Notas iniciais
Não é muita coisa, capítulo curto porque eu estou tentando manter o ritmo. Estou com problemas pessoais e tá osso achar inspiração. Peço paciência.♥ Querida Sthéfany (S_Mills), obrigada pela recomendação linda, genuína e carinhosa, muito muito obrigada pelo voto de confiança. ♥ Vocês são lindas, as melhores leitoras do mundo.

“Você o quê?”

A perplexidade instalou-se no rosto dele. Mas antes que ela continuasse, a campainha tocou. Regina ensaiou mover-se de cima dele, mas sentiu os dedos dele em volta de seus pulsos.

“Esquece a campainha. Você vai ter que me contar a história toda agora.”

Regina sorriu para ele, maliciosamente. A campainha continuou tocando.

“Robin, quem quer que seja – sabe que está em casa. Não vai embora até você atender.”

Muito a contragosto, ele a encarou e ouviu a campainha tocando novamente.

“Tudo bem.” Soltou os pulsos dela, e deixou que ela caísse ao seu lado na cama. “Mas essa conversa está longe de estar encerrada.”

Robin vestiu uma camiseta e desceu as escadas. A campainha tocou mais uma vez, e ele apressou-se alguns passos, destrancando-a rapidamente e escancarando-a de uma vez.

“Ruby?”

Ruby estava sorridente na frente dele, com algumas sacolas nas mãos. Atrás dela, Graham sorria tranquilamente com duas garrafas nos braços.

“Eu perdi a virgindade com o Graham.”

Merda, Regina. Merda mil vezes.

“Você por acaso esqueceu que nos chamou para almoçar? Quer dizer, já está tarde até para o almoço...”

“Não, claro que não. Entrem.”

Claro que ele havia esquecido. Regina aparecer na sua casa à noite, e eles terem uma noite tórrida de amor e carinho não era parte do cronograma. O almoço era. Robin foi à frente, tirando as coisas do caminho. Ruby invadiu a cozinha, colocando as sacolas sobre a pia. Ela imediatamente observou as duas canecas dentro da cuba.

“Robin.”

Ele levantou os olhos enquanto pegava as garrafas do vinho e colocava na geladeira.

“Sim?”

“Estamos atrapalhando alguma coisa?”

“Como?”

“Tem mais alguém com você aqui? Nós voltamos outra hora.”

Robin sorriu, constrangido. Não sabia o que dizer, e se Regina não quisesse ser exposta assim? Graham sorriu para ele e ele quis odiá-lo por conta da confissão da namorada.

“Tem, tem alguém aqui.”

A voz dela era como um fenômeno da natureza. Como se todos pudessem sentir as vibrações sonoras em sua pele, formigando cada camada da epiderme. Ruby sorriu, maliciosamente e Graham reservou-se apenas a manter os olhos nela, curiosamente.

Regina desceu as escadas, vestida com sua saia moldada ao corpo, e a camisa social um tanto entreaberta, oferecendo uma perspectiva de sua lingerie. Ela abotoou os últimos botões antes de chegar a eles. Seus saltos lhe davam a postura desejada de superioridade. Regina passou por Robin e beijou-lhe a bochecha.

“Ainda bem que trouxeram comida. Eu estava faminta.”

Ela abraçou Ruby, acariciando os cabelos ruivos. Debruçou-se sobre ela e beijou Graham no rosto, notando que Robin assistia a cada movimento.

“Noite agitada, Regina?” Provocou a ruiva.

“Uma tempestade horrível. Deu pra ouvir do seu apartamento?”

Elas trocaram um olhar revelador, e Graham aproximou-se de Robin, sem imaginar a tensão existente.

“Quer ajuda com alguma coisa, cara?”

“Não, obrigado. Fica à vontade, o controle da tevê está ali na mesa.”

Graham sacudiu os ombros e jogou-se no sofá, em busca de um canal interessante.

“Nem para me contar, não é vagabunda?”

“Você sussurra tão alto quanto uma gralha, sua idiota. Eles vão ouvir do mesmo jeito.”

Ruby jogou um pouco da salada nela.

“Que desperdício, Ruby Lucas! Ainda bem que foi você que pagou.”

“Pare de me enrolar, quero saber como você veio parar aqui.”

“Andando.”

“Regina!”

“Podemos falar sobre isso depois?”

“Eu odeio quando você faz isso. Me deixa em compasso de espera, sendo consumida pela ansiedade lentamente.”

“Agora não dá pra contar como é que eu fui parar na cama do Robin. Desculpa.”

Assim que se virou, Regina estava praticamente grudada nele.

“Robin, que susto!”

“Assustou porque estava falando de mim.”

“Convencido.”

“Eu ouvi.”

Ela desvencilhou-se dele, colocando a salada sobre a mesa. “Ouviu porque estava invadindo a minha privacidade. Não te diz respeito.”

“Como você foi parar na minha cama não me diz respeito?” Ele sorriu, entrando no jogo.

