Amor sombrio
13 Capitulo - 12 Coração magoado !
Notas iniciais
Do I imagine it, or do I see your stare?
Is there still longing there?
Oh, I hate myself and I feel crazy
Such a classic tale
Current girlfriend, ex girlfriend
I'm trying to be cool
Am I being paranoid, am I seeing things?
Am I just insecure?
I want to believe
It's just you and me
Sometimes it feels like there's three
Of us in here, baby
So I wait for you to call
And I try to act natural
Have you been thinking 'bout her or about me?
And while I wait I put on my perfume
Yeah, I want it all over you
I gotta mark my territory
I'll never tell, tell on myself
But I hope she smells my perfume
I'll never tell, tell on myself
But I hope she smells my perfume
I hide it well, hope you can't tell
But I hope she smells my perfume
I hide it well, hope you can't tell
But I hope she smells my perfume
I wanna fill the room when she's in it with you
Please, don't forget me
Do I imagine it or catch these moments?
I know you got history
But I'm your girlfriend, now I'm your girlfriend
Trying to be cool
I hope I'm paranoid that I'm just seeing things
That I'm just insecure
I want to believe
It's just you and me
Sometimes it feels like there's three
Of us in here, baby
Britney Spears — Perfume
Dias depois.
Pov Felicity
Fito o nada enquanto Oliver estaciona o carro em frente a lanchonete. Com receio busco seu olhar, ele parece estranho esses dias, algo nele mudou de certa forma, mesmo brilho no olhar, porém um pouco distante.
— Algum problema? – questiono pela décima vez talvez. Ele olha nos meus olhos com maxilar rígido, com alguns segundos desce o olhar para minha barriga.
— Não – responde sério e desvia o olhar desligando o carro e saindo dele. Aperto os lábios frustrada e o aguardo contornar o carro e abrir a porta para mim, tiro o cinto e pego minha bolsa. Saio do carro e olho algumas pessoas sorrirem conversando e saindo da lanchonete. – Ou você não quer me contar? – argumento sem paciência.
— Felicity seu lanche da tarde – acena para que ande a sua frente. Reviro os olhos e respiro fundo, meu desejo é gritar com ele e arrancar a verdade mesmo que seja por tortura, mas isso não vai durar por muito tempo porque eu sei que vou descobrir mais cedo ou mais tarde.
— Tudo bem Oliver – resmungo irritada. Antes um senhor com uma câmera para a minha frente com sorriso torto. Paparazzi.
— Uma foto para revista Mackenzie, Sr. Queen – solicita olhando sobre meus ombros.
— Melhor não – digo nervosa.
— Se não tirarmos, ele não vai desistir – disse Oliver atrás de mim se colocando ao meu lado e segurando minha cintura. Assinto e coloco uma mão em suas costas e a outra sobre seu peito, ele deixa a mão livre no bolso e fita a câmera com a expressão séria, abro um sorriso encantador e o mesmo tira duas fotos.
— Uma se beijando agora – sorri o senhor descaradamente. Reviro os olhos. Oliver olha bem dentro dos meus olhos com carinho e se inclina deixando um beijo suave nos meus lábios enquanto o fotógrafo bate milhões de fotos nossas. Suspiro e ele se afasta voltando o olhar para o mesmo.
— Tudo bem acabou seu tempo, minha paciência acabou – rosna me puxando consigo para entrar na lanchonete. Sorrio para o fotógrafo que concorda dando de ombros. Entramos e sentamos em uma mesa no canto próxima a janela, Oliver resolve ficar ao meu lado e não a minha frente. Abro o cardápio e fito todas as coisas maravilhosas que posso e quero comer no momento, o desejo é sublime e me consome, mesmo que eu fique enjoada depois. – Você sempre escolhe e escolhe, mas no final sua opção é Milk Shake de choco-flocos, hambúrguer de atum com batata fritas. Sorri torto afastando meus cabelos e deixando um beijo demorado no meu rosto.
— E se eu não escolher? – gargalho mais esse de fato seria meus pedidos.
— Só se eu escolher um Milk Shake de morango com um hambúrguer de frango, você não resiste e solicita o mesmo – disse colocando o cardápio em cima da mesa.
