Amores e Uns Quebrados
1 introdução
Sendo breve, eu sou a Ana e no momento tenho 19 anos. Podia dar algum tipo de descrição física ou psicológica, mas por enquanto o nome e a idade bastam. Já vivi algumas coisas na minha vida proporcionadas pelo meu coração que eu considero dignas de nota.
Preciso fazer um registro de todas as histórias que passei antes que as datas saiam da minha memória ou que eu esqueça dos detalhes, e num futuro (talvez próximo) pode ser que tudo isso já pareça besteira, então resolvi sair abrindo minha vida por aí.
Por alguma razão, eu acho que é melhor começar a contar essa história pelo meio. Acreditem, já escrevi e reescrevi esse começo diversas vezes, e nunca pareceu muito bom, então algo me diz que vai ser melhor dar algumas informações importantes do passado só depois.
Mas não hoje; aqui eu vou contar uma história bem do início mesmo, só pra vocês conhecerem a primeira vez que tudo deu errado — e por minha culpa.
Segunda, 2 de novembro de 2015
Antes de tudo, quero deixar claro: não vou citar o nome dele aqui.
Eu lembro perfeitamente da cena que eu vou descrever, digo isso com tranquilidade. Era feriado, e recentemente eu tinha ido junto com a escola num passeio ao Hopi Hari num dia muito chuvoso, então os alunos ganharam um ingresso de replay (o qual eu estava usando no dia marcado ali em cima).
Até então tinha feito sol, mas assim que entrei na fila da montanha-russa senti uma garoa bem leve. Por algum motivo que até hoje não sei explicar bem, eu e minha amiga que estava comigo começamos a dançar no momento que o chuvisco começou. Isso foi a brecha necessária pra um grupo de três meninos atrás de nós comentar, alto o suficiente pra se fazerem ouvir.
— Bom, tem gente que nasce feliz assim, né?
Vou abreviar bastante a história: o comentário nos fez virar mas quando vimos que o intuito deles era só puxar algum assunto, não como provocação, acabamos fazendo algum tipo de amizade ali na fila.
Mas eu, até então, nunca tinha ganhado atenção de ninguém, e isso me fez perceber muito rápido que um dos três amigos me encarou durante toda a conversa, até irmos embora do brinquedo. O tempo todo mesmo.
Coração-mole e bobinha do jeito que sou, mal cheguei em casa e fui até o Facebook procurar o cara pelo nome. Nem eu acreditei na minha sorte quando encontrei. Pra confirmar que era ele, mandei uma mensagem perguntando se naquele dia ele tinha estado no Hopi Hari. A resposta foi exatamente essa:
"Você é aquela menina linda da fila da montanha-russa?"
Juro por tudo, não aumentei nem um ponto sequer, ele disse com essas palavras.
Resumidamente, o que se seguiu foi: ele era de outra cidade e nós passamos a conversar todos os dias, de manhã até a madrugada. Em menos de uma semana eu já estava dizendo pra qualquer um que quisesse ouvir que eu estava apaixonada por ele. Em duas semanas, ele disse que também gostava de mim. Na terceira semana começou um pseudo web-namoro (quem diria?) e por fim, lá pela metade do segundo mês, as coisas ficaram estranhas.
Já não conversávamos todo dia, os assuntos iam ficando cada vez mais repetitivos, eu conheci coisas nele que não me agradaram e o mesmo aconteceu com ele. Ficamos um pouco mais de uma semana sem trocar uma palavra sequer, ainda hoje não sei porquê, até que ele me chamou no meio de uma noite de janeiro. Começou com um papo de como ele ia me abraçar no dia que a gente se visse pessoalmente de novo, mas a coisa toda desandou quando a conversa tomou um rumo que eu preferia evitar — espero que você aí entenda, eu que não vou entrar em detalhes. Enquanto eu lia, fiquei tão perplexa que não soube o que dizer.
No dia seguinte, eu não chamei ele. Na verdade, nem lembro se meu espanto me fez bloqueá-lo ou coisa do gênero. O que aconteceu foi que acabou assim. Do nada. Sem formalização, sem explicação. Eu não mandei mais nenhuma mensagem, nem ele, e assim ficou.
Assim, por causa da minha idade, minha imaturidade — e por minha culpa — veio minha primeira desilusão amorosa, sem mais nem menos.
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