Amores, Mentiras & Segredos
7 Capítulo 5.

NARRAÇÃO EM: 3ª PESSOA
Aconteceu há 14 anos.
(Inglaterra, Reino Unido)
Outubro de 2008
O casamento de Serena e Dan aconteceu cerca de duas semanas após o pedido do rapaz e diferentemente de como um dia a loura planejou a cerimônia de matrimônio, se fez de forma simples num cartório qualquer de Londres, tendo apenas os amigos próximos do casal como participantes e testemunhas do casório.
Casar-se com Daniel Humphrey naquele momento parecia uma escolha sábia, ideal e segura, afinal, ambos já se conheciam e tinham uma relação que era muito além da amizade, então, as chances de dar errado pareciam nulas. Pelo menos foi esse o pensamento que movia os instintos de Serena nos últimos seis meses.
Conforme os meses se passaram, os sentimentos de Serena afloraram e dessa forma os desejos de dar um pai para Artur foi crescendo dentro de si. Obviamente, Nate não seria substituído a vida toda por Dan ou qualquer outro homem, pois, a mamãe de primeira viagem era consciente que a partir de determinada idade o pequeno menino questionaria sobre o pai biológico e mesmo com o coração carregado de mágoa pela omissão de seu ex-namorado, Serena concederia o direito do filho de conhecê-lo, entretanto, no momento Arthur sendo apenas um bebê de colo sem poder de escolha, dá o passe livre para Serena escolher Daniel como o cara ideal para o cargo paterno, mesmo que fosse desde início o "padrasto".
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NARRAÇÃO EM: 3ª PESSOA
Aconteceu há 14 anos.
(Inglaterra, Reino Unido)
Outubro de 2008.
— Obrigada por tudo que fez e continua fazendo por mim. — Serena disse suspirando, após soltar as mãos do casal de amigos.
— Acreditamos que esse matrimônio é um erro? Sim! — Hanna respondeu por si e pelo namorado. — Mas você e nossa amiga e o Arthur nosso afiliado, então, mesmo não concordando e achando uma decisão burra de sua parte, cá estamos nós lhe apoiando.
— Como bons amigos fazem. — Benício completou com um sorrisinho malandro.
— Vocês dois são umas bestas. — Dan e eu nos conhecemos há anos e sei que ele é um bom homem e será um ótimo pai para o meu filho. — Serena rebateu. — Há uma história mal resolvida entre mim e ele e essa é a hora de limparmos a bagunça.
Hanna revirou os olhos. — Já parou para pensar que o Henrique também pode ser um bom pai? Qual é, Serena? Todos os convidados de seu casamento estavam lá apenas por você e não pelo noivo. E, todos nós sabemos da química forte entre o "Lo Cubano e a Chica from New York", então, não deixe o meu irmão passar, porque Juan é um bom homem e pode cuidar de seu bebê e de você.
— Por mais gato e amável que seu irmão seja eu não posso dizer um sim. — Serena respondeu tentando desviar o assunto. — Juan Henrique é uma zona de amizade eterna e está na hora de aceitar isso.
— Isso é apenas o que sua boca diz, mas seu coração repreende. — Hanna rebate convicta, enquanto, Serena morde os lábios sem ter o que contra-argumentar. — Admita de uma vez que o que falta para você e o Henrique se acertarem e uma boa noite de sexo. — Hanna encarou a loira com um sorrisinho nos lábios. — Meu irmão e um pedaço de pecado. — E assim eu não deveria comentar, mas, no fim das contas em algum momento você vai saber... Henrique mentiu! Sobre ter um compromisso inadiável no dia do seu casamento. — Hanna mordeu o lábio. — Juan inventou essa história de que teve compromisso no dia do seu casamento apenas por não ter coragem de comparecer no cartório sem expor os sentimentos.
Benício Marin olhou a noiva e mentalmente disse: "Não coloque lenha na fogueira". A fim de contornar o assunto que nem sequer deveria ser pauta no momento o homem negro prosseguiu: — Vamos mudar de assunto? Nosso compromisso é honrar a confiança que a S nos depositou quando deu o Arthurzinho para o batismo. Além disso, Daniel será o papai do nosso menino. — Ben argumentou salvando Serena de prolongar essa história.
— Ainda bem que o padre não perguntou quem era contra esse casamento, porque o potencial de recriar uma cena de novela mexicana com muito drama e barraco por mim estava garantido. — Hanna comenta segurando o riso.
— Cogitar estragar o casamento de sua amiga? — Ben questionou segurando o riso. — Amigos não tem esse direito.
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NARRAÇÃO EM: 3ª PESSOA
ON: Flashback
Aconteceu há 14 anos.
Upper East Side
(Manhattan, Estados Unidos)
Outubro de 2008.
Podemos ser sinceros com você? — Blair Waldorf e Chuck Bass — o casal de namorados e amigos íntimos de Nate questionaram o galã sentado frente a eles.
