-Wing, um mago britânico. Ele se sentou na mesma mesa que ela e viu que ele comeria a mesma coisa. Nada de bom poderia vir disso, não gostava desse homem. “Não consegue dormir ainda?”

“Só estou estudando demais”, respondeu.

“Demonologia? Wong andou recolhendo alguns livros para você pelo que eu vi. Mas o que me traz aqui é outra coisa”, ele tirou um jornal debaixo do braço. “O seu passeio foi bom?”

Levantou o olhar até o homem loiro e o sorriso desdenhoso dele denunciava que ele sabia que tinha ido a Long Island visitar Cassie Lang. Nada respondeu. Permaneceu calada até que ele fosse embora. Viu que ele deixou o jornal em cima da mesma, com a primeira página virada para ela. Era uma cópia do New York Bulletin.

A imagem grande estava borrada.

Feiticeira Escarlate: Nova York Sob Ameaça?

Wanda Maximoff, ex-Vingadora e fugitiva procurada, foi realmente vista andando de trem até Long Island?

A sua boca secou. Um nó se formou na sua garganta. Tinha sido vista. Tinha sido vista! Stephen estava certo, tinha sido descuidada demais ao andar sozinha por aí, se arrependia tanto!

Deixou as suas coisas em cima da mesa e correu até a biblioteca, o seu intuito era retornar para o Sanctum. Esbarrou em Domenico Santoro no caminho e ele reclamou pela força que usou sem querer. Abriu as duas portas pesadas usando a sua energia escarlate e viu que assustou Wong com isso.

“Ei, ei! Wanda! O que aconteceu?”, Wong perguntou. “Wanda!”, sentiu a mão dele tocar o se ombro. Ele a virou e se assustou com o que viu. “Meu Deus, o que aconteceu com os seus olhos?”

Não respondeu nada.

No seu coração, tinha a certeza de que Stark mandaria Ross atrás dela depois daquilo. Não era mais seguro a Wong e Stephen que ela continuasse ali. Sentia o seu corpo tremular e as memórias do seu colar de choques vieram com força, do quanto os malditos guardas a incitaram até que fosse possível um colar daqueles e do quanto mais aconteceu depois para que recebesse algumas descargas de energia.

Wong a puxou, a sentou em uma cadeira e ouviu abafado ele gritar por Stephen. Fechou os olhos e não passou a prestar mais atenção no que estava acontecendo ao seu redor. O vazio começou a tomar conta dos seus pensamentos e imagens desconexas vieram aos seus olhos: Pietro, Visão, Clint, o bebê Pietro, Steve, Sam, T’Challa, Scott, Cassie, Wong, Stephen... quando Stephen apareceu diante dos seus olhos, acordou da cena em que sentia ele acariciando os seus cabelos, na noite em que desabafou sobre o seu irmão.

“Wanda?”, ouviu uma voz familiar chamar por ela. “Wanda?”

Abriu os olhos e viu Stephen diante de si, junto com Wong. Ambos suspiraram quando notaram que tinha acordado. O choro sufocado na sua garganta passou a sair, a vir com tanta força que soluçava sem conseguir explicar o que estava acontecendo.

“Wanda, o que aconteceu? Você precisa me dizer o que aconteceu para podermos ajudar você”, o ouviu dizer.

“Cassie... Cassie... Trem... Choque... Trem...”, falou sem conseguir se expressar corretamente.

“Stephen, eu juro, os olhos dela estavam vermelhos. Muito vermelhos”, Wong disse.

Olhou para as suas mãos e viu o quanto tremia só de pensar na possibilidade de voltar para aquele lugar no meio do oceano.

Não entendeu muito bem o que aconteceu consigo, mas não sabia explicar o apagão que teve. Foi o medo? Foi o seu cérebro finalmente começando a se descontrolar?

“Eu preciso de ajudar”, tornou a chorar desesperada quando abraçou Stephen.

[...]

Loki passou as mãos na cabeça e sabia que tinha exagerado muito no que Wanda deveria sentir quando visse o jornal. Não deveria interferir muito, mas precisava deixar a sua marca nesse momento tão intenso para todos. Finalmente estavam procurando pelos Vingadores.

Os próximos passos do seu plano de juntar os dois seriam mais calculados para que esse desespero todo não acontecesse.

Não entendia muito de política, mas aquele homem laranja viria bem a calhar para o que faria a seguir. Um pequeno gosto de influência e as eleições americanas realmente foram fraudadas, mas por algo que nem mesmo os humanos entenderiam. Donald Trump foi eleito porque ele era um peão muito valioso para os seus planos.

