Amores Roubados
16 Capítulo 16
"Ruby?"
Ruby olhou a mulher que a abordou, e parou de sorrir. Ela começou a andar na direção oposta, mas sentiu dois pares de braços segurando-a e forçando-a a sentar no banco de um ponto de ônibus. Quando ela se atreveu a olhar para cima, notou que os braços faziam jus a cara dos bons moços. Enormes, musculosos, e vestidos com um terno preto.
"Rapazes, podem soltar ela. Ela vai me ouvir voluntariamente, não?"
Zelena sorriu para ela, e se apertou ainda mais contra seu luxuoso casaco de pele verde-escuro enquanto sentava ao seu lado.
"Eu sei para quem você trabalha." Sibilou Ruby, entre os dentes.
"Nã-nã, bonitinha. Eu sei para quem você trabalha. Ruby, você está muito enganada se acha que vai espalhar mentiras a respeito do Robin sem nenhuma consequência."
"O que você quer, Zelena?"
"Não estou aqui como funcionária oficial do Robin. Estou aqui para alarmar você do que pode acontecer se prosseguir com essa besteira. Vai ser difícil para você arrumar qualquer emprego, qualquer bolsa em qualquer faculdade. Sua cara vai estar estampada em todo lugar, eternamente vinculada à um escândalo sexual. Qualquer informação sobre você ficaria extremamente acessível para qualquer um. Por exemplo, que você teve 16 parceiros sexuais até hoje, e três deles eram casados. O resto da sua família descobriria que sua mãe não estava viajando e sim internada em um hospital para desordens psiquiátricas. Aposto que isso é particular. Atualmente ela trabalha em um casa de repouso em Chicago, correto?"
Ruby a encarou, boquiaberta. Seus olhos estavam marejados. Se ela já imaginava estar com problemas, agora ela realmente estava em apuros. Ela tinha Gold em seu encalço e Zelena havia se unido à equação. Contra ela. Seu peito ardia com o racionamento de opções, ela se sentia encurralada. Quando conseguir responder, sua voz saiu trêmula e o sorriso de Zelena apenas confirmara sua certeza: ela tinha vencido.
"O Robin sabe que você está fazendo isso comigo?"
"Minha querida, o Robin não gosta de você. Na verdade, ele não entende como é que foi se envolver nisso. Eu sou a jardineira, e Robin é o jardim. Meu trabalho é rastelar, destruindo toda e qualquer sujeira que surja. E você, no momento, é uma mancha na reputação dele."
"Ele gosta de mim sim! Ele desabafou comigo, ele me deu a Elizabeth Taylor."
"Quem?"
"Minha cachorra, Elizabeth Taylor."
Zelena bebericou seu café. Ela cruzou as pernas e olhou fundo nos olhos azuis da garota.
"É esse tipo de mentira que vai acabar te machucando se você contá-las à pessoas que não serão tão pacientes quanto eu. Vou te dar uma sugestão: embale suas coisas, pegue seu cachorro, entre em um voo, desça em um cidade qualquer no mar caribenho. Cartagena é linda, e San Andres é tranquilíssima. Faça novos amigos, arrume um novo namorado, case-se, tenha dois meninos lindos e seja feliz para sempre. Porque em Storybrooke, sua vida acabou. Você já era."
Ruby chorava, desesperadamente. Ela levou as mãos trêmulas ao rosto, tentando aplacar a avalanche de sofrimento que tomava conta dela.
"Eu só queria ajudar o Robin! Ajudar a esquecê-la! Você acha que eu queria me apaixonar por um cara que está apaixonado por outra?"
"Você sabia que ele tinha esposa, querida."
"A pior coisa de todas é que isso não valeu a pena. Não valeu merda nenhuma. Tudo que eu queria é que ele parasse de chamá-la de cake baby, fazia eu me sentir uma..."
"Você disse cake baby?"
"É assim que ele a chama..."
"Marian?"
"Regina."
A sobrancelha dela se uniu tanto que quase formou um traço.
"Regina? Ele a chama de..."
Mas Zelena a deixou para trás. Atordoada, ela se levantou e pôs se a caminhar, com os dois seguranças em seu encalço. Imediatamente tirou o celular da bolsa, e discou um número de telefone.
"Preciso falar com o Wale."
Regina estava entrando na sala de reuniões quando Graham e Gold gargalhavam — era um péssimo sinal. Graham e Gold eram como urubus em busca de sangue. A obstinação deles era assustadora. Eles ouviram os saltos estalando contra o piso recém encerado e a fitaram.
"Parece que ganhamos a campanha de mão cheia, Gina!"
Regina se aproximou deles, e identificou o que seria um vídeo de segurança na tela do notebook de Graham. Ela se debruçou sobre eles, tomando posse do mouse e clicando.
A imagem não era de uma definição horrenda, mas era nítida o suficiente. Ela já havia visto aquele lugar nas filmagens de segurança da delegacia. Era o pátio do Motel Mermaid. Aos poucos, duas silhuetas atravessaram o corredor. Ela se inclinou e olhou com mais atenção. Suas unhas cravaram-se no mouse quando ela o identificou.
Robin.
Ela observou atentamente enquanto ele cambaleava para dentro do quarto, abraçado à Ruby. Em algum momento, ele a segurou e a beijou contra a porta. E então a porta se fechou. O vídeo continuou correndo, lentamente. Regina olhava para a tela com um terrível desprezo, imaginando o que poderia ter acontecido dentro daquele quarto. Mas era óbvio.
