Amor sem fim
1 Prólogo - Última vez
Notas iniciais
— Bailey, como ela foi na OR? Ela está bem? — perguntou Arizona
— Ela se saiu bem... E sim, ela está bem.
— Bailey — enfatizou o nome da mulher baixinha ao falar — Ela não está bem... Sofia vive me perguntando por que a Mama anda sempre triste.
— Você não precisa mais se preocupar com isso Arizona... Não é mais o seu trabalho — Bailey disse despreocupadamente.
— Mas, me preocupo. E quero fazer alguma coisa para ajudá-la...
— Esse não é mais o seu lugar, Robbins.
O dia passou rápido. As horas se passaram. E mais um plantão cansativo chegava ao fim. Arizona se preparava para pegar a filha na creche do hospital e ir para casa. Ao chegar em casa, preparou o jantar, brincou e, em seguida, deu banho na filha, por fim, contou uma história para a criança dormir. Sofia se divertia sempre que a mãe contava histórias. A loira imitava vozes, fazia caras e bocas, gesticulava, enfim, tornava mágica cada palavra dita a criança. Arizona, por sua vez, amava cada momento que tinha com a filha. Aproveitava cada segundo. E fazia tudo para ver a menina feliz e sorrindo. E a criança, assim como Arizona, estava sempre dando aquele sorriso de covinhas para todos. Essa era a marca registrada da família Robbins, o belo sorriso de covinhas.
Ao deitar-se na cama, após colocar a pequena Sofia para dormir, a pedido da criança, na mesma cama que ela. Não conseguiu deixar de pensar na ex-mulher, a outra mãe de Sofia. Pensava também no que Bailey havia dito, "Esse não é mais o seu lugar, Robbins" Esse pensamento lhe trouxe um suspiro triste. Entretanto, essa tristeza não era maior do que ter sua filha questionando sobre a tristeza da outra mãe e até mesmo do que ver a ex-mulher triste pelos cantos. Mas, o que poderia fazer naquela situação? Pensou, pensou, pensou. Lembrou dos acontecimentos de alguns dias atrás. Se questionou, "e se ele estiver certo?" O amigo podia ter razão ou não. Talvez ainda existisse algum sentimento de Callie por ela. "E se ela não sentir mais nada por mim?" Concluiu que só saberia tentando.
Não resistiu. Não era tarde. Podia ir na casa da ex. Precisava tentar uma última vez. Então, acordou a filha. A menina choramingou. Queria dormir. Mas, quando ouviu a loira dizer que iriam a casa de mama, se animou. Logo, colaborou com a mãe. Arizona se arrumou rapidamente. Pegou as chaves do carro e uma garrafa de vinho branco. Com a criança nos braços seguiu em direção ao veículo. Colocou a menina na cadeirinha, e seguiu para o banco do motorista. Dirigiu até chegar ao destino desejado. Ao sair do carro , pegou a filha, e caminhou até a porta de entrada da casa. Naquele momento sentiu-se insegura. Sentiu medo. Sentiu-se nervosa. O futuro era incerto e tudo dependeria da decisão da outra mulher. "Você consegue. Coragem, Arizona" murmurou para si mesma. Respirou fundo e bateu na porta três vezes. A porta foi aberta.
A morena parecia estar bem acordada, apesar de estar vestida com roupa de dormir. O coração de Arizona parecia querer sair pela boca. As mãos começaram a suar. Olhou para a filha, no instante em que esta largou a sua mão, correndo para os braços da mama. A mulher mais alta se abaixou para abraçar melhor a filha. Ficou abraçada a menina até a criança perceber a TV ligada, se desvencilhar dos braços da morena e correr para assistir o que estava passando. A morena não convidou Arizona para entrar. Não se sentiam confortáveis. Havia algo no ar. A filha delas já estava sentada no sofá e após mudar o canal para outro, onde passava um desenho, assistia a TV sem piscar os olhos. As duas mulheres se observaram durante um tempo. Até que por fim o silêncio foi quebrado.
— Ei — disse sem jeito a dona da casa — Não estava esperando vocês aqui. — confessou. Callie lembrou que dias atrás havia pensado em convidar elas para um momento familiar entre elas. Que ria se aproxima da ex-mulher. Os pensamentos foram quebrados assim que ouviu a voz da loira.
— Eu preciso muito falar com você, Calliope. Então vim. Mas, preciso que você escute tudo, eu realmente preciso que me escute. Porque tenho que falar, sabe? Preciso que falar com você — Arizona falava sem parar. Era assim todas as vezes que estava nervosa.