— Tem razão – concordo deitando a cabeça em seu ombro. – Oliver me responda uma pergunta.
— Claro – disse calmante beijando meus cabelos.
— Sei que são só dois meses juntos, você mudou por partes, mas ainda se mantem fechado, isso é por que você não consegue se abrir ou por que não quer?
— Tudo é novo para mim Felicity – suspira alisando meus cabelos – você morando comigo, um bebê que está prestes a chegar; eu sou assim, só preciso de um pouco de paciência sua, com o tempo vou me abrir para você.
— Tudo bem – assinto com uma fina desconfiança. A garçonete se aproxima e ele faz nossos pedidos. Por hora fico quieta, mesmo que meus pensamentos me perturbem com o quer for que ele esteja escondendo de mim.
[...]
Acordo sentindo meu bebê mexer se acomodando em meu ventre, a brisa passando pela janela aberta toca minha pele nua me fazendo arrepiar. Bocejo abrindo os olhos e a claridade me faz piscar freneticamente, sorrio e afasto as cobertas, fito Oliver ao meu lado dormindo tranquilamente. Essa noite desde a primeira vez que o bebê mexeu ele passou a noite inquieto, seja em casa ou no trabalho, eu mesma não dormi bem com ele se mexendo a noite toda; parecia que a cama tinha espinhos e bufava como um búfalo em confronto, questionei várias vezes seus gestos, mas ele só respondia que não conseguia dormir.
— Oliver – resmungo ficando sobre ele – acorda dorminhoco.
— Não – suspira.
— Oliver, acorda já são dez horas, você nunca perde a hora do trabalho – murmuro segurando seu rosto com as mãos, me inclino um pouco com esforço com a barriga entre nós, consigo chegar ao meu alvo e o beijo demoradamente – acorda.
— Felicity, hoje abri uma exceção, vamos ficar em casa – resmunga entre meus lábios. Ele abre seus olhos e me fita com receio, suas mãos sobem por minhas pernas segurando firme minhas coxas – tenho tudo que preciso aqui.
— Não entendo sua negação, esses dias você está estranho – suspiro desconfiada voltando para a posição anterior sentindo o alivio dando espaço para minha barriga.
— Está tudo bem – assegura olhando nos meus olhos, suas mãos habilidosas tocam minha intimidade me fazendo arfar. – Um dia comigo é tão ruim assim? – questiona com sorriso sarcástico.
— Horrível – solto uma risada, ele se ergue um pouco ficando a centímetros de mim, sua respiração falha toca minha face, acaricio seu rosto com carinho sentindo seu corpo relaxar em meus braços. Inclino-me tocando seus lábios com os meus, peço passagem com a língua e ele se entrega ao beijo profundo e intenso, me ergue com cuidado e me preenche por inteiro, solto um gemido rouco me acomodando mais a ele e cruzando minhas pernas entorno da sua cintura, fecho os olhos com a excitação me tomando, ele solta meus lábios e desce seus beijos por todo meu pescoço até encontrar um seio, com leveza sua barba rala arranha minha pele sensível, me fazendo gemer e puxar seus cabelos para trás, rosna e suga meu seio deixando-o endurecido, a sensação de prazer é anestesiante, posso me perder nele o tanto que posso vê-lo se perder em mim. Ofego com suas investidas no seio, tento me mexer, mas ele segura minha cintura com firmeza. – Oliver – suplico ofegante, preciso me mover, minhas paredes se apertam e raspam entorno do seu membro pulsante. Mas ele deseja mais e nega com a cabeça fazendo seu trabalho como ninguém me levando a loucura.
— Quieta – rosna soltando meu seio que queima e encontrando o outro – quero você por inteira.
— Você me tem por inteira – afirmo ofegante.
Gemo alto com meus seios doloridos e queimando, arranho suas costas com força deixando minha marca em si. Cravando minhas unhas em sua carne, preciso me libertar, estou aponto de chegar ao meu ápice e ele no controle, me inclino um pouco e mordo seu ombro, fazendo-o gritar ruidosamente pelo cômodo.
