An Angel In The War
7 "Ryan, eu queria fazer uma coisa".
POV Lena
Conhecemos o hospital, ele era grande e branco, e tinha ceiro e maresia. Ficamos lá sem fazer nada além de conversar por um bom tempo, Miranda chegou atrasada e levou uma bronca do médico que estava de plantão. Depois de um bom tempo, um piloto chegou lá, estava com infecção intestinal, não parava de vomitar. O Sr. Lewis me mandou atende-lo, aplicar soro, e o deixar em observação, até o soro acabar. Não suporto vômito.
—Olá soldado. Venha comigo. – ainda não tinha visto o seu rosto até ele falar comigo.
—Lena... Você fica bonita de batom vermelho.
—Jack? – Só poderia ser... da última vez que o vi ele me deixou confusa, e eu não preciso de mais dúvidas.
—Lembrou de mim... – a voz dele estava rouca, pois já tinha vomitado demais. Aquilo me fez sentir nojo.
—O que comeu, soldado? Você não está nada bem.
—Eu não me lembro. Ontem todos os pilotos foram ao bar... Ai – ele pôs a mão na cabeça.
—Está de ressaca e com infecção intestinal. Que ótimo. – fui irônica.
—Brighton está aqui, você viu? – Ignorei a pergunta. E continuei preparando o soro. – Ele não foi ontem, só apareceu hoje. Deve ter saído com as enfermeiras que chegaram antes... – peguei o braço dele e comecei a procurar a veia. Ele ficou me olhando, como se estivesse admirando. Furei-o com a agulha do soro e terminei meu trabalho.
—Pronto, soldado. Você ficará aqui até o soro chegar ao fim. – Saí da sala. Como assim saído com as enfermeiras?! Não! Eu não posso estar com ciúmes do Ryan, ele não é nada meu! Ai meu Deus... Eu não sou assim, não vou ficar com ciúme, afinal quem disse isso foi Jack.
...
—Miranda, a Lena mentiu pra nós. – franzi as sobrancelhas e olhei pra Sarah. Estávamos entrando em casa, para a Miranda vestir a roupa de banho. – Ela tem um namorado!
—Lena! Não acredito! – Miranda ria alto.
—Mentira! – gritei rindo.
—Não é mentira não. E quer apostar quanto que ele vai te ver ainda hoje? – olhei para Sarah sem entender nada. – Você não sabe nada sobre os homens, né?
—Claro que sei. – tentei me defender.
—Não conhece nada! — ela riu. Miranda já tinha trocado de roupa.
—Você já teve um namorado, Lena? – Miranda perguntou. Neguei com a cabeça. – hum... Eu também não. Nem sei se o Cameron é um namorado. – Não falei nada.
—Vocês tem que entender a cabeça deles, ou pelo menos fazer com que eles acreditem que vocês sabem. – Sarah disse.
...
A areia estava quentinha, mas o sol já tinha ido embora. As meninas já estavam dentro d’água, mas eu estava abraçada aos meus joelhos, sentada, e observando o caminho das ondas. Senti que alguém cobriu meus olhos com as mãos, tomei um susto, pensei em gritar, mas não fiz isso. Toquei as mãos que cobriam meus olhos, só podia ser uma pessoa, só ele que sabia onde eu estava.
—Oi Ryan. – ouvi ele rindo, tirou as mãos e sentou-se ao meu lado. Olhei em seus olhos, esta cor é perfeita. Ele estava sem uniforme, com uma regata branca e uma bermuda preta. Continuava lindo, mas o uniforme dava a ele um charme inexplicável.
—Oi Lena. – sorri. – Você não deveria estar ali? – ele apontou para o mar.
—Estava esperando você chegar – Sarah me disse que ele iria me ver ainda hoje, só poderia ser aqui, então dei um chute. Ele sorriu de uma forma diferente quando eu disse aquilo.
—E agora que eu cheguei? – ele soltou a pergunta no ar.