— Tudo bem, Arizona — falou, numa tentativa de acalmar a outra mulher. Mas, batia as pontas dos dedos no meio do abdômen, gesto que fazia sempre que estava nervosa — Você deveria começar a falar, então — disse já impaciente com a demora.
A loira olhou profundamente em seus olhos. Suspirou... Sentia o coração bater cada vez mais rápido a cada segundo que passava. Suspirou fundo uma segunda vez. Olhou fundo nos olhos da morena e começou a falar.
— Calliope, eu sei que já passou muito tempo desde que nos separamos. Tenho plena consciência de que falhei muito com você. Fiz coisas que nem sequer sei como pedir seu perdão. Mas, naquela época eu estava tão perdida Callie e eu achava que você não me achava mais tão atraente, na minha cabeça você não me amava, na minha cabeça você amava a antiga Arizona. Daí apareceu aquela mulher, e ela gostou de mim como eu era, ela me conheceu sem a perna... Eu sei que isso não justifica o que eu fiz. — sentiu uma dor no peito — Me arrependo tanto, Calliope... Se eu pudesse voltar no tempo... Você e Sofia são as coisas mais importante da minha vida.
— Arizona, por favor, não continue...
— Por favor, Callie, deixe eu falar. Eu preciso falar, eu preciso... Por favor só me deixe falar — pede em desespero. A mulher mais alta assente com a cabeça. — Eu, eu... — tentava encontrar as palavras — Esse tempo que passou eu amadureci, Calliope. E sinto que posso te fazer feliz de novo. Tudo que eu quero é fazer você feliz. Você, você é o amor da minha vida... Eu só quero te fazer feliz. Me deixa tentar com você de novo, Callie. Eu juro não te decepcionar mais desse jeito. Eu só quero amar você e amar Sofia e te amar... É só isso que eu quero.
— Arizon...
— Eu estou aqui, Callie. Alguma coisa aconteceu naquele bar, naqueles dias e eu estou aqui — ao mencionar isso a morena estremeceu e teve os pensamentos nublados — Eu imploro. Aqueles dias aconteceram e eu senti que a gente pode tentar. Me deixe te amar de novo, Calliope. Isso é tudo que eu quero. Acordar todas as manhãs com você e Sofia na mesma casa, dormir com você todas as noites, assistir você respirar enquanto dorme, envelhecer ao seu lado, ter mais nove filhos com você. É tudo que eu quero. Sei que aconteceram muitas coisas entre nós. Eu só estou pedindo uma chance para provar que eu te amo e para fazer de você a mulher mais amada desse mundo. Me dê essa chance, Calliope.
As duas se olhavam. Havia uma confusão de sentimentos e sensações dentro de Callie. A morena não sabia o que pensar, não sabia que decisão tomar. Em seu âmago sentira uma imensa alegria se instalar com aquela declaração, mas havia muito medo, muitas dúvidas. Alguns minutos se passaram e a mulher mais alta ainda não falara nada. Arizona não conseguia dizer mais nada, sentia que ia explodir. Abria a boca, fechava e abria novamente. Sem conseguir formar uma única palavra. A morena ficar em silêncio não ajudava.
— Callie, fale alguma coisa — a loira suplicava.
O silêncio era enlouquecedor. O coração estava agoniada. Tentava não chorar. Tentava se manter forte. Não era fácil entretanto, mas tinha que se controlar. Passaram-se mais alguns minutos sem que uma única letra fosse pronunciada.
— Diga alguma coisa. — pedia já em desespero.
— Eu, eu... Eu sinto muito, Arizona... Não sei o que dizer. Eu não posso fazer isso de novo. Eu, eu... — A mulher a interrompeu. Preferia não ouvir o que estava por vir. A dor que sentia no peito era forte. Era como se seu coração estivesse sendo arrancado. Pedia a si mesma para não chorar ali. A vontade era de gritar o mais alto que pudesse assim que teve a resposta indesejada. Com um esforço sobre humano se manteve forte. Não gritou. Não chorou. Não correu. Esboçou um sorriso fraco. Embora por dentro, estivesse chorando. Respirou fundo e voltou a falar.
— Bem, tudo bem. Tudo bem — Levantou a cabeça sem fixar os olhos nos da morena.
— Eu desejo que você seja feliz, Arizona. — deu um sorriso fraco.
