Amores Roubados
5 Capítulo 5
Outro dia na prefeitura. Regina estava atribulada tentando conciliar a contabilidade da cidade quando ouviu a porta sendo aberta com força, batendo contra a parede. Ela se assustou mas logo voltou ao controle. Da porta, surgiu um garoto lindo, correndo.
"Ops!" — Disse ele, quando a viu. Ficou parado na sua frente, com uma cara de assustado.
"Olá."
Regina sorriu para ele e se levantou.
"Roland!" — A voz de Marian a anunciou e ela entrou logo atrás dele.
"Regina, me desculpe! Ele saiu correndo na minha frente!"
"Sem problemas", continuou ela com um sorriso genuíno que se alargou ainda mais. "Então você é o Roland? Eu queria muito conhecê-lo!"
"Queria?"
O sorriso do menino encheu o coração dela de alegria. Meu Deus, ele tinha covinhas apaixonantes.
"Claro!"
Marian segurou a mão dele.
"Venha querido. Deixe a prefeita trabalhar. Regina, ele não vai dar trabalho nenhum. Eu não tinha com quem deixá-lo hoje, desculpe."
"Não se preocupe com isso. Quer tomar um sorvete comigo mais tarde, Roland?"
"Eu quero! De pistache!"
Regina lhe deu uma piscadela, e eles foram para a sala de Marian.
Ele segurava o sorvete com as duas mãos, e o creme descia mais rápido do que ele conseguia chupar, melecando suas pequenas mãozinhas.
"Deixa eu te ajudar."
Roland assistia a mulher à sua frente limpando sua mão com um sorriso infantil nos lábios. Ele agradeceu.
"Você é muito bonita."
"Obrigada, cavalheiro. Você está gostando de morar aqui?"
"Sim! Gosto muito! Meu papa me leva para pescar, para andar na floresta e conhecer a montanha! Na nossa cidade não tinha nada disso."
Regina o observou por alguns segundos e se sentiu aquecida pela lembrança de Robin. Havia semanas que não o via. Aparentemente, ele tinha entendido o ultimato dela e evitava encontrá-la de toda e qualquer maneira. Quando buscava Marian, esperava na rua. Se precisasse falar com David, ia até a delegacia. E quando precisava de algo da prefeitura, pedia à Marian. Por mais que ela soubesse que ela pedira por isso, que era exatamente aquilo que ela devesse fazer, havia um sentimento de desespero por baixo da sua pele. Na camada mais profunda, mais íntima de sua pele.
"Você conhece o meu papa?"
"Conheço. Ele é um bom homem."
"Você gosta dele?"
"Como?"
"Tô perguntando se você é amiga dele?"
"Ah sim, nós somos amigos." — A palavra 'amigos' pareceu amarga em seus lábios.
"Ei vocês!"
David interrompeu a conversa deles e beijou-a. Ele se debruçou e fez carinho no cabelo dele.
"Quem é essa coisinha linda?"
"É o filho da Marian e do Robin, dear."
"Eu nem sabia que eles tinha um filho! Ei, como é seu nome?"
"Roland!" — Disse ele alegremente, sem se dar conta de que estava com a cara toda suja de sorvete.
Regina sorriu e pegou um guardanapo.
"Venha aqui, Roland... preciso limpar essa bagunça."
David observava interessado enquanto sua esposa limpava delicadamente o rosto do pequeno, beijando-o na testa. Ela tinha um dom especial com as crianças.
"Talvez devêssemos pensar em começar a nossa própria família."
"Está falando sério, David Nolan?"
Eles trocaram um longo olhar.
"Mais sério impossível."
Ela sorriu e encarou Roland.
"Vamos embora, docinho? Sua mãe vai ficar preocupada com a nossa demora."
Roland assentiu com a cabeça. Regina levantou-se e pegou David pelo rosto, segurando-o para um beijo suave e doce.
"Conversaremos sobre isso mais tarde."
Era uma noite e tanto para a Granny.
A lanchonete estava lotada, sem nenhuma razão aparente. Coincidentemente, todos resolveram jantar ali. Mary Margareth e Emma bebiam no balcão, intercaladas por Whale e Killian. Grumpie estava sentado em uma mesa enorme, onde estavam Geppeto, Giuseppe, Tinker, Blue, e muitos outros. Havia canecas de bebida em todos os lados, e o barulho era contagiante, numa névoa de risadas e conversa paralela.
Robin e Marian estavam sentados no canto, com Roland no colo de Robin. Eles começaram a conversar animada com Belle, e Regina levantou-se afim de pegar outra bebida. Robin seguia seus passos silenciosamente, vez por outra checando se Marian não estava percebendo.
Regina vestia um vestido preto justo, os cabelos com volume, e um salto deslumbrantemente vermelho. Ela voltou com a caneca e sentou-se no colo do marido, um braço dando a volta no pescoço dele, o rosto encostando no dele, roçando os narizes num gesto de romantismo e cumplicidade. Ele sussurrou algo em seu ouvido e ela sorriu, beijando-o em seguida. Robin assistia tudo, e desconfortável, levantou-se e foi ao banheiro.
"Dear, vamos para casa? Já está tarde... estou realmente muito cansada."
David estendeu a mão para ela, e fez com que ela girasse.
"Eu não negaria nada a uma mulher tão bem vestida."
Ele a abraçou, e ela apoiou a cabeça no ombro dele.
"Vou pagar a conta."
"Ok, eu espero lá fora."
Regina desceu os degraus da lanchonete e deu de cara com Marian encostada na mureta. Acompanhada de um Killian Jones que parecia estar mais atrevido do que ela pensava ser possível. Killian segurava uma mecha de cabelo de Marian, e ela sorria. Regina conhecia aquele sorriso. Típico sorriso de flerte.
Marian, entretanto, ouviu o salto da prefeita batendo contra o chão e se desvencilhou do galã, indo na direção dela.
"Regina!"
"Marian, Killian."
Killian passou por elas com um sorriso e acenou com a cabeça, voltando para dentro da lanchonete. Regina umedeceu os lábios e Marian colocou a mão nos bolsos da jaqueta.
"Você já vai embora?"
"Sim, estou esperando o David. Já está tarde e eu estou exausta."
Marian olhou para a janela, e viu Robin com Roland no colo, rindo no meio dos rapazes.
"Parece que Robin finalmente está se divertindo. Ele anda tão tenso ultimamente."
A respiração de Regina mudou quase que imperceptivelmente.
"Ah é? Ele disse por quê?"
"Se dissesse, não seria o Robin. Talvez nós nem fiquemos em Storybrooke por muito tempo. Ele parecia estar feliz, mas recebeu uma proposta de emprego em outra cidade e está considerando irmos para lá."
"Mas vocês acabaram de se mudar..."
"Eu sei, mas você sabe como os homens são. Além do mais, se vamos nos mudar, tem que ser enquanto o Roland não entra na escola. Depois vamos acabar prejudicando ele."
Regina olhou para a janela e percebeu que Robin as olhava pela janela. Ele deve ter percebido o olhar dela, pois parou de sorrir imediatamente. David passou pela porta naquele momento, e ela se despediu de Marian.
"Amanhã conversamos, ok?"
"Tudo bem... preciso procurar o Robin mesmo. Até mais."
David sorriu para ela e entrelaçou seus dedos nos dedos da amada, caminhando em silêncio pela avenida.
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