Armando surpreendeu Betty convidando-a para a Festa do Amor e da Amizade na Paróquia do Bairro de Palermo e não aceitou sua negativa.

Os dois estavam passando um bom momento quando o telefone soou:

—¡Oh, que cruz! –virou os olhos –Olá,meu amor! Já vou, Marcela! Estou resolvendo umas coisinhas com Betty. Já Vou! Que besteira! Ela nunca foi minha celestina!

Marcela grita com ele e dá um ultimato para que chegue em meia-hora. Armando desliga o telefone e por pouco não o joga longe.

—Calme-se, doutor ou te dará algo!

—Me deixa fora de mim! Quer me controlar a todo momento. Tenho que ir, Betty.Pena, pois estava tão boa nossa conversa,mas se eu não for, vai ligar para minha mãe e fazer drama dizendo que a deixei sozinha, que a maltratei. Imagina, se faria isso Betty¿

—Lógico que não.

—Me dá raiva, me dá vontade, mas jamais machucaria uma mulher. Sabe, pensoque ela queria que fizesse, bem que gosta destas práticas sadomasoquistas.

—Ai, doutor. –Betty fica vermelha

—Vamos !

—Doutor, façamos assim: como não vim em meu carro, eu pego um táxi e pode ir direto à sua casa!

—Não! Te trouxe e vou te levar para casa!

—Doutor, vai ter problemas!

—Minha vida é um problema, Betty como sempre foi! Mas creia que desde que a conheci me ajudou a me livrar de muitos e o mínimo que posso fazer é te levar para casa. –acaricia sua bochecha.

No carro, Armando desabafa sobre os escândalos desde o início do namoro até os dias atuais. Sabe que Betty é a única pessoa que o escuta sem tirar sarro ou criticá-lo e muitomenos dar maus conselhos para que se vingue saindo com modelos.

—Mudando de assunto, Betty! Creio que vai ser muito divertida nossa festa e vou ter que contar para uma pessoa, Betty!

—Não, doutor!

—Pode ficar tranquila, Betty! Esta pessoa não trabalha em Ecomoda, é discreta e muito nossa amiga!

Armando deixa Betty em casa e ouve a cantilena de Marcela.

—Se foi com uma vagabunda¿

—Que VAGABUNDA, Marcela! Estava com Betty! Tratando de coisas da empresa! Só para isso sirvo!

—Mas hoje pé o Dia dos Namorados e deveria estar comigo!

—Que é isso¿

—Algo que comprei para ti por hoje.

Aconselhado por Betty, Armando comprou uma caixa de chocolates finos no restaurante de Michel. (Ai, pobre Betty). A caixa feita especialmente para a data era em formato de coração com deliciosos bombons com licor e cereja. Marcela, respira fundo e sorri, acalmando-se.

—Está mais tranquila agora, Marce?

—Está aprendendo! (Beijo)

Para acalmar Marcela, Armando tem que cumprir com suas obrigações de esposo, como gosta Marcela, bem agressivo para que pare de reclamar e o deixe em paz.

—¡Ufa! Dormiu! (olhando o teto) Esta mulher me tira do sério! Não sai como pensei que com o casamento as coisas iriam melhorar e ficaria mais calma e menos controladora!

No dia seguinte, Armando começou a colocar em prática o que havia prometído a Betty. Costumava ir a estas festas paroquianas com sua avó quando pequeno, assim que decidiu que poderia ser divertido, muito diferente das festas pomposas e cheias de frescuras a que ia. Ainda mais, iria com Betty, sua única amiga, uma das poucas pessoas com quem gostava de conversar, rir e trocar ideias.

—Então está combinado! – desliga o telefone

—Tigre! -Mário abre a porta com tudo

—Que combinou, héin? Está combinando as andanças com amiguinhas e não ia me convidar?

—Não, Mario! Imagina! Só estou combinando algo que ... que... comprei para ... Marcela! Isso.... algo pa-ra Marcela! –mentindo-lhe

—Para Marcela? (decepcionado)

—Isto, homem! E quem combinas os esquemas com as amiguinhas é você, não?

—Então! (esfregou as mãos) -O par de gêmeas!

—Esta noite vamos passar muito bem!

Depois de programar com as moças e Mário para ir a seu escritório, Armando vai à sala de Betty.

—Olá, seu Armando! Já ia à sua sala! Para mostrar o Novo Plano de Negócios que temos preparado, Nicolás e eu!

—Mas, onde está Nicolás, eh?

Betty ri.

—Ah, doctor! Nicolás está difícil de encontrar! -ri -Já não é mais o mesmo! Oj oj oj

—Como assim?

—Creio que está apaixonado por esta moça com quem que está saindo, já sabe como é! Oj oj oj

—Não! Não sei como é! Nunca me apaixonei, Beatriz! Te disse!

—Ai, perdão seu Armando! É só que pensei que depois de todos estes anos...

—De Marcela? Não tem como!

—Não quis dizer dona Marcela, mas ...

Betty recorda sua conversa com Mário há cerca de três anos quando disse que estava às vésperas de casar-se e a mulher de sua vida não havia aparecido.

—Mas assim, seu Armando, nunca se apaixonou de verdade?

—Já sentí várias emoções, Betty! Tive, o sexo mais selvagem, perdão, é uma dama (Betty estava vermelha) Mas ...

—Está bem, doutor, somos amigos e pode dizer o que queira.

