Notas iniciais
Primeiramente, um recado da escritora: Galera Outlaw Queen, mantenha a fé. Juro que há coisas boas vindo por aí.

Deitada na cama, e enrolada no lençol, Ruby observava o sol iluminando a parede. Ela estava contando silenciosamente os segundos até Robin acordar. Odiava a si mesmo pelo que estava fazendo, mas ninguém podia julgá-la. Gold era um homem muito persuasivo, e a violência era uma das suas melhores amigas. Ela não ousaria arrumar qualquer problema com ele. Ela deitou-se de costas para ele, e suspirou.

Segundos depois, ela sentiu-o se espreguiçando.

Robin checou brevemente o lugar ao seu redor mas não identificou onde estava. Não lhe era familiar. Ele se sentou, a cabeça dando pontadas intermitentes e dolorosas. Sentado, ele forçou-se ao abrir os olhos, e se deu conta de que não estava em seu quarto. Não estava em nenhum lugar que se lembrasse. Foi quando ele olhou para sua esquerda, e se deu conta de quão encrencado estava.

Puta merda!, pensou ele. Ao seu lado, havia uma mulher deitada e ele não precisou examinar muito para ver que esta estava nua. Ele estava apenas de cueca! O que foi que eu fiz?

Debruçando-se um pouco, ele analisou a mulher ao seu lado.

"Ruby?"

Ele a chacoalhou um pouco.

"Oi... bom dia."

Robin se levantou, pegando sua calça do chão. Ruby, sentada na cama e segurando o lençol contra o corpo, o observava em silêncio.

"Ruby, o que aconteceu ontem?"

"Como assim o que aconteceu ontem?"

"Eu não sei, eu..." Robin vestia sua camisa, e era claro pela cara dele que ele não estava exatamente consciente. Uma pitada de pânico atravessava seu olhar. "Lembro de estarmos conversando no Granny's, e de chamarmos um táxi. Só."

"Você está brincando comigo, Robin?"

Ele ficou paralisado em frente à cama. Ah sim, Ruby poderia ganhar um Oscar pela sua atuação. Com os olhos marejados, e algumas lágrimas deslizando dramaticamente pelo seu rosto, ela se levantou e começou a pegar suas coisas.

"Depois de tudo que você me disse, da maneira como me amou, dessa noite... Você vem e me diz que não lembra de nada? Nada, Robin? Você mentiu para mim! Você é igual todos os outros!"

"Ruby..."

"Vai embora Robin! Eu não vou mais trabalhar para você! Eu não quero ver você! Nunca mais!"

"Eu não lembro de nada! Talvez tivesse algo na minha bebida."

"Você está me acusando de drogar você e trazer você para um quartinho miserável de motel, Robin Hood?"

Robin assistiu a belíssima moça se vestindo, sem nenhum pudor de sua nudez. Ela era realmente linda, mas ele não faria aquilo, faria? Ele podia confiar em seus instintos?

"Ruby, eu... Eu só quero entender o que aconteceu aqui, não te acusei de nada."

Ruby começou a gritar na frente dele.

"Você é um mentiroso! É isso o que você é! Não se preocupe! Não vou sujar essa sua bosta de campanha. Foda-se essa merda toda!"

Ruby o empurrou, enfurecida e saiu, deixando a porta aberta atrás dela. Robin observou atentamente enquanto a morena se distanciava pelo corredor, até sair de sua vista.

"Mary Margareth?"

Mary se virou e sorriu ao encarar aqueles belíssimos olhos azuis de volta. David estava sempre bonito, bem vestido e bem humorado. Ela colocou os livros na mesa e fez um sinal para que ele se aproximasse. David entrou na sala de aula com passos medianos, as mãos no bolso da jaqueta.

"A que devo essa visita surpresa?"

"Eu vi a pichação no seu carro."

Ela sorriu, mas era claro o seu aborrecimento a respeito. David continuou.

"Estamos investigando e vamos chegar à um culpado."

"O jornal da cidade me acusou de ser uma 'vagabunda'. O resto da cidade só resumiu a matéria. Em uma palavra."

Ele sorriu e ela completou a sentença.

"Me alegra que eles estejam praticando a interpretação de texto."

"Não é sua culpa, Mary."

"Eu gostaria de acreditar nisso, David."

"Eu..." David a encarou por alguns segundos, respirou fundo e retomou a firmeza da voz. "Vim aqui pedir desculpas se lhe dei alguma ideia equivocada. Eu me envolvi em uma situação errada e desleal, exatamente quando a minha esposa precisava de mim. E ela ainda precisa. Realmente, me desculpe. Você é uma mulher linda e encantadora. Mas eu tenho um casamento a zelar."

"Eu entendo."

Ele sorriu e acenou, deixando-a para trás enquanto ia embora. Mary o observou sair, com um misto de tristeza e orgulho. Era claro que ele ia lutar por seu casamento. Ela ficaria desapontada se ele não fizesse isso.

"Robin, eu espero que você tenha uma ótima razão para me acordar tão cedo. E para me fazer vir nesta espelunca de motel barato."

Zelena entrou no quarto, usando um casaco branco enorme e jeans justos. Ela já tinha um óculos de sol no topo dos cabelos ruivos e carregava um copo de café latte.

"Zê, eu estou com problemas sérios."

"Sérios? Mais? Além dos que você já me arrumou, querido?"

"Este vai destruir minha campanha e o meu casamento."

"Porra, Robbie. O que você fez?"

Robin tentou explicar para ela tudo o que havia acontecido. O que era demasiadamente exaustivo. Foi aí que ele se deu conta de que havia aberto essa porta à Ruby há muito tempo, quando começou a desabafar com ela, a conversar horas e horas com ela, a ficar sozinho com ela dias e noites, escrevendo, ditando, editando, debatendo. Ele lhe havia dado toda a intimidade, toda a abertura. Ele havia encarado a pobre garota como uma substituição à sua vontade imensurável de conversar, de estar com Regina. E o resultado foi este.

"Eu já entendi o suficiente, Robin. Agora eu preciso da verdade: você gosta da garota? Está apaixonado por ela?"

"É claro que não!"

"É só disso que preciso saber. Não fale disso com mais ninguém, está entendendo? Eu vou cuidar disso. Pessoalmente. Vá para casa e diga à Marian que passamos a noite no fórum. Eu arrumo testemunhas disso, caso ela insista."

"Mas o que você..."

"Robin."

A voz dela soou imperativa e ele a encarou.

"Você vai me deixar resolver isso da minha maneira. Vá. Para. Sua. Casa."

No instante seguinte, ela já tinha saído.