Naquele dia, Amália não dormiu. Assim como Charlie. Tantas preocupações passavam em sua mente que ela sentia-se sufocada. Tentaram ligar para Bella milhares de vezes, todas em vão.

Charlie não parecia estar raciocinando. Parecia à mercê do mundo. Como se apenas flutuasse, sem sentir nada, sem tomar uma direção.

Amália não conseguia nem imaginar o que se passava na mente do adulto.

Não sabia dizer quantas horas ficou encarando apenas o teto de seu quarto, sem praticamente nenhum pensamento em sua mente. Permitiu-se apenas sentir toda a confusão que se instalava ao seu redor.

Às seis e meia da manhã, seu alarme tocou.

Era segunda-feira.

Havia passado a madrugada em claro e não sentia a menor possibilidade de ir à escola naquele dia. Ignorou o alarme e logo mandou duas mensagens: Uma para Kyle, avisando que estava se sentindo indisposta e não iria à aula, e a outra para Ananda, pedindo se havia algum problema ela não ir à loja naquele dia.

As duas respostas não tardaram a chegar.

Kyle respondeu “ ): espero que melhore logo, meu bem”.

Ananda, preocupada, “Não se preocupe, querida! Avise-me se precisar de alguma coisa! Melhoras :*”

Com certo alívio de se livrar de seus compromissos do dia, Amy se virou em sua cama e, finalmente, deixou-se ser vencida pelo cansaço.

Acordou sendo chamada freneticamente por Charlie.

— Encontraram ela. — Charlie disse, sentado no sofá. Seus olhos estavam vagos, vazios. Ele parecia ter envelhecido 10 anos em apenas 24 horas. — Já estava em Phoenix. Edward e Carlisle a seguiram até lá.

— E como ela está? — Amália perguntou temerosa.

— Ela sofreu um acidente. Está no hospital, em coma induzido.

Amy mal poderia dizer tudo que se passava na sua mente. Acidente. Ela queria rir. E chorar. Era óbvio que o “acidente” fora, na verdade, um sanguessuga querendo colocar seus dentes na carne dela. Perguntou-se quem foi, talvez o próprio Edward. Mas ele tivera autocontrole o suficiente para parar? Afinal, ela estava viva, não estava?

Jamais diria tudo aquilo ao Charlie, então apenas sentou ao seu lado enquanto respirava fundo, tentando processar tudo.

Logo a notícia chegou em toda cidade de Forks, Bella Swan havia caído dois lances de escada e atravessado uma vidraça e, por isso, estava internada em um hospital de Phoenix há dias.

Amália não participou de nenhuma aula, também não foi trabalhar em nenhum dia daquela semana. Todos pareciam entender que ela não tinha condições de pensar em algo que não fosse em sua irmã em coma a 1500 km de distância.

Kyle e Alexa foram em sua casa algumas vezes para levar os materiais da escola e deixá-la atualizada sobre trabalhos a entregar.

Mas nem mesmo Kyle era capaz de deixá-la animada. Não quando tudo que pensava durante o dia era se sua irmã voltaria para casa sendo sua irmã.

Na sexta-feira, Charlie recebeu uma ligação de Reneé, mãe de Bella, e depois de Carlisle, contando que Bella estava acordada, consciente e bem, ainda que com muita dor e diversos ferimentos pelo corpo. Amy realmente acreditou naquilo e sentiu que podia respirar de novo, depois de dias sem fazer isso direito. Bella ainda era Bella, ela sabia.

E tinha outra coisa que mexia com a mente de Amália. Sam. Já fazia uma semana que ele não era avistado por ninguém, também não deu notícias. Talvez em outro momento, Amy teria ido para a Reserva para desopilar um pouco, mas a cada dia que passavam sem notícias de Samuel, aquele lugar parecia ainda mais coberto por nuvens carregadas.

Isso, obviamente, não a impediu de ir visitar seus parentes, na tentativa de oferecer suporte à Leah. E receber um pouco de compreensão de Billy Black.

Tudo que ela não podia desabafar com Charlie ou com qualquer outro em Forks, ela poderia com Billy. Chorou de medo e cansaço no colo do homem por horas seguidas, Billy chorou junto com ela por pena de Charlie, que não fazia ideia do mundo em que vivia.

Não sabia responder exatamente porque nunca ligara para Bella nos dias que ela seguiu internada em Phoenix. Talvez seu subconsciente tivesse medo de não reconhecê-la do outro lado da linha.

Fechou seu guarda-roupa, sua expressão era visivelmente frustrada e se olhou no espelho.

Não sabia ser possível descontar toda sua aflição em comida como estava fazendo nos últimos dias. Mas, aparentemente, era. E, aparentemente, seus quilos a mais já faziam diferença, considerando que mais da metade de seu guarda-roupa já não lhe servia mais.

