Amores Roubados
12 Capítulo 12
Graham estava sentado em frente à belíssima moça de cabelos escuros. Tão negros como a noite. Os olhos eram doentemente azuis. Era tão linda que o próprio Graham queria beijá-la, mas ele tinha foco. Precisava dela.
"Você sabe o que tem que fazer, Ruby?"
"Me tornar assistente do Robin."
"E?"
"E depois levá-lo para a cama."
"Boa menina. Agora precisamos discutir os detalhes."
"Gold?"
"É ele. Quem fala?"
"Graham."
"Como estamos?"
"Conseguimos a assistente. Precisamos da isca agora."
"Deixe essa parte comigo."
"Você não podia fazer isso, Marian."
Sentados na mesa da sala de estar, estavam Robin, Marian e Zelena. Marian o olhou e levantou os ombros, em sinal de questionamento.
"Não devia ter feito a Zelena viajar até aqui sem ao menos falar comigo."
"Robin..." — Começou ela, mas Zelena interrompeu.
"Robin, caia na real. Você não faz o trabalho sujo. Não se brinca de política. A menos que você não queira vencer, você precisa atacar o adversário e como você não vai fazer isso, e eu sei que não vai mesmo porque eu conheço seu jeito, você irá precisar de um soldado, um gladiador que trave as suas batalhas. É pra isso que estou aqui, e eu sou a melhor no que eu faço. Então me deixe trabalhar."
Ele encarou a bela ruiva à sua frente, com seus jeans justos e botas de couro que iam até o joelho. Zelena era a única que realmente podia encarar Regina de frente. Ele precisava dela.
"Faça o que tiver que fazer."
Ele se levantou, afastando-se delas com as mãos no bolso.
Zelena o seguiu com o olhar, até que ele sumiu. Ela virou-se com um sorriso diabólico e os olhos brilhando para Marian, que tinha um semblante cansado.
"Me diga tudo o que sabe sobre essa Regina."
Regina ouviu a campainha tocando, e se perguntou quem seria. Ela não estava esperando ninguém, e torcia para que não fosse nem Graham nem Gold. Ela não estava em condições de lidar com a campanha. Assim que abriu a porta, ela reafirmou tal pensamento.
"Robin?"
Ele entrou sem sequer olhar para ela. Seu rosto estava rígido e não havia um sinal de sorriso.
"Eu esperava mais de você, Regina. Milhões de vezes mais."
"Do que você está falando?"
"Disso."
Robin abriu o jornal e colocou a primeira página praticamente na cara dela. Ela puxou o jornal e jogou-o no lixo.
"Robin..."
"'Prefeito com passado de ladrão'? É isso o que você quer que as pessoas pensem de mim? É assim que você trabalha? Desenterrando um erro da minha adolescência para me derrubar?"
"Isso não foi ideia minha."
"Não me interessa, Regina. É a sua equipe. Seu time. Sua campanha. No fim, acaba sendo sua ideia sim."
Ele estava bufando, literalmente. Regina apenas o encarava, em silêncio. Por dentro, labaredas de chamas lhe consumiam. Robin se aproximou, e ela não recuou. A respiração dela se tornou mais rasa, e ele percebeu. Robin estendeu a mão e a colocou no pescoço dela, circundando sua nuca e puxando-a para si. Regina não mostrou nenhuma resistência. Com os olhos fechados, ela usufruiu da sensação inebriante que aquele toque causava nela.
"Uma coisa é me pedir para ficar longe, Regina. Outra é me apunhalar pelas costas."
Regina abriu os olhos, afastando-se dele. O olhar dela era quente e duro, insanamente ardente e desafiador.
"Você deu o primeiro passo, Robin."
"Quê?"
"Você acabou de chegar a cidade e quer tirar a prefeitura de mim? Quem você pensa que é?"
"Você não pode ter tudo, Sra. Nolan."
Ela odiou o desprezo que escorregou das suas palavras.
"Eu posso ter o que eu quiser."
Robin a segurou pelo braço, com força.
"Você está me machucando, Robin."
"Eu vou machucar mais. Como você fez comigo. Se você acha que essa sua jogada me atingiu, espere para ver o que estou preparando para você. Zelena é a melhor no que ela faz. E por mim, ela pode acabar com você."
"Quem é Zelena?"
