Amy
7 Capítulo 6 - A primeira estrela
Notas iniciais
Amy acordou com o despertador barulhento de seu celular. Resmungando, tateou o chão a procura da bolsa. Assim que a encontrou, abriu-a, pegou o aparelho e desativou o barulho irritante. Era uma manhã fria, muito fria, na verdade. Provavelmente o inverno havia chegado e, com isso, seu aniversário também. Amy não gostava muito de comemorar aniversários, principalmente por conta dos constantes pensamentos sobre como ela nunca gostaria de ter nascido.
Levantou relutante, estava com tanta preguiça! Gostaria de ficar o resto do dia deitada dormindo, para ela, seria o melhor dos aniversários. Mesmo assim, sabia que precisava ir para o trabalho. Tomou um banho quente, vestiu uma camisa de mangas compridas e tecido grosso, um sobretudo de couro preto e calças jeans, além das botas negras. Penteou os cabelos, fez a maquiagem costumeira e colocou vestiu um cachecol de crochê, que sua avó lhe havia feito quando era menor. Pegou a bolsa e saiu do apartamento, dando de cara com a idosa da portaria. Amy forçou um sorriso e a cumprimentou.
– Bom dia para você também, querida. — a velha sorriu da mesma forma que a mais nova. — Eu vim apenas lhe trazer isto.
Estendeu um envelope branco. Desconfiada, Amy o pegou e o abriu, sentindo que seu mundo houvesse acabado de cair. Riu, sem graça.
– Isso é algum tipo de piada? — encarou a mais velha.
– Não. — sua expressão era dura e fria como concreto de fábricas velhas e cinzentas. — Senhorita Cure, você está com o aluguel atrasado em cinco meses. Se não conseguir pagar todos até semana que vem, será despejada.
– Mas... — Amy respirava de modo pesado, como se houvessem pedras em sua garganta. — Eu só receberei meu pagamento daqui a duas semanas e, mesmo assim, só conseguiria pagar um mês de aluguel...
– Sinto muito. — a mulher não expressou tal frase. — Mas se é assim, acho que deveria começar a arrumar suas coisas.
A idosa virou as costas e foi descendo as escadas, enquanto Amy cerrava os dentes e amassava o papel em suas mãos, de tanta raiva que agora sentia daquela mulher. Pensou que iria começar a chorar ali mesmo, desabar. Não tinha para onde ir. O que faria? Moraria na rua? Será que Andrew poderia ceder espaço para ela em sua casa? Eram tantas perguntas. Suspirando, Amy guardou o papel na bolsa, trancou a porta de seu apartamento e saiu dali pensando em que esplêndido presente houvera recebido logo de manhã.
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Amy havia desabado no balcão. Andrew afagava seus cabelos, falando doces palavras sobre como tudo iria melhorar. Era mais um dia parado na Discology. Hodge, como sempre, houvera chegado atrasado e levado uma bronca de Ronald. Alguns clientes adentraram a loja, mas eu estava com um rosto péssimo para atender qualquer cliente, fazendo com que levasse um sermão quase interminável do chefe, que ameaçou descontar do meu salário se continuasse trazendo problemas pessoais para a loja. É, definitivamente, Amy deveria ter ficado em casa e dormido. Ela voltou para o vestuário e retocou a maquiagem, tentando engolir o choro, forçou um sorriso para si mesma e voltou.
O dia continuou se arrastando com poucos clientes, até que a noite chegou e o trabalho acabou. Todos trocaram de roupas, menos Ronald, e saíram, deixando o chefe sozinho, ao seu próprio pedido. Amy estava meio avoada, pensando em que aniversário patético ela estava tendo. O único presente que havia ganhado era uma notificação de despejo, sem contar com a bronca de Ronald.
Foi arrancada de seus pensamentos graças a Andrew, que a sacudia sorrindo.
– Desculpe não ter falado mais cedo. — por um momento, a morena ficou confusa, mas logo entendeu o que se passava. — Feliz aniversário, Amy.
– Obrigada, Andrew. — meus olhos estavam mareados. Pelo menos os sinceros parabéns de seu melhor amigo ela havia conseguido.
– Ei, não se esqueçam de mim, pombinhos. — riu Hodge, juntando-os em um abraço.
Não conseguiram parar de rir. A neve fria deixava a cena ainda mais bonita vista de fora. Amy não conseguiu se conter e acabou deixando lágrimas saírem. Ao menos aqueles dois se importavam com ela de verdade. Tentaram andar entrelaçados, mas acabaram caindo juntos no chão duro e gelado, rindo feito crianças. Era uma cena estranha, mas nenhum dos três estava se importando.
Amy rindo era uma visão linda para Andrew, pois ele sabia que era difícil vê-la o fazer com sinceridade. Ela pôs uma mecha de cabelo para trás da orelha, enquanto sorria e xingava-os de desajeitados, ainda com lágrimas nos olhos. A morena realmente não tinha consentimento da própria beleza. Andrew tinha vontade de pega-la no colo naquele momento, nunca mais deixá-la ficar triste, cuidar, protege-la. Sentia-se obrigado a isso.
Os três levantaram e Hodge então perguntou aonde eles iriam comer naquela noite. Foi então que Andrew sugeriu que a aniversariante escolhesse.
– Não me deixem escolher, senão escolherei um lugar caro. — riu. — E eu sou aniversariante, não pagarei nada hoje.
