Amores Roubados
39 Capítulo 39
“Se eu disser que não, vai adiantar o quê? Não dá pra argumentar com gente caipira.”
Robin sorriu, achando graça naquela ofensa.
“Você tem muita criatividade, Regina.”
“E você tem pouca dignidade. Estamos quites.”
Regina forçou os pulsos e tentou se desvencilhar, mas ele era muito mais forte.
“Não vou te soltar.”
“Covarde.”
“Dissimulada.”
“Com que propósito você veio até aqui? Tudo isso é para se despedir de mim?”
“Parece que eu estou me despedindo?”
“Você parece muitas coisas das quais não é, Robin.”
A distância quase nula entre eles dificultava que ambos tivessem o foco correto para aquela discussão. O corpo dela pressionado contra o seu, a respiração quente, a troca de olhares. Tudo tornava aquela situação ainda mais difícil. Robin a soltou, e ela encostou-se à e na mesa. Ele puxou uma cadeira e sentou-se na frente dela.
“O que quer dizer com isso, Regina?”
“O que está fazendo?” Questionou ela, observando-o calmamente sentado na sua frente.
“Te dando o espaço para falar. Vamos, destile seu veneno. Jogue na minha cara todos os meus erros.”
Ela ficou encarando-o incrédula.
“Só vamos sair daqui quando resolvermos isso, Regina.”
Pela maneira que ele cerrou os pulsos, ela sentiu a irritação dele. Podia ver pelo semblante fechado que ele estava se segurando. Ela respirou fundo.
“O David me colocou na rua depois do acidente. Eu estou morando no apartamento da Ruby.”
“Disso eu sei.”
“Vai me deixar falar ou não?”
Ele consentiu com um movimento.
“Dias atrás, ele foi até o apartamento.” Ela notou quando o maxilar dele rangeu de ciúmes. “Pediu desculpas, assumiu a relação dele com a professora. E me disse que eu estava livre para você. Foi muito difícil. Ele é meu marido. Meu amigo. A pessoa com quem passei anos.”
Robin recostou-se na cadeira. Era óbvio que aquela conversa o deixava desconfortável.
“E aí, eu boba, fui até sua casa. E quem me atendeu? Marian. Numa camisola transparente. Dizendo que vocês estavam se entendendo. Tudo bem. Fui para casa e resolvi que deveria pensar melhor. Voltei. E onde eu encontrei você, Robin? No aeroporto. Carregando malas com sua esposa feliz e seu filho. O que queria que eu fizesse? Uma selfie em família? Você pretendia me dizer que tinha voltado com ela? Ou ia simplesmente sumir? Achei que você me amasse mesmo. Achei. Mas eu sou ingênua. Nem pareço filha da minha mãe. Ela não cairia numa imbecilidade dessas. Mas eu tenho muito a aprender. Você vem aqui com essa sua brutalidade ridícula e eu ainda me dou ao trabalho de escutar essa ladainha. Mas já deu, Robin. A gente não funciona. Chega de drama. Vamos encarar os fatos. Se é por falta de até logo, adeus. Boa viagem. Some.”
Estava de volta a prefeita. De braços cruzados, encostada em sua mesa, com a superioridade a tiracolo. Robin a olhava enfurecido, com as duas mãos unidas sobre os lábios. Ele se levantou e andou até ela, ficando de frente para ela. Uma pequena distância os separava.
“Você é mesmo filha da sua mãe, Regina.”
Ela sentiu o desprezo escorrendo da fala dele.
“Como é?”
“Você agiu igualzinho a ela. Não passou pela sua cabeça pensar alguma coisa boa a meu respeito, não é? Você não sabe ver coisas boas nas pessoas. Seu coração deve estar cheio de escuridão.”
“Você” Gritou ela, mas Robin deu mais um passo e sussurrou contra a boca dela, tão perto que quase a tocou.
“Eu estou falando, Regina. Espere a sua vez.”
Ele passou a mão pelo rosto dela, mas ela se afastou, curvando-se para o outro lado. Fugindo do seu toque.