— E me resta uma alternativa além de ouvi-los? — Nate rebateu.
— Já tem mais de um ano que Serena sumiu. — Waldorf iniciou a argumentação. — E de modo algum estou colocando lenha na fogueira, mas sejamos sinceros que vocês dois eram mais tóxicos que conteúdo inflamável, além disso, a Mayena está contigo.
— Quem dera o meu problema fosse apenas o fato que a Serena sumiu! — Nate proferiu com os vocais mais ácidos agora. — Aquela vagabunda abortou um filho meu! Eu vou caçá-la até no inferno se for preciso apenas para ter o prazer de sentir que ela está acabada. — Nate balançou a cabeça e forçou um sorriso negacionista para as próprias palavras que ecoavam de sua boca e prosseguiu: — Nós brigamos? Sim, porém, uma briga onde no calor do momento disse que era para S sumir não é a justificativa para um aborto, aliás, nada justifica um aborto criminoso. E sabe o que é mais nojento? — Nate perguntou para si mesmo, enquanto os amigos o encaravam incrédulos com o relato. — E saber que tudo isso foi motivado pelo dinheiro.
— Abortou um filho seu e isso foi motivado pelo dinheiro? — Chuck sorriu incrédulo. — Nunca houve dúvidas que Serena não é o tipo de "mulher ideal" para um casamento, mas abortar uma criança movida pelo dinheiro não me parece algo crível vindo dela.
— Não parece algo que Serena não faria? — Dessa vez quem retrucou o comentário foi Blair soando mais incrédula que o próprio namorado e melhor amigo. — É crível até demais esperar isso de Serena! Lembre-se que estamos falando de uma pessoa que com apenas catorze anos foi pega com bebidas alcoólicas e drogas dentro do colégio, além de claro, pegar homens casados como o professor de filosofia.
E sejamos realistas se tem uma coisa que Serena nunca soube fazer e enfrentar os problemas que se enfia. — Blair soava cada vez mais venenosa em suas palavras. — A vida para ela sempre foi bebida alcoólicas, drogas, sexo e daí quando alguma merda acontece, "Serena some" por alguns meses e depois volta mudava, até o primeiro porre acontecer ou o primeiro homem se materializar diante dos olhos ingênuos que ela tem e então, a loirinha tosca se apaixonar.
— Amor, quanta raiva internalizada por sua "melhor amiga". — Chuck comenta ironicamente, após tomar o último gole de seu uísque.
Nate acompanhou o amigo e deu um gole em seu uísque. — Vocês estão cientes que a Lili está falida? Foi por conta disso que Éric e minha ex-sogra evaporaram do bairro.
— Mas, qual é a ligação da Serena nisso tudo? — Chuck perguntou sabendo aonde exatamente o amigo iria chegar, porém, bancou o bobo e perguntou com o intuito de causar.
— A ligação dessa pilantra com o ocorrido é que ela impôs para minha mãe que teria a criança se a minha família a sustentasse. Serena "sugeriu" que minha mãe pagasse um determinado valor para ela e sua família em troca de ter a criança, porém, se minha família não aceitasse, abortaria o bebê.
— Tem certeza de que Serena realmente fez um aborto ou pensou nisso? É uma história absurda demais até para alguém do histórico dela. — Chuck rebateu não acreditando no que estava ouvindo.
— A história pode até ser absurda, mas por qual motivo a Anne contaria esse tipo de coisa de sua ex-nora que aparentemente era muito querida? — Blair interferiu o namorado. — Garotos, por mais doloroso que seja, temos de admitir que Serena van der Woodsen e o pior tipo de mulher, amiga e ser humano.
— A única coisa que sei é: um dia Serena e eu ficaremos cara a cara novamente e quando esse dia chegar vou fazê-la se arrepender de ter me tirado o direito de conhecer o meu filho.
— Você pode nos explicar essa conversa de ter seu direito de pai "tirado de você"? — Chuck e Blair perguntaram em uníssono.
— Primeiramente pelo fato de Serena nunca ter me procurado para conversamos sobre a gravidez e segundo pelo fato de sumir e abortar a criança. — Nate segurou as lágrimas. — Eu tenho um misto de raiva com decepção, porque sim, eu sei que éramos tóxicos, brigávamos demais, porém, bastava uma conversa séria e tudo se ajeitava, mas não, munida pelo egoísmo aquela rampeira preferiu sumir, chantagear minha mãe e insatisfeita arrancar meu filho de seu ventre por pura canalhice.
Chuck Bass mordeu o lábio pensativo. Calculava milimetricamente as palavras que seriam proferidas a seguir sabendo que causaria um incêndio sem fogo nos pensamentos do amigo.
