Amores Roubados
13 Capítulo 13
"Ruby."
"Sim, Sr. Hood."
"Jesus, não me chame assim. Eu pareço um velho. Você vai trabalhar 18h por dia comigo, me chame de Robin."
Ruby o seguia religiosamente. Com seu tailleur bem cortado, e os cabelos presos em um rabo de cavalo, ela era a imagem da beleza em termos políticos. Anotando tudo com veracidade, ela se sentia bem à vontade para debater aspectos da campanha com ele e ele gostava de ter alguém com quem pudesse conversar sobre, em vez de aturar a intimidação de Zelena e a exasperação da esposa.
"Ruby, preciso que marque uma reunião com os comerciantes e então uma visita à Escola Abigail."
"Imediatamente. Se me permite, Robin, acho que a sua campanha precisa ser visualizada."
"Como assim?"
"Regina é o carro chefe da campanha dela. Temos o rosto dela em todos os bottons, toldos e comerciais. Querendo ou não, ela é linda e tem toda uma polidez política e são muitos pontos a seu favor. As pessoas olham para aquele sorriso e sentem confiança."
Robin sorriu discretamente. Aquele sorriso era mesmo matador. Se olhasse por muito tempo, era capaz dele mesmo votar nela. Ruby o olhou por alguns segundos, curiosa.
"Você acha que eu posso competir com ela?"
"Eu acho que o Sr. deveria tentar."
"Notícias para mim, Zelena?"
Robin sentou-se à frente dela, numa das mesas da Granny's. Ele deu uma breve olhada em volta para se certificar que nenhum funcionário de Regina estivesse por ali.
"Na verdade, temos o que você já deve imaginar. A tal da Glinda nunca morou em Storybrooke. Ela foi contratada para vir aqui plantar uma semente. Ela pegou um voo hoje para fora do país sem carregar sequer uma mala. Ou seja, ganhou dinheiro suficiente para tirar férias de um ano."
"Por que eles fariam isso? Isso os impossibilita de manter essa mentira."
"Robin, acorde! Eles não querem provar nada. Esse mero boato já diminuiu significantemente a sua pontuação. As pessoas começaram a duvidar da sua integridade, afinal, já são dois escândalos em sei lá, duas semanas?"
Robin cruzou as mãos e as colocou na mesa, apoiando a testa contra elas em sequência.
"Mas que merda!"
"Mas não se preocupe. O contra-ataque está à caminho."
"Zelena, o que você vai fazer?"
"Deixe que eu faça o meu trabalho, Robin. Faça o seu."
Regina entrou na delegacia, sorridente. Passando pela recepção, deixou um café com Belle.
"Bom dia querida! Como está seu pai?"
Os olhos da recepcionista arregalaram-se e ela tossiu antes de responder. Regina identificou esses sinais, mas esperou para ver o que ela diria.
"Ah, claro. Está tudo ótimo. Quer que eu avise o David que você está aqui?"
Pela maneira que Belle tocou o lábio, Regina sabia que estava mentindo. Mas sobre o quê? Ela teria que investigar futuramente.
"Não precisa."
Regina caminhou elegantemente na direção do escritório do xerife. Belle apenas observou de longe, com um rosto impassível. Merda.
Assim que abriu a porta, Regina entendera a reação de Belle.
Mary Margareth.
Sentada na mesa do escrivão.
Do lado da mesa do seu marido.
Isso já era demais para ela.
"David?"
David virou-se, sorridente e seu sorriso morreu quando a encarou.
"Gina, o que"
Regina não ficou para ouvir o resto da pergunta. Ela passou pela recepção e acenou para Belle sem dizer uma palavra, o que era desnecessário. Quando estava entrando no estacionamento, o ouviu correndo atrás dela.
"Gina."
Ofegante, ele parou na frente dela. Por Deus, o olhar dela podia matá-lo. Ela mesma faria isso, se ele abusasse.
"O que você quer agora, David?"
"Baby, não é o que você está pensando."
"Não ouse dizer isso, David Nolan. Não estou pensando nada. Estou vendo. Estou entendendo como é que deve se sentir a mulher que vai fazer uma surpresa ao marido e dá de cara com a senhorita com a qual seu marido está flertando, dentro do escritório dele, com ele."
"Nós não fizemos nada, baby. Acredite em mim."
"Como você acreditou em mim, David? Ao me acusar de ter alguma coisa com a volta do Graham?"
"É diferente."
"É claro que é. Porque eu deixei claro para o Graham que sou casada. Muito bem casada. E você, deixou claro para a Srita. Blanchard que você tem uma esposa? Você está ciente disso?"
Ele respirou fundo, os ombros caídos. Ele jamais conseguiria vencê-la com argumentos. David tentou puxá-la para si, pelos braços.
"Não me toque."
"Regina, você está exagerando."
"Você vai dormir no sofá, David."
"Você não pode fazer isso."
"Se continuar essa discussão, vai dormir na varanda."
"Porra, Regina! Onde você quer chegar com isso? Você acha que eu não percebi o quão estranha você tem agido? Se eu estou buscando a companhia da Mary Margareth é porque você está distante, inquieta, e sempre ocupada. Não sou o único culpado aqui."
"David."
Ela não esperava por uma reviravolta. Não mesmo. Ela não podia dizer ao marido que passava metade do tempo pensando na campanha e metade pensando em Robin, no beijo dele, nas ameaças dele, nos motivos pelos quais eles jamais ficariam juntos, em como ela e David estavam se distanciando, o quanto David queria um filho... Realmente, ela estava completamente fora de órbita.
