Notas iniciais
Novo capítulo, queridos. Aproveitem *----*

Eu fiquei o dia inteiro observando cada movimento de Felipe. Ele nem me deu um segundo olhar desde que me chamou para sair. Talvez fosse alguma brincadeira sem graça dele, mas ao longo da tarde, eu notei outros olhares na minha direção. Os cinco irmãos de Felipe olhavam para mim, como se esperassem que desse um surto a qualquer segundo. Eu esperava dar um surto a qualquer segundo.

Não entendi o porque dele ter dito que iria bater em minha porta, já que estávamos no mesmo quarto. Mas, no entardecer não vi mais a sombra de Felipe. Sophie apareceu no meu quarto enquanto eu escutava o cd do Green Day que meu ex-namorado tinha me dado de natal. Tirei meus fones e observei cada movimento seu.

“Hey”, eu disse.

Ela levantou os olhos verdes para mim e sorriu. Por um momento, não pude deixar de compará-los aos olhos de Felipe. Por que esse garoto não saía da minha cabeça? Ela caminhou até mim e eu indiquei a cama, também me sentando.

“Oi.”, ela disse, parecendo tímida. Estranhei. Ela tinha sido tão espontânea no dia em que a conheci. “O que está ouvindo?”

“Green Day”, respondi rapidamente estreitando os meus olhos. “O que há de errado?”

Sophie ficou em silêncio novamente. Pressionei os meus lábios em linha reta. Não poderia dizer que ela estava estranha, já que a sua família toda parecia estranha. Todos me olhando e estudando. Aquilo me incomodava. Muito. Quando o silêncio se tornou persistente, limpei minha garganta.

Ela me encarou novamente e pegou a minha mão. Arfei com a sua temperatura elevada e me perguntei mais uma vez se ela estava com febre, mas ela pareceu ignorar a minha surpresa e não me largou. Os grandes olhos verdes estudando cada respirada minha.

“Seu quarto está quase pronto, ok?”, ela disse e esperou.

Estreitei os meus olhos.

“Mas não é só isso o que você quer me falar”, eu disse cada palavra devagar. Ela balançou a cabeça devagar. “Então...?”, insisti.

“Quando você tiver seu quarto novo, não precisará mais aturar Felipe”, ela disse e sorriu. Continuei séria e escutando. “Eu sei que ele, ás vezes, pode ser um pouco invasivo. E nós vamos colocar uma distância grande o suficiente para que ele não a perturbe.”

“Felipe não me perturba”, eu disse simplesmente.

“Você não o conhece.”, ela retrucou, séria.

Eu me levantei e ela imitou o meu movimento.

“Então estamos falando de Felipes diferentes, porque o que dorme no meu quarto nunca foi invasivo”, eu disse. Ela continuou me encarando. “Se era só isso...”, deixei a frase me aberto e indiquei a porta.

Sophie estreitou os olhos e suspirou.

“Só tenha cuidado com ele, ok?”

Indiquei a porta mais uma vez e a vi passando pela porta, me dando mais olhar, antes de fechá-la. Me joguei na cama e coloquei meus fones de ouvido mais uma vez. Mas, as palavras de Sophie não saíram mais de minha mente. Eu realmente não conhecia Felipe Glen. Mas, eu queria conhecer. Antes que me desse conta, meus olhos começaram a pesar e eu dormi.

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Acordei algumas horas depois, sentindo alguém me cutucando. Abri um olho, gemendo por terem me acordado. Minha visão demorou alguns segundos para se habituar com a escuridão, mas quando me dei conta do rosto de Felipe a poucos centímetros do meus, dei um pulo da cama e soltou um pequeno grito.

“Fique quieta.”, ele disse e olhou para a porta.

Eu também olhei, imaginando que algum dos seus irmãos poderia entrar a qualquer segundo pensando que Felipe estava fazendo algo comigo. Ficamos alguns segundos encarando a porta, até que o meu coração se acalmou de vez e eu encarei a pessoa que me acordou.

Felipe tinha o olhar sério na minha direção e eu tirei os fones, incomodada com aquele som alto no meu estado de recém acordada. Ele estava uma bandana branca na testa, uma camiseta branca e uma camisa quadriculada vermelha e preta por cima. Calça jeans surradas e rasgadas nos joelhos e um tênis preto.

