Os dedos dela estavam esbranquiçados tamanha a força que ela usava para segurar-se à cabeceira da cama. Seus joelhos afundaram-se contra o lençol branco, a cabeça pendia para a frente, quase apoiada em seus braços. A mão dele estava imperativa em seu cabelo, os dedos enrolados aos seus fios negros, puxando-o, dominando-a. Robin desceu a mão pela linha da coluna dela, dando-lhe um tapa na nádega esquerda enquanto ele a penetrava novamente.

“Safada.”

Regina gemeu alguma coisa, e começou a rebolar contra o pau que a penetrava profundamente. Ela estava completamente banhada em suor, e vez por ora sentia a língua deslizando pela sua lombar, alimentando-se do seu suor. Robin passou uma das mãos por baixo da perna dela, erguendo-a, criando um ângulo ainda mais côncavo onde o pau dele atingia um ponto hipersensível dentro dela, fazendo com ela gemesse chorosa e mordesse com força o lábio inferior.

“Robin, você...”

“Eu?”

“Robin...”

A consistência das estocadas dele estavam tirando a sanidade dela. Regina respirou fundo, tomando ar e sentiu quando ele soltou seu cabelo, colocando as duas mãos sobre o seu quadril, segurando-a naquela posição e aumentando a intensidade das suas investidas. Ela estava prestes a explodir, podia sentir em cada músculo do seu corpo.

“Puta merda.” Sussurrou ela, rebolando; Robin debruçou-se sobre o corpo dela, ainda ajoelhado sobre a cama e chupou seu pescoço enquanto suas mãos massageavam os seios perfeitos.

“Eu sei, é gostoso demais.”

Ela enfiou as unhas no antebraço dele, ofegante. “Robin, porra”

Regina ouviu um barulho irritante, e abriu os olhos.

Ela socou o despertador que berrava ao lado da sua cama.

Puta que pariu.

Aquilo havia sido um sonho? Ela engoliu em seco e deitou-se novamente, com os olhos fixos no teto. A discussão com Robin, o divórcio, trabalho... Tudo isso estava deixando-a em uma crise de nervos pavorosa. E frustração. Frustração insaciável. Ela queria tanto que Robin arrancasse suas roupas e a fodesse até fazê-la perder os sentidos, só que eles não conseguiam ficar no mesmo ambiente por mais de cinco minutos sem discutir.

Ela levantou os olhos e encarou o maldito despertador, calculando quantos minutos podia dormir até estar atrasada para o café da manhã com Joseph. Ela considerou a hipótese de ter mais algum sonho insanamente erótico e resolveu levantar-se.

Regina entrou na Granny’s e avistou-os em uma das mesas localizadas no fundo da lanchonete. David estava sorrindo, vestido com a jaqueta de xerife e jeans escuros. Era incrível a semelhança entre eles. Joseph era evidentemente mais velho, mas o cabelo claro e liso, os olhos azuis, o sorriso encantador... Era mesmo questão de genes. Ela aproximou-se deles e David levantou-se, sorrindo.

“Bom dia, queridos.”

“Olha quem está parecendo uma cidadã normal!”

“Tudo isso porque decidi usar jeans e um moletom? Vou me trocar antes de ir para a prefeitura, não se iluda.”

“Você está linda, Regina.” Elogiou ele, estendendo-lhe a mão e girando-a. ”Não acha, pai?”

“Ela esta sempre linda.”

“Parem com isso” Resmungou ela e debruçou-se sobre Joseph para beijá-lo delicadamente na bochecha. “Como foi a viagem, Joseph?”

“Um tédio.”

“Como sempre.” Argumentou David e ela percebeu que ele continuava em pé ao lado da mesa.

“Não vai tomar café conosco?”

“Não... Eu estou atrasado para o trabalho.”

“Você é o xerife, não pode chegar atrasado?”

“Não se eu quiser dar o exemplo.”

Ele beijou o topo da cabeça dela.

“Pai, você me encontra na delegacia na hora do almoço?”

“Eu me viro, moleque.”