“Eu nunca mais voltei naquela casa. Você sabe onde eu estou morando? Na nossa casa. Aquela casa que comprei para nós dois. Tudo bem, Marian mentiu. Provocou você. E você acreditou. Acreditou que eu estava transando com ela. Não acreditou quando eu disse que te amava, que queria ficar só com você. Preferiu acreditar no pior. Podia ter perguntado se eu estava indo viajar. Se eu ia embora. Eu fui apenas levar minha ex-esposa e meu filho para pegar o voo deles. Mas você se importou? Não. Você não se importa. Você não se esforça em pensar o melhor de mim. Você pensou o pior de mim quando soube da Ruby também. Preferiu acreditar que eu era uma canalha safado antes de saber da verdade. Você sempre pensa o pior de mim. Você não tem confiança, não tem fé, não tem nada. Desconfia de tudo e de todos, espera pelo pior, compra vingança do que nem sabe. Não esperou dois segundos para ir buscar meus erros lá no passado e estampar em um jornal.”
“Robin.” A garganta dela estava quase fechada de tanta culpa.
“Cala a boca, agora você vai ouvir.” A voz dele soou ríspida e os olhos dele se fixaram nos olhos dela, furiosos. “Eu não sou teu cachorrinho, Regina. Eu não sou e nem vou ser o David. Você não vai me fazer de gato e sapato. Se quiser ver o pior de mim, terei que ver o pior de você. E acho que vou ver coisas demais, não concorda? Você me culpou por tanta coisa, mas não demorou dois segundos para deixar o Graham entrar nas suas calças. Quer respeito vindo de mim? Se dê ao respeito. Aja de acordo com as suas palavras, pelo menos uma vez na vida. Mostre quem você é, Regina. Pare de se esconder atrás dessa merda desse passado.”
Regina olhou para ele com os olhos marejados, desmontada sobre a mesa. Ela não tinha forças para rebater aquilo. Ele tinha acertado todos os seus pontos fracos, martelando toda e qualquer rachadura em seu caráter. E aquilo doeu. Mais do que ela ousaria dizer. Ele estava respirando pesadamente na sua frente, o punho fechado com raiva queimando pelas suas veias visíveis no contorno do seu antebraço.
“Eu amo você, Regina. Mas se é assim que vai ser então concordamos que não funciona. Que acaba aqui.”
Regina limpou a garganta, e forçou-se a falar, mas sua voz saiu fraca e sem convicção.
“Eu não tenho nada com o Graham. Ele e a Ruby estão namorando.”
“Isso não muda nada, Regina.”
“Eu não abri minhas pernas pra ele, é isso que muda. Você tem dificuldades de assumir essa porra de ciúmes, Robin. Estava se contorcendo na cadeira só de saber que eu e o David conversamos civilizadamente. Quer que eu confie em você? Confie em mim.”
“Temos problemas de comunicação.”
“Não temos mais problemas, Robin. Realmente, chegamos ao fim. Eu não aguento mais. Não quero viver assim. Esperando o próximo drama, a próxima mentira, o próximo desentendimento. A próxima vez que um de nós vai cair nas armações de um terceiro. Não é saudável. Eu amo você, mas é melhor cada um ir para o seu lado.”
“Então você está desistindo.”
O olhar dela cruzou com o dele, e ela baixou os olhos, encarando algum ponto no chão.
Então, o telefone tocou.
Robin olhou para ela, que virou-se rapidamente para atender. O telefone era a melhor fuga daquele momento e ela não ia perder aquela oportunidade. Mas Robin não permitiu. Com um movimento rápido, ele colocou a mão sobre a mão dela, ambas contra o telefone que tocava enquanto cobria a boca dela com a outra, seu corpo prensando o dela contra a mesa. Ela pode sentir a ereção dele latente contra o fino tecido de sua saia.
O telefone tocava, insistente, mas Regina fechou os olhos quando sentiu a voz dele contra a sua orelha, num sussurro cuja boca a tocava de leve.
“Você não vai atender essa porra.”
Ela falou alguma coisa, mas a mão de Robin sobre a sua boca fez com que soasse apenas um som desconexo. Ele apertou a mão contra a boca dela e jogou o telefone no chão. Ela fechou os olhos e mordeu a mão dele com força. Robin a virou com força, pegando-a pelo quadril e jogando-a sobre a mesa.
