POV Lena

A viagem não foi nada confortável, fiquei muito enjoada e pra ficar pior não parava de pensar naquele livro, eu queria pelo menos ter lido uma página, pra saber realmente do que se tratava aquilo. Por que eu não podia ler o livro? Minha mãe sempre me deixava ler os livros que tínhamos em casa, pois sabia que eu tinha uma paixão pela leitura.

—Hei, Lena – Sarah chacoalhou meu corpo devagar, eu estava deitada numa cama que as meninas conseguiram arrumar para que eu me sentisse um pouco melhor. Eu abri um dos olhos a olhando com preguiça — Chegamos no tão amado Hawaii, você tem que ver esta praia, sentir esse calor! Vem, levanta já daí! – resmunguei e senti ela me puxando. Começo a rir instantaneamente.

—Calma, Sá, já estou indo. – Peguei minha mala e ela saiu pela porta me puxando e correndo até as escadas que davam no cais. Apertei meus olhos por conta da claridade. O mar. Nunca vi um tão azul, um sorriso se fez em meu rosto. No céu Havia aves, aviões, pouquíssimas nuvens deixando o azul ainda mais sutil.

—Viu!? É perfeito demais! Parece uma obra pintada por algum artista, não acha? – Sarah estava, como eu, impressionada com a beleza de Pealr Harbor. Descemos as escadas ligeiramente, levantando as malas para que fosse mais fácil e rápido descer. Ao chegarmos cais vimos Miranda correndo em direção a um homem. — Olha para a Miranda, deve ser ele o carinha por quem ela está apaixonada.

—É... deve ser. – olhei pra Sarah, ela é um pouco mais alta que eu, tem feições de modelo, corpo escultural, é o tipo de garota que os homens se sentem atraídos, creio eu. Mas a Miranda não saia perdendo era o tipo “garota americana”, loira, olhos claros, uma bonequinha viva. – Vamos lá saber se esse marinheiro presta? — ela riu.

—Claro! — Ao nos aproximarmos deles, Miranda sorriu. O garoto estava com as vestimentas da marinha e parecia ter a nossa idade.

—Cameron, elas são Lena e Sarah. – apontou para cada uma de nós. Cameron dublou meu nome e pareceu estar refletindo sobre isso.

— Prazer meninas, podem me chamar de Cam. – sorri em resposta, mas ainda estranhando o porquê do Cameron ter feito isso.

—O prazer é nosso, Cam. – Sarah falou, mudando de assunto logo depois. – Vamos saber onde iremos dormir, Lena? – assenti com cabeça. Acenamos para o “casal” e saímos.

...

Era uma casa toda branca, com algumas janelas bem grandes, mas a casa em si não era tão grande, sempre sonhei em morar em algum lugar assim com minha família, cercado pelo mar... por dentro era bem simples, porém arrumada. Fomos informadas de que mais duas meninas iriam morar conosco, mas elas só iriam chegar mês que vem. Sarah já foi tirando a roupa de que viajara e colocando um biquíni.

—Por que está pondo o biquíni, Sarah? Nós vamos ter que ir no hospital daqui a uns dez minutos.

—Depois do trabalho eu vou pro mar, ora. – ela deu um piscadinha com o olho esquerdo, eu ri.

—Bom... eu não vou deixar você entrar sozinha no mar né? – ela gargalhou.

—Põe logo o biquíni. – e foi o que fiz. Quando estava amarrando a parte de trás, o que não consigo fazer sozinha, alguém bateu na porta, Sarah estava no banheiro, então só poderia ser a Miranda.

—Entra! Estou precisando de ajuda – gritei. A porta foi aberta... arregalei meus olhos e ele também arregalou os dele, me escondi atrás do sofá segurando o sutiã com as duas mãos, era Ryan. RYAN?! O que ele estava fazendo aqui, meu Deus – o-olá soldado Brighton, o que deseja? – gaguejei.

—Desculpe. – ele virou-se de costas – não sabia que você estava nessa situação, volto depois.

—Não, não! Fale o que quer, não vou sair daqui. – Falei, e ele se virou devagar. Preciso muito me desculpar pelo o que disse a ele.