David afastou-se, pegando seu café no balcão e se dirigindo à saída. Regina o acompanhou com os olhos, até que ele desapareceu. Quando voltou a encarar Joseph, notou que ele a observava curioso.

“O que foi?” Provocou ela, sorrindo.

“Vocês dois.”

Ela fitou-o por alguns segundos. “É.”

“Não me entenda mal, filha. É que eu estou orgulhoso. Há muito carinho e respeito na maneira como você olha para ele.”

“Eu adoro o David, Joseph. Vocês são a única família que eu tenho.”

“Ah, minha menina.” Brincou ele, segurando a mão dela por cima da mesa. “Você nunca vai deixar de ser da família. Ninguém fez tão bem a essa família como você.”

“Acha que ele vai se acostumar?”

“Acho. É claro que ele ainda sente algo bem forte por você, e nós conversamos a respeito. Mas ele respeita sua decisão. A vida continua, Regina.”

“Descobrimos quem sabotou seu andaime, por sinal.”

“Aquela porcaria?” Gargalhou ele, e ela adorou aquele som. “Joguei fora. David estava certo, só não conte isso para ele. Era um monte de ferro velho prestes a matar alguém.”

Nesse instante, Robin passou pela porta, roubando a atenção dela. Joseph ergueu o olhar, observando a maneira como o homem a encarou e como ela o encarava de volta. Ele fitou Joseph e então desceu os olhos para a mesa, onde os dedos dela estavam entrelaçados aos seus.

Regina manteve o olhar fixo nele enquanto ele pegava seu café e a encarava intimamente mais uma vez antes de se virar e sair.

“Uau.”

A voz de Joseph a despertou do transe.

“O que eu estava falando mesmo?”

“Isso.” Joseph apontou com a cabeça para a direção de onde Robin havia saído. “É ele, não? O homem pelo qual você se apaixonou?”

“Sim.”

“A intensidade de sentimentos entre vocês é assustadora. Agora consigo entender.”

“Joseph.”

“Regina, minha menina. Eu adoro você e por mim, teria você como nora para sempre. Mas uma coisa eu preciso dizer. Você nunca olhou para David da maneira que olhou para ele.”

A garçonete os interrompeu, trazendo consigo o café da manhã saboroso que David pedira para eles.

O celular da Regina tocou assim que ela deixou Joseph na delegacia. Por um instante, ela sentiu que seu coração palpitou. Mas ao olhar para o visor, e encontrar o nome da sua amiga em vez de Robin, ela relaxou consideravelmente.

“Oi Ruby.”

“Meu amor! Eu e o Graham vamos dar uma festinha de inauguração no nosso apartamento. Você vem?”

Regina sorriu, mordendo o lábio inferior. O relacionamento deles se desenvolvera tão rapidamente, de um modo tão descomplicado. Ela sentia uma pontada de inveja. Seria ótimo se ela e Robin fossem desse jeito. Mas não eram. Eles eram como gasolina e fogo. Explosões lindas, chamas ardentes e queimaduras dolorosas.

“Regina, alô?”

“Oi! Me perdi aqui! Claro que eu vou. Me manda o endereço e a hora que começa, e eu estarei lá.”

“Regina, eu...” Ela percebeu a hesitação do outro lado da linha no ato. “Não sei se...”

“Tudo bem se o Robin também vai, Ruby. Fica tranquila. É a sua festa, e eu faço questão de ir.”

“Ufa! Que bom! Não seria a mesma coisa sem você, Regina.”

“Até a noite, dear.”

“Até.”

Regina olhou no relógio e atravessou a rua no sentido oposto, caminhando em direção às lojas de vestuário feminino. Alguma coisa teria que servir.

Quando Robin chegou à festa, avistou-a imediatamente. Levemente apoiada no balcão da cozinha, Regina estava torturante. Um vestido vermelho, justo, com uma fenda sobre a sua coxa que deixava pouco para a imaginação. O vestido tinha um decote dianteiro fabuloso, e era possível seguir a coluna dela até a altura do cóccix. Puta merda. As sandálias brancas de tiras finas tornavam a visão ainda mais arrebatadora.

