Regina vestia outra camisa de Robin quando desceu para tomar seu café da manhã. Robin estava de costas, vestindo apenas uma calça de malha fina. Suas costas eram fortificadas, os músculos trançados em faixas perceptíveis a olhos treinados como os dela. Ele estava cantarolando uma música do Stevie Wonder e ela suspirou, mordendo o lábio inferior.

“Ei.” Chamou ele, sorrindo e ela percebeu que havia sido pega.

“Acho que vou pedir para você cantar Don’t you worry ‘bout a thing na cama.”

“Só se for enquanto eu estiver te fazendo perder os sentidos.”

Ele a encarou com um olhar safado e ela sorriu.

“Vem tomar café. Você deve estar faminta.”

Ela caminhou até ele, abraçando-o por trás, suas mãos deslizando pelo abdômen definido, sobre os músculos firmes, enquanto ela descansava a cabeça contra a escápula dele, dando-lhe um beijo carinhoso.

“Eu te amo, Robin.”

“Oh meu Deus.” Resmungou ele.

“O que foi?” Perguntou ela, afastando-se dele. Ela o virou e eles ficaram frente a frente.

“Você está carente? Acho que vou chamar o Archie e pedir para ele trazer remédios fortíssimos.”

“Seu idiota.” Ela riu e deu um tapa no braço dele. “Prefere que eu diga que te odeio? Vai ser fácil.”

Ele a pegou pela cintura, suas mãos escorregando para a bunda dela e a puxou, jogando-a com força contra o seu próprio corpo.

“Se disser que me odeia, vou te colocar em cima daquela pia ali...” Explicou ele, indicando a pia com um aceno e ela acompanhou o raciocínio com um sorriso malicioso. “E vou te foder com tanta força que até os vizinhos vão ter certeza de que você me ama muito.”

“Nesse caso” Ela o beijou, mordiscando o lábio inferior dele. “Acho que te odeio muito.”

“Engraçadinha. Boa tentativa. Vamos tomar café agora.”

Ela sorriu e ele abraçou-a antes de soltá-la, puxando a cadeira para que ela se sentasse.

O telefone tocou no exato momento em que Robin puxou uma madeixa do cabelo dela e colocou-o atrás da orelha. Ela olhou para o aparelho e olhou para ele, deixando claro que ela não ia atender. Ele que levantasse a bunda da cadeira.

Robin respirou fundo e foi até o aparelho. Ele acionou o botão ativando a função viva-voz e voltou para a mesa.

“Robin.”

“Nossa, que demora para atender o telefone.”

“Bom dia Marian.”

“Bom dia? Você ainda estava na cama? Robin Locksley, se estiver fazendo papel de deprimido isolado por causa da Regina eu vou pagar para alguém ir até aí te dar uma surra.”

“Marian, a Regina...” Mas antes que ele continuasse Regina enfiou as unhas no braço dele, balançando a cabeça negativamente como que para impedi-lo de denunciar sua presença.

“A Regina o quê? Nossa, pelo amor de Deus! A mulher te ama e te quer, como você é idiota, meu Deus! Você era idiota assim quando era casado comigo? Ou isso é efeito colateral dela?”

“Eu não sou idiota.”

“É idiota por ela. Já te disse, sossega esse pau e deixa ela vir atrás de você.”

Regina o encarou, com uma das sobrancelhas arqueadas. Ele sacudiu os ombros, acudido.

“Bom dia para você, Marian.”

Houve um silêncio na linha por alguns instantes.

“Regina?”

“A própria.”

“Porra, Robin! Por que não me avisou? Olha o tamanho do vexame que me fez passar.”

“Estamos bem, não é o que você queria?”

“Era o que você queria?” Resmungou Regina. “Não parecia quando apareceu na porta vestida com aquela camisola barata fingindo ter voltado com ele.”

“Regina.” Sussurrou ele.

“É a verdade.”

“Eu precisei forçar a barra, Regina.” A voz de Marian estava calma do outro lado. “Você não saía de cima do muro.”