— Felicity – geme baixo, soltando meus seios e buscando meus lábios, segurando meu rosto entre suas mãos, ofego com o coração acelerado, abro os olhos e vejo meu próprio prazer refletido em seus olhos azuis que me queimam. Livre do seu aperto firme em minha cintura, faço ele se deitar e começo a me movimentar, me apoiando em seu peito, ele morde o lábio para abafar seus próprios gritos e segura minha bunda com aperto leve, inclinando seu quadril para cima e me acompanhando ao ritmo brusco. – Isso – incentiva entre dentes, meus movimentos se tornam mais lentos o peso da barriga me faz desacelerar o que me frustra, ele observa com encantamento e gira meu corpo com cuidado, afastando mais minhas pernas sem nos desconectar, suas investidas me levam ao desejo sublime, seu nome sai dos meus lábios como uma música barulhenta, ele sabe como provar cada parte do meu corpo, com estocadas profundas e firmes chegamos ao ápice ruidoso, gemo baixinho com duas últimas estocadas secas, meu corpo suado gruda ao seu, o suor escorre pelo vale dos meus seios. Ele resmunga e sai dentro de mim, tombando para o lado, fito o teto, esperando meu coração voltar a bater normal. Solto a respiração e acaricio minha barriga com leveza.
— Bebê – arfo com sorriso bobo nos lábios. — Parece que meu pedacinho não curte muito a mamãe em atividades físicas — ele mexe mais uma vez e chuta.
— Eu vi isso – gargalha Oliver colocando a mão sobre minha barriga – o que foi? Papai não está cuidando da sua mamãe direito? – pisca para mim cinicamente. Reviro os olhos e me levanto da cama, esticando os braços para os lados – onde vai? – questiona.
— Nós vamos – resmungo abrindo o closet.
— Para onde? – questiona curioso atrás de mim.
— Para o trabalho – dou de ombros pegando seu terno cinza e meu vestido rosa. Giro e encaro seu olhar me perfurando com aflição – qual é o medo Oliver? Afinal de contas, quem não deve não tem o que temer. Certo?
— Claro que sim – disse seco desviando e indo para o banheiro em passos largos.
— Ele acha que pode me comprar com sexo e sair como se nada estivesse acontecendo – bufo jogando as roupas na cama.
[....]
O elevador se abre e sigo Oliver para sua sala.
— Bom dia – disse Lívia com sorriso torto em seus lábios.
— Bom dia – respondo com mesmo sorriso. Oliver não faz o mesmo e segue em direção a sala. – Qual seu problema? – questiono irritada, não por ele não responder a Lívia, mas por ele ter se fechado depois que decidi arrasta-lo para a QC. Tudo está me levando ao estresse.
— Nenhum – resmunga sem paciência sentando na cadeira puxando os papeis.
— Claro que você tem algum problema, estou acostumada as suas mudanças de humor, mas esses dias simplesmente você não mudou o humor, só mudou literalmente seu modo de agir, vamos diga logo – esbravejo sem paciência tomando os papeis de suas mãos. Ele ergue o olhar e me perfura com aquele olhar frio e irritado. – O que você quer? Que eu arranque a verdade de você?
— Felicity, não me provoque – rosna batendo na mesa o que me faz estremecer.
— Se não me contar a verdade agora, eu vou descobrir de qualquer maneira e será pior para você, porque eu não convivo entre mentiras – aviso séria. – A escolha é toda sua Sr. Queen.
— Já disse que não tem nada acontecendo comigo, você que deveria se acalmar, pelo nosso filho – bufa afrouxando a gravata.
— Você é a única pessoa no mundo que não sabe ver a verdade de maneira plena, seja realista com você mesmo – digo apertando os lábios frustrada.
— O que posso dizer a você? Que não a machuque, que não faça seu coração se partir ao meio como o meu está agora. Meu mundo simplesmente caiu sobre meus pés e tudo não passa de uma escuridão fria e sombria – disse aproximando vagarosamente olhando nos olhos – eu tive um amor que foi arrancado de mim, fazendo tudo aquilo que eu mais queria desaparecer como passe de mágica, todos esses anos eu me desliguei de tudo e de todos, por que eu não queria sentir o que estou sentindo agora – grita com olhos vermelhos pelas lagrimas que ainda não caíram – a dor.