Ela gargalhou e suas unhas pintadas de preto contornaram a taça de cristal enquanto Will Scarlet falava animadamente com ela. Robin engoliu em seco e procurou por Ruby. Ela estava entretida na sala, em dúvida sobre qual cd colocar no aparelho de som.

“Escolha qualquer um, logo ninguém vai prestar atenção.” Brincou ele e ela virou-se sorrindo, e o abraçou.

“Que bom que você veio, Robin!”

“Você achou que eu fosse dar esse furo? Sou um homem de palavra.”

“Não, ah, você me entende né? Com vocês três, eu estou sempre pisando em ovos.”

“Vocês três?”

“É, você, Regina e David.”

“David está aqui?”

Ruby suspirou e segurou-o pelo antebraço. Ela notou a mudança no semblante dele, o brilho familiar que ela sempre via sobre a fachada de Regina.

“Esta, mas espero que você possa lidar com isso.”

“Eu posso, Ruby. Não se preocupe comigo. Eu vou estar por aqui.”

Regina observou Robin passando para a varanda.

“Will, você me dá licença? Preciso falar com uma pessoa.”

“Claro.”

Regina desviou de duas ou três pessoas, mas antes que conseguisse chegar até a porta balcão Joseph a girou pela cintura, a mão acariciando-a carinhosamente e fazendo-a rir.

“Vem, vamos dançar.”

Ela deu uma última olhada, mas Robin não estava em lugar nenhum. Ela não diria não para Joseph. Uma dança nunca fez mal algum.

Robin estava encostado ao parapeito da varanda, bebericando um copo de gim. Ele nem notou quando David se aproximou, só o notou quando David encostou-se de costas ao parapeito, ao lado dele.

“Já faz muito tempo, Robin.”

“David.”

“Não se preocupe, não vim brigar. Quero conversar com você.”

“E nós temos algo para conversar?”

“Claro que temos. Algo importantíssimo.”

“O quê?”

“Regina.”

David o encarou, e Robin devolveu o olhar.

“David, eu sinto muito por ter te apunhalado assim. Por ter ficado com a sua mulher pelas suas costas. Eu realmente sinto. Não queria ter machucado você ou Marian. Mas assim que eu coloquei os olhos nela, eu...”

“Sentiu que nada mais importava, a não ser tê-la para você.” Completou David, virando-se e encarando a noite iluminada.

Robin balançou a cabeça. “Exatamente.”

“Eu já estive aí, eu sei como é.”

“Como assim?”

“Eu estava com Abigail quando conheci a Regina. Nós não fizemos nada até que eu estivesse separado, mas quando eu coloquei os olhos nela, já estava tudo acabado. Eu não conseguia pensar em outra coisa.”

“Ela tentou fazer a coisa certa, sabe? Ela me afastou vez após vez, me evitando, cortando minhas investidas. Mas eu fui persistente. Eu a queria. Era errado, mas eu queria. Não importava como.”

“A Regina é uma pessoa boa. Correta. Acredito que se ela se deixou envolver, é porque os sentimentos dela por você são intensos e fortes demais. Porque não é do feitio dela aceitar esse tipo de coisa.”

“Eu... Eu nunca traí a Marian antes de vir para cá. Havia muitas e muitas oportunidades. A própria Zelena vivia o tempo todo se insinuando para mim, me colocando contra a parede. Mas eu tinha minha esposa, tinha meu filho e isso bastava. Eu era feliz. Você acha que eu não me preocupo com a imagem que meu filho ficará de mim depois de tudo que eu fiz? De eu deixar a mãe dele e ficar com outra, mesmo sendo alguém que ele gosta?”

“Mas você a ama?”

“Claro que amo.” Ele respirou fundo. “Eu a adoro.”

Eles ouviram uma gargalhada dela na sala, envolta pelos braços de Joseph enquanto dançavam alegremente.

“Ela parece mais feliz depois que tudo se resolveu.”

“Tudo o quê?”