O seu orbe de cristal lhe revelou Wanda dormindo depois que Stephen lhe deu algo para beber junto do chá. Poderia enviar alguns sonhos para ela?

Respirou fundo e se concentrou.

Tocou o orbe e uma névoa esverdeada cobriu o quarto depois que Stephen saiu.

“Vamos logo, vocês dois”, sorriu.

[...]

“O que foi que aconteceu com ela, Wong?”, perguntou se servindo de chá e adoçando-o com mel.

“Ela entrou transtornada na biblioteca, Stephen. Os olhos dela... as írises... completamente vermelhas”, ouviu.

“O que aconteceu para que ela agisse assim?”, indagou. Olhou ao redor e notou Domenico Santoro se esgueirando entre as estantes. Ele deveria ter a idade de Wanda e não sabia a idade dos dois. “Garoto, venha cá!”, falou.

“E-eu não sei de nada, Mestre Strange”, Domenico disse gaguejando.

“O que é isso aí debaixo do seu braço?”

“Ah, isso? É só um jornal, Rodrick esqueceu na mesa depois do café eu recolhi, queria fazer as palavras cruzadas”.

“Ele é britânico, o que fazia com um jornal de Nova York?”, estava começando a perder um pouco da paciência. “Anda, me dê o jornal!”.

Domenico se assustou, então entregou o jornal para Wong. “Isso não é nada bom, Stephen. Você tinha razão”, Wong lhe entregou o jornal.

A foto de Wanda estampando a primeira página estava um pouco borrada, mas ainda era roupa que ela usou no dia em que saiu. Sabia que algo poderia dar errado e estava certo. Nesse caso, odiou estar certo: se veria em problemas com os Vingadores, os Vingadores Secretos e o governo se descobrissem que Wanda estava sob a tutela dele.

“Ela vai ficar bem, Mestre Strange?”, o garoto perguntou.

Olhou direito para Domenico e viu que ele tinha as feições jovens, tão jovem quanto Wanda deveria ser. Não era um menino franzino, mas também não tinha a constituição larga de um guerreiro. Era bom que ele aprendesse logo a se defender com magia pois ele não teria muita chance em um combate corpo a corpo. Wanda não se interessaria por ele.

Acenou afirmativamente para o garoto e viu que ele saiu satisfeito. Saber dessa aproximação toda deles lhe deixou desconfortável.

“Não quero ser incomodado com Wanda, não deixe esse pirralho entrar no meu Sanctum até que eu tente contornar essa situação”, disse.

“Seu Sanctum?”, Wong perguntou em ironia.

“Eu sou o mestre de lá, não? Então é o meu Sanctum. Até depois, Wong, vou pedir pizza”, falou. O seu amigo acenou.

Atravessou a porta para o Sanctum e subiu para o piso superior, precisava conversar com Wanda sobre isso.

Ouviu barulhos estanhos vindo do quarto de Wanda, como se algo estivesse se agitando por muito tempo lá dentro. Se fosse uma situação de vida ou morte, ela teria que estar com a porta aberta. Quando girou a maçaneta, percebeu que ela havia dormido de porta aberta. A cena que viu quando abriu a porta lhe perturbou um pouco.

Havia uma névoa levemente avermelhada ao redor do corpo de Wanda e isso fazia com que ela levitasse da cama. O corpo fino da moça estava suspenso no ar, com alguns objetos circulando ao seu redor, mas a maioria deles eram roupas.

Uma jaqueta de couro vermelha, um sobretudo de couro marrom avermelhado, uma jaqueta preta e tecido barato e uma escova de cabelos velha.

Se aproximou com cuidado do corpo de Wanda e conseguiu trazê-lo para baixo, puxando levemente pelos pulsos, sentando-a na cama encostada na cabeceira. Os objetos pararam de girar no momento em que ela abriu os olhos, assustada. Achou que viu o mesmo que Wong viu, as írises vermelhas da Feiticeira Escarlate.

“Eu vi aquele jornal, Wanda”, disse sem voltas.

“Então sabe que não pode me manter aqui por muito mais tempo”, ela disse.

“Nós vamos dar um jeito”, foi a punica coisa que conseguiu dizer. Precisaria começar a agitar os seus contatos para fazer alguma coisa acontecer. Logo o governo estaria atrás dela. “Com o que você sonhou? Foi algo tão violento assim? Tinham coisas flutuando ao seu redor”, ainda não tinha visto esse tipo de energia.

