Amy
6 Capítulo 5 - Para tudo há uma primeira vez
Notas iniciais
Chegando em casa, Amy pensava em quanto sua barriga estava doendo, sentia-se até mais gorda de tanto que houvera comido. Mais uma vez, bateu os pés na escada mas a idosa da recepção não acordou, chegou à frente de seu apartamento, pescou as chaves de dentro da bolsa, porém, antes que destrancasse a porta, descobriu que a tal já estava aberta. Assustada, ouviu um barulho vindo de dentro da sua moradia e entrou com pressa, vendo um garoto de cabelos negros e roupas sociais em sua cozinha recolhendo cacos de uma velha caneca que agora caíra no chão.
- O que diabos está fazendo aqui?! — berrou a morena.
- Ah, Amie! — ele parecia ter se assustado mais que a própria garota. — Eu... Ahn... Nós íamos... Er... Nos encontrar hoje, de novo, né?
Amy balançou a cabeça, incrédula.
- Tanto faz! — resmungou, tirando o casaco. — Aonde quer ir comigo?
- Ahn... Eu... Não sei. — levantou-se, com os cacos da caneca nas mãos. — O que faço com isso?
- Droga, você quebrou minha caneca... — suspirou. — deixe ao lado da pia, quando voltar eu jogo isso fora.
A morena tirou a bolsa e jogou-a na cama, sentando-se em seguida.
- Diga logo onde quer ir, senão vou lhe expulsar daqui e dormir.
- Ah ta... Er... Mas não faço idéia. — ouviu Amy suspirar entediada. — Cinema?
- Pode ser. — deu de ombros. — Só espere eu me arrumar, estou fedendo por causa do trabalho.
Ela entrou no banheiro e trancou a porta, despindo-se enquanto Luke colocava os cacos brancos ao lado da pia. Ponderava sobre o emprego, mais uma vez. Sabia que aquilo o comprometia demais. Se seu chefe descobrisse, estaria morto e não seria fácil esconder aquela noite dele.
Depois de quase dez minutos, Amy saiu do banheiro com o corpo molhado enrolado em uma toalha e os cabelos secos presos no topo da cabeça. Olhou para Luke com sobrancelhas contraídas.
- É melhor não olhar. — ameaçou.
Corando, o garoto abaixou-se e encostou sua costa no balcão, para não ver Amy se vestindo. A garota, segura de não estar sendo espiada, revirou a mala que usava como guarda roupas, atrás de alguma roupa simples e rápida de se vestir. Acabou optando por um vestido curto, negro, sem alças. Aquilo que chamam de tomara-que-caia. Vestiu-o, maquiou-se, calçou sapatilhas simples e penteou os cabelos, usando como acessório apenas um anel de prata que possuía uma flor de brilhantes em cima.
- Estou pronta. — anunciou.
Luke sorriu e levantou-se, olhando para a garota e não conseguindo impedir a boca de se abrir.
- Você está linda — gaguejou.
- Obrigada. — ela pegou a bolsa e abriu a porta do apartamento. — A propósito, como entrou aqui?
- Você esqueceu a porta aberta.
- Mentiroso. — zangou-se a moça.
- Não, eu não minto. — explicou.
- Mas eu nunca esqueço de trancar esta porta.
- Bem, é como dizem, tudo tem uma primeira vez. — riu, nervoso, deixando-zoa apenas mais desconfiada.
- Se fizer isso mais uma vez, chamarei a polícia. — e saiu do apartamento, esperando-o.
Luke suspirou, não podendo dizer que a polícia nunca seria capaz de pegá-lo. Pensou melhor, se arrumasse confusões com a polícia, seu chefe lhe expulsaria da empresa a tapas. Tentando esquecer um pouco o trabalho, ele sorriu e saiu, estava feliz por poder sair com Amy, que o esperava em frente à porta do apartamento, chamando-o impacientemente.
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Como havia um cinema bem perto dali e Luke não possuía um carro, o casal dirigiu-se ao local caminhando. No caminho, mais novo não conseguia parar de olhar para a distraída Amy, que às vezes parecia perder totalmente em devaneios, como se tivesse coisas demais a pensar, muitas idéias enchendo sua mente. Ele adorava isso.
Assim que chegaram, Amy apressou um pouquinho os passos, ansiosa para ver os filmes que estavam em cartas. Ficou feliz em ver que o filme de uma das suas séries de livros favoritos já havia estreado. Como uma criança, ela puxou Luke pelo pulso, apontou para o cartaz do longa metragem e sorriu ao falar:
- Vamos ver esse!
Sorrindo serenamente, ele acariciou o cabelo dela.