"Não acabou ainda! Fica melhor!"
Gold apertou algumas teclas, e o vídeo avançou até o amanhecer. A sensação de desgosto no céu da boca não a abandonaria tão cedo.
Acompanhando atenciosamente o vídeo, Regina assistiu quando a porta se abriu e Ruby saiu, visivelmente alterada. Aparentemente, chorando. E assistiu também quando a belíssima ruiva chegou ao quarto, passou alguns minutos ali e saiu. Regina se lembrou nitidamente das palavras dele, "Zelena é a melhor no que ela faz. E por mim, ela pode acabar com você."
"Não podemos negar que ele tem bom gosto para mulheres." — Satirizou Gold.
Regina endireitou-se e virou-se para os dois.
"Primeiro: vocês estão proibidos de divulgar esse vídeo até eu tirar essa história à limpo. Se agirem traiçoeiramente comigo mais uma vez, eu desisto e entrego a prefeitura à ele. Entenderam?"
"Regina, essa é a nossa chance de"
"Pelo amor de Deus, Graham! Você é surdo? Não fui clara o suficiente? Se você não respeita as minhas decisões nessa porra dessa prefeitura, deveria trabalhar para eles!"
Ela praticamente gritara, e Graham assentiu, os ombros relaxaram.
"Desculpe, Regina."
"O mesmo para você, Gold. Sem surpresinhas." Ela girou os calcanhares e se dirigiu à saída. Da porta, ela fez seu último pedido. "Graham, envie o endereço da Ruby para o meu celular."
"Seu filho da puta!"
Robin sentia o rosto formigando. O tapa dela doía tanto quanto um soco de um homem. Ele a olhou com dúvida nos olhos.
"Há quanto tempo você está trepando com a Regina?"
"De onde você tirou isso, Zelena? Está maluca?" Respondeu ele, alisando o rosto com a mão. Cara, aquilo doía demais.
"Foi a sua amantezinha que me contou. Ela, que trabalhou os últimos meses grudada em você, ouvindo desde sua respiração até os seus sonhos. Me responda, Robin, desde quando? Está comendo ela enquanto nós estamos nos matando para eleger você?"
A raiva na voz dela era palpável, e ele notara. Mas ele realmente não tinha nada a temer.
"Eu nunca fui para a cama com a Regina. Pode vasculhar todo e qualquer registro meu. Pode ir perguntar para ela. A garota está equivocada."
"Eu quero ouvir de você."
"Eu não transei com a Regina, mas que caralho!"
Zelena o estudou por um momento, e se acalmou quando confirmou que ele não estava mentindo.
"Se você não sabe separar as coisas, Zelena — é melhor sair da equipe."
Eles trocaram um longo olhar.
"Robbie, não misture as coisas."
"Eu? Não misturar as coisas? Você deu um tapa na minha cara, Zelena. Por ciúmes. Porque você se acha no direito. Em nenhum momento você sequer pensou na sua 'amiga', na minha esposa, Marian. Você ficou com ciúmes. Você pensou em si mesma."
Zelena calou-se. Ela pegou suas coisas e tentou sair, mas Robin colocou-se entre ela e a porta de saída.
"Se você não quer que a Marian descubra que você continua apaixonada pelo marido dela, é melhor tomar cuidado com o que faz. Se ela estivesse aqui, esse tapa te custaria muito. Tenha cuidado, Zelena. Ou vai se enforcar na própria corda."
Regina tocou a campainha inúmeras vezes. Nada. Sequer um barulho, um sinal. Ela tentou bater na porta e notou que estava aberta, o que era muito estranho. Os níveis de criminalidade na cidade eram baixíssimos, mas mesmo o mais otimista jamais deixaria a porta simplesmente encostada. Ela tomou aquilo com um convite, e entrou sorrateiramente.
"Ruby?"
Silêncio. O apartamento era demasiadamente confortável, bem decorado. Continha um ar juvenil, com alguns móveis coloridos, uma televisão antiga, um par de belíssimos Manolo Blahnik caídos no canto.
"Alguém?"
Ela observou atentamente a bolsa sobre a mesa da cozinha e presumiu que deveria ter alguém em casa.
"Ruby? É a prefeita. Preciso falar com você."
Mas assustadoramente, não se ouvia nada. Somente um inquietante silêncio.
Regina colocou a mão na bolsa, afim de pegar o celular. Era esse mesmo o endereço? Talvez estives... Ah não! Regina tirou a mão de dentro da bolsa, totalmente melecada com uma pasta branca, provavelmente seu protetor solar. Ela precisava de papel. Olhou ao redor e não identificando nada, resolveu pegar um pouco no banheiro.
Ela abriu a porta do banheiro apressadamente, mas esqueceu-se completamente do papel.
Ali estava Ruby, nua, numa banheira de sangue. Regina ajoelhou-se e mediu sua pulsação. De maneira rápida, ela segurou a cabeça da garota contra seu peito enquanto discava o número do hospital.
"Eu preciso de uma ambulância, urgente! É um caso emergencial! Pelo amor de Deus, é a Prefeita Regina Nolan no telefone. Ande logo!"
Ela gritou o endereço para a atendente, e jogou o celular do chão. Com cuidado, ela procurou a fonte do sangue e se sentiu assustadoramente em pânico quando descobriu.
Pulsos.
Cortados.
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