Notas iniciais
Meus Queridos leitores, me desculpem a demora em postar, mas aqui está o novo capítulo.
eu gostei muito de escrevê-lo, espero que vocês também gostem.

“Então, senhorita Rocky Days”, Felipe disse, assim que eu terminei de arrumar a minha cama no chão. E sim, Felipe Glen me expulsou de sua cama. “Esse é mesmo o seu nome? Rocky?”

“Não. É Jurema”, revirei os olhos e me sentei no amontoado de lençóis. “Claro que é Rocky, idiota. Já me chamou de empregada, agora quer me chama de indigente. Você está indo bem em fazer amizades.”

Felipe se levantou, se ignorando completamente e andou até a sua mala. Não pude deixar de contemplar como o seu corpo ficava bonito banhado pela luz da lua. Seus cabelos – eu ainda não tinha descoberto se eram loiros ou castanhos claros – estavam um pouco bagunçados, mas isso não tirava a beleza dele. Ele parou perto da mala e a abriu, puxando algumas roupas. Não entendi a sua intenção, até que ele pegou a ponta da blusa e começou a levantá-la.

“Hey, Hey, Hey”, o interrompi. Ele parou e me encarou com aqueles olhos verdes brilhantes. “Tem um banheiro ali, querido. Quanto tempo você ficou fora? Droga”, me levantei movida pelo impulso. “Quer que eu sai para você se trocar? É só falar”

Felipe começou a rir diante do meu surto.

“Você não precisa ir, Rocky.”, ele disse sorrindo. “Mas eu nunca tive vergonha de tirar a roupa na frente de uma mulher antes. Muito menos uma que pode virar a minha irmã.”

“Eu acredito na parte que você nunca teve vergonha de tirar a roupa na frente de uma mulher, mas pelos motivos errados.”

“Não posso negar isso”, ele disse.

Então, antes que eu dissesse qualquer coisa, ele puxou moveu a mão para os botões de sua camisa, talvez com medo dela arrebentar e abriu-a lentamente. Não iria ser hipócrita. Ele tinha um belo corpo. Mesmo que por baixo da camisa social ainda tivesse uma camiseta, ela era apetada e deixava os braços expostos. Esperei ansiosa que ele terminasse de tirar a camiseta e quando ele o fez, tive que me segurar.

O abdômen exposto contra a luz do luar, dava a impressão que sua pele brilhava. A forma como a sua cintura fina se destacava em contraste ao seus ombros largo, era inebriante. Se Demétria estivesse ali. Mordi o lábio e me obriguei a desviar o olhar do corpo dele. Felipe passou a mão pelo cabelo claro e o deixou cair um pouco no rosto.

“Vê algo que gosta, maninha?”, ele disse, sorriso preguiçosamente.

“Vá se ferrar.”, eu disse. Quando vi o que ele faria em seguida, peguei me travesseiro e taquei nele. “Tenha o mínimo de educação e vá tirar essas calças no banheiro.”, ele ri e pôs a mão no fecho novamente. Revirei os olhos e levantei um dedo na direção dele, o olhando ameaçadoramente. “Não ouse...”

Mas, ele abriu e a soltou, fazendo-a cair nos joelhos. Felipe não se moveu para tentar terminar de tirar. Nós ficamos nos encarando durante um longo tempo, até que ele levantou uma sobrancelha na minha direção, desafiando. Estreitei os meus olhos e bufei.

“Se depender de mim, vai dormir em pé com as calças no joelho.”, me deitei e virei as costas para aquela ÓTIMA VISÃO.

“Oh, maninha, você nem sabe o que te espera.”, o ouvi antes da porta do banheiro se fechar.

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Acordei com a pior do dor nas costas do mundo inteiro. Coloquei a mão na cama ao meu lado, tentando fazer com que meus ossos estalassem e olhar para o causador da minha dor. Mas tudo o que eu encontrei foi o vazio. Me joguei de volta na cama, tentando segurar um gemido de dor e xinguei Felipe Glen de todos os nomes possíveis.

Com um esforço desumano, me levantei de vez da minha cama improvisada e fui tomar um banho. Saí meia hora depois, com uma camisa do Nirvana e uma saia jeans surrada. Pus meus All Star preto com branco e minhas infinitas pulseiras. Parei em frente ao espelho a minha frente e toquei o meu colar com o anel pendurado. Suspirei enquanto passava o lápis de olho, rímel e brilho. Penteei meu cabelo longo e o deixei solto com belos cachos.

Desci os degraus de dois em dois e vi a casa completamente vazia. Me arrepiei. Assustador. Mordi o lábio e comecei a descer mais rápido. Para a minha surpresa, encontrei Leonardo e minha mãe ainda na mesa de café na manhã. Segurei uma careta quando os vi se beijando e bati meu pé com força, avisando sobre a minha aproximação.

“Bom dia, querida.”, Rita disse passando a mão por meu cabelo. Eu me afastei e ela o soltou. “Então, como foi a noite?”

“Tão confortável quanto um canil”, eu disse tomando um pouco de café e beliscando uma torrada. Eu não comia muito pela manhã.

Depois de dizer aquilo, me senti um pouco culpada, mas era culpa dela eu estar morando naquele inferno, cheio de pessoas perfeitinhas e um garoto que cismava de tirar a roupa na minha frente. Minha mãe abaixou os olhos e voltou a comer. Meu estômago se apertou mais. Leonardo, parecendo sentir o clima que se instalou entre nós duas, interveio.

“Rocky, acorda bem tarde, hem”, ele brincou. O encarei, pronta para dar uma resposta. Mas algo em seu olhar, me fez ficar de boca fechada. “Meus filhos já estão lá fora se divertindo. Por que você não vai lá e tenta se enturmar?”