—Tive relacões sexuais de todas as formas: das românticas até as mais violentas, com consentimento, porque não sou um abusador.

—Imagina, doutor! As mulheres ficam loucas por você, fariam tudo para irem com o senhor, nunca teve que obrigá-las a nada!

—São muito loucas! Bem, de qualquer jeito e em qualquer lugar que possa imaginar! Loiras, morenas, negras, asiáticas, indígenas, de várias nacionalidades e idades, mas nunca, nunca sentí algo como o amor, sabes¿ Ou aol menos algo como eu creio que é amor! Como meus padres, esse carinho, entrega total. E olha, já tentei, mas para mim, nunca aconteceu!

—Bom, doutor… Nunca é tarde… "De todo tipo, ah? Mas a uma FEIA, como eu, tenho certeza que não deu nenhuma oportunidade! –pensou — "Se eu tivesse coragem, teria tentado quando era solteiro! Pobre, seu Armando não sabe o que é amor!”

Betty estava triste e Armando se deu conta.

—Ah! Mas não é assim! E acredito que não é para mim, assim que não fique triste por mim! Sou feliz como sou! Não creia que sou insensível, sei ser carinhoso, as mulheres nunca se queixaram, ao contrário, creio que elas sim, sentem! (Que sortudas! Ev quem se queixaria¿) Mas gostaria muito saber como é fazer amor estando apaixonado de verdade, mas não é para mim! E você, Betty¿

—Eu quê?

—Alguma vez já se apaixonou?

—Eu? –ficou vermelha

—Foi por Nicolás? Antes quero dizer, antes de terminarem? Que vergonha, Betty, te perguntar isto. É que as do quartel sempre dizem que você e Nicolás eram namorados, mas agora ele está saindo com outra e você esta feliz, então, deve ter terminado.

—Não! Nicolás e eu nunca tivemos nada! Foi uma fofoca! Como leva a sério este tipo de coisas! Como é fofoqueiro, seu Armando! Oj oj oj -desconversa, pois não quer falar no assunto, ele ri junto com ela.

—Mas alguma vez se apaixonou por alguém?

—Bem, sim!

—E como foi?

—Ah! Posso dizer que é fantástico! A melhor coisa que já senti!

—Ah sim? E continua apaixonada por esta pessoa?

—Sim…

—E te corresponde?

— E-ele não sabe! E tampouco creio que corresponderia se soubesse!

—E por que não?

—Porque não sou ... não sou o tipo de mulher com quem sairia.

—Como sabe se nunca disse a ele?

—Não é necessário!

—Olha, pode ser que te surpreenda!

—Será melhor que deixe este assunto, doutor! -vermelha

—Está bem! Mas caso lhe confesse, me diga se deu certo!

—Pode ter certeza que será o primeiro em sabê-lo!

—Bem, voltando a nosso encontro dominical, a que horas começa a festa, ah?

—Às três da tarde. Oh, doutor, tem certeza que poderá ir? Não quero que tenha problemas com dona Marcela!

—Este horário é perfeito, Betty! Exatamente no domingo à tarde, Marcela está na Reunião com as damas da sociedade no clube! Perfeito, picarona! -Toca seu nariz. –Então, nos encontramos lá! Mas e o traje, como é?

—Imagina, entende disso mais que eu!

—Digo o critério!

—Algo como esporte fino!

—Excelente. E agora, minha acompanhante, além do domingo, quero que deixe reservado o sábado!

—Como assim?

—Que não faça nada, não agende nada! Cata passará por tua casa e te levará a um lugar para que te preparem!

—Como?

—Sim, Cata te ajudará escolher roupa e a se arrumar.

— Oh, doutor! Salão de beleza, não!

—Sim, senhorita!

—Estas coisas não me funcionam comigo!

—É uma ordem, Beatriz! E não tem desculpa! Deve deixar que Cata faça contigo o que ela achar necessário!

—Sim, seu Armando! É que...

—Não disse que não ficava bem para mim ser visto por aí com uma feia? Pois, então, veremos se irei ao baile com uma feia depois que Cata te assessorar! Ela está acostumada a estas coisas! Já assessorou muitas atrizes, modelos, damas da sociedade!

—Ah, seu Armando a diferença é que desta vez ela terá um grande desafio: a de fazer o mesmo com uma feia como eu! =

—Olhe! Se eu fosse você, confiaria em Cata. Ela ficou muito animada quando falei! E já sabe: É UMA ORDEM, BEATRIZ!

—Sim, seu Armando!

Armando começa a rir, porque Betty sempre cai em sua piada, “como eu daria este tipo de ordem?”

Éle lhe dá duas palmadinhas nos ombros.

—Calma, sim? –disse colocando a mão nos seus ombros, provocando-lhe arrepios.

—_________

No sábado, Catalina passou pela casa de Betty.

—Olá, Betty! Tudo bem?

—Sim.

—Está animada? -sorrindo

—Ai, dona Catalina! Na verdade não!

—Não?

—Não.

—Isto é estranho! Não conheço mulher que não fique animada de ter um dia de beleza, ainda mais de graça!

—É que minhas experiências neste sentido tem sido desastrosas! Creio que não tenho conserto! ojojojo

—Por isto aceitei esta proposta de Armando! Tenho certeza que está errada a seu respeito! Confia em mim?

—Ai, dona Catalina!

—Confia ou não?

—Está bem!

—Ótimo! Verá que não te arrepentirá!