Amália Swan
10 XX
Charlie mal parara a viatura da polícia quando Amália abriu a porta. Estavam em frente à casa de Billy, com muitos nativos acordados. Leah, ao lado de seu pai, parecia nervosa e perdida.
Amy correu para abraçá-la, sendo prontamente correspondida.
— O que aconteceu? – Escutou Charlie perguntar a Billy, nervoso.
— Não sabemos, faz dois dias que ele não volta para casa, ninguém tem notícias dele. – O ancião da tribo respondeu, parecia enjoado.
— Preciso que a última pessoa que o viu me informe se Sam estava diferente em algum sentido. – Charlie disse, a mão buscando um bloco de notas e uma caneta nos bolsos. – Quanto mais informações, melhor. Então vou fazer um registro de desaparecimento na delegacia.
O pai de Leah, Harry, colocou sua mão no ombro da filha, guiando-a para dentro da pequena casa vermelha de Billy. Uma mulher mais velha e aparentemente cansada acompanhou-os. Amália não a conhecia, mas acreditava ser a mãe de Sam.
Quando Leah se afastou, Quil, Embry e Jacob se aproximaram de Amy.
Quil parecia ter visto um fantasma, sua expressão não escondia o pavor que sentia. Jacob parecia mais confuso, enquanto Embry olhava tudo ao seu redor, como se procurasse por pistas do que poderia ter acontecido.
Ele ergueu uma lanterna, afim de mostrá-la a todos.
— Venham, vamos à praia.
O caminho foi silencioso, todos perdidos em seus próprios pensamentos.
Quando eles se sentaram na areia, Jacob fez a pergunta pela qual ansiava desde que vira a radiopatrulha chegando.
— Por que Bella não veio?
Amália o olhou com certa curiosidade.
— Ela estava dormindo. – Falou simplesmente.
— Ontem foi o baile da escola de vocês, não foi? – Embry perguntou, recobrando a consciência.
— Foi, sim. – Amy respondeu com um pouco de dificuldade de lembrar que até poucas horas atrás ela estava se divertindo com seus amigos e seu namorado, enquanto a reserva estava começando a se preocupar com a falta de Sam.
Aquela informação pareceu tirar a atenção de Jacob.
— Bella foi ao baile?
Amália olhou-o novamente, uma pontada de irritação lhe subindo. Sam estava desaparecido e tudo no que Jacob conseguia pensar era em Bella?
— Não. – Falou secamente. – Ela não gosta de bailes.
Jacob assentiu parecendo aliviado.
Com um suspiro profundo, Embry deitou-se na areia. Apoiou sua cabeça no colo de Amália, que começou a acariciar levemente seu cabelo.
Eles ficaram em silêncio, perdidos em seus pensamentos, até que amanheceu. Não demorou muito para que, quando o dia clareou, um Quileute mais jovem, Seth, irmão de Leah, os procurasse na praia.
— Amy! – Gritou enquanto se aproximava, chamando a atenção de todos. – Charlie pediu para que eu a avisasse que ele voltou para Forks, organizar a delegacia. Ele imaginou que você gostaria de ficar aqui hoje, considerando que você já viria de qualquer jeito passar o dia conosco.
Amália apenas assentiu, sorriu levemente para o garoto ao agradecer.
— Obrigada, Seth.
O menino suspirou, parecia cansado. Sentou-se na areia.
— Como sua irmã está? – Quil perguntou, parecendo preocupado com o pequeno primo.
— Nunca a vi tão estressada. – Seth contou. – Não a culpo. – Ele adicionou, a voz baixa.
— Eu estou perdido. – Embry disse de repente. – Quero dizer, como alguém pode simplesmente sumir assim? Num piscar de olhos? Sem razões?
Amália sentiu seu corpo estremecer, seus olhos marejaram. Fora Sam que a acolhera no princípio, que a levara para encontrar Billy, onde ela descobrira mais de suas raízes.
— É. É uma barra. – Jacob disse, os olhos focados no balanço do mar.
— Meu pai vai fazer peixe frito hoje. – Seth falou, tentando mudar o assunto. – Estão todos convidados para almoçarem lá.
Amy sorriu para o garoto mais jovem. A inocência dele, o quanto ele era genuíno, tornava automático se afeiçoar pelo menino.
Embry, ainda apoiado em suas pernas, suspirou fundo. Quil, ao seu lado, parecia inquieto, diferente de Jacob, completamente fora de órbita.
— Como foi o baile, Amy? – Quil perguntou, ele parecia desesperado para conversar sobre qualquer coisa.
— Foi muito bom, na realidade. – Amália respondeu, um leve sorriso na face ao se lembrar da noite.
— Quem era seu par? – Seth perguntou, curioso.
— Kyle Jones. – Respondeu apenas, perguntando-se se os garotos de La Push o conheceriam.
