Robin acelerou impiedosamente até sua casa. Seu sangue fervia sob a sua pele, em ondas de raiva que se precipitavam pelas suas artérias. Maldita Regina. Mil vezes maldita. Ignorando o olhar curioso de Marian, Robin estacionou o carro. Seu sorriso havia morrido terminantemente.

“Robin, está tudo bem?”

Ele abriu a porta do carro, antes de resmungar um “ótimo”.

Ela sabia que não estava. Sabia que tudo aquilo era por causa da discussão dele com Regina. A maneira como ele circulou as mãos ao redor das tiras das sacolas parecia a maneira com a qual ele queria enrolar as mãos no pescoço dela. O que era estranho, afinal, Robin nunca ficara tão transtornado antes. Ninguém nunca fora capaz de lhe tirar do sério. Até hoje. Ela subia as escadas em silêncio, logo atrás dele, evitando falar algo que o deixasse ainda mais furioso.

Robin foi enfiando as compras na mesa, e Marian segurou-se para não arrancar as sacolas da mão dele.

“Robin!” – Ela chamou, a voz um pouco mais dura que de costume.

“O que foi?”

“Deixa essa compra aí. Eu guardo.”

“Eu estou guardando, Marian.”

“Eu estou vendo. Mas o vidro de azeitonas não tem culpa dos seus problemas, sabia?”

Robin a olhou por alguns segundos, bufando. Ela esperava que ele não quisesse brigar. Seus hormônios estavam dançando hula em seu corpo, e ela explodiria em lágrimas na segunda rebatida. Mas ela observou os ombros dele relaxando por alguns instantes.

“Tudo bem. Preciso cuidar de um assunto. Volto logo.”

Marian limitou-se à não responder.

Robin bateu na porta quantas vezes foram necessárias até que fosse aberta.

“Robin?”

Ele passou por Zelena sem sequer olhá-la nos olhos, e ela pressentiu que não era uma visita amigável. Ela fechou a porta e respirou fundo. Contando até dez mentalmente, ela o seguiu para dentro de seu apartamento.

“O que aconteceu agora?”

Robin olhou para a ruiva à sua frente vestindo apenas uma regata e um short jeans. Era incomum vê-la assim, depois de anos acompanhando os longos casacos e as botas estilo cuissarde. Mas naquele momento, tanto fazia.

“O que você disse para a Ruby?”

Zelena rolou os olhos.

“Isso é sério, Robin? Eu fiz o meu trabalho. O que acha que isso significa?”

“Eu quero que seja específica.”

Zelena se virou, deixando-o para trás. Ela entrou na cozinha e percebeu que ele a seguira. Com cuidado, retirou duas xícaras do armário e colocou na mesa. Encarando-o pela primeira vez desde que ele entrara, ela sorriu.

“Café ou chá?”

Robin jogou as duas xícaras no chão com a parte posterior da mão; Zelena assustou-se com o ato, mas em contrapartida, sentiu seu corpo contorcendo-se de raiva.

“Você vai pagar por essa merda, Robin.”

“E você vai falar a verdade, letra por letra. Não me faça ter ódio de você, Zelena.”

“Uh, então o rato de floresta tem garras?”

Robin a pegou pelo antebraço, apertando fundo sua carne. Sem gentileza nenhuma. Provavelmente, aquilo ia gerar um hematoma.

“Está me machucando.”

“Eu sei.” Rosnou ele. “Responda a merda da pergunta.”

“Tudo bem.”

Zelena puxou o braço com violência, desvencilhando-se dele. Ela deu a volta no balcão e ficou de frente com ele.

“Eu fui até ela no parque e lhe disse que não podia mentir sobre todas aquelas coisas e sair ilesa. Que ia acabar mal. Dei opções à ela, Robin. Mas a menina veio com aquela historinha ridícula de cachorro, sobre você gemer o nome da Regina... Convenhamos, não é? Ela queria dinheiro.”

“Você deu dinheiro a ela?”

“Eu ofertei e ela aceitou. Te surpreende, por acaso? Está decepcionado que a sua assistentezinha não era um poço de caráter?”

E era isso. Zelena estava mentindo para ele novamente. Ele podia sentir as palavras de Ruby lhe ardendo contra o rosto, como se fossem um tapa extremamente violento. “Ah claro, Robin! Seu idiota! Continue acreditando em tudo que aquele monstro coloca na sua cabeça!”. Ruby estava certa sobre a idiotice dele. Ele fora completamente incapaz de ver o que estava na sua frente, incapaz de limitar a ferocidade de Zelena. E ele sabia quão obstinada ela era.

