Anel Dos Seis
5 Capítulo 4
Notas iniciais
Eu já tinha o capítulo pronto, mas a menina que faz revisão para mim, demorou e eu resolvi postar assim msm. Espero que gostem.
“Então, eles são uns gatos?”
Demétria riu do outro da linha e eu balancei a cabeça. Até hoje eu me pergunto onde eu estava com a cabeça quando resolver ser amiga dessa coisa. De uma conversa inteira de uma hora, ela só escutou a parte que eu falava que os garotos Glen são de cair o queixo. Passei o dedo pela ponte do meu nariz e fechei os olhos, tentando ter paciência.
“Sim, Demétria.”, eu segurei um bufo. “Eles são mais que gatos. Parecem Deuses.”, pausei lembrando do corpo de Rafael, Gustavo e Felipe. “Mais que isso. Anjos”
“Já ficou com algum deles?”, Demétria perguntou, me ignorando. Balancei a cabeça novamente, dessa vez para afastar as imagens de minha mente. “Pelo silêncio, só posso presumir que sim.”, ela riu.
Se eu pudesse corar, estaria mais que vermelha.
“Não, Demétria.”, bufei. “Cheguei ontem, pelo amor de Deus. Além disso, se fosse para ficar com algum deles, eu não sei quem escolheria. Rafael é um gato, mas um chato. Então, ele estaria cortado da lista. O Gustavo tem um corpo de Deus e lindos olhos azuis. Você sabe que...”
“Que você não resisti a um belo par de olhos azuis”, Demi terminou.
“Sim, sim, você sabe”, eu ri. “E ainda tem os cabelos mais escuros que eu já vi na vida. E cacheados. Parece cabelos de anjos”
“O anjo pecador”, minha amiga soltou a sua centésima gargalhada. Dessa vez eu a acompanhei. Eu sentia saudades daquela maluca. “E o outro? O terceiro Glen Gostoso?”
“Felipe é...”, pausei me lembrando da cena que tinha acontecido no quintal. O jeito como Felipe me olhou e disse que conversaríamos mais. E me chamou de guardiã. Eu não era guardiã de nada. Afinal de contas, não tinha nada de importante para guardar além da minha virgindade. “Felipe também tem um corpo de morrer. Só que é loiro e tem olhos verdes.”, suspirei.
“Pensei que estivesse cansada de loiros dos olhos verdes.”, Demi me lembrou.
“Eu também pensei”, soltei. “Mas ele é diferente. Não estou dizendo na personalidade. Afinal, não o conheço o suficiente. Só que... o jeito como ele me olha. É como se estivesse esperando alguma coisa”
Me sentei na cama, olhando para a janela. Felipe não estava ali, mas os outros Glen ainda estavam se divertindo a beira da piscina. Sorri ao ver como eles eram auto suficiente e me perguntei onde estaria o sexto Glen. Nem percebi que estava sussurrando, só quando limpei a garganta. Pisquei com força, me levantando.
“Ele deve estar esperando você tirar a roupa para ele”, Demétria fez a sua décima piada. Revirei os olhos e soltei um riso irônico. “Sabe, seu senso de humor é uma merda. Mas, eu nunca te imaginei assim.”
“Assim como?”, perguntei. “Séria?”
“Não”, ela bufou. “Bígama”
“Vai se...”, pausei na hora certa e minha amiga riu. Só então eu percebi o quão estava com saudade dela. Eu ri. Estava sozinha e nem sabia. Minha mãe estava tão concentrada no novo namorado que não tínhamos uma boa conversa a um longo tempo. “Queria que você estivesse aqui.”, disse com sinceridade.
Demétria suspirou.