— Oliver. – Sussurro assustada.
— Ela voltou, quando eu menos esperava e agora eu não sei o que dizer ou que fazer, meu mundo parece estar de cabeça para baixo – disse ofegante enxugando as lagrimas.
— Eu estou viva – disse uma voz firme atrás de mim o que me arrepia por inteira e me assusta. Giro com receio e vejo o inacreditável, prendo a respiração e gelo instantaneamente.
— Helena – sussurro incrédula engolindo em seco, seus cabelos em uma trança raiz caem perfeitamente no lado direito de seu ombro, com vestido roxo rodado sobre os joelhos, com decote v, sapatos quinze pretos e uma maquiagem leve sobre sua pele pálida. – Meu Deus – suspiro com coração acelerado. Agora finalmente entendo toda sua negação em esconder tudo de mim.
— Era disso que eu tinha medo – suspira Oliver atrás de mim segurando em meus ombros, me afasto abruptamente e olho para os dois descrentes.
— Então você voltou dos mortos, como se nada tivesse acontecido? – questiono perplexa. – Como isso é possível?
— É uma longa história Felicity – sorri. Pisco freneticamente tentando apagar a imagem a minha frente parece que estou aponto de ter um ataque cardíaco.
— Isso não pode estar acontecendo – murmuro nervosa passando as mãos pelos meus cabelos.
— Felicity, por favor – disse Oliver ao meu lado.
— Quando você pretendia me contar? – grito o empurrando. – Não percebe aonde chegamos agora, o quanto as coisas mudaram? Você escondeu isso de mim.. por quanto tempo acha que essa mentira duraria? – aponto para ela sem tirar os olhos dele – ela está viva Oliver. Viva.
— Eu sei – sussurra nervoso segurando minhas mãos.
— Não se preocupe Felicity – disse Helena entrando no meu campo de visão – Oliver é seu e isso não vai mudar. Mas preciso da ajuda dele para desvendar algumas coisas que me fizeram partir.
— Isso é uma coisa que preciso ouvir dele, não de você – digo a fitando com receio, não é porque voltou do submundo que devo me admirar e cair no conto de ‘’ahhh coitadinha’’, volto o olhar para Oliver suplicando com os olhos para que isso seja só um pesadelo, mas seu silencio me sufoca – Oliver você não pode escolher entre nós duas, isso não se trata de uma escolha, mas de você realmente sentir seu coração, eu sei o quanto você a amou e o quanto ainda pode ama-la – digo com as lágrimas fazendo meus olhos queimarem. – Mas me afastou e ainda mentiu para mim.
— Sinto muito Felicity, mas você não podia se envolver nisso. Eu precisava descobrir a verdade que fez Helena ser tirada de mim – disse calmamente, um buraco acabou de se abrir entre meus pés – tenho que proteger você de mim mesmo, meu mundo sombrio pode destruir o seu.
— Então é isso? – soluço – você me afastou porque me achou fraca demais para conviver com isso?
— Não, mas você não podia ficar no meio disso tudo, pelo bebê tinha receio que você se machucasse – murmura.
— Não use nosso filho para camuflar seus erros, eu sou uma mulher mais forte do que você possa imaginar – grito dando passos para trás, olho para a Helena que fita o nada sem expressão. – Sua distância pode doer mais do que sua insegurança em relação a nós dois Oliver. Você me fez uma promessa e a quebrou como meu coração.
— Eu sempre vou estar aqui por você, Felicity por favor me escute – disse.
— Não quero um homem pela metade – soluço. Giro em direção ao elevador sentindo o mundo desmoronar.
— Felicity. Felicity – grita ele antes das portas se fecharam estou aponto de enlouquecer, tudo parece um pesadelo me levando ao precipício. Meu coração dói tanto que me faz contorcer por dentro. De tudo no mundo esse era meu maior medo, porque ele estava comigo por tempo indeterminado, talvez em todo esse tempo que passamos juntos ele só esteve pelo o bebê e não por mim, é doloroso eu sei, mas é real para mim.
