Angel of Light
10 Dez
Notas iniciais
Quando Stephen lhe contou o que tinha acontecido dias atrás, não acreditava que podiam estar realmente na mira do governo americano. Odiava ter que dizer que agora corriam o risco de serem presos porque estavam abrigando uma fugitiva procurada.
Wanda era uma moça que merecia receber ajuda, o Kamar-Taj estava lá para todos aqueles que dele precisassem. A situação era delicada demais para que falasse algo. Uma semana tinha se passado desde o incidente do jornal e Rodrick parecia ter desaparecido.
Nunca pensou que recorreria a meios extremamente ortodoxos em se tratando do direito americano. Daniel, antes de morrer, deixou uma agenda com contatos importantes para o Sanctum: restaurante chinês, um dentista, um escritório de advocacia e uma pessoa que restaurava móveis antigos. Os advogados lhe interessaram mais que tudo.
Quando ligou para lá, descobriu que o escritório não existia mais, mas que um deles ainda estava ativo com aquele número. Tinham marcado um encontro despretensioso em um bar em Hell’s Kitchen, sugestão de uma garota que atendeu o telefone.
Ele estava trinta minutos atrasado. Wong estava começando a perder a paciência quando um rapaz jovem e cego e uma garota bonita e loira se sentaram com ele.
“Sr. Wong, tenho que admitir, o senhor foi persistente ao me contratar”, o homem cego disse.
“Quem é você?”, perguntou.
“Matthew Murdock, advogado. Essa é Karen Paige, ela falou com você ao telefone”, ele falou. “O que o levou a nos procurar?”
“Bom, há uma situação delicada com uma amiga. Ela é muito minha amiga, mas eu gostaria de saber quais as chances reais de ela sair livre disso”, tentou, sendo evasivo, introduzir Wanda à conversa.
“Sr. Wong, do que estamos falando?”, o advogado perguntou.
“Maximoff. Eu quero ajudar Wanda Maximoff. Ela é minha amiga e merece voltar para casa”.
“A Feiticeira Escarlate? Ela realmente está em Nova York?”, a moça chamada Karen perguntou.
“Shh. Eu sei que ela está sendo procurada, mas Wanda é inocente de tudo. Pintam uma imagem completamente deturpada de quem ela é. Ela não é essa pessoa descontrolada que os jornais e Tony Stark adoram dizer que ela é. Wanda é sensível, o meio a afeta mais do que às outras pessoas”, confessou. “Se eles dessem a chance, veriam Wanda como ela realmente é”.
“Não sabemos muito sobre o que realmente aconteceu, sr. Wong. Achei a reportagem do Bulletin bastante tendenciosa. O país apenas sabe que Wanda Maximoff, assim como os seus companheiros e amigos do Capitão América, fugiram de uma prisão de segurança máxima. Se ela está em Nova York e precisa da nossa ajuda, por que ela mesma não nos procurou já que se deu ao luxo de andar a luz do dia até Long Island?”, Matthew Murdock perguntou.
“Dr. Murdock, Wanda guarda um segredo que é muito secreto até para mim, não sei o que ela fez em Long Island, mas garanto que ela precisa de ajuda para continuar mantendo isso. Wanda não sabe que eu o procurei”.
“Como uma fugitiva procurada, Wanda deve ter perdido o seu direito ao visto de permanência. Acho que ela deveria ter um para trabalho ou como refugiada, ela não assinou o Acordo e nem se aposentou. Se eu tivesse acesso aos documentos dela, talvez pudesse ser útil para verificar”.
Algo dentro do seu peito se fez em esperança. “Acho que ela tem tudo isso guardado em alguma pasta aonde está”.
“Bom. Eu preciso desses documentos o quanto antes”, Murdock falou.
“Você vai pegar o caso de Wanda, de verdade?”, se surpreendeu.
“Sim, mesmo que eu não sabia direito em que estou me metendo”, ele se levantou com a ajuda da moça. “Manteremos contato”.
Wong não conseguia acreditar no que estava ouvindo, eles ajudariam Wanda! Stephen não poderia saber, pelo menos não agora. E teria que dar um jeito de arranjar esses documentos de Wanda. Tantas coisas.
Viu o advogado e a moça irem e logo teria que ir também. Stephen não pediu pizza na outra noite e estava com vontade de comer banana e queijo juntos. Assim que atravessou a rua, parou em um restaurante cubano e pediu a sua tão esperada pizza. Dezembro logo chegaria e o frio de Nova York estava começando a incomodá-lo.
Wong desceu até o metrô e seria a hora de chegar em casa com pelo menos uma notícia boa.
[...]
“Aonde eu posso ir para conseguir esses tais papeis da garota?”, Loki se perguntou.
