Andarilho Dourado

2 Capítulo 2 - Surgimento de Hohenheim


Notas iniciais
Este capítulo ficou menor, mas espero escrever o próximo logo.

Quando aquela luz branca morreu eu estava deitado na frente de onde estava aquele portão, porém não havia mais nada. Teto e paredes jaziam no chão. O palácio se transformou em poeira e escombros. Ao levantar pude analisar melhor a situação. A cidade estava intacta, somente o castelo estava destruído, um silêncio mortal pairava sobre a cidade e na sala que estava atrás daquele imenso portão encontravam-se sete pessoas mortas, quatro soldados, meu senhor, o rei e seu conselheiro.

Aquela visão me abalou de uma estranha maneira, minhas entranhas pareciam querer sair pela boca e minha cabeça estava com dificuldade em focalizar em um único ponto. Caí no chão de joelhos, estava suando frio. De repente ouvi um barulho, não muito distante de onde eu estava. Meu corpo pareceu reagir aquilo, voltando ao normal.

Comecei a adentrar a sala, o som vinha daquela direção. Mais ou menos no meio da sala alguma coisa atrapalhava meu caminho, no momento que olhei para baixo, meu coração acelerou e uma melancolia profunda tomou conta de minha mente. Reconheci caído no chão, meu senhor. Agachei e tomei-o nos braços, apesar de ser apenas um escravo, aquele homem era a pessoa mais próxima a mim, era quase um pai, comprou-me quando eu era apenas um bebê e me deu um lar, comida e dignidade que nenhum senhor dava a seus escravos. Novamente aquele barulho me fez acordar, estava mais perto e pude distinguir o som parecido com faíscas e momentos depois o som de escombros ao atingirem o solo.

Quando fiz o movimento para devolver meu senhor ao chão, vi que no chão havia escrituras, símbolos e quando percorri os olhos ao redor vi que era um círculo idêntico aqueles que estavam nos estudos de meu senhor.

Quando levantei pude ver uma escada que subia alguns metros pelo monte em que a palácio fora construído. Subindo esta escada cheguei ao que era o pátio do castelo, agora eram ruínas.

Olhando ao redor pude ver de onde estavam vindo os barulhos que estava escutando todo esse tempo. A alguns metros na minha frente um jovem loiro de cabelos longos, pele clara e vestido com roupas de ceda ornamentada, estava de costas para mim, com as palmas das mãos levantadas em direção a uma das poucas paredes restantes do castelo. Quando de repente raios tingidos de um vermelho rubro disparam de suas mãos e destruíram seu alvo, provocando risos por parte daquele jovem.

O medo e a curiosidade brigavam dentro de mim. Por fim resolvi me aproximar daquele homem. Quando eu estava a uns oito passos dele, ele se virou, quando olhei pro rosto dele vi meus olhos dourados com uma expressão diabólica. Assustado, recuei alguns passos e acabei caindo sentado no chão.

– Hi hi hi... Gostei de sua aparência, espero que não se importe de eu pegá-la para mim. Hi hi hi... Você realmente é um ser interessante... – parou bruscamente como se não tivesse palavras para completar a frase. — Ah, esqueci que não tem nome. Isso é um incomodo. Como irei chamá-lo? Já sei. Se posso destruir as coisas, posso criar outras. – disse dando uma rápida olhadela nos escombros – Seu nome será... Hohenheim. Gostei. Está resolvido.

–Quem é você? – disse com todas as forças que consegui reunir, resultando numa voz tremida e patética.

–Não se lembra de mim, Hohenheim? Hi hi hi... – disse ele com aquela voz profunda e em tom de zombaria – Acho que da última vez você me chamou de Pequenino do Frasco.

–Não acredito. O que você fez com os guardas? Com o Rei? Com meu senhor?

–Estão mortos. – disse serenamente – Não somente eles, mas toda Xerxes está em sono eterno.

–Porque você fez isso? – disse com voz de desprezo.

–Por poder. Mas fique tranqüilo. Você também terá, resolvi te dar um presente. Afinal não poupei sua vida para que viva como um escravo. – dizendo isso agachou do meu lado, estendeu a palma de sua mão próxima ao meu peito e uma pedra oval e vermelha passou do corpo dele para o meu.

Depois disso senti um calor intenso dentro de mim, energia se expandia para cada uma de minhas células. As cores que eu via se resumiram a um vermelho sangue. Quando gritei uma rajada de ar quente passou pela minha garganta e saiu de meu corpo. Comecei a me contorcer, aquilo parecia estar me matando. Comecei a ouvir gritos que pareciam vir de dentro de mim e não de fora. De fora só ouvia gargalhadas exageradas daquele Homúnculo maldito. Aquilo estava me enlouquecendo. Senti minha pele descamar e uma camada rubra substituí-la. Quando a dor chegou a seu ponto máximo, minha vista ficou escura, meu coração diminuiu de ritmo, fiquei imóvel, desacordado.


Notas finais
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