Notas iniciais
Desculpa pela demora, mas sabecomoé né. rs Não tive mesmo tempo. Esses dias foram de bastante movimentações.
Espero que gostem, beijos e boa leitura.

A banheira era o pior lugar pra se dormir. Mas depois do banho, fiquei deitadinha ali. Quentinha.

- Você poderia apagar essa luz. – falei baixo, sentindo uma leve dor de cabeça.

- Não!

- Por quê? – me encolhi.

- Me disseram que quando a luz fica acesa as baratas somem. – meu corpo todo tremeu e rapidamente olhei todo ao meu redor. “eca”.

- Demorou lá fora.

- Ficou preocupado? – sorri.

- Não, mas foi feio o que você fez! Beber com alguém desconhecido e depois arrumar confusão. Mas acho que o pior foi saber que você fuma. Bom não posso me surpreender com você.

- Como... – franzi o cenho – Como você sabe disso? – eu queria levantar e olhar nos olhos dele, mas minha cabeça estava latejando.

- Sabendo... Apenas sabendo. –sua voz ficou fininha.

O silêncio pairou por aquele lugar e sem querer eu o quebrei.

- Grissom?

- Sim!

- Como você consegue?

- O que?

- Como você consegue não ficar incomodado perto dessas pessoas, consegue sorri pra essas coisas tão ruins, gostar de um lugar desconfortável e ainda não se estressar e achar que tudo isso é normal? Como ainda não sentiu saudades de Las Vegas ou de uma cidade decente?

De novo o silêncio pairou, e eu só pude ouvir o barulho da cama que rangeu quando provavelmente ele se virou.

Ele não me respondeu e eu também não me atrevi e perguntar de novo. Ajeitei-me também e fechei os olhos pra dormir. Talvez a dor fosse embora...

**~~

- Grissom! – peguei o meu travesseiro e comecei a bater nele morrendo de raiva – Grissom! Pode acordando. – continuei a bater nele, até a hora que ele acordou me encarando, meio assustado.

- Aconteceu alguma coisa? – ele se sentou rapidamente.

- Sim, aconteceu. – cruzei os braços – Você me roubou!

- Roubei? O que? – ele pensou um pouco.

- Ha. Roubou de mim, no jogo. Não se faça de sonso. Você sabe do que estou dizendo. Eu que tinha ganhado no caro ou coroa. – coloquei a mão na cabeça – Como eu não percebi. Como eu pude ser tão idiota? E você... – dei um soco em seu braço – Desonesto.

- Não tive culpa se você bebeu! – ele deu de ombros.

- Eu te odeio com todas as minhas forças. Sabia que eu tinha perdido e ainda me deixou dormir na banheira horrível.

- Como eu disse você é culpada! Se não tivesse bebido teria visto que algo estava errado.

- Você me paga. – o fuzilei com o olhar me virando e sentando na beirada da cama.

- Vamos embora? – ele perguntou, terminando completamente aquele assunto e puxando outro.

- Eu ainda não esqueci! – falei cheia de mau-humor, querendo esganar ele.

- Vamos, se levante, vou lavar o meu rosto e vamos tomar café e ir embora. – ele olhou pro relógio em seu pulso – Bom, o trem deve passar daqui a meia hora. – olhei pra ele fazendo bico.

Grissom passou por indo pro banheiro. Lavou o rosto e voltou pro quarto pegando uma bolsinha de pano velho, onde estavam nossas roupas usadas e as carteiras.

- Vamos! – ele abriu a porta.

**~~

Enquanto estávamos na rodoviária que mais parecia um celeiro, cheio de bichos, eu olhava para todos os lugares, torcendo pra Annita não aparecer a minha procura.

Engoli o meu sanduiche e meu suco que na verdade nem sei de que sabor era. Grissom me olhava curioso, mas por dentro do assunto.

- Aquela porcaria de trem que também não chega?! – encarei Grissom.

- Já chegou! – arregalei os olhos e olhei pro lado vendo aquela maquina enorme parada com varias pessoas dentro – Já faz uns cinco minutos. Mas você esta ocupada demais olhando outras coisas...

- Não torre a minha paciência, por favor.

- Ok, Sidle. – ele sorriu colocando o ultimo pedaço de sanduiche na boca.

- Por que não termina logo pra gente entrar naquela maquina velha? – apontei pra locomotiva.

- SIDLE! – arregalei os olhos, aquela voz era familiar.

Não me atrevi a olhar pra trás. Apenas fiquei de pé o mais rápido possível e puxei Grissom que me travou pra pegar a nossa bolsa e logo me seguir.

- Sidle, pode parando, temos assuntos pendentes. – ela gritava enquanto corríamos.

- Corre logo Grissom. Corre logo. – eu apenas olhava pra porta da locomotiva aberta.

O trem que começava a soar e a fazer seu barulho de partida.

- Eu não queria falar, mas é que me senti mal por toda a manhã.

- Grissom, por favor, isso não é hora. Continue correndo, apenas, por favor... Pare o trem... Pare essa joça.

- Mas é que... – Grissom gritava e tentava respirar a cada passada – É que te vi no banheiro, tomando banho.

- Tá.

- Sua ladra, venha aqui! – Annita berrava ao derrubar tantas pessoas a sua frente.

- Mas Sara, você estava nua.

- Ok. – continuei correndo e quando cheguei perto do trem dei um salto caindo dentro dele e machucando o pé.

E quando ele começou a andar pude ver Grissom acabando de entrar, ofegante.

- Como essa vaca veio parar aqui? – balancei a cabeça massageando meu pé.

- Sara!!! – Annita corria junto com o trem que pegava velocidade e aos poucos ela ia ficando pra trás – Eu ainda te pego.

- Ela me dá medo. – Grissom colocou a cabeça pra dentro e olhando ao redor – Paramos no pior lugar.

Olhei em volta vendo que ali era onde ficavam os animais e seus homens. Fechei os olhos quase chorando, mas me lembrando de algo que me fez abrir os olhos e vincar o rosto.

- Você me viu nua? – ele me olhou assustado.

- Desculpa, mas foi inevitável. – ele mordeu os lábios e quando viu meu rosto tentou se explicar – Na verdade vi apenas a silueta, a cortina do banheiro era meio transparente...

- Como se atreve... Ai. – olhei pra meu pé que estava doendo e depois pra Grissom – Agora são duas coisas. Você que me aguarde Grissom. Nunca pensei isso de você. – me virei um pouco me encostando-se à parede – Ainda bem que daqui a pouco estaremos bem longe daquela bigoduda.

Grissom riu.

- Sim, estaremos.

Notas finais
o que será que aconteceu com o pé de Sara? E o que será que acontecerá com Grissom? u.ú
Até o próximo.