— E se o filho foi abortado por não ser seu? Sei lá, de repente Serena queria dinheiro em troca de chantagem psicológica dizendo que o bebê era seu, porém, sua mãe descobriu que na verdade Serena tentou dar o golpe e não cedeu, então, a maluca abortou.
— Isso não faz o mínimo sentido, Charles! — Blair esbravejou. — A Anne afirmou que a criança era do Nate. Está com a cabeça no mundo da lua? Se o filho não fosse do Nate, a senhora Archibald nem teria o motivo de contar a ele. — Blair olhou Nate sentado no sofá. — Ou estou enganada, Nate?
— Blair está certa, Chuck. — Nate suspirou. — É difícil perceber que a pessoa que eu gostava era uma vaca egoísta e gananciosa, mas não tenho pressa, porque em algum momento o mundo vai obrigar Serena e eu a ficarmos cara a cara.
— E quando isso acontecer, o que você pretende fazer? — Blair e Chuck questionaram juntos.
— Acabar com a vida dela. — Nate esbravejou. — Vou mostrar para Serena que diferente dela minha vida só melhorou e que vivi sem ela. Até lá, Mayena e eu teremos um casamento, pois pretendo constituir uma família com a May. — Nate forçou um sorriso. — Serena nunca irá mudar os maus hábitos, vícios e a reputação, nós três sabemos disso, portanto, é só sentar e aguardar o momento que ela vai cruzar a porta me pedindo desculpas e a ajuda de vocês dois.
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NARRAÇÃO EM: 3ª PESSOA
ON: Flashback
Aconteceu há 14 anos.
(Inglaterra, Reino Unido)
Novembro de 2008.
Henrique terminou de engolir o líquido ácido e carregado de álcool quando avistou Benício Marin indo da cozinha para o sofá da sala onde Henrique estava sentado.
— O que vou lhe dizer agora nenhum outro terá coragem. — Ben comentou limpando a garganta. — Você e o homem mais digno que eu conheço, pois, tem que ser muito maduro para renunciar a quem gostamos da forma como você fez há duas semanas.
Henrique levantou as sobrancelhas fingindo não entender sobre o assunto ao qual Ben estava falando.
— Está falando comigo? — Henrique indagou fazendo-se perdido.
— Ah! Qual é Henrique! Vai tentar mentir na minha cara que não gosta da Serena? Por favor! Por aquela loira você derruba até avião do Santos Drummond.
— A Hanna não anda dando no couro? — Henrique perguntou com o timbre indignado. — Com uma mulher em casa você fica me perturbando desse jeito, só pode ser a soma de falta de sexo.
— Pare de tentar me enganar e se enganar. — Ben continuou. — Eu não estou lhe julgando, longe disso, acho que a única pessoa que vibrou pelo casamento foi o noivo com cara de psicopata.
Henrique gargalhou diante de Ben e o negro continuou o assunto.
— E digo mais, até o pequeno Arthur deve ser contra o casamento, mas também, não julgo a Serena. — Ben ponderou a fala por alguns segundos. — Você não fode e nem sai de cima e o pai do bebê não aparece, ou seja, o escritor desconhecido estava com o caminho livre e para piorar para o seu lado, aquele tal Dan e a S são amigos de longa data e pelo que Serena comentou com Hanna até já ficaram antes.
— O que quer que eu diga? Eu não tinha o direito de estragar o casamento dela. — Henrique comentou. — Serena até duas semanas atras era uma mãe solteira tentando recomeçar e acredito que ela mais do que ninguém sabe o que faz com a própria vida. — Henrique suspirou. — Não é da nossa conta, ou melhor, não cabe a mim julgar as decisões que foi decidido por terceiros.
— Então é isso? — Ben encarou o cunhado de modo sério — Vai continuar fingindo que não existe nada entre vocês?
— E existe alguma coisa entre Serena e eu? — Henrique rebateu com as sobrancelhas levantadas. — Nós dois nunca sequer tentamos dar um beijo, quem dirá ter transado.
Há uma diferença entre o que eu vejo e os demais. — Henrique revirou os olhos. — Obviamente, estamos falando de uma mulher lindíssima, mas Ben, apesar disso, não pensei em me relacionar, porque, Serena é uma mulher ferida e eu também sou um homem ferido e não preciso entrar em detalhes, pois tu e Hanna sabem sobre minhas mágoas, e dessa forma, por mais que me doa dizer e lhe desapontar, pessoas feridas tende a ferir uns aos outros e o que Serena precisa é de um companheiro que a ajude a lamber as feridas e não quem a machuque mais.
— Clara! Ah! Mas quem poderia imaginar? — Ben soou irônico. — Esquece essa mulher, Henrique!
— Eu já me esqueci — Henrique rebateu. — Porém, não me vejo em outro relacionamento tão cedo. Foi um noivado de 7 anos jogado no lixo por uma traição, eu fui machucado e não posso machucar outra pessoa para saciar a minha dor.
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