Notas iniciais
Achei essa foto (https://pbs.twimg.com/media/B203P0ZIUAAe-w7.jpg:large) tão a cara da fic que precisei compartilhar. Amor demais. ♥ Outra coisa: vi um tweet que dizia assim "quem diria que nós estariamos sofrendo com Outlaw Queen em Amores Roubados enquanto em ouat Robin e Regina estão 100% juntos?" e queria dizer pra quem escreveu isso que eu adorei o paralelo invertido, hahahahhahhaha. Nem eu tô conseguindo acreditar naquela cena. Naquela pegada do Robin. Nas caras e bocas da Regina. TEVE SEXO OQ, PUTA QUE PARIU GENTE. Eu não estava preparada para ver uma coisa que eu escrevia como ficção acontecer na série. Foi demais pro meu poor shipper heart. Por isso entrei em breve hiatus. A emoção me derrubou. Mas já estou de volta, e se brincar, tem mais capítulo ainda hoje. PS2: Vem mais duas fics por aí.

Robin estava sentado à beira da varanda, observando sua propriedade recém-adquirida. Era linda, espaçosa, charmosa. Seu telefone tocou e ele levantou-se, caminhando até ele com nada mais do que a calça de malha leve na cor branca. Robin fitou o visor do celular. Regina. Ele encheu um copo com o suco de laranja e voltou-se para a varanda, ignorando a chamada.

Na rua, crianças chutavam uma bola de um lado para o outro, rindo. Ele sorriu, lembrando-se de Roland.

Seu celular voltou a tocar. Ela ia ficar insistindo? Ele voltou até a mesa, pronto para desligar o aparelho. Não queria falar com ela, e não ia falar. Ponto final. Entretanto, havia outro nome no visor.

“Ei, Mare.”

“Estava com medo de te acordar! Não entendo nada desses fusos horários.”

“Eu já estava acordado. Como está?”

“Adorando cada segundo. A França é um conto de fadas moderno.”

“E o Roland?”

“Eu o levei à Disneyland ontem. Ele ficou tão feliz! Você tinha que ver! Acho que deve ter ido a todos os brinquedos pelo menos duas vezes.”

Robin sorriu, mordendo o lábio inferior por alguns segundos.

“Você tirou alguma foto?”

“Eu até gravei vídeos. Eu tinha que compartilhar com você. Ele está tão feliz!”

“Envie para mim depois. Eu quero tudo.”

“Ele tem perguntado de você, Robbie.”

“Eu...” Ele sentiu que estava errado. Com tudo que havia se passado nos últimos meses, tinha sido um pai um tanto relapso. Distante. O tipo de pai que ele abominaria ser. “Eu quero me explicar pessoalmente.”

“Você não precisa. Eu já comecei a falar para ele sobre você e Regina. O bom é que ele gosta muito dela, facilita bastante.”

“Sobre isso...” A voz dele parecia relutante.

“Robin, o que está acontecendo? Um minuto, espere aí.” Ele manteve o aparelho no ouvido e ouviu-a pedindo sorvete para o filho, que gritou alegremente. Isso fez o coração dele batucar como um pandeiro. A voz dela voltou firme. “Robin, se você me disser que deixou a Regina ou que ela deixou você, eu vou até aí e dou uma surra em cada um.”

“Nós não terminamos oficialmente.”

“Pare de viadagem, Robin. Ou vocês terminaram, ou não.”

“Não.”

“Ótimo. Mas algo aconteceu. O que houve?”

“Ah, Mare.” Expirou ele, cansado. Ela provavelmente era a única pessoa com quem ele podia conversar abertamente. “Olhe tudo o que eu já fiz para ficar com ela. Eu deixei você, deixei meu filho em suas mãos, comprei outra casa, esperei ela decidir se ficava comigo ou com o marido, aguentei todo dia a desconfiança, o ciúmes, as acusações, trapaças, humilhações públicas, e para quê? Para ela e David tomarem café da manhã juntos com o pai dele, como uma família linda?”

“Rob.”

“O que é que ela quer de mim, afinal? Eu me apaixonei por ela. Eu abri mão de tudo. Eu...”

Ela sorriu do outro lado.

“Robin, parece que você não sabe mais o que fazer.”

“E eu não sei.”