Ele a soltou, sorrindo. Se aproximando ainda mais, ele praticamente sentia a respiração dela contra a sua boca. Com um olhar travado entre os dois, refletindo a raiva e rivalidade que crescia entre eles, ele resmungou.
"Você irá conhecê-la em breve, e vai lamentar por esse momento a sua vida toda."
Regina riu, deliciada, e não se afastou.
"Ui, é agora que eu fico com medo?"
"Vá para o inferno, Regina."
Ela o pegou pelo jaqueta, puxando-o para si, e ele bateu contra os antebraços dela, os corpos grudados.
"Quando eu tiver acabado você pedirá com clemência pelo inferno, Robin. Mas peça à sua funcionária para mandar ver. Veremos se ela dá conta."
Eles ouviram passos do lado de fora e a maçaneta se moveu.
Ele empurrou os pulsos dela para longe. O ar entre eles se tornara palpável. A raiva misturou-se com a tensão sexual, e a intensidade do embate era agora enlouquecedora, quase mortal. Regina queria assassiná-lo ali mesmo e enterrá-lo sob a sua macieira. David entrou e quando foi pendurar a jaqueta, os avistou.
"Robin, o que faz aqui?"
Sorrindo, ele o abraçou. Robin e Regina trocaram outro olhar intenso. David virou-se sorridente e beijou a mulher.
"Está tudo bem aqui? Está acontecendo alguma coisa?"
"Eu chamei o Robin aqui para me desculpar pela história do jornal, querido. Não é mesmo, Robin?"
Filha da puta, pensou ele. Regina era realmente tão rápida quanto inteligente. Ela sabia que ele não negaria, pois isso traria mais e mais perguntas, e criaria um tensão entre os dois. Para manter a amizade, Robin teria que jogar o jogo dela.
"É verdade. Ela não teve culpa, relações políticas são meio sangrentas."
David colocara a mão na cintura dela.
"Ainda bem que vocês se resolveram. Não quero que a eleição estrague nossa amizade."
"E nem vai." — Respondeu Robin. "Bom, eu preciso ir andando."
"Não quer ficar para jantar?"
"Não posso. Tenho que ficar de olho na Marian."
"Tudo bem, eu te acompanho até lá fora."
David saiu na frente, e Robin deu uma última olhada na morena estonteante antes de sair também.
A comitiva de imprensa estava toda em polvorosa. Um anúncio oficial de iniciativa privada havia convocado todo e qualquer jornalista da cidade. A ansiedade pairava sobre a multidão de microfones e câmeras profissionais. Havia um pequeno palco com um singelo microfone branco.
A poucos metros dali, dentro de um Rolls Royce preto, Graham observava o movimento.
Todos aguardaram em silêncio quando viram uma multidão de seguranças, vestidos tipicamente com seus ternos bem cortados, óculos escuros e escutas subiram e se posicionaram ao redor do palco. Logo em seguida, uma figura feminina subiu os poucos degraus que levavam ao topo do palco.
Uma mulher incrivelmente linda. Olhos azuis, a pele branca como a neve. O cabelo loiro brilhava ao reflexo do sol e descia pelas suas costas em ondas suaves. Ela usava um vestido azul bebê e salto alto. A mulher era realmente estonteante. Pouquíssimos não estavam com um olhar de admiração e cobiça estampado na cara. Mas o silêncio durou apenas alguns minutos.
Ela caminhou elegantemente até o microfone.
"Olá, Storybrooke. Eu vim até vocês porque eu não aguento mais viver uma mentira. Eu estava apaixonada por um homem, que infelizmente é casado, e ele me prometera que ia ficar comigo. Me prometeu várias coisas, inclusive que ia se divorciar da esposa. Mas agora ele me abandonou, e eu não quero que um homem que não tem palavra fique no comando dessa cidade."
Era como o som do mar: todos começaram a cochichar, rumores sendo formados, jornalistas discando números nos telefones celulares. Um jornalista provocou.
"Você está sendo tendenciosa, senhorita Glinda. Seja objetiva, diga o nome."
Glinda abaixou a cabeça, fazendo um semblante de tristeza.
"Estou falando de Robin Hood."
Graham sentiu-se incrivelmente feliz.
Aquele desgraçado do Gold.
Sorrindo, ele colocou os óculos de sol e orientou o motorista.
"Vamos para casa, Jason. Já terminamos por aqui."
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