Angel

1 Prólogo - Uma história de nove anos atrás


Notas iniciais
Oi para todos, aqui é a Darky. :D Antes de mais nada, gostaria de avisar que é essa é a minha primeira fanfic postada. Espero do fundo do coração que todos gostem, pois ainda tenho muito a aprender. e.....e Esse primeiro capítulo ficou pode ter ficado meio longo, eu sei. Mas foi necessário, juro. >.>

6º Laboratório – Noite.

- Yu! Yu!! Um anjo, eu vi um anjo!! – Alma Karma veio correndo em sua direção aos gritos.

Como isso o irritava. Nunca conseguia paz naquele lugar, Alma era sempre barulhento demais.

— Cala a boca, idiota! Não vê que estou tentando ler? – Yu Kanda reclamou sem dar atenção ao que Alma acabara de dizer.

Normalmente, Alma pularia no pescoço de Kanda, mas não desta vez. Seu entusiasmo era tamanho, que as palavras de Kanda não seriam capazes de abalá-lo. Alma parou diante de Kanda, que estava sentado em seu leito com um livro qualquer sobre o colo. Não pensou duas vezes antes de arrancar o livro das mãos do companheiro e correr para fora da sala de observação que lhes servia de dormitório.

— Não vou te devolver enquanto não vier comigo! – se afastou, mas uma vez aos gritos. – Você precisa ver isso!

Kanda ficou parado, perplexo demais para reagir de imediato. Porém não demorou muito para uma veia saltar em sua testa e ele começar a correr atrás de Alma.

— ALMA, SEU MISERÁVEL! – vociferou a plenos pulmões. – A HORA EM QUE EU TE ALCANÇAR, EU TE MATO!!

— Pois estou esperando! Como você é lento, Yu! – e riu abertamente, virando um corredor.

~~~

- Dr. Edgar, o senhor nunca me disse que havia outra criança por aqui... – a menina comentou como se não fosse grande coisa, enquanto tocava uma linda melodia em um piano antigo.

Edgar Chang Martin, Assistente Chefe do 6º Laboratório do Centro de Pesquisas do Setor Asiático da Ordem Negra, um homem jovem, de 43 anos, não muito alto, e de cabelos claros. Fora encarregado de observar a menina diante dele, e, por esse motivo, se encontrava na sala de recreação do edifício que chamavam de “Torre”, um anexo do 6º Laboratório.

O que a menina disse lhe pegou de surpresa.

- Por que diz isso? – perguntou com um sorriso tranqüilo.

- Porque vi um menino pela janela alguns minutos antes de o senhor chegar. – ela respondeu. – Mas quando olhei para ele, ele simplesmente saiu correndo. Fico imaginando se ele se assustou... O senhor sabe quem ele é?

- A-ahn... Me diga, como ele era? – Edgar já imaginava qual seria a resposta.

- Ele parecia ter a minha idade.. Tinha cabelos curtos e uma cicatriz bem aqui. – nesse instante, a menina parou de tocar, apontando para o próprio nariz.

Edgar suspirou, levantando-se da cadeira na qual estava sentado.

- Bom, ele é parte de uma experiência importante para a Ordem. – explicou vagamente.

- Uma experiência? Como eu?

A inocência na voz da menina fez com que o sorriso do Assistente Chefe, uma vez tranqüilo, se tornasse um sorriso inundado em tristeza. Ele atravessou a sala, tomando cuidado para não pisar nos brinquedos e livros espalhados pelo chão, e se abaixou ao lado da menina.

- Não, não como você... – meneou a cabeça, tocando-lhe o rosto.

A menina franziu as sobrancelhas, sem entender o que Edgar queria dizer. No entanto, entender não era prioridade para ela naquele instante. Tudo que ela queria era saber se poderia ver o menino novamente, seria legal fazer um amigo naquele lugar tão solitário que era a Torre.

- Dr. Edgar... Ele pode ser meu amigo?

O sorriso do homem esmoreceu em seu rosto, e ele retraiu a mão, sem saber como responder.

- Lamento... Não vou poder deixar que ele volte a aparecer aqui.

A declaração deixou a menina subitamente decepcionada.

- Mas... Por quê..? – ela perguntou chorosa, baixando os olhos em seguida.

- Sei que se sente sozinha e que seria ótimo ter a companhia de outra criança para brincar com você. Se dependesse de mim, deixaria vocês serem amigos com prazer. – Edgar tentou justificar. – Só que eu recebo ordens, e há uma guerra fora de todas essas paredes. É nosso dever, como parte da Ordem, salvar a humanidade. Procure entender, ok? Apenas finja que nunca o viu, esqueça essa história.

- Sim, senhor, Dr. Edgar... – concordou evidentemente triste. Não adiantava discutir ou retrucar, não dentro da Ordem. Afinal, ela não tinha voz lá dentro. Era apenas um instrumento naquela guerra santa.

Até que seus pensamentos e os de Edgar foram prontamente interrompidos quando, do golem deste, uma voz feminina surgiu autoritária.

- Edgar, ainda está na Torre? Desça, precisamos conversar sobre o Projeto dos Segundos Exorcistas.

- A-ah... Tudo bem, Twi. Já estou indo... – Edgar se levantou e fez menção de sair da sala de recreação.

Deu uma última olhada na menina antes de abrir a porta, ela voltara a tocar seu piano.

- Perdão, você não deveria passar por isso... – murmurou quase envergonhado.

- Não se preocupe, Dr. Edgar. – a menina o tranqüilizou, mas ainda estava visivelmente chateada. – Melhor ir logo. A Dra. Twi está esperando, não? Vai acabar deixando-a zangada.

Sem ter mais nada a dizer, Edgar saiu, passando uma das mãos no rosto. Cortava-lhe o coração vê-la daquele jeito, por mais que não pudesse se apegar àquela menina. Porém não se permitiu ficar se lamentando. Ainda tinha que pensar em como conversar com Alma sobre ir à Torre.

