Amores Quebrados
1 Dói né?
Notas iniciais
Amores Quebrados – Nephilim13
Capítulo Um – Dói né?
O som dos saltos ecoava pela sala. Não ousou olhar para a mulher que descia a escada. Sentiu-a se sentar ao seu lado, porém distante e si. De principio o silêncio era absoluto, mas logo foi quebrado pela mulher.
– Porque você fez isso? – perguntou, com a voz baixa – Porque você fez isso, Naruto? – repetiu a pergunta aumentando o tom de voz, virando-se para olha-lo.
Ele então a olhou também.
– Fiz isso porque você me obrigou a fazer. – respondeu rispidamente.
Ela o encarou confusa e raivosa.
– Eu te obriguei a me trair? – gritou incrédula.
– Você acha que eu esqueço as coisas que você faz? – perguntou ele – Eu tenho cara de idiota?
Ela não pode mais olha-lo, aquilo era ridículo.
– Outra vez essa palhaçada! Isso é tudo paranoia sua! – disse desesperada.
– Paranoia coisa nenhuma! – gritou – Você fica o dia todo na porcaria desse celular, conversando com sei lá quem, e quando eu pergunto quem é você diz que não é nada!
– Naruto, eu trabalho no telefone. É só trabalho. – justificou-se.
– Ah, você trabalha? – perguntou ironicamente – E na frente da escola do nosso filho, você estava trabalhando com aquele cara também? Toda cheia de conversa e sorrisinhos. Quem visse de longe pensaria que era um casalzinho. – disse.
Naruto já não sabia o que falava. As palavras simplesmente pulavam de seus lábios sem controle algum.
– Aquele era o pai do amiguinho do Boruto! – explicou – Eu estava o convidando para vir à festa de aniversário do nosso filho semana que vem! – ela não conseguia acreditar a que ponto seu casamento havia chegado.
– Claro! Eu sei muito bem pra onde você estava convidando ele pra ir! – insinuou maldosamente. Em sua mente ela era a única culpada por tudo aquilo. Seu casamento estava acabado pelas ações que Naruto pensara que sua mulher fizera.
A mulher o olhou furiosa. Ele não tinha o direito, pensou ela. Não havia feito nada para merecer aquilo.
– Você está de brincadeira?! – gritou apontando o dedo na face de Naruto. – Eu sou fiel a você! Você é o homem da minha vida! – alegou levantando-se, lágrimas escorriam por seu rosto.
Ele também se levantou, no entanto ela não intimidou-se, continuou o fitando, com raiva e frustração predominando seu olhar.
– Agora você sabe o que eu estou sentindo. – disse ele – Doí né? Agora você sabe o que eu passei todo esse tempo ao seu lado. – seu peito doía. Vê-la chorar sempre lhe partia o coração, mas ela havia provocado tudo aquilo. Seus olhos ardiam pelas lágrimas que imploravam para serem libertas, no entanto não podia fraquejar na frente dela.
A mulher desviou o olhar para o chão em seguida voltando a fitar os olhos de Naruto. Sentia-se triste, muito triste. O sonho de um casamento feliz e harmônico tinha sido destroçado pela pessoa que amava.
– Eu não acredito que você acabou com o nosso casamento por causa de uma paranoia. – confessou – Se você não sabe dar valor pra mulher que sempre te amou, sempre te respeitou... O problema é seu!
[...]
Naruto acordou assustado e ofegante. Novamente aquele sonho lhe tirara o sono. Sonho não, pesadelo. Pesadelo esse que sabia ser bem real. Já fazia três semanas que vinha o tendo. Cenas de quando arruinara a seu casamento e sua vida.
Lembrava-se como se houvesse acontecido no dia anterior. Após sua mulher lhe dizer tudo aquilo, ela saiu de sua casa e vida, levando consigo seu coração e filho. Chorou como uma criança aquele dia.
Por conta de seu ciúme possessivo acabara magoando a pessoa que mais amava. Se arrependimento matasse já estaria a muito tempo decomposto.
Sentou-se na cama, sentindo sua cabeça latejar. Talvez não devesse mais beber até cair, concluiu.
Balançou a cabeça para dissipar tais pensamentos, virando para o lado encontrando o criado-mudo e encima deste um relógio. Estava atrasado.
Encarou a parede de seu quarto, criando coragem para se levantar.