O mais estranho era olhar no espelho e, ao mesmo tempo que via diferença, não era da forma que deveria ser.

Bem, ela deveria estar mais gorda, mas não estava.

Pelo contrário, não se lembrava de ser tão acinturada, nem mesmo lembrava de ter músculos definidos pelo corpo. E se perguntava quando que os armários aéreos da cozinha começaram a parecer mais acessíveis para ela.

Mais alguns dias passaram e ela voltou à sua rotina normalmente. Quando encontrou seus amigos na escola, percebeu que estava na altura de Kyle, o que deixava Alexa ainda mais próxima do chão. Não sabia dizer se alguém teria reparado em sua repentina fase de crescimento após início da puberdade, pois não foi a pauta de seu retorno.

Precisava colocar a conversa em dia com seus amigos. Leo havia pedido Sarah oficialmente em namoro e Richard estava cada vez mais com eles, levando todos a crer que ele e Jasmin teriam o mesmo destino.

Flagrou Alice Cullen a olhando com semblante confuso algumas vezes, assim como Rosalie lhe torcendo o nariz.

Não gostava de nenhuma das duas.

Passou quase mais uma semana quando Carlisle avisou para Charlie que eles estavam pegando um avião para voltar para Forks — e é claro que pagaram a passagem da Bella também.

No dia seguinte, Charlie parecia mais eufórico do que o dia em que Isabella se mudou para Forks.

Amália, por sua vez, sentia seu estômago embrulhado, como se fosse vomitar a qualquer momento.

Lá estava ela, cheia de ataduras, arranhões visíveis, uma tala na mão esquerda e a perna direita quebrada.

Amy quis chorar quando a viu. Entretanto, manteve a compostura. Respirou fundo quando a viu, sorriu amarelo e agradeceu Carlisle e Edward por terem a “salvo”.

O mais novo a olhava de forma que sabia que ela estava agindo daquela maneira por pura educação. Seu olhar era algo que Amália nunca vira antes. Recheado de culpa.

Não demorou para Charlie deixar Bella da maneira mais confortável que podia. Assim como Amália, ele tinha dúvidas que aparentemente não iriam receber respostas. Mas ainda era pai. Ele a cuidava com todo cuidado que o velho chefe da polícia conseguia.

Mais uma vez, Amália se sentiu intrusa naquela casa.

Não avisou, muito menos pediu permissão. Apenas pegou a picape vermelha que já estava de volta à casa e dirigiu o mais rápido que pôde até a Reserva. Precisava se sentir dentro de alguma coisa, pertencente a algo naquele momento. A Reserva era tudo que tinha.

Quando chegou, estacionou perto da casa de Billy. A picape chamou atenção e Quil e Embry ficaram felizes em vê-la. Billy a olhava como se pedisse pela confirmação de que Bella havia voltado e que estava bem. Amy apenas assentiu, em afirmação, e o homem suspirou aliviado na cadeira de rodas. Amália achava engraçado e também curioso o fato de conseguir se comunicar tão bem com Billy, mesmo que através apenas de olhares.

Mas a reação de Leah a surpreendeu.

Quando a Clearwater a viu, correu para abraçá-la forte.

— Eu estou tão feliz por ela ter voltado para casa, Amy. Muito feliz mesmo por você.

Aquilo fez Amália querer chorar. Bella voltara para casa, Sam seguia sem dar notícias, há duas semanas.

Ela e Leah haviam se aproximado muito naquele curto período. Entre dores parecidas de ambas, encontraram uma na outra a força para seguir acreditando que as coisas iriam se resolver.

Amália logo entendeu: a volta de Bella fazia as esperanças de Leah se renovarem.

Quil, na sua usual forma simpática, logo pediu para que a Clearwater “por favor, não monopolizar minha prima”.

Amy apenas sorriu. Abraçou cada um que quis abraçá-la e, ali na Reserva, teve seu repentino crescimento reparado.

— Olha só, Quil — Embry falou sorrindo de leve. — Amy está praticamente do nosso tamanho.

Quil sorriu de maneira brincalhona antes de dizer.

— Sabe o que isso significa, não é? — Quil pediu para Embry que apenas riu. — Não vamos mais te dar trégua nas corridas, Am!

Amália apenas sorriu com o comentário de seu primo, assim como o apelido que se tornava mais comum entre ele e Embry.

— Nunca pedi pela trégua, priminho! — Ela riu, levando todos os outros junto com ela na risada.

Mesmo com todos os problemas que aconteciam ao seu redor, Amália se sentia em casa na Reserva, junto dos Quileutes. Era sua casa, eram sua família.



Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.