—Quer nadar soldado Brighton? – respondi com outra pergunta. Ele sorriu e se levantou, estendeu as mãos me ajudando a levantar. Minha força, junto com a dele fez com que nosso tórax se chocasse um pouco forte demais.
—Ai – falamos em uníssono, rimos. Ficamos ali, só olhando um nos olhos do outro. Imaginei como seria se nossas bocas se encontrassem, quero muito saber como é essa sensação. Ryan virou-se de costas e me puxou pra cima de suas costas, exatamente como Luke fazia, ele segurou na minhas coxas e eu entrelacei minhas pernas em sua cintura, e Ryan saiu correndo. Soltei um gritinho, o que fez ele rir.
—Ah! A gente vai cair! – eu gritei rindo, enquanto ele corria cada vez mais rápido, me perguntei como ele conseguia correr tão rápido com alguém em cima dele.
—Espera até eu voar com você! Nesse caso, talvez, a gente caia. – Ele vai me levar pra voar? Sempre quis voar de avião, mas não é proibido? Sorri e gritei.
—Não me faça medo, assim nem entro em um avião! – ele riu e foi parando de correr as poucos. Me colocou no chão, ele estava ofegante. Sua camisa colada ao corpo por conta do suor, nós estávamos longe de onde as meninas nadavam. Ele sorriu olhando em meus olhos, com uma expressão confusa. – Vamos ou não nadar? – ele não respondeu, apenas tirou a camisa deixando à mostra seu corpo, suspirei, um pouco alto demais. Ele riu, o que fez meu sangue se concentrar em minhas bochechas, tentei rir. Ryan correu até a água e mergulhou, fiz o mesmo. A água estava com uma temperatura perfeita, do jeito que sempre imaginei como seria o mar daqui. Molhei meu cabelo e nadei até onde Ryan estava.
—Eu amo a cor do seu cabelo, Lena. – ele disse passando os dedos por uma mecha.
—Eu amo a cor dos seus olhos, essa cor. É, ela me fascina, é diferente, não sei explicar. – Eu ri e ele sorriu.
—Me fala sobre você... – ele pediu me puxando pra perto dele devagar, até que minhas pernas se cruzaram na sua cintura.
—Opa... – Achei perto demais, mas não fiz nada, afinal eu sempre quis ficar assim com um homem. Ele riu comigo. – Bom... Você sabe que tenho um irmão, ele está na Alemanha – Quando disse isso senti meu coração apertar, mas tentei não demonstrar. – Tenho também uma irmãzinha, dizem que ela se parece muito comigo. – eu ri, senti que meus olhos marejaram, não quero chorar na frente dele. Pisquei os olhos rapidamente para mandar embora as lágrimas – Tá, eu... Eu gosto de mar, gosto de calor, mas também amo a neve, sempre quis voar.
—Posso dar palpites? – balancei a cabeça concordando, estranhei a pergunta. – Se eu acertar você não fala nada ok?
—Ok. – Sorri e ele também.
—Você estava de batom vermelho hoje – Eu ri – Sua cor preferida de batom, provavelmente. – arregalei os olhos. Ele riu. – você já deve ter feito vários bonecos de neve, já deve ter xingado seu irmão por motivos idiotas e sem sentido que hoje deve lembrar e rir – eu ri, eram coisas óbvias. Ele estava pensativo.
—Minha vez. – ele sorriu e afirmou com a cabeça. – Pelo jeito que você falou sobre irmãos, deve ter alguns. – ele riu baixinho.
—Eu tinha. – ele fez uma carinha triste, decidi não perguntar nada, não queria deixa-lo com lembranças ruins ou que o fizessem não ficar bem.
—Hum... Mas eu acertei, em partes – ele sorriu. – Tá. Você deve gostar de voar, certo? Quem não deve gostar? deve ser perfeito, o vento no rosto, o céu, as nuvens pertinho... – pensei alto.
—É perfeito sim. – ele deu um sorriso. – Lena, você sabe quem é? — Ryan me perguntou, franzi a testa estranhando a pergunta.