“Eu também queria estar aí, amiga.”, sua voz parecia mais baixa e mais rouca. “Essas vão ser as férias mais chatas de todas. Sua mãe bem que poderia ter deixado você aqui em casa. Mas não. Ela tinha que querer que você conhecesse a família do namorado dela. Estou feliz por ela, só que ela poderia ficar feliz com você aqui. Se bem...”, ela pausou. Eu fiz uma careta. Sabia que não viria coisa boa. “Se você tivesse ficado aqui, não iria conhecer esse três Deuses Gregos.”
Eu sorri e assenti, esquecendo por um momento que Demétria não poderia ver. Ficamos conversando por mais alguns minutos e quando fomos desligar, tive que segurar as minhas lágrimas. Não comentei nada sobre Felipe ter me chamado de guardiã, caso contrário Demétria o chamaria de maluco e diria para ficar com Gustavo. Sem saber, nem ver. Demétria era assim. E mesmo não gostando daquilo nela, ela era a minha amiga.
Quando desliguei, fui tomar banho e me arrumei. Pus uma camisa do FF e short jeans escuros. Deixei o meu cabelo solto e fiz a maquiagem básica. Escutei o senhor perfeito anunciando o almoço e rolei os olhos. Parei na janela e vendo todos os Glen saindo da piscina e indo na direção da sala de jantar. Os filhos perfeitos. Menos um.
Rocky Days e sua queda por bad boy.
Balançando a cabeça, desci as escadas e parei na sala de jantar. Minha mãe e Leonardo estava abraçados na mesa e eu tive que segurar um sorriso. Tinha esquecido o modo como os olhos escuros de minha mãe brilhavam quando ela estava feliz. E como ela ficava linda quando estava arrumada. Leonardo a olhava como se ela fosse a mulher mais linda do mundo. E naquele momento, tive que dar o braço a torcer e concordar.
“Eles ficam bem juntos, não é?”
Tomei um susto e segurei um grito quando escutei a voz de Felipe atrás de mim. Me virei, encarando aquelas duas esmeraldas que eram os seus olhos. Meu coração estava disparado, mas eu sentia que era pelos motivos errados. Voltei a olhar para a mesa, vendo que todos os outros Glen já sentados a mesa, assim como a comida já estava posta. Eles realmente estavam esperando apenas nós dois?
“Faz muito tempo que eu não vejo minha mãe assim, desde que meu pai a deixou”, divaguei comigo mesma, tendo consciência que Felipe estava escutando. Sentia a sua presença masculina atrás de mim. “Ele foi um belo filho da mãe, mas fazer o que? Diz ele que encontrou a mulher dele. Então, que seja”
“Você não acredita que ele possa estar falando a verdade e ter encontrado a mulher da vida dele?”, Felipe perguntou. Neguei com a cabeça. Felipe manteve os olhos em mim por um segundo, até que voltou a encarar a cena a nossa frente. “Sabe, depois que minha mãe morreu, pensei que meu pai nunca mais voltaria a ser o mesmo. Mas, desde que ele conheceu a sua mãe...”, ele deu um sorriso enigmático. “Ele parece o mesmo de dois anos atrás.”
Continuei olhando para Felipe por um segundo. Fechei os olhos e sorri. Minha mãe estava tão feliz que mais uma vez, me senti egoísta em ter querido estragar aquela felicidade. Abri os meus olhos e me peguei encarando os olhos verdes de Felipe mais uma vez. Ele sorriu e meu sorriso aumentou.
“Melhor nós irmos.”, ele disse passando a mão pelos cabelos loiros. “Meu pai só começa a comer quando todos os filhos estão na mesa.”, ele fez uma careta e eu ri. “Não ria. Isso é tipo uma tradição desde que minha mãe morreu.”, ele abaixou os olhos.
“Então vamos.”, eu pus uma mão em seu ombro e não pude deixar de sentir a eletricidade passando por minhas veias, parecendo me acordar de um longo sonho.
