Amy
5 Capítulo 4 - Desagradável.
Notas iniciais
E obrigada pelos reviews ~~
Amy pendurou a bolsa num canto, pegou suas chaves e abriu seu próprio armário. Era o quatro, que ela considerava ser seu número da sorte. Abriu-o e pegou a camisa, que era o uniforme da Discology. Era vermelha, com gola polo e detalhes amarelos. A morena tirou o casaco e a camisa que vestia, dobrando-os e guardando-os no armário. Vestiu o uniforme do local de trabalho e consultou o celular, parando de ignorar as mensagens insistentes de Clary, respondendo algumas.
Enquanto isso, Andrew suspirava aliviado, pensando que Amy não havia visto o disco em sua mão. Como poderia ter vacilado daquele jeito? E se ela descobrisse? Iria acabar com a surpresa, pensou. Já havia tempo que o garoto pensava no que dar de presente para a amiga, visto que seu aniversário estava próximo. Pensou em dar-lhe algum LP, ou a biografia de algum ex-Beatle, mas não encontrou presente melhor que aquele CD. Se chamava Boys Don't Cry, da banda favorita de Amy, The Cure. E Andrew sabia que ela não possuía aquele CD. Estava tão perdido em devaneios, que quase nem viu a presença de Hodge.
- Hey, Andrew. — o loiro o chamou.
Andrew quase pulou da cadeira, abrindo a gaveta que ficava embaixo do computador e escondendo o CD ali, enfim.
- Ah, oi Hodge. — gaguejou. — Você está atrasado.
- Eu sei, eu sei. — a voz do mais novo era fina até demais, às vezes podia até ser confundida com a de uma mulher. — Amy já chegou?
- Sim. — o nome da garota deixou o moreno um pouco nervoso. — Ela está trocando de roupa.
- Entendo... — Hodge entrou na área restrita do balcão. — Ronald já veio dar uma olhada aqui?
- Não, estão com sorte.
Hodge suspirou, aliviado. Foi então que Amy saiu do vestuário, sorrindo ao ver o amigo de cabeça clara.
- Hodge! — ela o abraçou. — Cara, você faltou muito, semana passada! O que aconteceu?
- Febre. — respondeu, retribuindo o abraço. — Não estava em condições de trabalhar.
- Mas você avisou Ronald?
- Sim, sim. Não queria levar uma advertência.
- Entendo...
O barulho do sino, que anunciava a chegada de alguém, despertou a atenção dos três. Um grupo de amigos, todos vestidos de preto e acessórios coloridos. Amy sorriu, mesmo não indo com a cara de nenhum deles, se aproximou e fez seu trabalho.
- Posso ajudar? — juntava as mãos atrás do próprio corpo.
- Acho que sim. — a única garota do grupo a olhou com asco, mas Amy teve que continuar sorrindo.
- O que desejam?
- Muitas coisas. — respondeu um garoto alto, sarcasticamente.
- Essa vadia é gostosa, hein? — um menino mais baixo sussurrou para o único que usava óculos.
Amy tinha que se conter para não socar a cara de cada um deles.
- Queremos um disco do Slipknot. — disse a garota.
- Qual seria? — a morena continuou tentando parecer doce.
- All Hope Is Gone. — respondeu a mais nova.
- Deixe-me ver... — Amy se aproximou da estante que era marcada pela letra S. Procurou e dedilhou cada CD, até balançar a cabeça negativamente. — Desculpe, estamos em falta...
- Ah, que bosta! — resmungou a menina.
- Essa loja é um lixo, mesmo. — adicionou o mais alto. Se aproximou da estante com a letra C, ao alto e olhou-a um pouco. — Que coisa, hein? Aqui eles têm os CDs de merda do The Cure, mas não têm um disco do Slip...
Amy cerrou os punhos até os nós dos dedos ficarem brancos.
- Pelo menos têm alguma biografia ou coisa assim? — o que "elogiara" Amy, se manifestou.
- Sinto muito, mas não temos nada desse tipo. — tentou não soar estressada. — Por enquanto, só vendemos discos e LPs.
- Que merda de lugar, mesmo. — concordou o quatro-olhos.
- Vamos embora daqui. — chamou a menina, já abrindo a porta. — Com certeza agente acha isso no shopping.