“Eu queria forçar minha mão na sua cara.”

“Calma! Eu estava ajudando vocês.”

“Ela ajudou a gente, pega leve.”

“E a camisola custou caro, para você saber.”

“Se pagou mais de dois dígitos, você foi roubada.”

Marian revirou os olhos, grata por ninguém estar apto de vê-la fazendo isso.

“Que bom que estão bem. Eu já estava pensando em voltar só para dar uma surra em cada um.”

“Vai sonhando, dear.”

“Onde está o Roland?”

Eles a ouviram chamar o garoto.

“Papai?”

“Meu filho! Como está a viagem?”

“Tá muito legal! Minha mãe não quis me levar na Disneyland de novo, mas tudo bem. Comemos um monte de sorvete e eu fui à Torre Eufo.”

“Eiffel?”

“Acho que é. Aquela de ferro, e muito alta.”

Regina riu, talvez um pouco alto.

“Tia Gina?”

“Olá querido.”

“Você está na casa do meu papa?”

Eles trocaram um olhar rápido.

“Sim... estamos tomando café da manhã.”

“É verdade que você namora o meu papa agora?”

“É sim, querido.” Robin deslizou as pontas dos dedos sobre a face posterior da mão dela, numa carícia tranquila. “Tudo bem para você?”

“Mas e o David? Ele vai embora? Eu gosto do David.”

“Ele vai continuar morando aqui na cidade, meu amor. Quando voltar, você poderá vê-lo todos os dias.”

“Que legal! Vou ter duas mamães.”

“Ela não é sua mãe, Roland.” Resmungou Marian.

“Ué, ela vai casar com meu pai, então também vai ser minha mãe.”

“Eles não vão... Ah, esquece.”

“Agora vou ter dois pais e duas mães!” Gargalhou ele, feliz.

“Como é que é?” A voz de Robin subiu um decibel de intensidade.

“Roland!” Ralhou Marian.

“Não era pra contar do Killian?”

Ela cochichou alguma coisa.

“Marian.” Chamou Robin, impaciente. “Tem alguma coisa que você queira me contar?”

“Querer eu não quero, mas já que o seu filho não sabe guardar um segredo, vamos lá. Eu e o Killian estamos juntos. Ponto final. Não vou responder mais nada.”

“Mas...”

“Ponto final, Robin.”

“Ele está aí?”

“Sim.”

“Eu sabia.” Sussurrou Regina.

“Regina, por favor.” Pediu Marian.

“Da minha boca, não saíra nenhuma palavra a respeito.”

“Obrigada.”

“O que está acontecendo? Você já sabia, Regina?” Robin encarou-a.

“Nenhuma palavra a respeito, dear. Isso é entre vocês.”

Ele olhou para o aparelho e para ela.

“Querem que eu saia?” Perguntou Regina, antes de bebericar o café.

“Não, eu converso com o Robin quando eu voltar da viagem.” Robin suspirou, aborrecido e Marian chamou Roland para se despedir.

“Papa?”

“Oi meninão.” Regina adorava o tom de voz carinhoso que Robin usava o falar com Roland.

“Papa, não fica bravo com a mamãe tá? Ela tá super feliz. O Killian compra flores para ela e eles se beijam quando pensam que não tô olhando.”

Regina colocou a mão sobre a dele e proferiu um “calma” sem som e ele balançou a cabeça, afirmativamente.

“Que bom, meu amor. Cuida da mamãe, tudo bem?”

“Com certeza. Eu sou o próximo xerife de Storybrooke!”

Eles ouviram o clique do telefone, e o silêncio se instalou na cozinha.

“Robin...”

“Desde quando eles estão juntos?”

“Robin, eu não vou entrar nessa discussão com você. Eu disse a ela que não ia me intrometer e não vou. Esse é um assunto de vocês.”

“Eu mereço saber.”

“Sim, mas não por mim. Merece saber dela.”

“Fala logo e acaba com esse mistério todo.”