“Vagabunda.” Rosnou ele.
“Me fode.”
Ele pegou a camisa branca e abriu-a com um puxão violento, botões caindo por todos os lados. Regina puxou a saia para cima e ele meteu-se entre suas coxas, as duas mãos caindo para a nuca dela e puxando-a para um beijo sedento. Regina passou as mãos pelos seus ombros, derrubando o colete de couro cru do qual ele se desvencilhou com facilidade. A boca dele caiu sobre o pescoço dela, mordendo-a com força, fazendo-a choramingar. As mãos dele se fecharam como conchas contra os seios dela, apertando-os, massageando-os.
“Você me deixa louco.”
Robin sentiu as unhas dela por baixo da sua camisa, arranhando-o com força. Ele desceu o bojo do sutiã sem cerimônias e abocanhou o mamilo enrijecido.
“Puta merda, Robin!” Exclamou ela, cravando as unhas nele, puxando-o para perto.
“Regina?” A voz feminina gritou-a do outro lado da porta, fazendo com que eles parassem imediatamente o que estavam fazendo. Robin ainda a segurou pela nuca, mantendo-a na posição. Silenciosamente, ele agradeceu a Deus por ter trancado a porta.
“Emma?”
“Regina, abre a porta! O Henry sumiu! Ele está aí com você?”
Regina respirou fundo, tentando colocar-se nas roupas novamente. Robin ajudou-a a arrumar o cabelo, e ela percebeu que alguns botões da sua camisa social branca haviam se perdido quando Robin resolvera rasgar suas roupas. O corpo dela estava em chamas. Ela olhou de soslaio para ele e notou que ele também estava excitado demais. Visivelmente demais.
“Só um minuto!”
Robin a encarou, profundamente. Ele deu a volta na mesa e sentou-se na cadeira dela, mantendo parte do seu corpo escondido atrás da mesa. Ia ter que servir. Regina fechou a camisa como pode, e abriu a porta.
Emma entrou ofegante.
“Que demora! O que tanto fazia aqui trancada nessa... Oi Robin.” Ela sorriu timidamente para ele, sentado à mesa da prefeita. Ela olhou para Regina, notando a falta de alguns botões, mas resolveu não tocar no assunto. “Atrapalhei alguma coisa?”
“Estávamos conversando.”
A voz fria e a firmeza de Regina colocaram um ponto final no assunto.
“Henry fugiu para a sua casa.”
“Como?”
Emma estendeu o bilhete para ela. Regina o leu com um sorriso no rosto, mas logo o revestiu com sua máscara de seriedade novamente.
“Acontece que eu não moro mais na minha casa.” Emma a olhou, confusa e Regina levantou a mão espalmada, cortando as perguntas. “Longa história.”
“Isso quer dizer que ele pode estar em qualquer lugar?”
“Eu sei onde ele está. E vou busca-lo.”
“Eu vou com você.”
“É melhor eu ir sozinha. De acordo com esse bilhete, não parece que ele está a fim de falar com você.”
“Eu sou a mãe dele.”
“Se acha que minha ajuda não presta, Swan, por que não vai sozinha? Ah é! Você não sabe onde ele está.”
Emma bufou, contrariada.
“Tudo bem.”
“Eu o levo até sua casa depois. Mas prefiro resolver isso sozinha.”
Emma encarou-a enfurecida e depois Robin.
“Vou esperar. Se acontecer alguma coisa...”
“Você vai fazer o que, xerife?” Interrompeu Regina. “Já aconteceu alguma coisa. Eu estou tentando consertá-la por você. Não me venha com liçãozinha de moral."
Emma saiu pisando duro, irritada. Regina pegou seu casaco e antes que pudesse vesti-lo, sentiu Robin vindo em sua direção, empurrando-a contra a parede. Suas costas encontraram o concreto com violência, um impacto que fez um gemido de ar seco escapar junto com uma onomatopeia de dor.
“Nossa conversa ainda não acabou, Regina.”
Ela ficou observando enquanto ele saia de seu escritório, o andar másculo e pesado, a força viril carregada em cada um de seus movimentos. Ele bateu a porta atrás de si, fazendo um barulho estrondoso e ela sentiu seu estomago contorcendo-se em antecipação.
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