Amores Roubados
19 Capítulo 19
Notas iniciais
Regina sentou-se ao lado dela, na varanda. O pôr do sol era lindo daquele ponto, e as árvores contornavam a paisagem.
"Está tudo bem, Ruby?"
"Sim" – Respondeu ela, sorrindo. Sentada sobre a madeira do assoalho, e abraçando as pernas, ela parecia ainda mais nova. "Mas precisamos conversar."
"Hum, parece sério. Você não está indo embora, está?"
"Ainda não."
Regina sentou-se ao lado dela, observando o jogo de luz laranja e rosa do pôr do sol.
"Regina, eu... preciso pontuar algumas coisas sobre o Robin."
"Ruby, eu não quero detalhes. Não preciso saber mais do que você me contou."
"Eu posso falar? Ou você vai interromper mais?"
Regina sorriu para ela. "Tudo bem."
"As coisas não aconteceram como você pensa. Na verdade, eu nunca fui para a cama com ele. Nós nunca tivemos nenhum tipo de intimidade."
Regina pareceu chocada, mas se manteve em silêncio. Seu olhar porém cravou nos olhos da garota.
"Eu batizei a bebida dele. Quando chegamos ao motel, ele estava cambaleando. De fato, ele estava pensando em você. Ele gemia seu nome, e acariciava meu cabelo. Era Regina isso, Regina aquilo."
Regina a olhava. Boquiaberta.
"Ruby... eu sei que disse que não ia interromper, mas porque você faria isso? Ele era seu chefe!"
"Eu preciso que você entenda isso primeiro, tudo bem? Eu nunca transei com ele. Nunca. Ele ficou me confundindo com você até que desmaiou de sono. Dizendo coisas meigas, e garanto que ele gosta mesmo de você, Regina. Antes que ele acordasse, eu me despi e o semidespi, e quando ele acordou, eu pude manipulá-lo a acreditar."
Regina não conseguia olhar para ela naquele momento. Ela pensou em todas as coisas horríveis que tinha falado para Robin, a maneira como o intimidou, ameaçando-o. Sentiu-se horrível por questionar a integridade dele com tanta prepotência. Ela devia desculpas. Ruby continuou a falar.
"Mas eu não fiz por mal. Eu fui paga para fazer isso."
"Quem lhe pagaria para fazer isso, dear?"
"Graham. Ele me deu ordens explícitas de dormir com o Robin."
Regina sentiu a bile na ponta da garganta. Queria arrancar o pênis de Graham com um alicate de corte. Aquele arrogante cretino. Isso teria volta. Ah, se teria.
"O Gold e o Graham estavam juntos, e eu já tive problemas com o Gold. Uma vez, eu roubei algo de sua loja e ele simplesmente quebrou meu braço. Precisei colocar pinos. Então, eu não queria arrumar problemas com ele novamente. Eu fiz o que deveria fazer."
"Continue." – A voz dela era controlada, mas a raiva era palpável.
"Mas eu realmente gosto do Robin. Infelizmente, nem Graham, nem Gold, nem Zelena estavam felizes. Eu estava tão assustada com as possibilidades, com o que cada um poderia fazer comigo, que achei que não tinha saída. Se fosse morrer, preferia que fosse pelas minhas mãos."
Regina levantou-se.
"Olha, Regina, eu sei que não devo me intrometer mas acredite em mim... O Robin é uma ótima pessoa. Uma pessoa decente."
Regina debruçou-se e a beijou na testa.
"Obrigada por confiar em mim, dear."
Ruby ficou observando enquanto a prefeita sumia casa adentro.
Sentado na sala de espera, Robin pensava nas últimas horas.
Ele realmente estava sem controle. Deixou que tomassem decisões por ele. Deixou que guiassem seus passos sem perguntar nada. Permitiu-se cegar. Permitiu-se ultrapassar os próprios limites. Transou com Zelena. Qualé! — zombou sua consciência. Você trepou com ela. Transar seria um péssimo eufemismo. Você a jogou na cama e a fodeu enlouquecidamente enquanto pensava em Regina.