- É verdade. — assentiram todos.
E assim eles se foram, para alívio de Amy.
- Mas que merda foi essa? — Hodge pensou alto.
- Argh! — rugiu a morena, indo para perto dos amigos. — Odiei esses caras.
- Eles xingaram o The Cure... — reparou Andrew.
- São uns tapados! — Amy se apoiou no balcão. — Não que eu não curta Slipknot, mas não precisava falar mal da loja. Eu também fico frustrada por não conseguir Boys Don't Cry, ok?
Andrew sorriu para si mesmo, tentando esconder o rosto.
Novamente, o barulho do sino desperta a atenção dos funcionários. Desta vez, o rosto velho e familiar de Ronald apareceu ali. Trazia duas caixas marrons e enormes, que mal conseguia carregar. Entrou desajeitado e deixou as caixas no chão.
Ronald era o chefe da Discology. Guitarrista profissional a mais de trinta anos, já havia morado muito tempo em Londres. Pelo menos era o que havia dito para todos ali. Seus cabelos eram de um loiro meio branco, enquanto sua pele era pálida e carregava tatuagens com dragões e símbolos estranhos, que cobriam os seus braços e costas. Rugas de sabedoria decoravam seu rosto, enquanto que os braços levemente musculosos pareciam deixá-lo mais jovem. Mas só pareciam.
- Hey, crianças! — bateu um pouco nas caixas. — Venham ver o que tenho aqui!
Amy, Andrew e Hodge então se aproximaram do chefe. O mais maduro abriu a primeira caixa, fazendo um sorriso se abrir instantaneamente no rosto da garota. Eram livros. Livros e mais livros. Todos eram biografias ou itens de colecionador. Os olhos de todos ali pareciam brilhar, menos o de Hodge. Ele não ligava muito para essas coisas. Gostava mais do Pop Music e dos grandes hits dos anos oitenta. Foi por isso que seus olhos brilharam mais quando Ronald abriu a segunda caixa.
- Há muito mais dessas caixas vindo por aí. Vamos entrar em reforma por um tempo, para poder abrigar tudo isso aqui. — comentou Ronald, com um sorriso no rosto.
- Isso quer dizer que...? — Andrew não terminou a frase.
- Vão ter alguns dias de folga. — concluiu o chefe.
Os funcionários comemoraram um pouquinho, mas só um pouquinho, para não deixar o rígido Ronald irritado.
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Ao final do dia, Amy concluiu que o movimento na loja vinha piorando. Nunca tiveram muitos clientes, principalmente nesta época do ano, mas o número de clientes estava cada vez pior. A morena já havia trocado de roupa e estava do lado de fora da Discology, esperando os amigos saírem também. Depois de quase meia hora, eles saíram também. Primeiro Hodge, em seguida Andrew, que trancou a loja. Juntos, eles saíram da Cleveland Street, se dirigindo para a estação de metrô mais próxima.
- Faltam quantos dias para o seu aniversário, Amy? — indagou o loiro.
- Uns quatro... Eu acho. — ponderou um pouco e se corrigiu. — Três, na verdade.
- E o que pretende fazer?
- Sei lá. — ela deu de ombros. — Nunca fiz questão de comemorar esta data.
Eles desceram as escadas frias da estação.
- E que tal nós combinarmos algo? — intrometeu-se Andrew. — Seria interessante.
- Poderíamos ir visitar algum lugar que você quisesse ir... — Hodge estreitou o olhar para Amy, como se tentasse ler sua mente.
Ela apenas riu e comprou os bilhetes de todos eles. Passaram pelas catracas brilhantes e sentaram para esperar o metrô.
- Na próxima, quem paga os bilhetes é o Andrew, certo?
- Ah, é verdade... — lembrou-se o moreno.
- Mas e então? — perguntou Hodge. — Aonde vamos comer hoje?
- Que tal irmos à Subway? — sugeriu Amy. — Eu estou muito afim de um sanduíche de churrasco.
- Pode ser. — concordou Andrew. — Hoje, eu que pago.
O metrô chegou e os três entraram no transporte. Amy ficava se perguntando se aquele garoto estranho já havia ido visitá-la, ou se encontraria com ele ainda naquele dia. Mas acabou não se importando Não conseguia parar de pensar na fome que sentia.
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