– Convencida. — o moreno apertou suas bochechas com força, como se fosse uma punição.
– Só um pouco. — riu, passando as mãos nas maçãs do rosto, tentando aliviar a dor dos apertos.
Acabaram optando por ir na pizzaria favorita da garota. Ela adorava o lugar pois era um local renomado, vários atores famosos já haviam comido ali e ela sempre torcia para tombar com um deles. Infelizmente, assim como nas outras vezes em que havia comido ali, não avistou ninguém famoso. Mesmo assim, estava feliz de poder comer ali, a comida era muito boa.
Todos já estavam comendo, quando Andrew parou de repente e puxou algo de um bolso de dentro do casaco. Amy quase pulou do sofá ao ver que era um presente. Um pacote vermelho enfeitado com um laço que o mantinha fechado. Pensou que fosse chorar novamente de tão feliz que estava.
– Parabéns. — repetiu o amigo.
Sem mais delongas, Amy desamarrou o laço com cuidado, adorava laços, então provavelmente guardaria aquele para usar no cabelo depois. Tirou o papel de presente e viu um dos seus discos favoritos da sua banda predileta em suas mãos. Sorriu, tão transparente quanto o calmo orvalho que escorregava nas folhas verdes em dias quentes de outono. Estava sem palavras. Ele sabia que ela queria muito aquele disco mas que não tinha dinheiro para comprá-lo, que aliás, fazia muito tempo que não comprava disco algum.
– Muito obrigada, Andrew. — falou finalmente.
– Minha vez. — anunciou Hodge, estendendo um pacote pouco maior, mas ainda sim encarando o outro amigo como se o presente que estava dando fosse melhor.
Ela abriu com certa pressa, vendo o DVD de um de seus filmes de animação favoritos nas mãos. Agradeceu imensamente e deixou os presentes de lado apenas para terminar de comer.
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Amy suspirou, ao ver que Luke já a esperava em frente ao Monte Fuji. Ele usava as mesmas roupas sociais pretas de sempre, só que dessas vez era acompanhado de um cachecol comprido no pescoço. Os cabelos negros estavam cheios de neve, desgrenhados como sempre. Os ombros relaxados o davam uma postura aparentemente curvada. A pele branca e pálida o fazia parecer um cadáver, ainda mais com as fundas olheiras descansando sob os olhos castanhos e cheios de mistérios. Olhava para cima como se esperasse por algo. Amy sentia-se obrigada a admitir para si mesma, Luke era muito bonito. Olhando-o naquele momento, tudo parecia realçar sua beleza. Corou um pouco, quando ele percebeu que ela estava ali.
– Hoje é seu aniversário, não é? — sorriu, animado.
– Como sabe? — recuou, surpresa. — Deuses, garoto! Você é um stalker.
– Desculpe, é que estou feliz por você, acabei ficando animado. — colocou a mão na nuca, tentando disfarçar o nervosismo. — Eu tenho um presente para você. Feche os olhos.
Mesmo desconfiada e ainda curiosa para saber como o garoto sabia de seu aniversário, ela o obedeceu. Sentiu algo frio roçar seu pulso. Esperou até que o garoto lhe desse permissão para olhar e então abriu os olhos. A princípio, ficou surpresa, mas depois sorriu. Era uma pulseira prateada, tinha corrente grossa, porém delicada. Dava a impressão de ter sido feita por fadas, pelas curvas nos detalhes nelas. Porém, algo curioso, pulseiras daquele tipo geralmente possuíam pingentes, essa não possuía nenhum.
– Obrigada, Luke, não precisava... — sorriu. Ela parecia uma garota muito mais nova e fofa com aquele cachecol e com as bochechas coradas devido ao frio.
– Precisava sim. — ele assentiu.
– Mas, puxa, nós acabamos de nos conhecer. — sua voz parecia mais dócil do que o normal. — Ah, e por que ela não tem pingentes?
– É aí que está a graça. — sorriu, divertindo-se. — Cada motivo que eu te der para continuar viva, será representado por um pingente. Aos poucos, essa pulseira vai se tornar um lembrete, vai ser um pedaço de mim para você. Para você sempre lembrar de mim e de como estará agradecida por estar viva. — riu, fazendo uma expressão convencida.
Amy não conseguiu se poupar de uma risada. Soltou um sorriso sincero e bobo, olhando distraída para a pulseira. Foi então que Luke obteve o mesmo pensamento que horas antes ele sabia que Andrew também teve. Sentindo-se confortável para tal ato, ele se curvou um pouco e afagou os cabelos da mais velha, sorrindo.
– Gostou?
– Adorei. — confirmou Amy, finalmente sentindo que podia confiar no garoto.
– E o primeiro pingente. — ele tirou um saquinho de papel pequeno do bolso do casaco. — está aqui.
Ansiosa, com um leve brilho nos olhos, ela sacudiu o saquinho na palma de sua mão, vendo um pequeno pingente em forma de estrela, detalhada ao mesmo estilo dos detalhes na pulseira. Sorriu de forma avoada e prendeu o primeiro pingente na pulseira.
– Venha comigo e eu te mostrarei o que ele representa.
Luke andou um pouco e estendeu a mão para ela. Amy não conseguia parar de sorrir, segurou a mão do garoto e deixou-o conduzi-la por Londres.
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