Saio do elevador esbarrando em algumas pessoas pelo o caminho, ofego enxugando as lágrimas que insistem em cair, chego a rua e aceno para que o taxi pare, ele encosta e eu entro rapidamente. Passo o endereço para o mesmo que me fita assustado pelo retrovisor e segue em velocidade. Dói mais do que qualquer coisa que eu já tenha passado, me sinto no mesmo dia em que ele me abandonou em NY, é como se o coração tivesse sido arrancado pela segunda vez.
Pov Oliver
Disco o número de Felicity, porém só dá desligado. Enquanto aperto o botão do elevador que demora anos para voltar, o que me deixa furioso, eu não deveria ter a deixado sair daquela forma. Errei mais uma vez, a magoei como um idiota que sou, afasta-la disso para quê? Se somos um casal, se estamos construindo algo, seu desprezo é o mínimo que mereço no momento.
— Oliver – chama Helena ao meu lado.
— Eu pedi para você não aparecer na minha empresa – rosno entre dentes – Felicity está grávida eu não queria que ela passasse por isso.
— Eu preciso...
—....Eu sei que você precisa da minha ajuda para desvendar seu mistério – suspiro irritado.
— Sinto muito por ter sido dessa forma – disse calmamente.
— Não sinta – aceno sem paciência voltando a ligar para a Felicity. – Prefiro ir à falência, ser preso, me atirar naquele rio novamente do que ficar sem ela um dia, falhei miseravelmente mais uma vez.
— Não é para tanto Oliver – resmunga.
— Helena a culpa é literalmente sua – rosno secamente. – Talvez eu seja preso por atentado se caso algo aconteça com ela. Vê-la daquela forma me deixou completamente sem rumo.
— Vejo o quanto gosta dela – suspira distante. – Isso é muito bonito e intenso.
— Eu gostei de você da mesma forma, egoísta não? – resmungo sarcástico escutando o celular passar a mesma mensagem, acabo não me contendo e o jogo contra a parede observando ele se partir ao meio – que merda –esbravejo passando as mãos nos cabelos.
— Oliver – disse alarmada segurando minhas mãos – fique calmo ela está bem só precisa de espaço no momento. Solto a respiração longamente, soltando suas mãos.
— Felicity faz parte de mim, é minha companheira, eu não deveria ter mentido – a fito sério relaxando os ombros. –Mesmo ela me odiando agora, nunca vou desistir dela, ela apareceu na vida quando eu me mantinha na escuridão, sinto que devo estar com ela e o resto que se exploda.
— Não estou aqui para roubar você dela – sorrir sentando na beirada da mesa. – O que tivemos no passado – me fita carinhosamente por um momento – ficou no passado, podemos ser amigos agora, mesmo que para mim seja difícil ficar perto de você sem toca-lo. O nosso amor não foi apagado assim – estala os dedos com desdém – mas temos que nos acostumar a isso.
Sua presença me deixa inquieto, ela ainda mexe comigo de certa forma. O amor que eu senti por ela não se apagou assim, o que me atormenta o peito é que mesmo com todos esses anos ela ainda está no meu coração, mas as coisas se tornaram diferentes agora. Com o passar do tempo me acostumei a ideia de ter outro alguém, uma nova razão de recomeçar e isso é bom, me sinto seguro do que tanto desejo. Respiro fundo e vejo a realidade a minha frente, não há como fugir e se esconder como um covarde, preciso ficar e enfrentar tudo isso de frente. De um lado está meu passado, a mulher que mais amei e no qual eu deveria estar feliz por vê-la novamente mesmo parecendo algo irreal, porém não sinto nada em relação a isso. E do outro está meu presente com a qual estou construindo uma vida, tendo uma mulher que me ama do jeito que eu sou, ver Felicity todos os dias ao meu lado me traz paz, aquece meu coração de uma maneira que não consigo explicar só sinto e tenho certeza que não quero perder.
— Tenho certeza que você consegue – digo desdém indo em direção ao elevador, ela se levanta e para minha frente colocando sua mão sobre meu peito me fazendo parar de andar.