~~~

- Venha, Yu, é por aqui! – Alma guiava Kanda pelos corredores, sacudindo seu livro para incitá-lo a persegui-lo.

- Devolva logo essa porcaria de livro! Vai se arrepender se eu for aí pegá-lo à força! – Kanda ameaçou furioso.

- Mas garanto que não vai se arrepender do que eu tenho para mostrar! – o outro desconversou. – Vem logo, falta pouco!

- Tsc! O que quer me mostrar, afinal, droga?!

- Já disse, é um anjo!

- Anjos não existem, idiota!

- É claro que existem, você vai ver.

Os meninos correram sem parar por lugares que Kanda nunca vira antes, de tão escondidos que os diversos acessos a eles se encontravam. Subiram escadas das mais variadas, entraram nas mais diversas portas e acabaram por entrar em um novo conjunto de corredores.

- É aqui. – Alma anunciou, parando de correr aos poucos.

Kanda parou ao seu lado, olhando em volta, ambos completamente ofegantes. O menino mal-humorado aproveitou a pausa para puxar de volta o livro que lhe fora tomado, socando o braço de Alma com força como castigo.

- Ai! Pra que isso?! – Alma exclamou, coçando o braço dolorido.

- E é bom que não esteja mentindo. Pois se estiver, juro que você não sai daqui com apenas um soco. Eu te arrebento!

- Ora, mas não estou mentindo! – Alma resmungou e começou a andar. – Apenas venha.

Kanda obedeceu de cara amarrada.

Andavam pelos corredores de pedra observando os arredores. Aquele novo lugar era completamente estranho para Kanda, que estava acostumado ao 6º Laboratório. Não que o cenário fosse muito diferente lá em cima. Mas o lugar era um vazio só, pra onde quer que olhassem. Talvez por todos os funcionários daquela área estarem dormindo.

- Como foi que encontrou esse lugar? – Kanda perguntou desconfiado. – Não há nada por aqui.

- Ah, às vezes eu gosto de explorar o Laboratório e encontrar novas salas. Encontrei essa ala por acaso, em uma de minhas explorações. – explicou com um sorriso triunfante no rosto.

- Tsc. Tenho a impressão de que não devíamos estar aqui, isso sim.

- Está vendo alguém por aqui? Ninguém vai nos ver.

Precisavam virar apenas mais dois corredores, e finalmente chegariam ao local onde Alma vira o tal anjo. Aos poucos, uma música chegou aos ouvidos de Kanda. Uma melodia tão bela quanto triste, tocada em um piano, cujo volume aumentava a cada passo dos dois. Por alguma razão, soube que chegara.

Ao fim do último corredor, uma enorme janela de vidro se destacava, com uma porta de trava automática desproporcionalmente pequena ao seu lado.

A música que vinha da misteriosa sala pareceu envolver Kanda, como se esta lhe trouxesse alguma nostálgica lembrança de uma época já esquecida. Pela primeira vez desde que se pôs a seguir Alma, sentiu-se tomar de uma curiosidade quase palpável.

Os dois se aproximaram com cautela, pelo canto direito do corredor. E quando só lhes faltava alguns passos, Kanda pôde ver Alma levar o dedo indicador aos lábios, pedindo silêncio. Em seguida, apontou para o interior do vidro, esperando para ver qual seria a reação do companheiro.