— Eu sei, eu sei... Também quero que você seja feliz — as duas sorriram sem emoção. — Ahm, é por isso que, bem — a baixinha voltou a falar se atrapalhando um pouco nas palavras. Levou certo tempo entre as frases. A mais alta a observava. — Bem, acho que de certa forma eu já esperava essa resposta... Eu tenho essas passagens, ganhei de uma paciente insistente em dar o presente — tentou sem sucesso esboçar um sorriso — podem ser usadas para qualquer destino. — deu os pápeis — Não tem nome marcado, porque é um jatinho particular. Você só tem que informar com 48 horas de antecedência nesse número.
— Não estou entendendo.
— Tudo que quero é que você seja feliz, Callie. E eu vou ficar bem... Dizem que o tempo cura tudo. — mencionou dando um sorriso amarelo — Você pode levar a Sofia para Nova York, só a traga esse fim de semana, caso você vá agora, porque... Bom, você sabe o porquê. Esse ano a nossa filha passará o Natal comigo. Próximo ano ela ficará o Natal com você e estudará aqui em Seattle. Vamos compartilhar a guarda.
— Arizona, eu não sei o que dizer — levantou a sobrancelha e fez uma expressão confusa. — Você está falando sério?
— Eu só quero que você seja feliz, Calliope. Nós deveríamos ter feito isso do jeito certo antes. — falava com esforço.
A decisão não havia sido fácil. Colocá-lo em prática estava sendo ainda mais difícil. Sentia como se todo o seu corpo estivesse em choque. Sentia o peito sufocar e pressentindo que não ia conseguir se controlar mais por tanto tempo, resolveu que era hora de sair dali.
— Agora eu preciso ir.
A mulher mais alta a segurou pela mão e a puxou de volta dando um abraço. Sentir aquele abraço tornava tudo ainda mais difícil para a loira. "Preciso sair daqui urgentemente", pensava. Não permitiu o abraço por muito tempo. Se desvencilhou.
— Eu realmente preciso ir. — Começou a virar o corpo, ficando de costas para a morena e saindo dali o mais rápido que pode.
— Obrigada, Arizona — não sabia exatamente o porquê de ter agradecido a atitude da loira. Seu coração estava pequeno e apertado.
Também não sabia se a outra mulher a havia escutado agradecer, visto que não foi lhe dada uma resposta. Arizona, entretanto, a havia escutado, mas já em lágrimas, optou por não responder. Seguiu para o carro. Abriu a porta e entrou no automóvel. Em seguida, olhou em direção a porta da casa. Constatou que a outra mulher já havia entrado e deixou as lágrimas correrem livremente. Permaneceu chorando ali durante algum tempo e não saberia precisar exatamente quanto. Após se sentir mais calma, ligou o carro e dirigiu sem nenhum destino em mente.
No pier, onde ficavam as balsas de Seattle, Arizona sequer lembrava como havia chegado ali. Segurou o guarda corpo inferior do pier, colocando as pernas do lado de fora da estrutura para que pudesse se sentar. Sentia todo o corpo doer. Observou a grande lua cheia se encontrando com a água. Era bonita aquela imagem, mas naquele momento não conseguia enxergar beleza em nada. Nada era bom. As lágrimas continuavam a cair pelo seu rosto, sem dar nenhum sinal de quando iria cessar. Na garganta sentia um nó que a fazia soluçar. Aquela sensação era sufocante.
O silêncio do local era ensurdecedor. Se sentia sozinha. A tranquilidade do local foi quebrada. Começou a ouvir um som ao longe. Eram passos, além de uma respiração ofegante, como se alguém estivesse correndo. Os segundos iam passando e o barulho tornava-se maior. Aquilo fez com que o choro cessasse. De repente viu uma sombra rápida passar. Virou o rosto e pode perceber que era uma mulher correndo até o final do pier. A pessoa não pareceu notá-la. Ficou observando-a e estranhou quando viu a estranha subir o guarda corpo inferior do pier, em seguida passando as duas pernas para o lado externo do mesmo, e segurando com as duas mãos o guarda-corpo superior.
Ao ver a ação da mulher resolveu se levantar. Passou as mãos pelo rosto, a fim de enxugar as lágrimas. Caminhou até a desconhecida. Decidiu se aproximar com cuidado. Não queria assustá-la. Observou o que a mulher fazia. Notou uma leve inclinação da moça para trás. O corpo da senhora estava com o tronco um tanto afastado do guarda-corpo do pier, a cabeça encontrava-se olhando para água abaixo e as mãos permaneciam segurando firmemente a madeira fria. Resolveu se aproximar mais. Fez isso lentamente, até que chegou próximo a moça.