– Certo! Vamos lá, Naruto, é só mais um dia. – disse a si mesmo.
Na verdade não seria um dia qualquer.
[...]
Amaldiçoava-se naquele instante por não ter se levantado logo. Cansado e ofegando, Naruto olhou ao redor a procura deles. Será que havia chegado tão atrasado assim?
Seus olhos então fitaram olhos azuis iguais os seus. Sabia a quem pertenciam. Seus lábios curvaram-se em um sorriso quando o garoto, que agora estava com seus treze anos, lhe avistou.
O vira correr em sua direção sorridente, gritando por si.
– Pai! – gritou Boruto com felicidade, agarrando o pescoço do pai com força.
Só então Naruto percebeu o quanto sentia falta de seu pequeno.
– Pirralho. – disse, separando-se de seu filho e se abaixando para observa-lo melhor. Ele havia crescido e seu cabelo loiro estava cortado, porém ainda permanecia rebelde, como o seu. – Uau! Olhe só pra você! Como cresceu tanto? – perguntou mais a si mesmo do que ao garoto.
– Com alimentação saudável e limites. – conhecia aquela voz. Estava como sempre, doce e suave, mas ainda assim autoritária. No entanto continha também uma pitada de rispidez.
Naruto subiu o olhar, passando pelas longas pernas despidas da mulher, encontrando sua cintura e busto, finalmente chegando ao seu rosto.
Ele fitou aqueles lindos olhos, de um azul tão claro que quase chegavam a serem brancos. Os olhos dos Hyuugas, a família dela. Ela continuava bela como sempre, apenas seu cabelo estava diferente. Antes os longos fios negros dançavam em seu quadril, e agora estavam na altura dos ombros.
Parou de encara-la quando notou que a mulher percebera ação e se incomodara.
– Oi pra você também, Hinata. – cumprimentou sarcástico – Como tem estado? – perguntou, levantando-se.
A diferença de altura entre os dois era gritante. Hinata por pouco não chegara à altura do queixo de Naruto. Mas ela não se mostrou intimidada.
– Melhor que você, com certeza. – respondeu, olhando-o de cima a baixo.
Naruto sabia que ela tinha razão. As olheiras estavam fundas por conta das noites mal dormidas, sua barba por fazer e seu cabelo estava tão cumprido que algumas mechas faziam cócegas em sua nuca e têmporas. Vestia uma calça jeans, tênis e moletom.
Ele riu.
– É, acho que sim. – ele olhou para o filho e depois para ela – Cadê seu namorado? Achei que tivessem ido juntos, ou estou enganado? – perguntou.
Hinata o fitou com os olhos cerrados, desconfiada.
– Sim, ele foi. Porém teve que voltar antes por conta do trabalho. – respondeu – Mas não se preocupe com isso, tivemos muito tempo e soubemos aproveita-lo. – concluiu sorrindo maliciosamente.
O sorriso que Naruto continha perdeu um pouco do brilho.
– Claro, claro. – concordou – Ele deve ser realmente muito ocupado para nem ao menos aparecer para vir busca-los, não é? – perguntou, com falsa inocência, sorrindo mais.
O rosto de Hinata passara a ficar vermelho. Naruto duvidava que fosse por vergonha.
– O que quis dizer com isso, Uzumaki? – perguntou cerrando os punhos ao lado do corpo.
Ouvi-la o chamar pelo sobrenome apenas o lembrou da distancia que havia entre os dois.
Depressa, Boruto postou-se entre os dois. Sabia que aquilo aconteceria. Sua mãe vivia falando o quanto seu pai era insuportável e que se não fosse por Boruto ela jamais voltaria a vê-lo.
Seu pai por outro lado fazia questão de provoca-la. Às vezes Boruto pensava no quanto nenhum dos dois conseguia parar de falar um do outro e que aquilo poderia significar que seu sonho pudesse tornar-se realidade, mas vendo-os brigar daquela forma o fazia perceber que aquele sonho tornava-se cada dia mais impossível. Gostaria de um dia poder viver com seus pais, juntos. Queria vê-los casados novamente. Esse era seu maior sonho.
– Por favor, sem brigas. – pediu – Estou cansado e quero ir pra casa.
Hinata continuou a encarar Naruto, porém resolveu acalmar-se pelo filho. Passou mão pelo cabelo, recompondo-se.