Regina. Por um segundo, ele deixou sua mente concentrar-se no encontro deles. Naquele vestido branco, justo e sexy, que ele desejou ardentemente rasgar com os dentes e fodê-la ali no meio da rua. A maneira como ela gritou com ele. A maneira como ela segurou-o contra ela, seus lábios praticamente grudados, o hálito dela contra o seu. A maneira intensa com que ela o encarara. Ele cogitou a hipótese de ela arrancar suas bolas. Ah, se ela usasse as mãos...

Ele estava duro. Não sabia se de raiva, se de desejo, ou ambos. Mas algo na sua expressão chamou a atenção de Zelena.

“Espera aí. Tem alguma verdade nisso? Você fodeu aquela garota?”

“Zelena...”

“Meu Deus. Você deu o cachorro para a menina. Você...”

Robin a puxou pelo braço, com força. Ele não tinha nenhuma empatia por Zelena naquele momento. Queria que sofresse, como fez com Ruby. Como Regina fez com ele.

“Eu sei que ela não aceitou dinheiro nenhum. Eu sei que ela tentou se matar.”

“Ela está viva?”

“Para a sua infelicidade? Sim.”

Robin não previu o movimento certeiro de Zelena. Com a outra mão, ela cerrou o punho e lhe acertou em cheio o rosto.

“Seu desgraçado! Eu destruí a vida daquela menina. E para quê? Para descobrir que você transou mesmo com ela, e lhe deu um cachorro? Você sabotou o meu trabalho, seu imbecil de merda, você...”

E foi assim. Ele não sabia por que, nem onde, nem como. Ele só sabia que de repente, tudo que ele conseguia pensar era na voz de Regina, martelando na sua cabeça. “Não conseguiu me levar para cama, então levou a coitada da Ruby, não é?”. No segundo depois, suas mãos voaram para o cabelo ruivo à sua frente, e sua boca tomou a dela num encaixe violento e sedento. A língua dele entrou quente e veraz, sugando-a e fazendo gemer contra os seus lábios. Robin a segurava pelo pescoço e pelo cabelo, com raiva e Zelena respondeu imediatamente, seus braços enfiando-se por baixo da camisa dele.

“Robin.”

“Cala a boca.”

Robin a segurou pelo pescoço e nuca sem tocar nela, guiando-a até a cama. Ela o empurrou e ele a segurou pelo cabelo, puxando-o e levantando o rosto dela na sua direção. Ela o interrompeu, a voz ficando irritadiça.

“O que acha que está fazendo, Robin?”

“O que você acha que eu estou fazendo? Se não quiser, saia.”

Zelena apenas assentiu quando Robin a jogou sobre a cama, deitando-se sobre ela. Ela não o interromperia, de jeito nenhum. Robin por sua vez, não fez nenhuma pergunta. Nenhuma observação. Nada. Na sua cabeça, reinava apenas a voz de Regina. “Eu não quero ouvir, Robin.”

Zelena curvou-se quando ele atingiu um ponto especial em seu pescoço, e as mãos dele seguraram as suas acima de sua cabeça.

“Eu não disse que você podia me tocar, vadia.”

Zelena gemeu. Ela simplesmente não podia controlar sua excitação ao ser violentamente possuída por ele. Ela o queria, e aquele momento era o momento. Robin desabotoou o short e desceu o zíper, deixando seus dedos deslizar para dentro dela instantaneamente.

“É ridícula a maneira como seu corpo clama pelo meu, Zelena.”

“Robin!” Ela gemeu alto, contorcendo-se contra os dedos dele que entravam e saiam furiosamente.

“Pare de gemer meu nome, sua puta. Cale a boca.”

Robin puxou o short com violência, arrancando-o de uma vez. Sem cerimônias, ele abriu sua própria braguilha, colocando seu pênis para fora. Ele o massageava insistentemente, masturbando-se com intensidade, os olhos fechados.

“...achava que você realmente gostava de mim”. A imagem de Regina apenas o excitava mais, e mais.

“Deixa eu que faço isso por você...” Ronronou Zelena, mas ele lhe segurou pelo maxilar com raiva.

“Eu já disse para não me tocar.”

Robin a puxou contra si e a penetrou sem delongas, afundando-se na carne úmida e sensível dela. Violento, era a definição daquele momento. Robin a estocava em fúria, seu pênis entrando e saindo com tanto ódio quanto força. Seu corpo exercia uma força descomunal, e os gemidos dela ficavam cada vez mais altos e trêmulos.