Robin chacoalhou a cabeça. Ele tinha sido assim tão ruim? Lembrou-se de como Zelena o assediava, dia e noite. Os olhares velados, as indiretas. O passado semiaberto. As diversas vezes quando ela cochichou em seu ouvido, 'sua namorada não precisa saber'. Ele se sentia um cafajeste, mas estava feito. Nada mudaria aquilo.
Regina ainda ocupava sua mente, o tempo todo. Era como uma doença. Era como um tumor apoderando-se centímetro por centímetro do seu córtex cerebral.
Uma enfermeira passou pela porta de vidro.
"Senhor Hood?"
"Eu."
Ela andou até ele, que levantou inconscientemente. A enfermeira tinha um semblante totalmente enigmático.
"Senhor, fizemos o que estava ao nosso alcance, mas..." – Ele não precisou ouvir o resto. Ele segurou a palma da mulher entre as suas mãos.
"Marian está bem?"
"Sim e deseja vê-lo."
Regina estava colocando a comida sobre a mesa quando David chegou em casa. Ela ficou parada por alguns minutos, ouvindo atentamente enquanto ele chegava, tirava a jaqueta, jogava-a sobre a mesinha de centro, e caminhava até ela. Mas curiosamente, havia barulho demais para um par de pés. Ela ouviu uma risada infantil, incrivelmente familiar, e sorriu. Ele não estava sozinho.
Minutos depois, Roland apareceu sorridente na cozinha.
"Oi Gina!"
Regina abaixou-se e o pegou no colo, girando-o. "Meu pequeno príncipe!"
David apareceu logo atrás dele, beijando-a levemente nos lábios. Ela sorriu e acenou com a cabeça para Roland, questionando o que o garoto fazia ali. David respondeu com outro gesto, e ela entendeu que ele preferia não responder isso na frente do menino. Regina caminhou com ele ainda no colo até a escada.
"Ruby. Hora do jantar!"
Ela manteve-se atenta e ouviu os passos no corredor acima. Ruby apareceu na ponta da escada, os cabelos presos em um rabo de cavalo. Vestindo jeans e uma camiseta do Ramones, ela aparentava ter 16 anos.
"Roland!" Sorriu ela, e desceu as escadas rapidamente. Regina passou Roland para o seu colo.
"Querida, você leva o Roland para lavar as mãos?"
Roland olhou para as suas mãos. "Minhas mãos parecem limpas, tia Gina."
Ela sorriu.
"Mas as sujeiras as vezes são invisíveis, dear."
"É mesmo?"
"Sim, e para você não acabar comendo elas precisa lavar a mão."
"Tudo bem, então."
Ruby o colocou no chão e lhe estendeu a mão, guiando-o até o banheiro. Eles observaram o garoto desaparecendo pelo corredor. Regina pôs a mão sobre a mão de David.
"O que está acontecendo?"
David se esticou e certificou-se que Roland estava bem longe.
"A Marian perdeu o bebê."
A notícia acertou Regina com o peso de uma bigorna. Ela esperava qualquer coisa, mas isso? David colocou a outra mão sobre a dela e sussurrou.
"Robin me pediu para ficar com ele, parece que a Marian vai ficar em observação essa noite. Espero que não seja um problema."
"Não é, definitivamente. Eu adoro o Roland. Ele pode ficar o quanto quiser. Mas como isso aconteceu?"
David colocou uma mão sobre o queixo, acariciando os dedos entrelaçados aos seus. "Ele não entrou em detalhes, mas parecia bastante abalado. Não quis me intrometer. Quando ele quiser falar, ele fala."
Eles ouviram os passos se aproximando. Sorrindo, alheio ao drama que permeava sua família naquele momento, Roland fez um grande esforço para escalar a cadeira e ter acesso á mesa. Regina o fitou por alguns minutos, pensando em como Robin estaria desamparado naquele momento. Ruby focou os olhos nela e Regina sentiu como se ela pudesse ler seus pensamentos.
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