Levantei uma sobrancelha.

“Pegou essa roupa onde? No exército da salvação?”

“Por que não está pronta?”, ele perguntou me ignorando.

“Estava dormindo.”, peguei o meu celular e vi a hora. “Putz, eu deveria estar dormindo agora. São quase uma da madrugada.”, me segurei para não passar a mão por meu cabelo. Deveria estar um horror. Então me lembrei o motivo de Felipe ter me acordado aquela hora. “Ah, temos um encontro.”

“Não é um encontro.”, ele retruquiu, mas sorriu. “Não com você vestida desse jeito.”

“Me dê 20 minutos e será um encontro”, eu disse entrando no banheiro.

Tomei banho e arrumei meu cabelo, deixando-o solto com belos cachos. Passei lápis de olhos, rímel, brilho e blush. Coloquei uma blusa preta com as costas nadadoras, uma bermuda jeans e All Star preto e branco. Pus meu colar e minhas infinitas pulseiras e saí do banheiro. Felipe estava deitado na cama, olhando para o teto com os meus fones de ouvido.

“Hey.”, andei até ele e arrancei os fones. Ele me encarou. “Nunca aprendeu a pedir?”

“Você tem uma seleção interessante de músicas.”, então se levantou e me olhou de cima a baixo. “Agora sim é um encontro. E você está bastante atrasada, Senhorita Days. Sua sorte é que no lugar em que vamos, só fecha ao amanhecer.”

“Vai me levar em um bar de stripper?”

Ele abriu a porta do quarto e olhou para os lados, então indicou para eu vir. Ficamos em silêncio até sairmos de vez da cama. Mas, envés de irmos para os portões principais, fomos para a garagem que ficava na parte de trás da cama. Assim que entramos, ele ligou a luz. Meu estômago se revirou. Estava fugindo da supervisão de Rafael com um desconhecido. Não que Rafael fosse mais conhecido que Felipe. E que eu nunca tenha fugido.

“Se eu te levar a um bar de stripper, é capaz de eu ter que arrumar confusão para te deixarem sair”, Felipe respondeu a minha pergunta esquecida.

“Você está dizendo que eu tenho cara de stripper?”

Felipe parou ao lado de uma caminhonete branca. Forcei a minha mente para lembrar a marca. Meu irmão por parte de pai tinha me ensinado algumas coisas. Ele abriu a porta para mim, enquanto eu tentava saber a marca da caminhonete. Eu entrei nela e vi algumas coisas pessoais. Tinha cheiro de pinho. Felipe entrou em seguida e ligou o carro.

“Estou apenas dizendo que você é bonita o suficiente para ser chamada para fazer stripper.”, vendo a minha careta, ele riu. “Não foi uma explicação muito boa, não é?”

“Não, não”, concordei enquanto saíamos da garagem. No meu interior, eu ainda esperava que um dos irmãos Glen aparecessem do nada e nos pegassem fugindo. Resolvi me concentrar em outras coisas. “Isso é uma FH 420 – 6X2?”

Felipe sorriu.

“Uma garota que entende de carros?”, ele perguntou e eu abaixei os olhos, sem graça. Felipe riu de novo. “Isso é raro, senhorita Days”, bufei e ele me olhou por um segundo. “Raro e surpreendente.”

“Ah, cale a boca”, eu ri.

Ele riu junto comigo e seguimos para a rua. Meu coração se acalmou um pouco, mas quando eu percebi que estava em um lugar desconhecido com um desconhecido, ele se acelerou novamente. Mas, incrivelmente, quando os meus olhos pousaram em Felipe dirigindo, eu me senti segura.

Ficamos em silêncio, seguindo por um tempo pela cidade. Então, eu percebi que não tinha visto nada, presa naquele forte. Tinha belos lugares e MUITOS bares de stripper. Eu ainda tinha uma leve suspeita que Felipe me levaria em um deles. Mas, quando ele parou no estacionamento de um circo, me senti mais que surpreendida.

Mas, não o confrontei, nem disse nenhuma das piadas que estavam em minha mente. Naquela noite, eu apenas peguei a mão de Felipe e segui na direção no parque de diversão e decidi voltar a ser criança.

Notas finais
E não esqueçam de comentar *----*