“Então não faça nada.”

“Como?”

“Robin, se você fez tudo o que pode para mostrar a ela que a ama, sua missão acabou. O amor é uma via de mão dupla, não de sentido único. Ela precisa descobrir sozinha o que quer, como quer, e se quer ficar com você. Só ela pode decidir isso, Robin. Não você. Se fez já fez o que podia, pare de se martirizar.”

Ele engoliu em seco enquanto ouvia.

“Robbie, quando eu conheci você a primeira coisa que chamou minha atenção não foi sua aparência. Você é um pedaço do mau caminho, tenha certeza. Mas foi o seu coração. Você foi capaz de mudar, dar a volta por cima dos erros dos seus passados e se transformou em um homem bom, um homem de caráter, um homem honrado. Sei que não foi fácil para você, mas você venceu seus próprios obstáculos. Isso conta mais do que qualquer outra coisa.” Ela falou alguma coisa para Roland, e voltou a falar com ele. “Não pense que eu não via a maneira como Zelena olhava para você todo santo dia. Mas eu tenho certeza de que enquanto estávamos na faculdade, você nunca tocou um dedo nela. Porque você tem valores, Robin, mesmo que tenha se esquecido disso.”

“Não acho mais que sou essa pessoa, Mare. Eu roubei a mulher de outro homem.”

“Robin, você foi bem mais sincero com respeito ao que aconteceu do que a Regina. Você terminou comigo. Não queria que as coisas fossem longe demais enquanto eu estava do seu lado. Isso me ensinou muito. Você poderia ter ido e frente e feito o que quisesse pelas minhas costas. Mas não, me libertou da vergonha que isso poderia gerar.”

“E o que isso muda entre Regina e eu?”

“Ela ainda está casada?”

“Não, divorciou-se.”

“Robin.” Ele sabia que ela estava sorrindo do outro lado da linha, com os olhos virados para o teto em deboche. “Posso fazer uma pergunta bem sincera?”

“Claro.”

“Vocês conversam? Ou na maior parte do tempo só estão se comendo pelos cantos?”

Ele deu graças a Deus que ela estava a milhas de distância, assim não podia ver seu rosto queimando.

“O que isso tem a ver?”

“Bom, você já respondeu minha pergunta. Portanto, faça uma coisa diferente dessa vez. Mantenha o pau dentro da calça. Converse com ela. É isso que falta entre vocês. Comunicação. Vocês têm que conversar, e entender o que está acontecendo. Se não conseguirem nem isso, sinto dizer, mas não há futuro.”

“Você está certa, Marian. Como sempre.”

“Eu tenho fé em vocês dois. Não me decepcionem.”

“Tem fé em nós? Eu sei o que você fez com a Regina, insinuando que estávamos juntos quando ela foi me procurar.”

“E não funcionou? Vocês são mais previsíveis do que essas ridículas comédias românticas.”

Ele levantou as sobrancelhas, surpreso.

“Quer dizer que aquilo foi proposital?”

“Claro que foi, Robin. Eu sou uma boa perdedora. Eu jamais teria você de volta. Você só tinha olhos para ela. Se ela fosse brigar com você, vocês iam acabar se entendendo.”

“Se você estivesse aqui, ia ganhar um beijo.”

“Claro. Robbie, preciso dar um jeito no seu filho agora. Ele esparramou sorvete por todo lado. Falamos depois.”

Ele despediu-se dela, e voltou a tomar seu café da manhã.

Regina estava chegando à prefeitura quando o viu passando pela rua. Quanto tempo aquela situação ia durar? Ele sequer olhou para ela. De cabeça baixa e com os fones de ouvido, Robin parecia incrivelmente distante. Ela caminhou rapidamente até ele, colocando-se na frente dele e impedindo que ele andasse.

“Robin.”

Ele a encarou por alguns segundos, e tirou os fones do ouvido, o semblante ainda sério e irredutível.

“O que foi, Regina?”

“Robin, será que a gente pode conversar? Eu não aguento mais essa situação.”

“Regina, agora não dá.”

“O que você está fazendo que não pode me ouvir e falar comigo?”

“Regina” Ele respirou fundo e olhou em volta. “Agora não dá. Eu tenho meus próprios assuntos pra resolver.”

