And If I Love You?
7 Capítulo 7 - parte 1
Notas iniciais
LEIAM AS NOTAS FINAIS É REALMENTE IMPORTANTES!
Pov's Ally
— Puta merda. — Sussurrei as escuras ofegando.
Estava um calor dos infernos e o ser atrás de mim, colaborava em parte do meu suor.
99% eu não tinha dúvidas que era ele, mas aquele 1% estava me deixando aos nervos. A casa era dele, o quarto em parte era dele, que outra pessoa com enormes braços estaria na casa?
Antes de poder me virar, olhei o relógio sobre à cômoda, 3h45min. O barulho dos carros lá fora, era a desgraça no mundo. E quando eu finalmente virei, me dei conta com a coisa sexy que chamavam de ser-humano.
Tentei sair do seu abraço caloroso, mas fui impedida por bíceps.
Calor. Calor. Calor.
Queria sair dali o mais depressa possível. Alguns me achariam louca, com um deus loiro me abraçando por trás e eu querendo fugir. Mas eu tinha certo pânico quando "Calor" era citado.
— Minha santa da santa do pai e espírito calorento. Socorro. Estou implorando. — Sussurrava, respirando dificilmente.
Então ele resolveu se mexer, me soltando de seus braços. Me levantei calmamente para não acordá-lo e quando já estava de pé soltei um grito mudo, com uma dancinha ridícula e desci as escadas.
Quando o alívio me preencheu ao chegar no andar de baixo, me deixei pensar nas milhões de hipóteses para eu ter um loiro gostoso na minha cama. Tecnicamente ele ainda estava bêbado, ainda estava apaixonado por Cassidy Turner e ainda não me aturava. Ok, deve ser somente mais um dos meus delírios.
Antes de voltar lá e espiar se era mesmo Austin, tomei uma longa respiração, retirando a parte de cima de meu pijama ficando apenas com uma camisa regata. Subi as escadas como se fosse uma super agente espiã de filmes e quase rolei escada à baixo quando me desequilíbrei. Segurei no batente da porta e sorrateiramente espiei por todo o quarto até meus olhos captarem a cabeleira loira agarrada ao meu travesseiro.
Que?
Mas... Mas...
Meu subconsciente acabara de cuspir toda água que bebia ao presenciar a cena. Minhas órbitas ardiam de tão arregaladas. Era inacreditável, era como se não existisse. O que raios ele iria fazer dormindo comigo?
"Oh por favor Allyson! Menos, bem menos".
Revirei os olhos para minha mente e continuei a observar. Não podia ser verdade, até ontem eu era Cassy... É isso. Ele somente deve ter achado que eu era Cassidy novamente. Eu nem sei o porquê de estar tão surpresa. Não sei mais ainda, o porquê de tanta chateação.
Suspirei largando o batente e desci as escadas indo em direção da geladeira, ao abri-lá fechei os olhos e deixei o ar gélido atravessar por todo o meu corpo... Ah era por isso que eu amava geladeiras. Estava em transe, somente relaxando e lutando para esquecer Austin Moon.
Eu estava tão irritada, minhas bochechas vermelhas comprovavam isso, eu queria gritar na cara dele e dizer em alto e bom som que eu NÃO ERA CASSIDY! Será que era tão difícil entender?
Em pensar que tudo isso começou quando eu quis ter uma vida normal, e olha lá aonde eu fui parar. Com uma péssima relação com o cara no qual fez a caridade de me deixar ficar na casa dele, com uma péssima relação com o passado do tal cara e com uma péssima relação com a atração que eu sinto por esse cara. Argh! Aqueles lábios... Porque tão saborosos? Por deuses eu tinha certeza que aquilo não era de Deus.
O calor ainda se espalhava. Eu havia escolhido justamente Nova York por conta do frio e olha o que me fazem. Meu pânico de calor começou aos nove anos, quando eu estava dormindo e no meio da noite um incêndio ocorreu em casa. 25% das minhas costas foram queimadas e todas as vezes que fecho meus olhos ainda sinto a torturante dor. Desde aquele dia jurei odiar o calor.
I really wanna stop
But I just gotta taste for it
I feel like I could fly with the boy on the moon
So honey hold my hand
You like making me wait for it
I feel like I could die walking up to the room, oh yeah
3h50min e tem gente me ligando. Penso se as pessoas não sabem se madrugadas foram feitas pra dormir, já é a segunda vez.
Saí de meu refresco soltando um muxoxo e fui até a bancada pegando o aparelho ainda ao som de I Really Like You.
Emma.
Ah meu deus.
Um calafrio me ocorreu ao pensar na loira, em apuros. Skyler.
Atendi rapidamente, ofegante. Céus, se algo acontecer a ela...
Seus soluços eram evidentes, e meu coração se apertava a cada barulho que eu escutava.
— Ems o que houve? Ah meu deus. É alguma coisa com Skyler? Você está bem? Emma! Diga alguma coisa... Por deuses, estou morrendo mil mortes.