Sentamos a mesa e minha mãe sorriu ao me ver. Felipe se sentou entre Gustavo e Sophie. Com espanto, notei que era por ordem de idade e parei. A única cadeira livre era do lado de Leonardo e de minha mãe. Rita sorriu e apontou com a cabeça para a cadeira ao seu lado. Bufei e me arrastei até ela. Começamos a comer. Tudo estava em silêncio, até que Leonardo limpou a garganta.
“Queremos dizer uma coisa”, ele disse e olhou para todos os filhos, inclusive para mim que estava com o garfo a meio caminho da minha boca. Parei. “Eu e Rita vamos viajar.”
O garfo caiu de minha mão fazendo barulho, mas ninguém pareceu prestar atenção em mim, nem minha própria mãe. Minha boca pendeu aberta e os olhos arregalados. Meu sangue começou a esquentar. Pelo canto do olho, vi Felipe mexendo a cabeça, como se pedisse para eu não fazer o que eu estava pronta para fazer. Ele nem sabia o que eu iria fazer.
“Conversamos ontem e achamos bom sairmos para nos conhecer melhor”, ele sorriu e pegou a mão de minha mãe. O sangue ferveu mais ainda. “Claro que vamos deixar todos vocês sob a supervisão de Rafael e espero que não aprontei muito com o seu irmão...”
É, eu tinha ficado invisível. Mas não por muito tempo.
“Você é louca?”, eu ralhei para minha mãe.
Parecendo se lembrar que colocou uma das pessoas que estavam sentadas na mesa no mundo, minha mãe me olhou. Seus olhos estavam negros como a noite e sérios. Mas isso não me deixou menos corajosa. Ou menos raivosa. Felipe deu um tapa na própria testa e os outros Glen me observaram com cuidado, como se nunca tivessem visto alguém fazendo aquilo na vida.
“Rocky Days.”, Rita disse com a mandíbula cerrada. “Veja o jeito que você fala comigo”
“Você quer me deixar com um bando de desconhecidos e ainda reclama que eu te chame de louca? Pedir demais, não é, Rita?”, ela estreitou os olhos com as minhas palavras e eu ri. “Então é isso? Esse era o seu plano desde o início? Me largar com os filhos do seu namorado e ir viajar sem sentir culpa?”
“Claro que não, Rocky”, Leonardo se meteu. “Decidimos ontem”
“Estou falando com a minha mãe, se me der licença.”, disse vendo seu rosto ficar em um tom roseado. Minha mãe manteve os olhos fixos em mim, de raiva. Éramos duas. “Se a sua intenção era essa, querida mãe, por que não me largou com o meu pai? Tenho certeza que ele não me deixaria na responsabilidade de um bando de adolescentes para viajar com a mulher dele.”
Vi os olhos de minha mãe se abaixando, desarmada. Ela sabia que eu tinha razão.
“Agora escute aqui, mocinha”, desviei os olhos de minha mãe culpada e encarei Leonardo, que tinha o rosto totalmente vermelho. “Não vou permitir que fale com Rita assim na minha frente.”, ele disse com os olhos claros estreitos. Eu abri a boca para dizer algo, mas ele me cortou. “Você não passa de uma menina de 16 anos, mimada. E se não percebeu, meus filhos tem maturidade o suficiente para cuidarem um do outro. Na verdade, acho que Marie deve ter mais maturidade do que você”
Minha boca pendeu aberta e meus olhos arderam. Que era ele para dizer uma coisa dessas para mim? Meu estômago deu voltas. Foi como se um tijolo caísse nele. Comecei a transpirar e minha respiração saiu do ritmo. Olhei para os filhos Glen que me olhavam como se eu fosse uma aberração de circo. Felipe balançou a cabeça. Aurora tinha um pequeno sorriso nos lábios. Não aguentando, me levantei com raiva e constrangimento.
“Ótima viagem para você, mãe.”, eu disse distorcendo a última palavra. Olhei para o Senhor Perfeito. “Espero que o avião caia.”
“Volte aqui, Rocky”, Leonardo gritou quando eu estava a beira da escada.
