Notas iniciais
- Quero fazer agradecimentos especiais para quem escreveu recomendações, obrigada, vocês são demais. ♥ - Também queria avisar que a fic está caminhando para o final, então preparem o coração.

Regina caminhou pensativa até o novo escritório de David. Ainda pensava nas palavras de Graham. O que ele queria? Ela não tinha muito a oferecer. Ele deve estar planejando algo terrível, imaginou.

Ela subiu os degraus de madeira, e entrou pelo saguão. Ela adorava o design daquele lugar, e sentia-se pessoalmente orgulhosa por tudo que David havia conquistado. Mesmo sabendo que Wale investira nele apenas com o intuito de lhe derrubar – as coisas haviam mudado, e David sairia da transação um tanto milionário.

Ela notou que o local estava quase deserto.

Passando pelo saguão dos atendimentos telefônicos, ela virou à esquerda e cruzou as grandes portas de vidro temperado, circuladas por colunas desenhadas delicadamente com tendências italianas.

“David?”

Um par de olhos femininos cruzou com o dela, num lampejo assustado.

“Mary Margareth?”

“Mary, você pode...” David estava saindo do banheiro, sacudindo as mãos e parou assim que viu a esposa. “Regina?”

“O que ela está fazendo aqui, David?”

Regina estendeu a mão e apontou na direção de Mary, sem nenhuma empatia ou delicadeza. Seu equilíbrio tinha se despedaçado. Agora, quem tivesse juízo deveria fugir. Rápido.

“Regina, vamos conversar com calma.”

“Ah, foda-se David.”

Regina deixou-o para trás, saindo da sala. David correu atrás dela, fechando a porta atrás de si e alcançando-a na altura do saguão.

“Regina, ela trabalha aqui.”

“Oh, que boas notícias. Estou bem mais feliz agora.“

“Regina, você precisa me dar apoio.”

“Apoio? Apoio? David, qual é a tua? Eu vim lhe perguntar por que você não estava trabalhando, na sua delegacia, enquanto eu estava prestando uma porra de depoimento e aí chego aqui e você está brincando de escritório com essa menina? De novo?”

“Você foi prestar depoimento?”

“O que está rolando entre vocês? Tá transando com ela? É isso? Devo pedir o divórcio agora?”

“Regina!” A voz dele aumentou em decibéis consideravelmente. Ele ergueu as duas mãos e suspirou pesadamente, cansado. “Não estou transando com ela, estamos trabalhando!” Ele sentiu a mentira percorrendo sua espinha. “A gente não vai se divorciar. Você precisa confiar em mim, confiar no meu trabalho, no meu potencial nesse novo empreendimento.”

“Como você confia em mim, dear?”

“Regina...”

“Não me contou que tinha contratado a professorinha. Não me contou que não estava trabalhando integralmente na delegacia... É, temos sérios problemas de comunicação. E de confiança.”

“Janta comigo hoje?”

“Não.” Sibilou ela, encarando-o.

“Não precisa agir assim, baby.”

“Você fez suas escolhas, David. Aguente as consequências.” Regina estendeu o dedo indicador e apontou por cima do ombro dele. “Leve-a para jantar, quem sabe não consegue o que está querendo?”

“Eu não a quero. Eu quero você.”

“Não é o que está parecendo. Não é comigo que você está passando as tardes, dear.”

“Eu passo as tardes com ela porque você passa as tardes com a cabeça muito longe de mim, Regina. Não pense que eu não noto as ligações misteriosas, suas escapadas diárias, seu comportamento apático. Não sou o único errado aqui. Não sou o único agindo sorrateiramente. Vai me contar o que estava fazendo na delegacia?”

“E desde quando você se importa?”

“Pois bem.” Respondeu David, ajeitando a gravata elegantemente. “Se não quer falar, não fale. Tanto faz.”

David retirou-se e voltou para sua sala, sem sequer olhar para trás.

“Você não pode sair por aí com quem nem conhece, Henry.”

Emma estava lendo alguns processos, sentada sobre um banco. Seus cabelos estavam presos em um coque disfuncional, e ela mordia incessantemente a tampa da caneta. Henry estava do outro lado do balcão, com um prato de macarronada em uma mão e talheres na outra.

“Ela não é qualquer uma. É a prefeita.”

“Mesmo assim. Você sequer me pediu permissão.”

“Pra ir ao cinema? Você fica trabalhando o dia todo! Não dá a mínima para como eu passo os meus dias!”

“Henry!” Emma bateu a mão contra a papelada à sua frente, fazendo um estrondo desnecessário. Ela ergueu os olhos e o encarou. “Eu não quero você saindo com a Regina. É uma ordem. Fique longe dessa mulher, ela é um problema a ser evitado.”

“Não.”

“O que você disse?”

Henry passou por ela e jogou o prato dentro do lixo.

“Esse prato é de porcelana, Henry.”

