P.O.V. Lena

Já estava indo pra casa e não parei de chorar um segundo desde quando dei tchau para as garotas. A culpa sobre o que “fiz” com Ryan era cada vez sentida com mais dor, meu irmão iria embora daqui a algumas horas, e pode ser que eu não o veja mais. Como minha vida pode estar tão ruim?

Esta noite não queria ir pra casa, queria ir num lugar que não tivesse ninguém e tentar esquecer isso tudo, mas tenho que me despedir de Luke. Chegando em casa me deparei com uma mochila camuflada que parecia ter o meu peso e o tamanho da minha irmã, olhei pra mesa de jantar, estava posta mas ninguém estava lá, subi as escadas e ouvi sussurros vindos do quarto de Luke, quando eu ia bater na porta Luke a abriu, seu rosto estava molhado e não havia ninguém em seu quarto o que achei estranho pois ele estava falando com alguém, não pensei muito nisso, apenas o abracei como se fosse a última vez.

-Lena? Luke? – era a minha mãe – vocês querem comer agora?

-Não – falamos em uníssono. Ela desceu as escadas nos deixando sozinhos.

-Luke com quem você estava falando? Eu tive a impressão de ouvir você falar com alguém.

-Era uma garota... minha garota, a menina que eu amo. – gelei.

-Por que você não me disse que tinha uma namorada, Luke?

-Ela pediu pra não falar... por conta dos pais dela.

-Nossa maninho, eu a conheço? –ele assentiu com cabeça.

-Ela me disse que sim, mas não lhe direi quem é... não posso, eu prometi.

-Okay. Hoje eu posso dormir com você? Como quando éramos pequenos? – tentei sorrir, mas seu rosto entristeceu. — O que houve?

-Vou ter que dormir no Forte, hoje. Iremos bem cedo...

-Não... – meus olhos marejaram mais uma vez. – Será que eu posso...?

-Não desta vez, Lena. – ele estava derrotado psicologicamente. O abracei o mais forte possível.

(...)

Luke já tinha ido embora, todos já estavam dormindo e eu estava mais uma vez deitada em minha cama com meus pensamentos confusos. Fui até a janela e me sentei, fitei o céu que estava num tom de azul tão escuro que pode ser confundido com preto, fechei meus olhos e imaginei tudo estando bem... fui desperta por um barulho do lado de fora do quarto, procurei o que o provocou, mas fracassei. Como noites antes uma luz rasgou o céu me assustando, o que será aquilo?

Lembrei-me de que ainda não tinha arrumado minha mala, e eu já viajaria daqui a menos de um dia! Subi em cima de um banquinho e na ponta dos pés consegui alcançar a mala preta em cima do meu guarda-roupas, quando a puxei pra baixo acabei caindo junto, caí no chão e senti doer meu bumbum, bom... foi melhor do que eu ter quebrado alguma coisa.

-Ai. – resmunguei, percebi que minha mala foi parar do outro lado do quarto, fui até lá e a coloquei em cima da cama, ao abrir, vi que dentro dela havia um livro, parecia ser bem antigo, todo escrito a mão, o autor seria provavelmente Daniel Grigori, pois era o nome que havia na capa, comecei a ler uma espécie de índice “Os Grigori, O Trono, A Maldição, A Queda, Anjos Caídos...”. Minha mãe praticamente invadiu meu quarto, involuntariamente fechei o livro.

-Filha! Ouvi um barulho veio daqui? – ela viu o livro que estava ao meu lado e mudou completamente o modo de falar -Lena, onde você achou isso? – ela se sentou ao meu lado e parecia nervosa.

-Estava dentro da minha mala, mãe.

-O que você leu aí? –Ela nunca havia falado assim comigo, estava sendo grossa.

-Mãe o que aconteceu? É só um livro! Ou não é? – ela mudou a expressão, abaixou os olhos e depois me encarou.

-Me desculpe, Lena... não deveria ter falado assim com você, afinal você já vai amanhã às oito...

-Que? Como assim amanhã às oito? – minha mãe desviou olhar de mim e seu rosto entristeceu.

-Recebemos uma carta hoje avisando... Ia te dizer no jantar, mas...