— Você gosta dele? – Embry perguntou com um sorriso divertido nos lábios.
Amália revirou os olhos, mas seus lábios a traíram quando formaram um sorriso bobo.
— Estamos namorando. – Falou simplesmente.
— Como assim? – Quil fingiu brabeza. – Sabe, ele precisa vir a La Push pedir permissão. Somos seus primos.
Amália o olhou com tédio estampado nos olhos.
— A única autorização necessária é a minha, Quil.
Seth sorriu.
— Leah falou a mesma coisa para nosso pai quando ela começou a namorar Sam.
Quando Seth percebeu, era tarde demais. O nome deixou uma carga pesada no ambiente. Mais uma vez, cada um se perdeu nos seus próprios pensamentos.
O cansaço começou a dominar o corpo de Amália. Seus olhos começaram a pesar e ela bocejou.
Embry percebeu isso e ergueu-se.
— Esqueci que você não deve ter dormido muito essa noite. – Falou perto de Amy que apenas assentiu, lutando para abrir os olhos. Ele estendeu sua mão para ela, ajudando-a a se levantar.
Amália cambaleou um pouco, escutou Embry rir com isso. Sentiu quando dois braços a seguraram e quando seu corpo foi suspenso no ar. Depois disso, lembra de uma brisa leve chacoalhar seus cabelos e então a escuridão...
Quando acordou, já era hora do almoço.
O almoço passou silencioso. Harry, sogro de Sam, esforçara-se no início para estabelecer uma conversa com todos presentes, mas não obteve sucesso. O clima na casa era de luto, medo, aflição.
Leah saiu da cozinha logo que terminou de comer, subindo ao seu quarto sem se preocupar em dar satisfações.
Quando terminaram de organizar a louça, Amália, Embry e Quil voltaram à praia. Amy já se sentia completamente à vontade com eles dois, mas percebia que Jacob havia se afastado um pouco desde sua chegada. Eles deitaram na areia para pegar um pouco de sol. Naquele momento se permitiram esquecer do que acontecia no mundo e passaram a tarde como amigos sem problemas maiores. Conversavam de qualquer coisa, sobre a Liga de Futebol Americano, sobre a NBA, sobre o colégio da reserva e sobre os planos de futuro. Perguntaram para Amy sobre seu namoro, e não evitaram fazer algumas piadinhas, Quil principalmente.
Quando o sol já começava a dar indícios de que iria se pôr, Amália lembrou que precisava voltar para casa.
Conseguira uma carona com Sue, mãe de Seth e Leah, que precisava ir até a cidade de qualquer forma.
Sue era uma mulher amável, de rosto arredondado e cabelos lisos e escuros, assim como a maioria dos Quileutes. Tentava se manter positiva quanto a tudo que acontecia, mas admitiu para Amy que sentia dor ao ver a dor de Leah. Coisas de mãe, afinal. Falou de Seth e do quanto se preocupava com sua hiperatividade, o quanto aquilo o prejudicava a escola e o quão caro eram os remédios.
Amália era uma boa ouvinte, permitindo que Sue desabafasse tudo que precisava com ela.
A mulher falou também que se preocupava com a saúde do marido, já que ele se recusava a fazer exames de rotina e ir ao médico. Ela sempre se arrepiava ao ver como era a alimentação do marido e tinha certeza que o exame de colesterol estava alteradíssimo.
Elas chegaram em frente à casa de Charlie e Amy agradeceu pela carona, recebendo um sorriso acolhedor de Sue.
— Charlie? – Amália entrou chamando pelo homem. Ela logo o avistou no sofá, assistido a um jogo qualquer.
— Ah, oi Amy! – Ele falou, parecia animado. – Diga-me uma coisa, querida, você já sabia que Bella está namorando? – Ele perguntou curioso e divertido.
A Quileute travou no lugar.
— Não, eu não sabia. – Ela falou, enquanto engolia em seco. – Quem é o afortunado? – Perguntou, rezando para que não fosse quem ela pensava ser.
— Edward Cullen. – Charlie parecia surpreso ao pronunciar o nome. – Ele veio aqui esta tarde me conhecer, levou Bella ao jogo de beisebol que a família faria.
Amália se lembrou de respirar. O ar saiu entrecortado de seu pulmão.
— Ele veio aqui? – Ela tentava esconder o assombro em sua voz. – Uau. Deve estar sério. – Disfarçou.
— Não é? Eu estou bastante surpreso, mas ela parecia feliz.
— Que bom. – Amália falou mentindo. – Eu vou subir, ok? Tenho dever de casa.
Charlie apenas assentiu, voltando toda sua atenção para o jogo.
Amália sentou na sua cama, os pensamentos confusos e o olhar perdido.