“Robin...” Choramingou ela, e ele sabia que ela não aguentaria muito. Ela buscou seus lábios mas ele recuou, olhando-a com nada mais do que ódio em seus olhos.

“Eu não vou te beijar. Não estamos fazendo amor. Eu estou fodendo você.”

Ele tentou se concentrar, mas sua mente continuava trazendo Regina de volta. “Não conseguiu me levar para cama...”

Ele se debruçou sobre ela e começou a socar ainda mais dentro dela, em um ângulo com curvatura, acertando algum ponto hipersensitivo dentro dela. Zelena agarrou-o contra ela, mas ele ignorou o fato e fechou os olhos, concentrando-se na sua fantasia. Ele imaginou Regina sob seu corpo, as pernas torneadas ao redor dele, os seios roçando contra o seu corpo enquanto ele a invadia daquele jeito, sem piedade. “Ah Robin, me fode, me fode, me fode.” Ele ia delirar com aqueles pedidos, com aquela voz aveludada.

Zelena estava mordendo o lábio inferior, gemendo uma espécie de lamúria e choro. Com as duas mãos agarradas ao lençol, os dedos tão firmes que os nós estavam brancos. Robin bombeou um pouco mais e saiu dela, ouvindo um choramingo.

“Vire-se.”

“Robin.”

“Vai logo, vagabunda.”

Zelena virou-se, empinando-se para ele. Robin deslizou a mão até a nuca dela, enfiando os dedos no cabelo longo e ruivo, dando-lhe uma volta e puxando-a para si. O corpo dela veio de encontro ao dele, e ele a penetrou ruidosamente, mais uma vez socando dentro dela com a velocidade alucinante que fizera antes. Seus movimentos eram ríspidos, e fortes. Ele sentiu que ela estava começando a ceder, sua mobilidade reduzindo-se. Seus dedos estavam enrolados nos cachos ruivos, puxando-os sem sensibilidade nenhuma. Mas na sua mente, aquele não era o cabelo certo. Ele tinha ondulações e era comprido demais. Regina não era assim. Naquele minuto, Robin odiou a si mesmo por não conseguir criar uma ilusão melhor da sua fantasia. Com raiva, fincou os dentes no pescoço dela, sabendo que ia deixar uma marca exuberante.

“Geme para mim.”

“Robin... não para, por favor.”

“Diz quem é que manda aqui, diz que é teu chefe aqui.”

“Você, você... Pelo amor de Deus, Robin.”

O corpo dela começou a ter espasmos intermitentes, o ventre vibrando silenciosamente, e ela gemendo alto, sem nenhum pudor de ser ouvida pelos vizinhos. Robin fechou os olhos e se deixou levar pela lembrança daquele momento em que beijara Regina no meio fio da estrada, ouvindo seu gemido enquanto lambia seu pescoço.

“Eu posso o ter o que eu quiser.” A voz dela lhe reverberava pelo corpo todo, causando pane em seu sistema nervoso. “Quando eu tiver acabado você pedirá com clemência pelo inferno, Robin.”

E com esse pensamento, ele atingiu o orgasmo.

Robin fechou o zíper e olhou para a mulher completamente derrubada na cama. O corpo nu, semienrolado no lençol, os cabelos caídos selvagens sobre o travesseiro. Ela tinha um belo corpo. Não como o de Regina. Mas o que ele sabia a respeito? Ele lamentou nunca ter visto pessoalmente. Zelena olhou para ele, confusa. Ela não sabia sequer o que dizer naquele momento.

“Robin, eu...”

“Não perca seu tempo. Você conseguiu o que queria. Nem pense, nunca, em contar a alguém o que aconteceu aqui.”

“Você é um canalha.”

“Zelena, poupe-me do drama. Você se joga no meu pau desde que me conheceu. Quando, por sinal, eu já namorava a Marian. Não faça o papel de virgem usada, não lhe cai bem. Você gemeu tão alto que eu quase fiquei surdo, então cale essa maldita boca.”

Ele se debruçou e pegou o celular. Zelena manteve os olhos cravados no teto enquanto ouvia a conversa dele, mas não suprimiu o sorriso satisfeito.

“Eu estava... ocupado. O que aconteceu? Como? Quando? Estou indo até aí.”

Robin colocou os sapatos apressadamente. Zelena sentou-se na cama, e lhe chamou a atenção.

“O que aconteceu?”

“Marian está perdendo o bebê.”