-Eu não posso acreditar que a senhora não me falou! Eu já vou embora daqui a o que? Cinco horas? – as lagrimas me consumiram. – Não, não, não... Por que essa Guerra?! Porque, Deus?! – minha mãe me abraçou, tudo que eu estava sentindo, e tinha sido acumulado durante todos os dias foi colocado pra fora ali, no abraço de minha mãe. Ouvi a porta ser aberta, meu pai e Larissa estavam lá, lado a lado vindo em nossa direção. Nos unimos em um abraço...

(...)

Eram sete horas da manhã, iria sair de casa daqui a meia hora, tudo, estava arrumado, e eu estava tentando pôr alguma coisa pra dentro, mas não tinha apetite algum.

-Mãe, tenho que te perguntar... Tinha alguma coisa lá que eu não posso saber, não é? – meus pais me olharam assustados, como se eu tivesse feito algo errado.

-Lena... não tinha nada importante lá.

-Poderia não ser importante, mas mesmo assim eu não posso ler, certo? – ela abaixou o olhar. O que é que tinha naquele livro? Só falava sobre anjos, coisa que é uma fantasia! Me levantei da mesa – Com licença, vou pro meu quarto.

-Lena! – Lari gritou e veio atrás de mim. Fechei a porta do quarto. — Lena, posso entrar? – não respondi, ela entrou e veio falar comigo. – O que tinha no livro?

-Nada, Lari. Falava sobre coisas que não existem.

-O que?

-Anjos. Eles não são reais.

-São sim, Lena, eu acredito neles. Eles vivem como humanos, mas quando ninguém está vendo eles voam e voam pelo céu, bem no alto! – Ela falava e gesticulava, aquilo me fez sorrir, eu ia sentir falta da minha irmãzinha. – você acredita agora, Lena? – ela me olhou com aqueles olhinhos azuis e com um sorriso inocente nos lábios... meus olhos marejaram.

-Claro que acredito. – a abracei bem forte. – Lari, eu vou viajar...

-Pra onde lena? – ela falou com um sorriso. – Posso ir?

-Não, meu amor, você não pode ir. – o sorriso sumiu — Porque não é uma viagem divertida, mas prometo que trago alguma coisa pra você, o que quer?

-Eu queria que você e o Luke ficassem aqui comigo. – Será preciso dizer que chorei, quando ela me disse aquilo?

(...)

Eu já estava no porto de Vancouver, com Sarah e Miranda ao meu lado. Nós vamos no cruzeiro da marinha, junto com os marinheiros e alguns soldados...

-Gente... vocês tem namorado? – Miranda perguntou.

-Não é namorado, o que eu tenho, é uma amizade colorida. – Sarah disse e começamos a rir. – E você, Lena?

-Não tenho, e nem me pego com ninguém. – elas riram. – até porque iria ser horrível ter um namorado, logo nessa época, onde ele teria que ir.

-É isso que penso, Lena. Ontem eu fui pro hotel, com os soldados. – aquilo me surpreendeu um pouco, Miranda era a mais nova de lá e já estava nesse caminho... – E, acho que estou apaixonada. – Ai nossa...

-Miranda, pelo amor, vocês fizeram algo e você já está desse jeito? – Sarah perguntou indignada.

-E então, Sarah, essa é a questão nós não fizemos nada além de conversar – Sarah fez uma cara estranha o que me fez rir – Claro que eu esperava uma noite bem diferente da que tive, quando ele me convidou para ir ao hotel achei que ele só queria me usar, mas deixei quieto por que eu também queria alguém – ela falava freneticamente – e quando cheguei lá ele me tratou como uma princesa, me tratou como eu sempre quis ser tratada, entendem? – assentimos com a cabeça.

-E o que você vai fazer agora? – Perguntei.

-Eu quero muito encontra-lo em Pearl Harbor, vocês não sabem o quanto... – Miranda começou a falar do garoto e pra falar a verdade não prestei muita atenção no que ela estava dizendo. Tentei achar Ryan, porem se ele fosse para Pearl Harbor já estaria lá, mais uma vez me culpei pelo que tinha “feito” com o soldado Brighton. Desviei meu pensamento sobre ele e voltei a olhar para uma garota que dizia estar apaixonada. Miranda não pode estar apaixonada por este garoto, pra se apaixonar é preciso amar, mesmo que não seja perceptível, o amor está lá num lugar distante bem escondido que só pode ser encontrado através da junção de alguns sentimentos. Acredito em tesão à primeira vista, desejo, vontade, mas não amor, o amor se constrói a cada momento...