Os soluços cessaram e por um breve momento pude perceber seu sorriso. Suspirei em alívio, sentando sobre a bancada. Eu já não duvidava que ela chorava por alguma besteira. Grávidas e seus hormônios.
— Desculpe. Você deveria saber que não é algo sério. Ultimamente eu tenho chorado até pelo vento que passa sobre meus cabelos. E não, não é nada com Skyler, ela está bem até demais, tenho quase certeza que ela acha que eu sou um saco de pancada ou algo do tipo.
— Talvez a segunda vez de gestação à faça lembrar que existem camisinhas no mundo.
Imaginei a revirar os olhos e sorri comigo mesma.
— Ally querida, um dos princípios do sexo é que com certeza quando você o fazer, a camisinha será um mínimo pontinho quase invisível na sua mente, que você nem vai lembrar.
Ri. Emma, Emma. Ah não imaginava uma vida sem essa loira.
— Uau. Eu ainda desconfio que se formou em sexologia. Mas então, estava chorando porque? Você foi levar as meninas à uma peça infantil? Não consegui controlar minha risada na última fala. O dia em que troquei e-mails com ela ainda girava na minha cabeça.
— É ri da desgraça alheia. O que vem volta viu Allyson. Não, pior as gêmeas me olharam e então Lily veio até mim e me disse que eu estava fofa, parecendo a Sra. Pig. Você acredita que ela teve a coragem de comparar a mãe dela com uma porca?
Gargalhei por séculos a escutando bufar.
— Qual é Emma? Veja pelo lado bom, você não é mais uma bola, agora você é rosa e fofa.
— Rosa e fofo vai ser o hematoma na sua cara quando eu retirar minhas mãos dela. Ethan me olhou com uma cara tão risonha que me deu vontade de arrancar o rim dele. Ora essa, eu pagaria pra ver elas o chamarem de Sr. Pig. Mudando de assunto, como anda o senhor deus grego, barra, rabugento, barra, gostoso, barra, traumatizado?
Não consegui controlar meu riso. Deveria contar... Ou não? Havia acontecido tanta coisa, e eu acreditava que ela seria a pessoa certa para contar, mas... Ele tinha beijado Cassidy, não eu.
— Emma... Sabe que eu te amo, não é?
— Nem tente me enrolar, o que foi que aconteceu? Não me diga... Ah meu deus, ele te beijou Allyson?
Fiquei quieta por instantes, refletindo. Provavelmente se eu contasse, ela iria me infernizar o mês todo.
— Hm... Quando você disse que iria me visitar mesmo? Separei um par de Louboutin que você vai amar!
— Sério? Manda foto por favor sabe que eu sou... Ah sua safada! Eu sei o que você está tentando fazer, e está conseguindo por que eu não paro de pensar nos meu sapatos caríssimos. Mas minha querida, me aguarde, quando eu der meu primeiro passo em solo nova-iorquino você estará ferrada.
Eu até riria, se não soubesse que é verdade. Ela me encheria de perguntas até a morte, e depois da morte faria mais mil perguntas. Era tão frustrante.
— E você acha que eu não sei? Oh Emma, não é nada demais. É só que... Eu conheci tantas pessoas novas, aconteceram tantas coisas novas... Que agora tudo o que eu preciso é de algo que não seja novo.
— Está me chamando de velha? Velha é a sua... Com todo respeito que tenho a sua mãe, Ally. Nada demais? Você está tão emotiva e blá blá blá. Qual é Ally? Aonde você escondeu toda animação e felicidade de ser como uma adolescente rebelde e fugir de casa?
— Foi pro ralo quando no meio da fuga tudo deu errado e eu vim parar numa casa com o rabugento. São 4h04min preciso ir, amanhã tenho um longo dia de universitária e preciso encontrar com Gavin. Bom dia.
— Bom dia, não se esqueça de... Espera! Gavin? Quem é esse? A meu deus! Não que me diga que...
Desliguei antes que ela pudesse ter a chance de arrancar algo de mim. Não que tivesse algo pra ser arrancado, já que eu só iria fazer um trabalho com o mesmo.
Gavin era o típico príncipe que todas esperam, um pouco desastrado, digo muito, mas um príncipe. Quando o conheci, aqueles olhos me encantaram de uma maneira nunca vista, era realmente intrigante. Aquela esbarrada, foi sinceramente desastroso, um desastroso bom, ele me fazia rir. Era tão meigo e engraçado seu jeito desajeitado, me pegava diversas vezes pensando no moreno com um sorriso.
Deixei meu celular sobre a bancada novamente e fui até os armários, a fome estava me atacando. Mas eram tão altos, tive que me colocar na ponta dos pés e dar alguns pulos até conseguir pegar algumas coisas.
— Levanta os braços! Passa o dinheiro? Eu quero o dinheiro! O celular também! Anda, eu não tenho todo o tempo do mundo, garota.
Fodeu.