Kanda viu uma sala branca e ampla, cheia de estantes abarrotadas de livros coloridos, arcas abertas com brinquedos de todos os tipos, jogos de tabuleiro e muitas outras atividades que o menino desconhecia. Bem no centro da sala, contudo, havia um piano de cauda escuro, de aparência bem antiga, mas muito bem preservado. Então o menino não conseguiu olhar para mais nada.

Pois assim que os olhos de Kanda se fixaram em quem estava sentado ao piano, tudo ao redor se tornou irrelevante. A imagem diante dele era tudo que importava naquele momento.

Uma menina, aproximadamente de seu tamanho, sentada ao piano. Sua pele era alva e delicada, quase como se fosse feita de porcelana. Seus cabelos eram tão longos que deviam bater em suas coxas se ela estivesse de pé. Além de longos, eram também ondulados até as pontas, e de um louro tão claro que quase se aproximavam do branco. Usava um vestido azul-claro de alças e costas abertas, que chegava até pouco abaixo dos joelhos.

Entretanto, o que realmente chamava atenção na menina era o par de asas que despontava de suas costas e descia graciosamente por estas, provando que Alma dissera a mais pura verdade. Tratava-se de um anjo, de fato.

Alma sorriu satisfeito ao ver Kanda de sobrancelhas erguidas e boca aberta. Nunca vira aquela expressão, desde o dia em que o companheiro acordara até aquele instante. De certa maneira, Alma se sentiu recompensado.

- Surpreso? – ele sussurrou. – Eu disse que anjos existiam.

Mas Kanda não respondeu, ainda extasiado com a nova descoberta. Não conseguia acreditar no que seus olhos viam e, de repente, sentiu a urgente vontade de provar a si mesmo que aquilo não era mero sonho. Então, sem reparar, Kanda largou seu livro, que atingiu o chão com um baque surdo. Com um passo incerto para o lado, ele tocou o vidro da janela com as mãos, a fim de ver mais de perto a menina-anjo.

- E-ei, Yu! O que pensa que está...? – Alma chamou num cicio, preocupado com o que seu companheiro pretendia fazer. Kanda se colou à janela, olhando insistentemente para o lado de dentro. – Yu! Sai daí, você vai assustá-la!

Foi quando a música parou.

- Droga, Yu! Ela vai te ver! – Alma disse entre dentes.

- Não importa, quero vê-la de perto. – retrucou sem se abalar.

A menina ergueu os olhos, curiosa. Kanda, por sua vez, teve a impressão de se perder na imensidão dos orbes azuis que o fitavam tão intensamente. Sentiu o coração acelerar no peito, algo completamente diferente de tudo que já havia sentido antes.

- Ela... é linda... – murmurou para ninguém em especial.

A menina se levantou cauta, o olhar ainda fixo em Kanda. Caminhou pela sala a passos lentos e contidos na direção dele. Cada centímetro de distância que a menina eliminava entre os dois fazia o coração de Kanda pular no peito, de forma que, quando ela finalmente parou perante ele, respirar se tornara muito difícil.

Logo, a única coisa que os separava era o vidro grosso da janela.

A menina tocou o vidro com suas mãos pequenas onde as mãos de Kanda repousavam do lado oposto. Era ainda mais bela vista de perto.

Ficaram se olhando daquele jeito por um longo minuto, como se estivessem estudando-se com interesse. Contudo, antes que pudessem dizer ou fazer qualquer coisa, uma voz familiar surpreendeu a todos.

- Alma! Sabia que voltaria pra cá e traria Yu com você. – Edgar vinha pelo corredor a passos largos. – Vocês não deveriam estar aqui em cima, sabiam? E mais, deveriam estar descansando na sala de observação, não sumam desse jeito! Vamos. Descendo, os dois...

Não era exatamente uma bronca e Edgar não estava alterado, mas os meninos entendiam muito bem o que ele queria dizer com o “vocês não deveriam estar aqui”, devido ao seu tom sugestivo. Significava que, uma vez eles descessem, não lhes seria mais permitido que fossem ver o anjo que descobriram.

- Mas, Edgar... Nós encontramos um anjo! – ele proclamou, dando um passo à frente.

Kanda se virou de lado, apenas para ver a chegada de Edgar. Mesmo assim, não se afastou do vidro por um segundo sequer, e quando ouviu a ordem para descer, uniu as sobrancelhas numa expressão severa.

- Posso ver isso, Alma. – Edgar disse. – E a Dra. Twi não ficará nada feliz se souber.

- P-por que não? – Alma perguntou temeroso.

Edgar respirou fundo e se aproximou dos dois meninos. Tocou os dois em suas costas e os instigou a começarem a andar.

- Porque vocês dois são proibidos de virem aqui. E, francamente, não sei como você conseguiu chegar aqui sozinho, Alma. – ele disse. – Só que não é hora, nem lugar, para explicar isso. Vamos logo.