Se as lendas da sua tribo fossem verdadeiras, e Amália acreditava que sim, isso significava que sua irmã estava, naquele momento, sozinha com um bando de vampiros. Monstros perigosos. Bella estava em um óbvio perigo.
Perguntou-se se Bella nunca percebera que algo era diferente, errado, naquela família.
Resolveu se focar um pouco em seus livros para se distrair, ligou uma vez para Kyle, mas caiu na caixa postal. Estava ponderando ir tomar um banho quando escutou a porta ser aberta com violência.
— Vá embora, Edward! – A voz de Bella gritou. O corpo de Amália se arrepiou.
— Bella? – Escutou a voz de Charlie chamar no andar debaixo.
— Me deixe em paz! – Ela gritou para ele, subindo as escadas com pressa. Amy viu que lágrimas corriam por seu rosto. Ela entrou no quarto, bateu a porta e trancou-a.
Charlie batia na porta.
— Bella, você está bem? O que aconteceu? — Sua voz estava assustada.
— Eu vou para casa! – Ela gritou, ainda dentro do quarto.
— Ele magoou você? – Charlie perguntou, a voz com tons de raiva.
— Não! – Ela gritou novamente.
— Ele terminou com você? – Charlie tentava entender a situação.
— Não!
— Então o que aconteceu, Bella? – O homem parecia desesperado.
— Eu é que terminei com ele! – Ela gritou dentro do seu quarto.
Então Bella saiu, com uma mochila de viagem no ombro. Passou por Charlie e começou a descer as escadas. Amália se levantou e correu até Charlie, acompanhando-o.
— O que houve? – Ele gritou. – Pensei que você gostasse dele.
Charlie desceu as escadas apressadamente e segurou o braço de Isabella, que ia em direção à porta.
— Eu gosto dele... É esse o problema. Não posso mais fazer isso! Não posso criar mais raízes aqui! Não quero terminar presa nessa cidade idiota e chata como a mamãe! Não vou cometer o mesmo erro estúpido que ela cometeu. Eu odeio esse lugar... Não posso ficar aqui nem mais um minuto!
Charlie pareceu levar um choque e largou o braço de Bella.
— Bella, não pode ir embora agora. É tarde — sussurrou ele atrás dela.
Ela não se virou
— Vou dormir na picape se ficar cansada.
— Espere só mais uma semana — pediu ele, ainda chocado. — A Renée estará de volta então.
Aquilo pareceu chamar sua atenção.
— O quê?
Charlie continuou ansiosamente, quase balbuciando de alívio quando ela hesitou.
— Ela ligou quando você estava fora. As coisas não vão bem na Flórida, e se Phil não assinar um contrato no final da semana, eles vão voltar para o Arizona. O assistente técnico dos Sidewinders disse que eles podem ter um lugar para outro jogador de segunda base.
Ela sacudiu a cabeça, como se tentasse pensar.
— Eu tenho uma chave. – Falou, a voz falhando levemente. – Me deixe ir, Charlie. – A voz dela era dura, magoada. – Não deu certo, está bem? Eu realmente odeio Forks!
Amália viu quando Charlie perdeu a postura, ele cambaleou enquanto Bella dava às costas e ia até sua picape.
— Ligo para você amanhã! – Foi tudo que ela dissera.
Amy correu até Charlie, percebendo que ele não conseguiria se mover sozinho. Seus olhos estavam vazios e marejados.
— Charlie, venha, vamos entrar. – Ela disse. Sua voz estava cheia de dor. Lhe doía ver Charlie daquela forma, lhe doía a atitude de Isabella. – Charlie, por favor... – Implorou.
O homem pareceu acordar de seus devaneios por um certo momento. Deu um sorriso triste para Amália e entrou na casa. Sem dizer nada, subiu até seu quarto e se trancou lá dentro.
Amy sentiu-se uma intrusa naquela casa, naquela família, naquelas vidas.
Temia por qualquer coisa que pudesse acontecer à Bella.
Sem um motivo específico, entrou no quarto de Bella, coisa que havia feito pouquíssimas vezes. A primeira coisa que seus olhos captaram foi a bagunça. Provavelmente por causa de uma mala feita às pressas, muitas roupas estavam jogadas pelo chão do quarto.
Respirou fundo.
E o que sucedeu foi estranho. O quarto de Bella tinha um perfume horrível. Extremamente doce, que lhe ardia o nariz. Amália deu alguns passos para trás, querendo escapar do aroma nada agradável.
Voltou para seu quarto, sentindo seu corpo inteiro reagir negativamente ao cheiro. Estava enjoada.
Deitou na cama, na tentativa de se sentir melhor. Sua cabeça girava e seu estômago estava embrulhado. Correu até o banheiro, onde vomitou todo peixe frito que comera no almoço.
Escovou os dentes e voltou para sua cama. Seu corpo doía, como se ela tivesse feito horas e horas de treino na academia.
Sentia-se estranha.
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