– Certo! Você tem razão, isso é perda de tempo. – disse, sem deixar de alfinetar o homem.
O loiro coçou a nuca, suspirando e em seguida sorrindo.
– Isso mesmo. Não vamos perder nosso precioso tempo. – concordou.
– E então, você vai nos levar ou não? Quero ir logo pra minha casa. – falou Hinata.
Naruto apenas balançou a cabeça em concordância, alojando o braço ao redor do corpo do filho, virando-se e caminhando. Hinata o seguiu.
[...]
Já fazia uma semana desde que seu filho e ex-mulher voltaram. Após quatro anos sem ver o pai, Boruto pediu a mãe para que o deixasse ficar com o pai por um tempo. Hinata hesitou um pouco, mas cedeu a vontade do filho.
Estavam naquele instante almoçando juntos. Era um dia especial, por isso Naruto levaria seu filho a um passeio em família. Conversavam sobre a viagem e os últimos quatro anos.
– E sua mãe e o novo namorado dela? Como estão? – perguntou Naruto – Quer dizer, deve ter sido um saco pra você ter que atura-los juntos como um casal na viagem, não é? – corrigiu-se. Sabia que o filho não se incomodaria com a pergunta, e nem ficaria desconfiado.
– Toneri não é o novo namorado da mamãe, pai. – disse Boruto – Eles já estão junto há dois anos. – comentou.
Naruto bem sabia daquilo, mas pra ele Toneri seria sempre o novo namorado de Hinata. Não conseguia engolir aquele cara.
– Tanto faz. – respondera Naruto, revirando os olhos para a correção do filho. – Responda a pergunta. Foi tedioso?
Boruto pareceu pensar.
– Na verdade não. Eles mal ficaram juntos. – falou Boruto – Toneri estava sempre falando no telefone ou dentro do quarto. Ele voltou mais ou menos dois meses depois. – concluiu o garoto, voltando a comer seu Ramén.
Naruto achou aquilo estranho. Se bem se lembrava, Hinata dissera que havia aproveitado bastante à viagem. Estaria ela mentindo ou o filho confundindo-se? Descobriria aquilo depois.
Não queria prolongar aquele assunto, então tratou de muda-lo. Assim que terminaram de comer, foram se arrumar para sair.
Naruto fizera questão de fazer a barba e cortar o cabelo. Afinal queria estar apresentável quando encontrasse Hinata.
Aquele passeio em família – o qual Boruto insistiu que fosse somente ele e os pais – era apenas um pretexto. Enquanto passeavam uma festa surpresa era feita para o garoto. Era seu aniversário de 14 anos.
Hinata voltara antes do dia para que o filho pudesse festejar com o pai. Então convocou a irmã e o pai para que a ajudassem a organizar a festa. Naruto então pediu para que os padrinhos de Boruto, Sasuke e Sakura, também ajudassem.
Não seria algo grandioso. Apenas a família e os amigos mais íntimos seriam convidados.
[...]
Assim que chegaram ao shopping seguiram até o ponto de encontro. O local estava consideravelmente cheio. Naruto passou a procurar Hinata com o olhar. Sabia que a encontraria daquela forma, pois não importava o lugar ou a situação, nem quantas pessoas estivessem por perto, ele sempre a encontraria primeiro. Isso se devia desde a época de namoro.
Seus olhos se encontraram com os dela, então ele acenou. Quando avistou a mãe, Boruto correu em sua direção para abraça-la, que o recebera de bom grado.
– Querido, como você esta? Está comendo direitinho e indo dormir cedo como eu disse? Escovando os dentes e tomando banho? – Hinata o encheu de perguntas, preocupada.
Naruto aproximou-se.
– Você fala como se eu não soubesse cuidar do meu próprio filho, Hinata. – comentou o loiro, fingindo ofensa.
Hinata revirou os olhos.
– Vindo de você, não duvido de nada. – disse ela o fitando.
Hinata notou que ele havia feito à barba e cortado o cabelo. Bem mais apresentável, pensou.
– Não comecem, por favor. – pediu Boruto – Hoje é o meu dia, então comportem-se. – bronqueou.
Naruto e Hinata olharam o filho e em seguida olharam-se, rindo. Boruto também sorriu.