— Olá. — cumprimentou a estranha
A desconhecida, embora não esperasse a abordagem, não se assustou. Virou o rosto para olhar quem falava. Não respondeu nada, apenas olhou. Não dava para ver muito coisa. Era noite. E não havia iluminação. A única claridade ali era a da lua. Ouviu novamente a pequena mulher murmurar alguma coisa, mas não ouviu muito bem e decidiu interpelar.
— O que você disse?
— Eu perguntei se você não tem medo de ficar aí... Parece perigoso. Você sabe, você pode cair.
— Hum... É, ahm, não sou medrosa, nunca fui, nem quando criança.
— Imagino que não — Arizona respondeu sorrindo. O sorriso não fora notado devido o breu do local. — Eu poderia ser tão corajosa quanto você e tentar ver a água daí. Parece ser interessan...
— Não aconselho... É perigoso — a moça falou cortando a fala da loira e sorrindo.
Arizona também sorriu fazendo uma careta que não havia como ser notada.
— É irônico ouvir você dizer isso, já que parece não se incomodar com o perigo. — cuspiu revirando os olhos.
— Como já falei antes... Não sou medrosa.
— Bem, como eu ia dizendo, parece interessante, aventureiro e emocionante olhar tudo daí. Até poderia tentar fazer o mesmo, mas tenho uma perna amputada — Ao mencionar essa última parte, Arizona suspendeu a calça para que a desconhecida pudesse ver... Só depois percebeu que estava muito escuro para que qualquer coisa pudesse ser vista. Então, voltou a falar e soltou a calça — Acredito que não seria muito inteligente da minha parte subir aí.
— Acho que não é inteligente para ninguém fazer o que estou fazendo.
— Concordo com você. E já que você mencionou isso, que tal você voltar para cá? — Arizona esperava que a mulher retornasse, mas passou uns minutos e nada acontecia. A moça sequer se mexeu, simplesmente permanecia do mesmo jeito — É que pode não parecer, mas estou ficando nervosa vendo você aí. — disse isso já batendo o pé nervosamente no pier.
— Tudo bem... Eu já fiquei demais aqui... Não está sendo mais tão divertido. — Ao mesmo tempo que falava se movia a fim de ir a parte segura do pier.
— Vem, vou ajudar você... — a loira disse se aproximando ainda mais e levantando a mão para que a outra pudesse segurar.
— Não preciso de ajuda. Vim sozinha, saio sozinha.
— Ok.
Arizona permaneceu próximo a moça. Observava o transpassar de pernas até que a mulher ficou com o todo o corpo do lado interno da estrutura. Não havia mais nenhum grande risco. A loira, em um reflexo rápido, segurou a outra, a fim de evitar uma queda, quando percebeu o desequilíbrio da mulher, ao dar um pulo do corrimão inferior do pier para o chão. Segurou-a somente o tempo de evitar a queda. Não falaram nada uma para a outra. E agora, já mais próximas, puderam notar alguns traços do rosto uma da outra sem muita definição. Somente o suficiente para perceber que eram bonitas.
Por fim, a médica resolvera quebrar o contato visual e voltar ao lugar onde estava antes, sem pronunciar nenhuma palavra. Afinal, não estava muito interessada em conversar com ninguém, simplesmente havia achado a atitude da outra mulher arriscada e resolveu fazer algo a respeito. Sentou-se no mesmo lugar. Pegou a garrafa de vinho que trouxera consigo e tentou abri-la sem sucesso. Desistiu de abrir e depositou a garrafa ao lado. A desconhecida somente observava a situação. Resolvera enfim, ir até a mulher, sentou-se ao lado sem comentar nada, pegou a garrafa de vinho e tirou a rolha com a própria boca, conseguindo assim dar uma pequena golada na bebida. Em seguida, ofereceu o vinho a loira com um sorriso nos lábios.
— Você quer?
— O vinho é meu, claro que eu quero. E não lembro de ter te oferecido — Arizona falou rindo em tom de brincadeira... Ao mesmo tempo, entre as falas, dava goladas gigantes no vinho — Você pode beber mais, se quiser... Eu só estava brincando — ofereceu a moça.
— Na verdade, eu nem deveria ter bebido. Não estou podendo beber.
— Hoje eu preciso muito encher a cara.
— Seu celular não para de tocar — sussurrou a morena em voz baixa. — Não vai atender?
— Hum...
— Não vai mesmo atender? — perguntou ao notar o toque mais uma vez — Pode ser importante. Quem quer que seja não para de ligar.
— Uma hora desiste — Arizona disse sem com voz desanimada — É a Callie e eu não posso falar com ela agora... Não posso lidar com ela nesse momento.
— Parece que alguém aqui está em uma briga de amor? — perguntou sorrindo.