Os dedos finos e femininos de Wanda brincavam no colo dela, ansiosa. Em um movimento rápido, a mão dela começou a acariciar o seu rosto. “Eu posso mostrar a você”.

Fechou os olhos e se deixou sentir o que ela sentia.

O caos foi a primeira coisa que lhe atingiu. Uma grande onda de energia indomada e escarlate passou ao seu lado e lhe rodeou. Aquilo pareceu reconhecer Stephen como um amigo, não um intruso.

Fechou os olhos novamente e foi transportado para um edifício destruído. Viu nos escombros duas crianças e uma bomba das Indústrias Stark. A ponta do míssil estava a centímetros do rosto da menina. Ela não parava de gritar pelo irmão.

A imagem se desfez em névoa e logo viu que era Sokovia agora, atual. Viu Wanda e um outro garoto, que no fundo percebeu ser Pietro, se alistando para os experimentos de Aprimoramento Humano da HIDRA com a promessa de que serviram ao seu país, sendo transformados em armas.

Viu uma máquina chamada Ultron dizer a Wanda que despedaçaria os Vingadores de dentro para fora.

As imagens passaram e continuaram até o dia em que Sokovia viu uma de suas cidades se desprender do chão. Viu Wanda se apavorar ao lado de um homem que lembrou ser Clint Barton, o Gavião Arqueiro. Ele tentava passar um discurso motivacional dizendo se ela saísse dali seria como uma Vingadora. E ela o fez.

Viu a morte de Pietro Maximoff depois. Ele passou na frente de várias balas que eram lançadas por um jato para salvar o Gavião e um garoto. Sentiu, assim como ela havia sentido, todas as balas perfurarem o corpo do garoto.

Depois viu Lagos, Nigéria. O que aconteceu lá contra um homem que se intitulava Ossos Cruzados. Ele ia detonar uma bomba na cidade e Wanda imobilizou a bomba em um campo de energia e a levitou alto. Não alto o suficiente. A bomba detonou do mesmo modo e matou pessoas em um prédio mesmo o número sendo muito inferior ao que mataria se explodisse no centro da cidade.

Um rosto cor de vinho pareceu. Era alguém chamado Visão, um sintozóide, uma inteligência artificial posta em um corpo bio-mecânico. Ele parecia se importar com Wanda, a tinha como amiga. Ele desejava que o mundo a visse como ele a via: uma boa pessoa, mas que precisava de proteção e cuidados.

Viu a batalha deles no aeroporto, a Guerra Civil como os meios de comunicação tinham apelidado o conflito gerado pelo Acordo de Sokovia. Viu como eles perderam a batalha para que o Capitão América e o tal Soldado Invernal se salvassem para ir para a Sibéria impedir Helmut Zemo.

Se assustou ao ver o que fizeram com ela na RAFT. Viu cada tortura psicológica que ela sofreu. Wanda já estava em uma camisa de força, as torturas daqueles guardas desencadearam as habilidades dela e ela machucou dois homens, deixando-os incapacitados do lado de fora da sua cela. Depois disso lhe colocaram um colar de choques: qualquer tentativa de desencadear a sua energia ou telepatia, ela receberia um choque forte o bastante para lhe desmaiar. Os três homens nas outras celas se desesperaram quando isso aconteceu pela primeira vez. Gritaram, chamaram por Wanda.

As memórias do Capitão América indo resgatá-los com o Rei T’Challa de Wakanda lhe passaram só um pouco de leveza. Viu um incidente com uma pantera negra e um garoto em uma floresta, sentiu como ela sentia a culpa por ter incapacitado o irmão do rei.

“Veja o que eu vi. Sinta o que eu senti, Stephen”, a voz de Wanda falava na sua cabeça.

Ofegante, abriu os olhos e viu o desespero nos olhos de Wanda, o motivo de ter aceitado a sua tutoria. Ela queria se controlar para que não fizesse mal a mais ninguém e não desse mais motivos para que a temessem.

Como mais cedo naquele dia, Wanda se agarrou desesperadamente no seu pescoço em busca de amparo, chorando. Não tinha entendido o que tinha acontecido, mas agora tinha mais informações para trabalhar com ela. Precisava ajudar essa garota e haviam outros meios de ajudar as pessoas. Havia um brilho escarlate na aura dela que lhe prendia, assim como a sua aura azulada fazia com ela e sabia.

Notas finais
Me deixem saber se gostaram ♥