“Nosso divórcio.”

“Vocês já se divorciaram?”

“Robin, às vezes, você é um tanto babaca. Ela quer ficar com você, cara! Nós já estamos divorciados. Ela agilizou o processo.”

Ele bebeu o ultimo gole da bebida e encarou David.

“Sei que é estranho pedir conselhos pro ex-marido da mulher que amamos, mas como você fazia? Quer dizer, Regina e eu brigamos muito. A gente discute o tempo todo. É ciúmes, é gritaria, e sexo. Quer dizer, eu sei que você não quer saber disso.” David levantou a mão e sussurrou um ‘continue’ acompanhado de um sorriso. “Regina parece não confiar em mim, e isso me irrita demais. Eu perco a cabeça. Sou um homem de temperamento sereno, mas ela extrai de mim o mais animalesco que possuo.”

“É da Regina que você está falando, Robin. Não tenha medo de falar de sexo para mim. Mas a Regina é como um espelho. Se você desconfia dela, se você a intimida, se a encurrala – é isso que ela devolve. Se provoca ciúmes nela, ela provocará em você. E se ela achar que você quer machuca-la, ela te machucará primeiro. Regina tem um senso de preservação aguçado, e isso quer dizer que às vezes ela afasta as pessoas antes que se dê conta. Se provocada, ela tem o poder de destruição de um furacão. Ou seja, qualquer que seja a maneira que deseja que ela aja, aja assim primeiro.”

“Eu tomei decisões erradas. Muitas. Estava motivado por luxúria, estava movido por raiva, entupido de motivações mesquinhas e essa merda de eleição elevou tudo a um nível assustador. Machuquei minha família e amigos.”

“Você sempre pode consertar as coisas.”

“Sim, mas preciso me consertar primeiro. Se é que me entende. Talvez seja por isso que eu e ela não estamos dando certo.”

“Mas você não vai deixa-la, não é?” David aproximou-se dele. “Eu não guardo mágoa de você, Locksley. Mas se a fizer sofrer, serei obrigado a socar sua cara.”

“Eu não irei machuca-la, Nolan. Mas existem coisas pendentes a serem resolvidas.”

“Tudo bem.”

“Obrigada, Nolan. Você é mesmo um cara legal. Um bom homem.”

“Você também é, Locksley. Exceto pela parte de ter ficado com a minha mulher.”

Ele sorriu e David ergueu seu copo. Robin encostou seu copo no dele, os copos fazendo o típico tilintar de um brinde.

“Um brinde aos amores roubados.”

Regina estava saindo do banheiro quando notou Robin despedindo-se de Ruby. Ele a beijou no rosto, e atravessou a multidão de pessoas. Ela apenas ergueu a mão na direção de Joseph, pedindo para ele esperar um minuto.

Ele já tinha saído do apartamento, quando ela cruzou a porta.

“Robin!” Chamou ela, fechando a porta atrás de si e deixando-os sozinhos no corredor.

“Oi Regina.”

Ela caminhou até ele, hesitante.

“Robin, eu...” Ela não sabia como começar. Ele estava próximo, mas parecia distante. “Nós temos que conversar.”

“Temos.”

Ela tentou tocá-lo, mas Robin segurou os pulsos dela no ar com delicadeza. Os olhos dela encheram-se de lágrimas.

“Robin, não faz isso.”

“Regina, eu não posso mais ficar correndo atrás de você. Eu tenho coisas para resolver.”

“Robin.” A voz dela era cortante.

“Eu sei. Mas você desistiu da gente. Você se desfez de nós. Eu preciso ter certeza de que vale a pena continuar lutando.”

“Eu estava errada.”

“E agora é a minha hora de pedir um tempo. Eu preciso dar um jeito nas coisas. Eu já provei para você o quanto eu te quero. Agora é a sua vez.”

Com isso, ele lhe deu um beijo no topo da cabeça e afastou-se, sem se despedir.

Notas finais
Sei que vocês estão apressadas pelo smut. Mas quando chegar, vai valer a espera. Juro. ♥