“Tudo isso é algum tipo de represália por tudo o que aconteceu?”

“Se a sua consciência está pesando, não é culpa minha. Eu só disse que agora não é um momento bom para conversarmos.”

Ela olhou para ele, os olhos marejados. Ele colocou um dos fones no ouvido.

“Posso ir agora? Estou atrasado.”

“Pode.”

Robin colocou o outro fone, e enfiou as mãos nos bolsos frontais da calça. Caminhando pela avenida, ele desapareceu, sem sequer despedir-se dela. Regina engoliu em seco, observando-o e subiu os degraus de acesso á porta da prefeitura, pensativa.

“David?”

David tirou os olhos do documento que lia. Sentado em sua mesa de mogno escuro, e vestindo uma camisa social azul ele estava delicadamente elegante e extravagantemente bonito. Uma junção de vantagens. Ele sorriu timidamente para Mary Margareth, que tinha apenas metade do corpo debruçado para dentro da sala.

“Sim, Mary? Algum problema com os inventários?”

“Não, eu queria conversar com você um minuto.”

“Claro.” Ele estendeu a palma da mão para que ela entrasse na sala. Levantando-se, ele caminhou até ela e fechou a porta atrás deles.

David virou-se para dentro da sala e estava prestes a dizer alguma coisa quando sentiu os lábios macios e delicados contra os seus. Um beijo suave, superficial. Mary afastou-se poucos segundos depois, a testa ainda encostada na dele, respirando timidamente.

“Mary...” Sussurrou ele, segurando-a delicadamente pelos antebraços e servindo de apoio para que ela continuasse perto dele.

“Eu sei.” Ela olhou-o profundamente, de uma maneira intensa e intimidadora. De um jeito que fez com que os pelos da nuca dele se eriçarem em resposta. “Eu sei que você ainda a ama. Que acabou de se divorciar. Que não está pronto para outro relacionamento. Talvez você nem goste de mim tanto assim. Eu tentei aceitar tudo isso, mas a vontade de estar com você, David... Ela é maior do que eu posso resistir.”

“Mas...”

Ela encostou o dedo indicador sobre os lábios dele, silenciando-o.

“Não precisa dizer nada, David. Eu gosto de você. Eu quero você. E eu vou esperar o tempo que for.”

David deu um beijo delicado no dedo dela, e ela deixou que a mão escorregasse pelo rosto dele, numa carícia lenta.

“Eu não posso dar tudo o que você merece Mary. Não agora.”

“Apesar de eu acreditar em amor à primeira vista, por você eu aceito prestações David.”

Ele sorriu, e a beijou, enfiando as mãos nos cabelos dela, e a língua na sua boca.

“Boa tarde, estranha.”

Regina sorriu quando avistou Ruby entrando em seu escritório com dois copos enormes de café. A ruiva estendeu um copo para ela, sentando-se à sua frente com o outro copo.

“Você está deslumbrante querida! Graham está de parabéns.”

“Eu vesti qualquer coisa.”

“Qualquer coisa por acaso se parece muito com a coleção atual da Carolina Herrera. E esse sapato é um Manolo Blahnik.”

“Talvez eu tenha vestido algo decente, tudo bem.” Brincou Ruby, os cabelos presos em um elegante rabo de cavalo, e um sorriso brilhante nos lábios. Regina adorava vê-la assim. Ela estava bebericando seu café quando notou que Ruby estava encarando-a fixamente.

“O que foi?”

“Regina, o que há com você? Está horrorosa.”

“Uau, obrigada pelo elogio.”

“É sério. Seu cabelo está duro, e parece que faz dois dias que você está com essa roupa. Está tudo bem?”

Regina colocou o copo sobre a mesa, e apoiou as duas mãos na cabeça, os cotovelos apoiados sobre a mesa.

“Robin.”

“Vocês brigaram de novo? Não foi por causa da minha festa, não é?”

“Não, não, querida. Ele levou a situação toda numa boa.”

“Então qual o problema agora?”

“Ele...” Ela umedeceu os lábios e olhou a amiga nos olhos. “Ele quer que eu me vire, Ruby. Às vezes acho que ele quer que eu pague por tudo que fiz a ele. Ele quer me punir. E isso está me consumindo.”