Ver seu filho sorrindo fazia o coração de Naruto bater confortavelmente. E ver o belo sorriso de Hinata direcionado a si lhe dava uma sensação de nostalgia. Lembrava-se daquele sorriso. Não era exatamente o mesmo, mas ainda assim a pertencia.
Lembrou-se de todos os sorrisos que ela já havia lhe direcionado, seu coração passou a bater mais rápido. Queria vê-los novamente, concluiu.
Antes que pudesse repreender-se por tais pensamentos, a voz de Hinata preencheu sua mente.
– Certo! Já que hoje é o seu dia, nos diga o que quer fazer. – disse ela ao filho.
Boruto pôs a mão no queixo, como se estivesse se aprofundando em pensamentos. Parecia que estava diante de uma escolha difícil.
Então os olhos dele ganharam foco novamente e seu sorriso alargou-se.
– Já sei! Quero ir ao fliperama e depois comer pizza. – respondeu alegremente.
Naruto sorriu, sabia onde ficava o melhor fliperama da cidade.
– Ok, vamos então. – disse o loiro mais velho.
A ex-mulher e o filho concordaram.
[...]
Estar naquele lugar lhe trazia tantas lembranças que quase sentia-se sufocada, apesar de estar se divertindo com seu filho e ex-marido. Havia se esquecido do quão divertido era ficar ao lado de Naruto. Sempre que podia ele soltava uma piada ou fazia alguma graça, fazendo ela e o filho rirem.
Já estava ali há bastante tempo, então decidiram descansar um pouco. Hinata sentou-se em um banco enquanto Naruto fora pegar algo em alguma máquina de lanche automática.
– Mãe, vou comprar soverte. – avisou Boruto, já se afastando.
– Tá bom. Não vá muito longe! – gritou, já que o filho estava distante. O viu acenar positivamente.
Suspirou, sorrindo. Pensando no quanto estava feliz, não tanto quanto gostaria, mas seu filho a fazia feliz. Porém sentia que faltava algo e tinha medo do que fosse.
De repente uma lata de refrigerante foi posta frente a seus olhos.
Virou-se e viu Naruto com outra lata, enquanto lhe oferecia sorrindo.
– Não quero! Isso não é saudável, sabia? – perguntou.
Naruto revirou os olhos, sentando ao lado dela abrindo a sua própria bebida e bebendo.
– E você não é minha mãe, sabia? – retrucou.
Dessa vez quem revirou os olhos fora ela. Naruto conseguia ser tão idiota.
Viu-o levantar-se e seguir até uma das máquinas do jogo. Conhecia aquele. Naquele jogo você tinha que, após colocar a ficha, guiar o gancho, que estava pendurado no teto da pequena cabine, até os bichos de pelúcia que estavam abaixo e pega-los. Parecia algo simples, só parecia mesmo.
Naruto nunca fora bom naquilo, curiosa o seguira. Com certeza ele não conseguiria.
– Você não vai conseguir. – disse ela.
Ele a olhou, com uma das sobrancelhas elevada.
– Aposto que vou. – respondeu.
– Aposto que não. – Hinata o desafiou.
O Uzumaki riu. Aquilo seria interessante.
– Então vamos fazer assim: se você estiver certa e eu não conseguir, pode... Pode ficar com aquela camiseta minha que você gostava. – propôs ele.
O rosto de Hinata ganhou uma coloração avermelhada. Havia usado a tal camiseta diversas vezes quando estavam juntos, e lembrar daquilo fez seu coração bater forte. Ela fingiu tossir, para então olha-lo séria.
– E o que você ganha se conseguir? – perguntou, tendo um mau pressentimento.
O homem sorriu pela pergunta feita.
– Ganho o que eu quiser. – disse baixo, olhando rapidamente para a boca de Hinata. Sorriu ainda mais.
A ex-Uzumaki olhou-o desconfiada, mas estava convicta de que ele perderia. Então aceitou a aposta de queixo erguido.
– Certo! Estou ansiosa para ter aquela camiseta e o seu CD do Red Hot. – disse a morena estendendo a mão para o loiro. Ele riu da adição do CD a aposta. Ela estava jogando pra valer.
– Ok! – disse apertando a pequena mão. – Beleza! Fiquei empolgado! Não vejo a hora de vê-la perder. – provocou.
Aquilo com certeza seria interessante.
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