—Qual é a ajuda que você quer, senhorita Woods? Se você colocar uma roupa eu posso te ajudar. – eu ri um pouco alto. – o que foi?

—É justamente dessa ajuda que preciso – ri de novo mas acho que ele não entendeu – Eu preciso que alguém amarre meu biquíni. Nunca consigo fazer isso sozinha, achei que era a Miranda por isso que falei para entrar e que precisava da ajuda dela – ele riu.

—Me desculpe, mesmo. – ele deu um sorrisinho.

—Não precisa pedir desculpas, soldado Brighton. Quem lhe deve desculpas sou eu, por ter pensado tão mal de você, por ter achado aquilo tudo... me desculpa?

—Desculpo sim... Eu te entendo, sei que já havia escutado vários flertes naquela noite e que achou que eu era só mais um.

—Não! Você não é só mais um...

—Shiu, me deixe terminar – ele pediu silêncio, com educação – Eu fui grosso com você.

—Foi sincero. – ele me olhou prendendo o riso.

—Você é teimosa... Shiu! – ele acabou rindo comigo. – como eu estava dizendo eu fui grosso e rude com você, desculpe-me.

—Soldado Brighton, quem deve pedir desculpas aqui sou eu, já lhe disse que você não está errado, e eu concordo plenamente com teu pensamento de que tem que haver sentimento. Mas existem pessoas que não ligam pra isso, e eu tirei conclusões erradas sobre você, muito erradas mesmo. – ele sorriu e mudou completamente e assunto.

—Me deixe te ajudar. – franzi a testa – A colocar o sutiã... – ele me fez rir.

—Nossa... – ele riu alto, a risada ele era tão contagiante.

—Não posso fazer nada, se soou estranho – rimos juntos. – venha aqui, Lena. – Sorri e me levantei, fui andando até ele e meu sangue se concentrou nas minhas bochechas. Quando cheguei perto dele me virei de costas para que ele pudesse amarrar meu biquíni. Em alguns segundos ele já havia terminado. – Prontinho... – ele segurou na minha cintura com as duas mãos, elas eram quentes e macias, não parecia que ele era um soldado, as mãos de meu irmão são cheias de calos. Ryan me virou de frente pra ele.

—Obrigada, soldado Brighton. – sorri.

—Ryan. Me chama de Ryan, por favor. — fiz uma carinha de deboche.

—Sou teimosa, esqueceu? – ele riu.

—Não querendo me intrometer, mas já me intrometendo, por que está vestida de biquíni?

—Sabe esse mar? É nele que vou pular mais tarde. – ele desviou o olhar e mordeu os lábios rosados sorrindo logo depois. – Que foi? – ele apertou minha cintura e leve, me fazendo arrepiar, e soltou logo depois.

—Tenho que ir agora, nos vemos depois. – ele sorriu e saiu correndo. Tá. Eu não entendi nada, mas pelo menos me senti melhor, agora que estou bem com o Ryan é menos uma dúvida, porém ele acabou me deixando com mais uma. Eu nunca acreditei em destino, mas porque será que ele também veio pra Pealr Harbor?

—Lena! – Sarah saiu do banheiro. — Avisa na próxima tá? – ela falou rindo. – quando o... Ryan, né? Vir pra cá. – Arregalei os olhos, ela falava isso tudo com uma expressão de “segundas intenções”.

—Co-omo você sabe o nome dele? – gaguejei e ela riu.

—Eu não queria atrapalhar você então fiquei ouvindo vocês conversando. – ri um pouco nervosa, Sarah não parava de rir. – E aí ele é gatinho?

—Pode ir tirando os olhinhos – entrei na “brincadeira”, ri.

—Ahhhh! Então é gatinho! – Rimos juntas – Chama ele de Ryan da próxima vez.

—Sarah! – ela deu uma gargalhada, fui até lá rindo e dei um tapinha de leve nela, Sarah me deu língua.

Estava precisando disso, rir, de verdade. Acho que irei ter boas amigas, ou pelo menos alguém para compartilhar momentos como esse.