Não, era impossível que as coisas dela estivessem na Torre Stark, aquele prédio feio que lhe serviu bem da última vez. Quando ainda estava sob o disfarce de Odin, Thor chegou a comentar que os Vingadores agora estavam em um complexo no norte do estado de Nova York.
No seu orbe de cristal, colocou todos os dedos sobre ele e imaginou o que seria esse tal complexo. Depois que a névoa se dissipou, viu uma construção com um imenso A em cima.
Típico e cafona.
Agora que já sabia onde isso ficava, poderia ir lá. Se levantou da cama e trancou a sua porta, poderia se demorar não queria que Thor descobrisse que tinha saído.
Se concentrou e logo se percebeu sendo desmaterializando dentro do quarto para se rematerializar dentro de uma sala com sofás. Aquela parte do complexo parecia vazio. Precisava ser rápido e pegar o que era de Wanda.
Andou com pressa e logo descobriu onde ficavam os dormitórios. A porta do quarto de Wanda estava aberta. Bom, supôs que fosse o quarto dela por causa da decoração mais jovial e uma foto com Steve Rogers. She’s beauty, she’s grace, she’s ms. United States.
Não poderia ser visto e precisava fazer silêncio. Havia um criado-mudo ao lado da cama, se ela fosse como a maioria das pessoas na Terra era, ela guardaria documentos ali. Se sentou na cama e revirou a primeira gaveta e nada, só podia estar na segunda gaveta.
Quando abriu, viu um caderno vermelho com uma caneta preta, aquilo parecia ser um diário. Poderia ser importante, depois remexeria. Embaixo dele estava uma pasta com uma letra garranchada dizendo que ali eram os seus documentos da imigração. Bingo!
Havia sido mais fácil do que pensou. Fechou a gaveta com força quando ouviu passos vindo na direção do quarto. Para se rematerializar fora dali, escolheu um local diferente do que pensou em retornar.
Esse banheiro tinha um cheiro estranho, mas era o mais perto que conseguiu chegar do Sanctum já que não poderia se materializar dentro dele. Saiu com as coisas de Wanda já em mãos. Estava a poucos passos do n. 177A de Bleecker Street, precisava ir rápido se quisesse que o tal processo andasse de pressa.
E precisava de usar de toda a sua influência no governo para que tudo isso se desenrolasse.
Ao chegar na porta do Sanctum, passou os dois volumes por baixo da porta da frente e tocou a campainha três vezes. Estava se arriscando demais ao fazer isso e precisava voltar para o apartamento de Selvig mesmo não gostando da ideia.
Observou de longe, mas a porta não se abriu. Tomou isso como se alguém tivesse recolhido o que mandou e só queria verificar em casa para não causar alvoroço, muitas pessoas ainda se lembravam dele ali e se ficasse mais tempo na rua sentia que poderia ser reconhecido.
Uma ponta de orgulho se espalhou pelo seu ser ao passar despercebido tanto no complexo dos Vingadores quanto na porta do Sanctum. Pelo menos não pelas pessoas que estava usando como peões nesse seu lance adorável.
Usou dos seus dons para desaparecer aos poucos e voltar para o seu quarto medíocre.
[...]
Não tinha dúvidas, estava sendo ajudado divinamente e isso o assustava. Não era possível que as coisas que mais precisava tivessem caído de modo certeiro no seu colo. Era uma ajuda divina? Algum ser de outra dimensão precisava ajuda-lo? Não sabia como responder isso.
Wanda e Stephen estavam na cozinha jantando a pizza de banana de tinha comprado e pelo barulho que faziam estavam rindo de alguma coisa estúpida ou piada sem graça que Stephen deve ter feito e ela riu por pena. Eles não notariam a sua ausência, então correu de volta para o Kamar-Taj e escondeu a pasta com os documentos da imigração e um caderno vermelho que, apesar da sua curiosidade, sabia que não deveria nunca abrir. Era confidencial de Wanda e queria que permanecesse assim.
Quando voltou, os dois já estavam sentados perto das relíquias olhando algo no celular que ela tinha como dela. Não era seguro que ela usasse tais objetos mesmo o Sanctum sendo à prova de rastreios: o que entrava e saía não poderia ser rastreado mesmo todos sabendo a localização, era uma loucura ter que explicar essas coisas. Wanda parecia ainda um pouco mexida com o que ocorreu, mas já estava melhor.
“Ela é adorável”, Wanda disse a Stephen. “Wong! Por que demorou? Nós pensamos que você tinha nos deixado aqui”.
“Eu precisei verificar uma coisa na biblioteca, nem demorei tanto assim”, disse. “Quem é adorável?”