“Robin.” Ela se levantou e colocou a cadeira no lugar. “Eu não vou discutir com você por causa disso. Quer ficar aí criando tempestade em um copo d’agua, fica sozinho. Eu não vou me meter no casamento de vocês. Mas não esquece há quanto tempo eu e você estamos envolvidos antes de começar a jogar pedras na Marian.”

Ele a observou enquanto ela subia para as escadas que davam acesso ao quarto.

Joseph tirou a última mala do carro, e David ajudou-o a leva-la até a varanda.

“Uma pena que você odeie Storybrooke, pai. Devia ficar mais tempo.”

“Aquela cidade fede a peixe.”

“É uma cidade marítima, o que você queria?”

“O tempo que passei lá já valeu a viagem.”

David sorriu para ele, mas Joseph o conhecia.

“Vai com calma, garotão. Eu sei que sente falta dela.”

“Ela era a minha melhor amiga, pai.”

“Ela ainda pode ser, David.”

“Não sei se isso vai dar certo.”

“Regina é uma das melhores pessoas que eu já conheci, menino. Ela não vai cortar toda e qualquer ligação com você. Nem pelo Robin.”

“Espero que esteja certo.”

“E a Mary?”

“O que tem?”

“Ai, moleque. Você acha que eu sou uma quinquilharia de museu, não é? Eu sei que tem algo rolando entre vocês dois.”

“Pai!”

“Eu sou observador, Nolan. Já devia ter se acostumado.”

“Eu gosto dela, só não estou pronto ainda.”

“Ela é apaixonada por você. Cuidado para não deixa-la escapar.”

“Tudo bem, Hitch.” Brincou ele. “Mais algum conselho amoroso?”

“Corte esse seu cabelo, está parecendo um vagabundo.”

Ele começou a rir, e o pai o abraçou.

Regina estava deitada sobre a cama, rabiscando uma revista de palavras cruzadas que encontrara. Robin entrou no quarto, relutante. Ela apenas levantou os olhos para fita-lo e voltou à atenção para a revista.

Ele observou-a deitada em sua cama, os cabelos soltos, a caneta presa no canto inferior da boca, as pernas expostas, vestindo sua camisa apenas. Sexy. Incrivelmente sexy. Ele subiu na cama, engatinhando até ela, e deitando-se ao lado dela, a mão passando por cima da barriga dela, segurando-a do outro lado da cintura, puxando-a para si. Ele enfiou a boca no pescoço dela, beijando-a inúmeras vezes antes de plantar um beijo na têmpora dela.

“Me desculpa.”

Ela sorriu.

“Está mais calmo?”

“Sim, eu sou um idiota mesmo.”

“Tudo bem.”

“Está assumindo que eu sou um idiota?”

“Você é, Robin.”

“Uau, mas hoje é dia de ofender o Robin?”

Ela soltou a revista sobre o criado-mudo e o beijou, as mãos sobre as laterais do rosto dele.

“Meu idiota.”

Regina empurrou-o contra a cama, subindo por cima dele. Encaixando-se onde começava a bainha do moletom, ela debruçou-se e o beijou.

“O idiota pelo qual que me apaixonei perdidamente.”

“Agora estou gostando de ser idiota. Continue.”

Ele deslizou as mãos pela extensão das coxas dela, enquanto eles olhavam um nos olhos do outro, imersos em sentimentos.

“Preciso te contar uma coisa.”

“Pensei que tinha me contado tudo ontem.”

“Você disse que quer me conhecer profundamente.”

“Verdade.”

Ela deslizou uma das mãos pelo abdômen másculo e riu, nervosamente.

“Você não vai gostar de saber disso.”

“Tudo bem.”

“Robin, é sério. Você vai odiar.”

“Não tem problema. Nós vamos superar qualquer coisa juntos.”

Ele entrelaçou seus dedos nos dedos dela. Regina olhou para ele, apreensiva.

“Eu perdi a virgindade com o Graham.”