—Claro que sei, eu sou Lena Mary Woods. — ele riu, e logo depois sorriu de lado, deixando aquilo no ar. — Quem eu sou, Ryan?
—Você sabe quem é, basta querer descobrir. — não estava entendendo nada que Ryan estava dizendo, porém não quis mais falar sobre aquilo, ou talvez quisesse, mas não conseguia me concentrar em nada que não fosse o rosto de Ryan mais perto que nunca do meu. Nós estávamos numa posição íntima demais para duas pessoas que praticamente não se conheciam.
—Ryan, eu quero fazer uma coisa...
—O que quer, Lena? — Ele me olhou nos olhos sorrindo e não deixei que mais nenhum segundo se passasse.
Encostei meus lábios nos dele, Ryan pareceu ter ficado surpreso, mas ignorei esse fato. Eu não sabia o que fazer, não era meu primeiro beijo, mas parecia que sim, eu simplesmente não processava e pra piorar Ryan não teve nenhuma reação. Entrelacei minhas mãos no seu cabelo, e senti que ele sorriu, Ryan finalmente fez algo, ele começou a me beijar com vontade e senti todo o meu corpo arrepiando. No começo nosso beijo estava lento e calmo, quase de uma maneira romântica julgando o fato de estarmos numa praia paradisíaca, porém um pouco ousado levando em conta nossa posição, Ryan acelerou o beijo, senti suas mãos apertando minha cintura descoberta, me fazendo faltar o ar por um instante. Mordi seu lábio inferior o fazendo suspirar, sorri por dentro, depois do suspiro ele parou o beijo.
—Desculpe eu tive que parar. — Ryan disse — Eu não iria conseguir parar se não parasse agora. — Aquilo me fez rir fraco, eu deixei Ryan Brighton sem controle, uau...- Essa coisa que você quis fazer... Eu também queria fazer — ele desviou o olhar, parecia um garoto de 16 anos falando, não sabia se achava fofo ou ria — Queria fazer desde o dia que soube que você existia, – Ele sabia da minha existência? — desde aquela noite que te vi indo pra casa, pensei em fazer isso no dia em que me viu no quartel, pensei em fazer isso se você tivesse aceitado que eu fosse te levar em casa, pensei...
—Shiu! — coloquei meu dedo indicador naquela boca perfeitamente desenhada e o beijei novamente, desta vez eu soube o que fazer, beijei lentamente sua boca, o fazendo sorrir, e depois depositei um selinho na mesma. – Eu queria muito fazer isso, você não sabe o quanto. – ele sorriu de uma forma sexy.
—Ryan Brighton, se você não parar com isso vou ter que beijar de novo.
—O que eu fiz? Tenho que aprender a fazer de novo. – aquilo me fez gargalhar. – É sério, o que foi que eu fiz, Lena? – eu não parava de rir ele realmente não sabia o que tinha feito.
—Acabei de descobrir que pessoas com olhares sexys não sabem que tem esse poder. – dessa vez ele que riu alto.
Ryan ficou tentando fazer o olhar sexy por um bom tempo. Não, ele não conseguiu. Porém toda vez que ele chegava perto ganhava um selinho, que às vezes se transformava em algo mais...
—Você tá tremendo de frio, Lena, é melhor a gente ir, não acha?
—Ryan, eu tô bem. — eu disse sentindo que estava prestes a espirrar, e foi o que aconteceu.
—Quem cuida das pessoas aqui é você, mas eu sei quando alguém está precisando de um chocolate quente, um cobertor, companhia — Ele me olhou com segundas intenções eu ri — Nós vamos agora, não quero você doente ruivinha. — ele sorriu, mas eu continuei com a cara fechada. — Você acha mesmo que eu quero ir embora? Por mim ficaria aqui até o sol aparecer bem ali — ele apontou pro horizonte.
—Tá, Brighton, você ganhou.
—Não me chama assim, você sabe que não gosto.
—Porque você acha que chamei ué... — ele riu revirando os olhos e eu me levantei rindo.
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