Parei e o olhei.
“Você não é o meu pai”, virei as costas e continuei subindo as escadas.
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Dormi como uma pedra e não desci nem para a janta. Se fossem esperar para que todos estivessem na mesa, morreria de fome. Acordei com o bagulho das rodinhas de mala e nem precisei pensar muito para saber o que era. Eram as malas do Senhor Perfeito e da Senhora Abandonadora de Filhas. Revirei os olhos e fui tomar banho e fazer minha higiene matinal.
Abri a porta algum tempo depois, percebendo a ausência do barulho no segundo andar. Não escutei Felipe entrando nem saindo do nosso quarto. Cheguei na ponta da escada e os vi. Leonardo e Rita estavam abraçando os filhos Glen, rindo. Senti um aperto em meu estômago. Minha própria mãe nem tinha ido se despedir de mim.
Ela olhou para cima, parecendo sentir o meu olhar e fixos os olhos escuros em mim. Sustentei o olhar por um longo tempo, até que Leonardo, percebendo isso, pôs o braço em volta dos ombros de minha mãe e a puxou em direção a saída.
Vagabundo.
“Parece que tem alguém aqui com ciúmes”
Revirei os olhos ao escutar a voz de Felipe antes dele parar ao meu lado.
“É, seu pai pode ser bem ciumento quando quer”, eu disse sem tirar os olhos da cena a minha frente. Rafael e Gustavo foram com eles até o carro, levando as malas. Felipe se manteve ao meu lado, também olhando. Ele riu da minha piada e pôs as costas do encosto da escada.
“Você sabe que eu não estava falando do meu pai”, ele disse sério. Eu revirei os olhos. “Não revire os olhos para mim, Rocky.”
“Ou você vai me bater, Christian Grey?”, eu disse citando o livro que tinha dado a minha mãe de natal. Senti meu rosto se esquentando ao lembrar do conteúdo. Felipe riu de novo.
“Está sabendo bastante para ler esse livro”, ele gracejou.
O empurrei, escutando o doce som do seu riso.
“Oh, cale a boca.”, ri de volta.
Ele parou de rir, me olhando como se eu fosse a coisa mais fascinante do mundo.
“Já disseram que você é linda quando ri?”, ele perguntou.
“E já te disseram que você é um ótimo mentiroso?”, eu retruquei.
Felipe levantou uma sobrancelha e deu um meio sorriso cheio de mistérios. Por um segundo, me senti tentada a perguntá-lo o porque dele ter me chamado de guardiã. Mas, vendo aquele olhar, me perguntei se realmente iria gostar da resposta. Não. Poderia esperar um pouco. Afinal, estaríamos ali por um bom tempo.
“Eu sou um ótimo mentiroso, Rocky. Faz parte da minha essência e da minha sobrevivência.”, ele assentiu consigo mesmo enquanto eu ficava cada vez mais confusa. Abri a boca para perguntar o que ele quis dizer com isso, mas ele me interrompeu. Era mania daquela família? “Que tal sairmos hoje a noite? Você precisa tomar um ar e eu quero me divertir.”
“Sair com você?”, repeti a pergunta pensando se tinha ouvido errado.
“É.”, ele assentiu e se aproximou. Instintivamente fui para trás. “Mas, ninguém pode saber”, ele olhou para baixo. Eu acompanhei o seu olhar e vi que os irmãos Glen tinham sumido. “Não comente sobre isso com eles. Ah, me espere bater na sua porta”
Ele começou a descer as escadas. Eu desci atrás dele.
“E para onde vamos?”, eu sussurrei.
“Espere e verá, Guardiã”, ele riu e continuou descendo.
Eu fiquei congelada.
Novamente ele me denominou como Guardião. Mas Guardiã de que?
Notas finais
E quando ela irá perceber o mistério sobre o anel? Ainda vou escrever o próximo capítulo, mas prometo não demorar.
Beijos, comentem.
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