- Vamos ver o que você quiser — percebera então que a fizera corar levemente, rindo em seguida.
- Então vamos comprar logo os ingressos, idiota. — virou-se a morena, soltando-o e voltando a ser a Amy rabugenta de sempre
Após comprarem os bilhetes, dirigiram-se para o balcão de comida para comprar pipoca e refrigerante, porém, Amy comprou mais doces do que comida, já que não tinha mais fome. Visto que para o filme começar ainda faltava quase meia hora, eles sentaram em um dos bancos redondos que jaziam bem no centro do lugar. Amy, impaciente, já comia uma das barras de chocolate que houvera comprado. O silêncio os fez ponderar por alguns segundos, até que Luke achou um assunto para comentar.
- Amie. — chamou. — Eu precisava lhe perguntar algo.
- Eu também. — respondeu a mais velha, sem olhá-lo.
- Quer perguntar primeiro?
- Não.
- Então... — ele gaguejou. — Desculpe ser intrometido, mas por quê se jogou da janela naquela noite?
Aquilo pareceu afetá-la, pois aquele pedaço de chocolate que iria morder foi atrasado, na verdade, nem aconteceu, pois ela fechou a boca e abaixou o braço, mirando o chão.
- Sabe, eu... — suspirou. — Eu já desisti de viver.
- Por quê?
- Por... Vários motivos...
- Que motivos? — insistiu.
- Pare. — sua voz oscilou e suas mãos tremeram um pouco.
- Ah, me.. Me desculpe. — atreveu-se a abraçá-la. — Mas, por favor, eu preciso saber.
- Por que se importa tanto comigo? Eu sou só uma estranha para você.
Aquilo magoou Luke momentaneamente, por motivos desconhecidos pra Amy, mas motivos que também ele talvez nunca pudesse revelar para ela.
- Acho que, a partir do momento em que salvei-lhe, comecei a me sentir meio responsável por você... Quero ajudar-lhe... Não quero deixar você fazer aquilo novamente.
- Me deixe em paz. — resmungou baixo, quase chorando. — Eu só quero morrer em paz.
Triste, ele olhou no relógio.
- Faltam apenas dez minutos, melhor irmos.
- Tudo bem. — ela deixou a franja cobrir-lhe os olhos, seguindo-o para dentro da sala.
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Amy não conseguiu parar de sorrir durante o filme, às vezes ficava tão empolgada que apertava o braço de Luke, tanto que chegava a doer. Algumas vezes, o garoto fingia se espreguiçar, para tentar colocar a morena em seus braços, mas foram apenas tentativas frustradas, pois Amy sempre percebia e o falava para desistir. Ao final do filme, a mais velha estava quase adormecendo enquanto andava, visto que já estava tarde e que houvera acordado cedo naquele dia.
- Preciso ir para casa. — bocejou. — Tenho trabalho amanhã.
Luke riu da expressão sonolenta que Amy fazia. A lua estava em sua fase crescente convexo, o que fez Luke perceber que no dia seguinte seria uma sexta-feira de lua cheia. Riu, lembrando da infância, tempo no qual ele ficava observando o céu noturno com seu telescópio usado. Mas isso foi há muito tempo atrás.
Seguiram o caminho para a casa de Amy calados, porém, assim que chegaram na recepção banhada pelo ronco alto da idosa costumeira, a morena pareceu realmente cair no sono, encostando-se no braço de Luke. O mais novo sorriu e a pegou no colo, carregando-a até sua cama, mais uma vez entrando sem precisar destrancar nada, já que Amy houvera esquecido de trancar a porta da frente.
Ele a deitou na cama, cobriu-a com o lençol de tecido fino e abriu as janelas para o apartamento não ficar abafado. Só então, Amy pareceu acordar.
- Luke? — chamou-o, coçando um dos olhos.
- Estou aqui. — sorriu, sentando ao lado dela, na cama.
- Eu dormi?
- Sim. — riu.
- Ah.. — sua voz parecia ter ficado mais suave.
- Amie...
- Sim?
- Posso lhe encontrar mais vezes?
Ela bufou.
- Tanto faz. — mentiu. Pra falar a verdade, Amy havia gostado bastante de ter visto o filme com o garoto, fora divertido. Mas ela não gostava de admitir certas coisas.
- E Amie...
- O que foi? — resmungou.
- Eu... — hesitou. — Vou lhe dar motivos para não tentar se suicidar novamente. Eu prometo.
Com uma pausa, Luke abaixou-se e beijou a testa da garota, levantando, desejando uma boa noite e indo embora, realmente determinado a mantê-la viva e retornando a pensar no trabalho. Precisava voltar imediatamente.
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