— Tem medo de ficar sozinho comigo Oliver? – questiona curiosa.
— Não – respondo sem receio olhando em seus olhos.
— Tenho a impressão que está fugindo de mim – disse dando de ombros.
— Porque eu fugiria de você?
— Talvez porque você ainda me ame da mesma maneira que antes, posso notar o quão quer manter distância de mim, talvez tenha medo de não resistir e querer algo a mais – sorrir com malícia nos lábios. – A saudade está presente em seus olhos Oliver, posso ver.
— Eu amei você, não posso negar – sorrio cético – mas não significa que só porque voltou sou obrigado a ficar com você novamente e deixar tudo que tenho agora para trás, o Oliver que você conheceu era um bobo apaixonado que colocaria tudo aos seus pés, voltaria para você assim com o estalar de dedos – suspiro – Mas o Oliver que sou hoje Helena é um homem que sabe o que quer, nada é para sempre as coisas mudam assim com as pessoas. Se eu ainda a desejasse tanto eu estaria com você.
— É pelo o bebê que você se insiste em ficar com ela?
— É por ela, no início eu reneguei meu próprio filho, sangue do meu sangue, por egoísmo meu, por não admitir meus sentimentos, ela poderia ter me deixado e vivido sua vida como desejasse me mantendo a distância merecida, mas não, ela ficou porque me ama, esperou o necessário para ver que não duraria muito tempo minha negação em relação a ambos, eu não estava em negação mais assustado, tudo aquilo era novo para mim, nenhuma mulher além de você teve tanto espaço na minha vida, enquanto você foi avalanche ela é meu amanhecer, me mostrou que amar é aceitar quem somos de verdade, devemos seguir em frente e ver a realidade de outro jeito – sussurro firme – o vazio que você deixou em mim ela preencheu. Desvio dela voltando para o elevador.
— Fico feliz então Oliver – disse calmamente mudando a sua postura para uma mais ofensiva. – Eu disse a você que o amor poderia torna-lo bom ou não.
— Quer mesmo falar de amor? – rosno.
— Mas vejo que não mudou nada – sorrir com desdém – nosso passado é algo que nos une querido mesmo que você não queira aceitar porque não deseja abandona-la gravida.
— Não mais – murmuro com a mesma frieza que me fita.
— Então você a ama tanto assim? – questiona com sorriso malicioso nos lábios – porque ainda está aqui Oliver?
— Talvez porque eu seja idiota o bastante para perceber as coisas tarde demais – pisco com a mesma intensidade – vou encontrá-la.
— Tudo que vivemos era algo bom para mim e você – disse passando as mãos em seus cabelos.
— Tenho tudo que preciso agora – digo convicto. – Nosso passado acabou quando nós caímos por aquela ponte, preciso só desvendar seus mistérios que também me envolvem, eles ainda me deixam curioso de certa forma, nada mais. Posso sentir algo por você ainda Helena, mas não creio que seja amor intenso, isso não vai mais acontecer — aponto para nós dois.
Entro no elevador seguido por ela, adquiro uma postura firme e distante. Percebo seu nervosismo ao meu lado, o ambiente se torna algo tenso e nostálgico. O elevador se abre e eu saio por ele como um raio, a deixando atrás de mim.
— Oliver – disse Tommy com sorriso que se desfaz ao ver Helena entrar no seu campo de visão – por deus – engole seco – Helena?
— Olá Tommy – disse com aceno voltando a uma postura doce.
— Então não foi loucura minha – sussurra incrédulo.
— Como? – questiono confuso para ele.
— Eu achei ter visto ela há dois anos atrás, pensei que fosse minha cabeça danificada pelo acidente vivido na semana, mas vejo que estava mesmo bem e não foi uma visão minha – murmura nervoso perfurando ela com os olhos.
— Mas o que diabos está acontecendo aqui? – esbravejo. – Quer dizer que todo mundo sabia sobre ela menos eu?
— Eu não sabia – corrigi ele sem paciência erguendo o indicador em defesa — ver pessoas mortas pode ser coisa da sua cabeça. Não acha?