"Quer saber, Regina? Faça o que quiser. Eu durmo na varanda, no carro, até na praça — desde que não precise aguentar seus argumentos inescapáveis."
David virou-se e voltou para a delegacia. Regina, encostada no carro, respirou fundo e entrou no carro.
Da calçada, Zelena assistia a cena.
Com um sorriso vibrante, ela continuou em seu caminho.
Robin queria odiá-la. Com toda a sua força. Afinal, ela estava no comando. Se eles estavam o destruindo, era com a permissão dela. Por mais que sentisse vontade de arrancar as roupas dela, jogá-la sobre qualquer coisa e fodê-la enlouquecidamente sempre que se encontravam, ele tinha que admitir: ela era tão desejável quanto diabólica. Não tivera dó de pisar nele em nenhum momento. Negou-se a ficar com ele, mas não perdeu um minuto antes de se unir à Graham. E foi pensando dessa maneira que ele concluiu que não podia mais vê-la como Regina. Ela era o inimigo e eles abatiam inimigos. Era tudo ou nada e sentimentos não entram nessa equação.
Zelena ainda aguardava uma confirmação, quando Robin balançou a cabeça afirmativamente.
"Vá em frente."
Ela debruçou-se e o beijou na bochecha.
"Falou como um prefeito."
Sentado no banco da praça, Robin estava distraído e nem notou quando Ruby sentou-se ao seu lado.
"Está tudo bem, Sr. Hood?"
Ele a olhou, fingindo irritação e ela sorriu, balançando a cabeça.
"Desculpe. É um costume difícil de controlar."
"Tudo bem."
"O Sr. conseguiu providenciar a imagem do"
"Ruby, podemos não falar da campanha? Pelo menos por agora?"
"Como desejar. O Sr. não parece bem."
"Eu estou cansado, Ruby. Não sei se ser prefeito vale toda essa angústia e estresse."
Ela soltou a caneta e o caderno. Ele sorriu, era como se ela estivesse soltando um peso enorme.
"Quando eu era criança, queria mudar a vida das pessoas. Para melhor. Mas nunca realizei esse sonho em grande escala. Eu ajudo quem está ao meu alcance. O mundo é um lugar ruim, as vezes. Ajudar uma pessoa, apenas uma, já faz diferença. Você mostra a alguém porque ela ainda deve acreditar na humanidade. Mas como prefeito, Robin, você pode mudar a vida de uma cidade inteira para melhor. Você pode trazer segurança, saúde, esperança. Uma cidade toda. Imagina quantas pessoas."
Robin a encarou, interessado.
"Eu sei que as coisas estão meio difíceis. Mas tenha fé em si mesmo. Acredite no seu potencial, acredite no que você pode trazer de bom para esta cidade."
"Belíssimas palavras, senhorita."
"Eu anoto os seus discursos."
Ambos caíram na risada.
"Posso lhe fazer uma pergunta, Ruby?"
"Pode, Sr."
"Por favor, não me entenda mal."
"Eu jamais faria isso."
"Quantos anos você tem?"
"22."
"Casada ou solteira?"
"Solteira."
Robin suspirou e sorriu.
"Quando eu era solteiro, não imaginava que a vida poderia se complicar tanto. Quer dizer, você sai, viaja, compra o que quer, chega quando quer. Você não teme ferir o sentimento de ninguém. Você não precisa escolher entre o que quer fazer e o que deve fazer."
"Parece um dilema e tanto."
"E é. Mesmo amando a pessoa com quem se casou, é difícil. As pessoas vão mudando ao longo dos anos, ou elas acabam deixando transparecer quem já eram."
"Parece que está me dizendo para não casar."
Ele sorriu, desconcertado.
"Apenas não faça isso por impulso."
Ele a beijou na bochecha e se afastou. O contato fez com que Ruby sorrisse, e uma onda de calor vibrasse dentro dela. Ela balançou a cabeça e parou de sorrir. Ela não podia perder o foco. Tinha uma missão a cumprir.
Regina atendeu seu celular. Ela saindo do seu carro, em frente à prefeitura.
"Regina Nolan."
"Regina, você já viu o jornal?"
"Não, Sidney. O que vocês aprontaram agora?"
"Não fomos nós."
"O que é, Sidney? Vai enrolar mais para falar? Não tenho tempo."
"Você precisa falar com David."
"Aconteceu algo com o meu marido?"
"É você que tem que nos dizer."
"Sidney, eu ligo depois. Não estou entendendo nada."
Regina fechou o carro e caminhou até a banca. Ela notou meia dúzia de olhares e sussurros quando passava e antes de colocar as mãos no jornal, imaginava que Robin havia se movido. Mas ela não esperava tal genialidade.
Na foto principal, havia uma foto dela e David discutindo no estacionamento da delegacia, e outra de David sorrindo com Mary Margareth a poucos quadras dali. Acima das fotos, um gutural letreiro 'Problemas no paraíso?'.
Ela queria matar David.
Foi então que ela olhou com mais afinco e viu o verdadeiro golpe.
Logo abaixo, uma foto de Robin, Marian e Roland, saindo da maternidade.
'Futura primeira-dama anuncia segunda gravidez.'
Malditos filhos de uma puta.
Regina sorriu, e qualquer pessoa podia dizer que ela estava louca, pois não havia motivo para ela sorrir. Não numa situação dessas. Mas o que ninguém sabia era que Regina realmente admirou aquele golpe.
Era brilhante.
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