— Não há mais amor — A loira afirmou em um tom triste — Pelo menos não da parte dela.
— Oh meu Deus!! Eu havia falado brincando. Eu nunca iria imaginar que você fosse lésbica.
— Por que não??
— Ah, eu não sei... Eu só não imaginava, ok?
— Isso não importa, não pra mim.
— Bom, eu sinto muito por você. Quer dizer... Hum, eu não sei o que dizer. — disse isso se calou. — Então, mas veja que inusitado, somos duas mulheres lindas. — falou para animar a loira — Tudo bem, estamos tristes, mas somos gostosas e quentes. Podemos nos tornar amigas. Bem, estamos conversando como se fossemos amigas de longa data... E você me falou da Callie. Digo mais, eu vou atender seu celular se você não desligá-lo e ele tocar mais uma vez. Isso é só um aviso. Estamos no pier de Seattle, olhando a lua, com uma garrafa de vinho. Eu não esperava terminar essa noite assim. Talvez eu esperasse cair na água, mas terminar assim... Não mesmo. Nem nos meus sonhos.
A loira, que já estava alegre devido ao alto teor de álcool no sangue, começava a rir do que era dito. De repente gargalhou e comentou — E eu nem sei o seu nome — gargalhou ainda mais alto cuspindo vinho sem querer na mulher.
— Ei, você está me cuspindo.
— Sinto muito, sinto muito... Mas, é engraçado — mais uma vez gargalhou e derramou um pouco mais de vinho na estranha.
— Ok, ok, ok, ok, ok, ok.... Eu já entendi — Respondeu rindo das bobagens da galega — E você está proibida de gargalhar. — ouviram um barulho — Seu celular está tocando de novo — falou e pegou o aparelho. A loira até tentou protestar, mas a outra se levantou e o atendeu.
— Alô... Hum, veja bem a Arizona — falou entre risos por causa do nome que o homem mencionara e que ela imaginava ser da loira — a Arizona está bêbada e ela realmente não está em condições de falar agora — A loira murmurou algo e começou a rir — Pode deixar Richard... Sim, eu informarei a ela que você ligou. — Desligou o celular e se direcionou a loira sem devolver o celular da loira — Você ouviu? — perguntou, mas foi emendando as falas sem dar chance da outra responder — Era um tal de Richard. E, hum, há uma mensagem de voz no seu celular. Quer ouvir?
— Você é bem intrometidazinha... — a desconhecida fez uma careta com a boca ao ouvir Arizona — E não, não quero ouvir nenhuma mensagem de voz... Deve ser da Callie. Não quero ouvir. Você pode só apagar, por favor.
— Ok. Mensagem a-pa-ga-da. — disse lentamente — Meu nome é Francesca Girdony — falou e ao ouvir a outra começar a dizer o próprio nome, interrompeu — Arizona, sim, já sei... O Richard falou.
— Arizona Robbins — a loira mesmo assim decidiu falar. Dando a mão para cumprimentá-la.
— Arizona Robbins. Seu nome é muito estranho — falou rindo — Bem, Arizona Robbins, tudo que eu posso te dizer é que, seu eu gostasse de mulher, te agarraria agora. E como sou ótima de cama você esqueceria essa Callie rapidinho e não ia querer ficar com mais ninguém- notando uma mudança de expressão na face da outra... resolveu questionar — O que foi? Duvidando? Eu sou muito boa de cama... O método Girdony não falha nunca — disse rindo.
— Não duvido... Só que Callie tem um sexo incrível... É insuperável.
— Ok, não vou cair no seu joguinho, não mesmo... Você está dizendo isso para me sentir desafiada e te levar pra cama. — disse e gargalhou
— O que? Eu não quero te levar pra cama — respondeu a loira fazendo um careta com a boca.
— Claro que quer. Todo mundo quer me levar pra cama.
— Meu Deus, você tãoo modesta. — sorriu
— Sou sincera. E sinto te decepcionar, mas realmente não curto vagina — as duas gargalharam — Entretanto, tenho certeza que há uma fila enorme esperando por você. Logo, logo você esquecerá essa tal de Callie... Tenho certeza.
— Sou perneta, esqueceu? Essa fila, esperando por mim, cai para metade ou menos. — falou rindo da piada.
— Você não me disse isso. Olha, eu tenho AIDS e estou grávida. Suas chances de encontrar um novo amor são bem maiores do que as minhas. Agora, sinceramente, você está ficando interessante, e eu realmente estou cogitando transar com você — as duas gargalharam alto pelo mesmo pensamento que tiveram em voz alta. "Estamos fudidas."
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