“Não que eu precise, mas quero respirar um ar puro.”, me levantei e me afastei escutando o grito de minha mãe e o ignorando.

******************

O quintal dos Glen. Como eu poderia descrevê-lo. Grande? Não, enorme. Uma vasta área verde, com uma boa quantidade de árvores. Sorri ao escutar os gritos e os risos dos irmãos Glen. Eles estavam na piscina. Pelo menos, Rafael e Gustavo estavam na piscina. Sophie estava sentada em uma cadeira a beira da piscina com um biquíni tão vermelho que fazia parecer que sua pele queimava.

Me encostei em uma árvore qualquer, vendo Marie e Aurora brilhando sentada na beira da piscina com os pés dentro da água. Os cabelos da pequena Marie estava presos em suas longas traças e o de Aurora estava solto, e foi como se tivesse um tipo de halo em volta dela. Tinha que admitir. Aquela filha de Lilith era muito bonita.

“Rocky”

Ao escutar meu nome sendo chamado ao longe, levantei os olhos de Aurora e encarei os olhos azuis claros de Gustavo. Seus cabelos negros e cacheados estavam tão molhados que quase escondiam seu rosto. Eu ri. Ele parecia um filhote fofo. Levantei minha mão e acenei. Ele sorriu e acenou de volta.

Isso pareceu atrair a atenção dos outros irmão, que também olharam para onde eu estava encostada. Continuei sorrindo e acenando. Então, quando todos pareceram satisfeitos, voltaram a fazer as mesmas tarefas de antes. Traduzindo, se divertir e nadar na piscina. Cruzei os braços e joguei a minha cabeça para trás, suspirando.

“É chato ser simpática, não é?”

Quase soltei um grito quando escutei a voz de Felipe. Levantei os olhos para a árvore e vi, por entre os galhos, um par de fios loiros. Sim, com o sol batendo, deu para ver que ele realmente era loiro dos olhos verdes. Sua pele clara brilhava e se destacava por entre o verde vivo da árvore. Ele riu e coloquei a mão em meu peito, acalmando meu coração.

“Você foi de idiota para demente total.”, eu disse.

Ele pulou do galho e pousou como um gato ao meu lado. E pensar que esse gato estava deitado a poucos metros de mim e eu não fiz nada. Até Demétria estranharia. Eu achei incrível o fato de Felipe descer da árvore em um silêncio quase totalmente preenchido. Ele se aproximou e minhas pernas pareciam ter congelado. Ele sorriu de lado e colocou cada mão de um lado do meu corpo. Ele realmente era mais alto que eu.

“Belo cordão, Rocky”, ele disse olhando diretamente para onde meu cordão estava pousado. Na verdade, para o meu peito. Então levantou os olhos felinos para mim. O vento ao meu redor pareceu se agitar, fazendo meu cabelo ir para mil e uma direções. “Não quer me dá-lo?”

Eu abri a boca, quase dizendo que poderia dá-lo. Afinal tinha sido uma pechincha. Mas, o anel não. Minha cabeça doía, só de pensar em ficar sem ele. Então, movida pelo impulso, segurei o anel com força e vi Felipe sorrindo, mesmo que seus olhos tenham se estreitado um pouco. Ele aproximou seu rosto do meu e deitou a cabeça para direita, fazendo com que seus cabelos loiros caíssem e tampassem um pouco de seus olhos.

“Acho que isso foi um não”, ele disse fazendo bico. “Mas será que pode me dar outra coisa?”, ele olhou sugestivamente para os meus lábios. Eu tremi e ele riu. “Acho que isso foi um sim.”

Ele começou a se aproximar mais ainda. Meus olhos se fecharam lentamente e esperei o toque dos lábios de Felipe contra o meu. Conseguia sentir o hálito mentolado dele roçando em meu rosto. Nunca senti uma sensação de ansiedade tão forte quanto aquela. Meu coração batia com tanta velocidade que poderia ganhar a corrida de 100 metros sem cansar. Senti meu corpo amolecendo e me surpreendi por ainda não ter agarrado-o.

“Felipe. Rocky”

Como se tivesse tomado um choque, eu abri os olhos de supetão, encarando Rafael e Gustavo parados a poucos metros de nós dois. Felipe não se afastou, com o rosto a pouco centímetros do meu. Ele revirou os olhos, antes de encarar os irmão.

“Alguma coisa errada?”, ele perguntou.

“Você sabe eu sim”, Rafael disse.

Ele estava com os braços cruzados e o rosto sério. Ele não olhou para mim, por estar focado no irmão. Se eu fosse branca, coraria. Eu abaixei os meus olhos e passei a mão por meu cabelo, já emaranhado. Um sentimento surgiu no fundo do meu peito. Raiva por Rafael e Gustavo terem me interrompido.

Gustavo eu até entendia. Existia uma atração entre nós dois. Não tão forte quanto a que tinha se iniciado entre mim e Felipe. Mas talvez ainda existisse uma pequena chance de rolar algo entre eu e ele. Mas, eu não entendi Rafael. Ele era bem mais velho. Quase terminando a faculdade. O que ele iria querer com uma estudando do segundo ano de ensino médio?

“Felipe”, Gustavo quase rosnou.

“Ok”, Felipe levantou as mãos e se deu um passo para trás. Ele me olhou. “Ainda teremos muito tempo para conversar, guardiã”, ele olhou novamente para o meu anel, enquanto eu permanecia confusa. “Muito tempo”

Então riu e se afastou.

Notas finais
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