“A filha de um amigo, Cassie. Stephen pediu que eu explicasse porque tinha ido a Long Island naquele dia”, foi a única coisa que ela conseguiu dizer.
“Parece que esse homem não tem senso de segurança nenhuma por ter colocado Wanda para vigiar a filha dele enquanto ele permanece em Wakanda”, Stephen comentou rabugento. Não sabia quando ele havia ficado tão ranzinza, mas algo mudou nas últimas semanas.
Todas as vezes que Wanda mencionava um amigo ou era mencionada pelos outros aprendizes, Stephen fazia uma coisa estranha com o nariz, como se desprezasse os rapazes e somente os rapazes.
A tinha visto treinar os seus escudos com Domenico e Stephen ficou um pouco irritado quando ela conseguiu fazer um escudo perfeito na presença do rapaz. Começava a desconfiar que o seu amigo estivesse se sentindo ameaçado, com ciúmes da garota. Riu.
“O que é tão engraçado, Wong?”, Stephen perguntou.
“Apenas me lembrei de uma coisa”, não entregaria o jogo assim, logo de cara.
“Eu ouvi você ouvindo música hoje pela manhã, você tem um bom gosto musical. Não tão bom quanto o de Wong, mas você chega lá”, o humor dele estava estranho. Stephen olhava para Wanda diferente, agora que notou.
“São as minhas músicas favoritas. Eu apelidei de Músicas Que Fazem O Meu Dia Melhor”, Wanda falou e Stephen riu. “É sério, está no meu iPod com esse nome”.
“Busque o seu iPod, vamos todos ouvir a sua seleção porque Wong quase me deprimiu essa semana ouvindo Adele. Hello, it’s me... eu preciso ouvir outras coisas que não sejam alguém sofrendo ou trilhas de filmes do James Bond”, Stephen abriu uma das portas da estante e tirou um adaptador em forma de bola. “Foi uma das únicas coisas que me sobraram, isso e o meu celular. Busque o seu iPod, vamos”.
Wanda se levantou e foi até o seu quarto. Stephen continuou sentado e encostado na estante. De fato, ele parecia muito diferente daquele Stephen que apareceu no Kamar-Taj. Não parecia mais um homem arrogante e estúpido, isso ainda fazia parte dele, mas eram em partes menores do imaginava e isso era tão bom.
Quando Wanda voltou, notou que ela também estava diferente depois dessas semanas todas lá. Mesmo com todos os acontecidos, a sua capa de jornal, o fato de que ela deixou Stephen entrar na sua cabeça, ela parecia um pouco mais animada essa noite.
Os dois juntos... parecia tão certo. Viu os dois olhando para a tela do iPod e logo imaginou que os seus amigos formavam um belo casal. Se pegou torcendo para que eles formassem um casal logo de uma vez porque eles dois juntos ficavam tão bonitos quanto um retrato antigo. Sorriu com isso.
Wanda colocou o iPod e ouviu a primeira música com eles, uma balada mais metálica, algo interdimensional, voz potente. Tinha de tudo naquela lista e as músicas se completavam assim como pareciam completar as personalidades de Wanda e Stephen.
Touching the flames tonight... every heartbreak makes it hard to keep the faith… I’m gonna swallow my tears… Am I better off in chains?... I’m the only one who’s gonna save your life… I’m on my knees, I’m waiting for a sign, forever, whatever, I never wanna die.
Como estava no modo aleatório, a próxima música parecia tão lenta e sentimental, parecia ser feita sobre eles e para eles. O modo como a voz masculina cantava para dizer que queria dividir a dor da moça em questão e o modo como ela respondia a isso parecia demais com as interações que estava tendo, o modo como estavam se comportando um com o outro, o ciúme dele para com ela. Alguma coisa ela tinha mudado em Stephen ou Stephen tinha mudado porque conheceu Wanda.
Eles se balançavam poeticamente, sentindo a música e o som das cordas das guitarras. Viu os dois se aproximarem, os rostos se tocarem, os corpos se aconchegarem em um abraço lá pelo fim da música. Pareciam que estavam sozinhos ali, como se nada mais importasse e só existissem os dois no cômodo. Achou estranhamente bonito esse momento dos dois.
Viu acontecer a poucos metros de si o primeiro beijo deles e nem tinha certeza se eles estavam prontos para isso. Foi bonito ver essa cena.
Saiu sem ser notado porque sabia que eles não se dariam ao luxo de interromper aquele momento.
[...]
Loki precisou de alguns segundos para se recompor, eles finalmente tinham se beijado e não havia sido por sua influência!
Respirou fundo e estava confiante sobre os próximos passos do seu plano de ter de volta as suas Joias do Infinito através dos filhos do Doutor Estranho e da Feiticeira Escarlate.
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