“Eu não vou parar de falar com a Regina, nem vou deixar de aceitar os convites dela. Ela é a única pessoa desta maldita cidade que conversa comigo, que me vê como pessoa e que me dá alguma atenção. Portanto, a resposta é não. Não vou ficar longe dela.”

Emma assistiu enquanto ele desligava a televisão retirando a tomada do plugue e subia as escadas completamente furioso, indo para o seu quarto.

Tomando uma taça de vinho, Regina estava enrolada em uma echarpe cara enquanto assistia a movimentação dos seus vizinhos. Há alguns meses, ela não imaginava que sua vida estaria essa bagunça. Era tudo muito tranquilo, organizado, sensato.

E então, Robin.

Tudo virara de cabeça para baixo.

Ela sequer sabia dizer o que sentia, o que pensava, ou o que iria fazer a seguir. Parte dela estava completamente machucada, porque ela sabia – estava vindo de todos os lados – que o casamento dela estava indo de mal a pior. Eles tinham tesão de sobra, mas quando os problemas eram estendidos na mesa, eles se enfrentavam em vez de procurar uma solução. A questão era: o que ela faria a respeito?

David. Ou ele estava comendo a professorinha, ou estava prestes a fazê-lo. Regina conhecia como ninguém um homem em posição de conquista. O olhar de caçador, as garras longas, o porte arrogante. E conhecia David. A colônia que usava, a maneira como dobrava as camisas, o brilho nos sapatos italianos. Ela sempre sabia quando ele estava tentando impressionar alguém. Nunca tivera problemas com ele flertando com alguém. David sempre fora profundamente apaixonado por ela. Não que ela se importasse – um flerte apimentaria a relação; mas não era do feitio dele.

Até agora.

Ela não o conhecia tão bem quanto pensava.

O telefone tocou e ela atendeu o aparelho sem fio que repousava ao seu lado.

“Regina.”

“Oi.”

Regina sentiu um calor invadindo seu tórax.

“Robin?”

“Está mais calma?”

“Sim.” Sorriu. “Mas ainda bateria violentamente na cara da Zelena.”

“Eu imagino que sim.”

Um silêncio atravessou a linha.

“Está sozinha?”

“Estou.”

“Ele está trabalhando, não é?”

“Como sempre.”

“Você merece mais do que isso, Regina.”

“Robin...”

“Honestamente? Eu deveria ter um pouco de amor próprio. Deixar você em paz. Você já mostrou que não confia em mim. Você já me ofendeu, ameaçou, atacou. Já deixou claro que ia continuar com o David.”

Houve um silêncio da parte dela. Ela sabia que ele estava certo, e não havia nada a ser dito. Ele continuou.

“Você já me dispensou de todos os modos. Mas apesar disso, eu sinto que você merece mais do que está recebendo. Merece um homem que esteja do seu lado, todas as noites, que coloque você acima de trabalho, dinheiro, ou qualquer outra coisa.” Ele respirou fundo. “Não estou dizendo que eu sou esse homem incrível e maravilhoso. Mas você é excepcional, e deveria saber disso.”

“Robin, eu não...”

“Não disse que vai se divorciar. Eu entendi. Mas não pode me impedir de esperar.”

“Você não pode desperdiçar sua vida assim, Robin.”

“Eu te amo, Regina Mills Nolan. E quando a gente ama alguém, nós não desistimos. Mesmo que pareça que não temos nenhuma chance, nenhuma esperança. Mesmo que tudo pareça perdido. Porque isso que é amar. Somos seres momentâneos, mas o amor, ah, é a personificação do infinito.”

Os olhos afundaram em lágrimas que queriam desesperadamente ser libertadas. Regina respirou fundo, e tentou encerrar aquela conversa, mas sua voz saiu trêmula e fraca.

“Robin, eu preciso ir.”

“Tudo bem. Te vejo em breve.”

Regina respirou fundo e desligou o telefone.

Robin pensou no que ele tinha feito.

Não havia justificativas. Apenas os fatos. Ele estava apaixonado por ela. Havia deixado que ela despedaçasse seu orgulho, sua reputação, e agora, seu coração. Tinha desistido de tudo apenas pela esperança de que algum dia, aquela mulher seria sua.

E de fato, ela havia sido. Por alguns momentos. Incríveis momentos.

Robin deslizou o polegar sobre os lábios com os olhos fechados e sorriu.

Ela era maravilhosa.

E era esposa de David.

Merda. Mil vezes merda.

A campainha o alarmou, e ele levantou-se. Quem estaria batendo na sua porta esta hora da noite? Caminhou até a porta, preguiçosamente, rezando para não ser Marian. Ele olhou no reflexo do vidro, os cabelos bagunçados, o abdômen nu e a calça jeans batida. Pensou em colocar uma camisa, mas estava preguiçoso demais para isso.

Enfiou a mão na maçaneta e abriu a porta.

“Regina?”