- Não.

Edgar parou e Alma olhou para Kanda, ambos confusos.

- Como assim, “não”? – Edgar perguntou.

Kanda se desvencilhou do Assistente Chefe e voltou a encostar-se ao vidro.

- E ela? Ela fica sozinha nessa torre todo o tempo? – Kanda objetou de maneira repreensiva. – Eu não quero ir embora. Quero ficar aqui com ela mais um pouco.

Dentro da sala, a menina assistia preocupada à situação.

- Yu, eu já disse que vocês estão proibidos de... – Edgar começou.

- Não me importa. – Kanda o interrompeu abruptamente.

Edgar ergueu as sobrancelhas, perturbado com a resposta repentina de Kanda.

- Por mais que Alma seja irritante e fale tanto que eu prefira não prestar atenção no que ele diz, uma vez ele me disse algo que não pude ignorar. – disse Kanda.

- E-ei! – Alma reclamou.

- Ele disse que se sentia sozinho. – Kanda prosseguiu. – E isso o deixava triste. Bem ou mal, quando eu acordei, passei a fazer companhia a ele. Sei que ele não se sente sozinho como antes.

- Yu... – Alma murmurou, emocionado.

Um silêncio pesado se fez entre Edgar e Alma. Kanda voltou a falar.

- Mas e ela? Como ela fica? – Kanda apontou. – Aposto que ela também se sente sozinha nesse lugar horrível!

Kanda então se calou, sentindo uma profunda raiva que não entendia. Acabara de conhecer aquela menina, e sequer sabia seu nome. Porém, ela o fascinara de tal maneira, que simplesmente não podia deixá-la naquele lugar. Reconhecera na profundidade de seus olhos uma súplica por socorro tão latente que não conseguia deixar de lado.

Edgar massageou as têmporas, parando para pensar no que Kanda acabara de dizer. Ele sabia melhor do que ninguém que o menino tinha razão. Mas como desobedecer as ordens de seus superiores? Sentia um cansaço inexplicável e não tinha a menor vontade de discutir com Kanda ali. Olhou para a menina por um instante, buscando uma solução para o problema. Ela parecia agitada do lado de dentro.

Com um sonoro suspiro, Edgar abaixou-se para ficar da altura de Kanda.

- Escute, Yu. Está tarde, e estou muito cansado. Vocês também devem estar. Amanhã terão um dia cheio pela frente com a sincronização de vocês. Não há como resolver nada a uma hora dessas, compreende? – Edgar tentou ser o mais persuasivo possível. – Mas se você for um bom menino e colaborar comigo agora, posso lhe garantir que darei um jeito de deixar o acesso de vocês a esse lugar livre. Posso falar com a Dr. Twi amanhã, que tal?

Kanda estudou Edgar de cima a baixo um tanto ressabiado.

- Quando você diz “colaborar”, você quer dizer “obedecer”, não é? – o menino perguntou.

- Apenas até eu conseguir falar com Twi, sim.

- Hm... – Kanda ponderou por um segundo, não tinha muitas opções, de qualquer forma. – Acho que terei que confiar em você...

Edgar abriu um sorriso de alívio e se levantou.

- Ótimo. Obrigado, Yu... Agora podemos descer?

Kanda virou-se para a menina na janela.

- Preciso fazer uma última coisa antes de ir. Podem descer, em um minuto alcanço vocês.

O menino colou o rosto ao vidro. Aparentemente, a menina nada estava entendendo. Edgar tocou o ombro de Alma e o guiou pelo caminho de volta. Alma andou obedientemente, acenando para menina.

- Ei... – Kanda a chamou baixinho, sentindo-se mais calmo. – Agora vai dar tudo certo. Você não precisará se sentir sozinha nunca mais. Eu tenho que ir agora, mas, acredite, irei voltar para te ver. Nem que seja escondido. Irei voltar e assistir você tocar piano, pode ser?

A menina-anjo leu os lábios de Kanda sem muitas dificuldades, mas mal pôde acreditar no que ele dissera. Quase sem perceber, seu rosto infantil e inocente se iluminou num largo sorriso que fez as maçãs do rosto de Kanda esquentarem de tão espontânea que a menina era. Ela assentiu energicamente em resposta.

- Obrigada. – disse devagar para que Kanda entendesse.

- Não agradeça... Apenas me diga seu nome antes de eu ir embora.

- Meu nome é Fleur. – ela respondeu serena. – Fleur D’Vie.

Notas finais
Bom, esse foi o prólogo, haha. O início de um lindo romance OCxYU - ou não, rs. Me digam o que vocês acharam desse início, seria de grande ajuda. :) Beijos à todos, Darky desliga.