— Eu não estou morta Tommy – sorri ela com desdém. – Pode me ver aqui e agora, assim como das outras vezes.
— Preferia não ver – disse nervoso passando as mãos pelos os cabelos – ver você há dois anos e agora dá no mesmo, não faz diferença, parece loucura do mesmo jeito.
— Nunca gostou de mim, não é Tommy? – questiona.
— Não – suspira sem paciência – você sempre arrumou um jeito de tirar o Oliver de nós. Talvez você tenha enfeitiçado ele de alguma forma, me diga na sua cidade já existia bruxaria?
— Pensei que sentisse minha falta Tommy, mas vejo que sente mais do que o Oliver – sorrir. Reviro os olhos e estou aponto de enxotar os dois da minha frente.
— Basta – encerro a discussão de ambos – pode me contar porque não disse isso antes? – questiono para ele.
— Vou repetir de novo? Eu acreditava que Helena estava morta Oliver e era melhor que tivesse continuado assim – aponta para ela sem paciência.
— Sabia que fui enterrada viva? Leva-me a crer que pode ter sido você – ergue uma sobrancelha para Tommy que franze o a cenho incrédulo.
— Sério Helena? Acredite se eu tivesse feito isso com você, seria bem feito, sem esse perigo de fazer você voltar – bufa de volta. Chegamos a faculdade nesse nível.
— Minha paciência esgotou – esbravejo para os dois – você vem comigo – arrasto Tommy para saída, olho uma última vez sobre ombros e a fito sem expressão – tente não sumir de novo Helena. Ela sorri e acena com banalidade colocando seus óculos escuros, vestindo o sobretudo e indo em outra direção, empurro Tommy pelos ombros para fora da empresa sobre seus protestos.
— Me larga – resmunga soltando-se de mim.
— Você tem muito a me contar – murmuro olhando dentro dos seus olhos. – Enquanto isso procuramos pela Felicity – suspiro com angústia de ver minha irritadinha longe de mim e frágil.
— Felicity já sabe dela? – questiona preocupado. Confirmo com a cabeça e ele solta o ar passando as mãos pelo o rosto – Merda.
Pov Felicity
Em alguns minutos chego a clínica, pago ao motorista e saio do carro, preciso ver a Cait, talvez ela seja a única pessoa no mundo que desejo ver agora, caminho vagarosamente sentindo meu corpo estremecer, passo pela recepção em busca do seu consultório que fica no fim do corredor, mas antes sinto uma pontada na barriga o que me faz gemer alto, me apoio na parede com a dor se alastrando como uma cólica intensa, ponho as mãos na barriga e não sinto meu bebê mexer o que me deixa em pânico, o suor frio faz meu corpo se arrepiar o corredor vazio parece a morte me rondando, meus joelhos vacilam me elevando ao chão, sinto minha parte interior ficar úmida, passo a mão e vejo o sangue. Me sinto zonza ergo o olhar no mesmo momento em que Cait sai do seu consultório com uma prancheta, ao me ver ela solta e corre se jogando no chão me segurando em seus braços.
— Felicity – chama nervosa – me ajudem – grita para os lados.
— Ele mentiu para mim – sorrio triste – ele a ama Cait, isso nunca vai mudar. Tanto que eu o amo e ele nunca valorizou – suspiro com gemido de dor – ela voltou para tira-lo de mim. O amor faz isso com as pessoas, as machucam e as testa até o limite.
— Do que está falando? Socorro. Socorro – grita mais uma vez em desespero fecho os olhos sentindo meu corpo amolecer. – Abra os olhos. Abra os olhos. Felicity.
— Só quero que a dor desapareça – sussurro – essa – aperto sua mão sobre meu coração. Toda nossa história veem a minha mente como uma música cortante.
‘’ vamos recomeçar ’’
‘’ Não tenha medo’’
‘’ Você não vai me perder’’
‘’ Tudo está completo agora’’
Suas palavras me rodeiam e me atingem em cheio como um golpe final.
— Você vai ficar bem, eu prometo – afirma Cait aflita, mas sua voz já está distante de mim. O meu subconsciente me sufoca, meu corpo é erguido do chão, mas a escuridão me engole.
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