Ela o encarou, ficando a apenas centímetros de distância. Apoiou ambas as mãos no tórax dele e sussurrou contra a sua boca. “Não.”

Ele a segurou pelo antebraço, mantendo-a colada nele.

“E como você foi parar na cama do Graham também não?”

“Robin.” Alertou ela.

Ruby os encarava, entretida. Regina voltou seus olhos para a amiga e se surpreendeu com o que os olhos dela revelavam. Ela não estava irritada ou preocupada com a insinuação de Robin. Ela estava gostando de assisti-los.

Ruby sorriu para ela, carregada de intenções e saiu da cozinha, indo até o namorado.

“Comporte-se.” Ralhou Regina, tentando afastar-se dele.

“Eu estou me comportando muito bem.” Sussurrou ele, a outra mão deslizando pelo corpo dela até alcançar sua bunda, apertando-a com vontade, esfregando-a contra ele. Ele se debruçou e sua boca estava encostada na orelha dela agora. “Eu estou me comportando, Regina. Porque nesse momento, estou morrendo de vontade de te foder aqui nessa cozinha, na frente dos dois.”

Regina estava levando os pratos para a pia quando Ruby aproximou-se dela.

“Você vai falar comigo, e vai ser agora.”

Com as unhas delicadamente pintadas em um tom vermelho, Ruby guiou-a até o jardim dos fundos. Regina sorriu. Como podia ser tão nova e tão impulsiva?

“Calma, Lucas!” Regina desvencilhou-se dela, rindo.

“Regina! Você estava destruída pelo cara ontem, e hoje aparece descendo a escada da casa dele com a lingerie saltando pra fora da roupa. Eu mereço uma mínima explicação.”

Regina revirou os olhos.

“Tudo bem. Eu vim até aqui e bati na porta dele ontem a noite.”

“Você veio andando com esses saltos?”

“Sim, e daí?”

“E daí que você é louca. Continua falando.”

“Estava chovendo, eu cheguei aqui encharcada, ele me mandou tomar banho e colocar uma roupa quente.”

“Regina! Você estava andando na chuva! Qual é seu problema? Virou suicida agora?”

“Vou parar de contar.”

“Não!”

“A gente conversou bastante, e depois dormimos.”

“Sem sexo?” Ruby riu tão alto que Regina teve que socar o braço dela antes que os dois fossem atrás delas. “Regina, não vem com essas historinhas. Vai querer me convencer que vocês dormiram juntos e não teve sexo?”

Regina olhou pelo corredor, certificando-se de que elas estavam sozinhas.

“Tecnicamente. Só transamos hoje de manhã.”

“Uau, que progresso.”

Regina mostrou a língua para ela.

“Não me leve a mal, é só que... É preciso muito autocontrole.”

“O que quer dizer?”

“Por favor, Regina.” Ruby sorriu para ela, olhando tão fundo em seus olhos que Regina cogitou estar corando. “É difícil até para uma mulher resistir a você. Que dirá um homem.”

Regina deu um passo a frente, e Ruby não recuou.

“Quer dizer que se por acaso eu te beijar, você vai corresponder.”

“Por acaso eu ficaria mais do que satisfeita em retribuir.”

“Mas você é minha melhor amiga, Ruby.”

“E você é a minha melhor amiga, Regina. Mas seu sex appeal é implacável.”

“Ruby...”

“Eu vou me casar em breve, você não pode me negar isso.”

Ruby aproximou-se, seus lábios a centímetros dos lábios dela. Regina podia sentir o calor deles, e mordiscou o lábio inferior, tentando imaginar razões para não fazer aquilo. Parecia muito certo. Ruby sorriu, observando a indecisão da amiga. Era engraçada a maneira como as situações podem ser invertidas. Regina, sempre tão dominante, dona de si, dona das suas sensações e emoções – à sua mercê.

Ruby roçou os lábios pelo pescoço dela, levemente e ouviu-a gemer quase que imperceptivelmente. Regina fechou os olhos e deixou a cabeça pender para trás, mordendo o lábio inferior novamente quando sentiu Ruby deslizando a ponta do nariz sobre a área delicadamente logo atrás da sua orelha, sentindo seu perfume profundamente.

“Ruby...”

O sussurro sofrido dizia mais do que palavras bem explicadas. Regina queria que Ruby a beijasse, e a ruiva sabia disso. Era aquele o efeito que Regina tinha sobre ela quando estava com a libido saindo pelos poros. Ruby sorriu, satisfeita. O jogo tinha virado. Ela debruçou-se e sussurrou contra o ouvido da morena.

“Se quer que eu te beije, vai ter que pedir.”

Quando Regina tornou a abrir os olhos, estava sozinha.

Notas finais
1) Ruby e Regina não vão ter um caso, tá bom xiitas de plantão? 2) Estou apenas explorando a sensualidade da Regina. Para aventuras intensas da Regina com outra mulher, melhor ler Combustão. Amores Roubados vai abordar esse tema de modo raso, apenas.