Pov's Austin
Logo após Ally sair de meu quarto, tirei a máscara de dormir e a olhei sorrindo. Ela pensava até nos mínimos detalhes, sua preocupação me deixava confuso, tudo que a envolvia me deixava confuso. Eu não estava tão bêbado ao beijá-la, não estava tão bêbado ao fazê-la rir, não estava bêbado ao sentir sua irritação por confundi-lá com Cassidy.
Mas aquilo me fazia tão bem... E cada vez mais eu sentia um alívio, sentia que estava saindo do fundo do poço. Isso era tão ruim, eu havia jurado à Cassidy. Jurado minha fidelidade até a morte, minha confiança, não legalmente, mas nas minhas fraternas palavras sim. Mas estava com tanta raiva, raiva por ela não lembrar, por se atirar em Dallas, por estar passando momentos com ele, que eram para ter sido comigo.
Mas ao fechar os olhos...
Seu gosto era tão bom, faria qualquer coisa para sentir novamente...
Nunca havia sentido minha roupas me encomodarem tanto...
O calor. A o calor... Estava se aproveitando de cada parte do meu corpo.
Aqueles cachos. Seu doce cheiro à morango. Céus.
Estava parecendo como um adolescente idiota, mas não deixava o sorriso torturante sair de meus lábios.
Talvez o fato de tanta ignorância à parte com ela, à tenha feito se assustar, os gritos, as brigas. Todas as vezes em que ela se preocupou. O que eu fazia era ser idiota. Minha principal profissão. Não queria pensar nisso agora. Queria apenas dormir e tirar tudo isso da cabeça. Cassidy era quem eu amava e acabou, foi assim por anos e vai ser até eu morrer.
"Como é iludido"
Me virei fechando os olhos e me ajeitando mais sobre as cobertas. O efeito da bebida ainda não curado estava fazendo efeito me levando para imensidão.
Allyson.
Seu sorriso poderia ser visto de longe.
Parecia tão feliz... Um anjo. Com uma coroa de flores sobre a cabeça, e, com leve e lindo vestido branco.
Ela dançava majestosamente com o vento quase a levando e balanço seus perfeitos cachos. Um campo vasto por flores me encantava.
Eu queria ir até lá, óbvio. Mas algo me impedia, não conseguia andar, não conseguia me mover.
Eu queria ir até lá e desfrutar dos seus sorrisos, dançar junto à ela e ser feliz como nunca imaginei que seria.
Então o chão tremeu e eu me sentia completamente confuso, o cantarolar doce de Allyson ecoava pelos meu ouvidos me relaxando.
Eu sentia que algo estava errado. Então de repente meu corpo se virou por conta própria e meu olhar encontrou Cassidy. Com as mesmas vestes, com a mesma coroa, e o cantarolar triste. Mas continuava numa dança lenta sentindo a brisa calma que antes bagunçada os cachos de Ally.
Tentei me mexer novamente, queria me virar para Ally. Vê-la. Mas Cassidy me chama audaciosamente, a sua voz me chamando... Como me embriagava e me deixava sem fôlego.
Ao tentar me mexer novamente, consegui sair correndo até o encontro de Cassidy, entrelaçamos as mãos e a acompanhei numa dança calma sentindo as mãos da loira se aproveitarem de meus fios loiros, faltava pouco para nossos lábios se juntarem. Então a explosão de gostos me invadiu e me permitir sorrir abrindo os olhos e encontrando aqueles castanhos imensos que eu ama... Allyson?
Era ela. De repente não era mais Cassidy. De repente eu me sentia completo com os lábios da morena sobre os meus, até abrir os olhos novamente e encontrar a loira. Mas o que era aquilo?
E novamente meu corpo tomou posse de mim e me virou, encontrei Ally beijando um moreno que eu desconhecia. Porque? Porque ele à beijava? Porque não eu? Até perceber que era Gavin, já o vira várias vezes pela faculdade... Não. Não. Não.
Cassidy me olhava tristemente, eu não queria vê-la daquela forma, queria fazer ela sorrir. Mas a imagem dos dois não saía de minha mente, meus músculos travaram e eu sentia meu sangue pulsar dentro de minhas vezes. Não me mexia. Não conseguia. Gavin a beijando como se dependesse disso.
Abri os olhos ofegante. Havia sonhado?
À um longo tempo que não tinha mais sonhos assim. Principalmente com ela.
Eu já não pensava mais, queria vê-la, queria estar perto, não ligava as consequências.
Saí de minha cama depressa e fui levado ao cheiro que me levava as loucuras. Ao entrar não pensei duas vezes e já estava debaixo das cobertas, observando o levantar e o abaixar de sua barriga, uma respiração tão calma.
Por algum motivo, me senti aliviado, ela estava comigo, não com ele, estava comigo aqui e agora.
Aspirei novamente desfrutando do seu cheiro antes do sono me levar. Antes da minha consciência voltar de mãos dadas com a racionalidade.
Eu poderia estar bêbado. Mas nunca estive tão certo de algo como estava naquela noite.
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