Ruby a encarou, em silêncio. Ela encostou o copo na boca e tomou alguns goles, olhando para os próprios pés. Regina observou seu movimento.

“O que? Você está do lado dele?”

“Regina...” Ruby a olhou nos olhos novamente, desta vez um tanto receosa. “Não estou do lado dele. Eu sempre vou ficar do seu lado, você é uma das pessoas que eu mais amo. Mas ele não está errado.”

“Você está me dizendo que ele está certo em me punir pelo que aconteceu?”

“Não foi isso que eu disse. Eu disse que ele tem direito de querer que você se vire sozinha. Ele teve que se virar sozinho quando se apaixonou por você. Ele teve que se virar sozinho todas as inúmeras vezes que você chegava com acusações e gritos, acertando-o como se fossem pedradas. Você nunca deu um voto de confiança para ele, a única abertura que ele conseguiu foi o sexo. Foi tudo o que você permitiu. O que achou que ia acontecer? O cara te ama. Ele não vai se contentar com meia dúzia de trepadas e frequentes crises de ciúmes, brigas e gritos.”

Regina não respondeu, ficou apenas de cabeça baixa, encarando as próprias unhas.

“Se você o ama, vai atrás do cara! Abre mão desse seu orgulho idiota, e seja feliz.”

“Eu não sei o que fazer, Ruby.”

“Você sempre sabe o que fazer, Regina. As vezes você não quer fazer. Mas sabe o que precisa ser feito. O que você tem que fazer é se perguntar: quero ser feliz ou quero estar certa? É bem simples, Regina. Eu te adoro, mas está na hora de você agir como a mulher segura e decidida que aparenta ser. Como a rainha que é.”

“Você está certa.”

“Espere. O que você disse? Eu estou certa? Qual o gosto dessas palavras na sua boca?”

“Amargo.” Respondeu ela, sorrindo.

“Que horas você vai terminar? Queria companhia para fazer compras.”

“Vai comprar o quê?”

“Utensílios domésticos.”

Regina gargalhou.

“Qual a graça?” Resmungou Ruby, fingindo estar ofendida.

“Minha pequena garota está se tornando uma dona de casa. Que orgulho.”

“Fica parecendo que eu sou a Bree Van de Kamp e que vou cozinhar bolo o dia todo.”

“Você é uma dona de casa vestindo Carolina Herrera. Está acima do comodismo, dear.”

“Você vai comigo ou não?”

“Impaciente! Eu vou só me deixe terminar esse relatório.”

Ruby sorriu, e começou a digitar uma mensagem para Graham, avisando que chegaria mais tarde.

A noite chegara rápido e com ela, uma chuva torrencial. Uma ventania clamava aos quatro ventos a sua força, e de dentro da sua casa, Robin observava a força da tempestade. Ele travou todas as janelas, e sentou-se no sofá, com uma garrafa de cerveja em uma das mãos.

Na televisão, algum programa de auditório distribuía dinheiro. Os olhos dele estavam na tela, mas sua mente divagava. Ao redor dela. Ao redor da maneira indiferente que a tinha tratado na frente da prefeitura. Mas se ele queria chegar a algum lugar, se queria que ela o valorizasse, ele teria que fazer isso primeiro. Mesmo que a vontade inicial fosse abraça-la. Dizer que a adorava. Não se tratava disso agora. Não era uma simples equação a ser resolvida.

A chuva caía impiedosa lá fora e ele pensou nela, sozinha naquele apartamento.

Pare de pensar nela.

Ele alcançou o controle da televisão e resolveu trocar de canal. Nada interessante o suficiente. Sem contar que seu estômago estava vibrando de fome. Ele resolveu que era hora de comer alguma coisa.

No entanto, a caminho da cozinha, a campainha tocou. Seus ombros tencionaram. Não podia ser boa coisa. Quem se atreveria a sair em uma tempestade como essa? Ele colocou uma camiseta e andou até a porta. Só havia uma pessoa permitida a entrar sem ser anunciada pelo porteiro do condomínio. Será?

Assim que abriu a porta, suas dúvidas se confirmaram. Totalmente encharcada, da cabeça aos pés. Foi assim que ele a encontrou. Regina estava completamente molhada, os cabelos escorregando por seu rosto e ombros. Os olhos dele se arregalaram, estava congelante lá fora.

“Regina?”